Paris
Publicado por Marta em 23 Mai 2007 | sob: Cotidiano
Minha amiga Simone sonhava em conhecer Paris, mas o destino a mandava sempre para NY. Quando finalmente surgiu a chance, estava sozinha, descasada e sem amigos com férias no mesmo período. Depois de colocar a maior pilha, achei que lhe devia um roteiro. Por sorte, o destino me levou algumas vezes a Paris.
Querida Si,
Queria começar com um conselho básico, para quando você estiver pisando pela primeira vez em Paris. Se por acaso alguém no aeroporto ou um funcionário do hotel não te tratar bem, releve. Ache engraçado. Não colecione as histórias, como muitos adoram fazer, para embasar a tese de que os parisienses são insuportáveis. Muitos brasileiros curtiriam mais Paris se abandonassem essa postura…
É fácil – e interessante – entender o jeito dos parisienses. Finja que é um deles. Se você conseguir dar o nó certo no cachecol, maquiar os olhos de forma discreta, passar algumas horas num café com um livro (disfarce, se for o guia) e andar de metrô com certa familiaridade (depois da terceira vez), vai conseguir entendê-los. A cidade é deslumbrante, a história e a cultura são emocionantes, aqueles é o seu habitat natural. Aí vem aquela horda de turistas nem sempre educados, que querem devorar Paris em poucos dias, como se fosse fast food!
Não saber comer, aliás, é a maior de todas as heresias. Então, economize nas compras, mas não na comida!
É verdade, existem McDonald’s em Paris. Segundo consta, só turistas e franceses mais broncos freqüentam. Nunca, em hipótese alguma, nem com muita fome e solidão, entre num deles, ok?
Não sei como é entrar sozinha nos restaurantes e bistrôs. A vantagem é que você pode escolher aquele aonde vai se sentir mais à vontade, só pelo ambiente. A comida sempre será boa. E não pega mal beber uma taça de vinho desacompanhada. Ao contrário. Na hora do almoço, você vê franceses comendo baguete com taça de vinho, salada com taça de vinho, crepe com taça de vinho. Depois, eles voltam para trabalhar. Salada foi uma descoberta da minha última ida a Paris. Elas são uma delícia (não muito light, como nenhum prato francês). Ah, a maioria dos restaurantes tem cardápio em inglês, é só pedir.
No café da manhã, esqueça as frutas e aproveite os laticínios (todos). Não sei por que cargas d’água, mas as frutas só aparecem em calda, e ninguém faz um suco natural por lá. O pior é que as frutas existem, nos mercadinhos, lindas. Em compensação, o leite é fantástico, até para quem não gosta de leite, como eu.
Uma boa opção de refeição entre um programa e outro é aquele crepe enrolado, servido em barraquinhas na rua. O queijo é sempre forte, mas uma delícia. Na última vez, comemos num quiosque embaixo da Torre Eiffel, na beira do rio Sena. Você compra um e senta para comer na mureta ou na escada que desce para o rio, de onde saem passeios de barco. Esse passeio é bem bacana, para antes ou depois da torre. Olha, você tem que subir na torre, nem que seja para dizer que foi lá. Uma idéia é se enturmar num grupo grande de turistas, desses com guia. Se possível, de italianos, que são sempre alegres, para o tempo passar mais rápido nas filas (sim, elas são inevitáveis).
O museu óbvio e imperdível é o Louvre. É de arrepiar. Estou com inveja de você poder ir sozinha, um dia inteiro. Nunca fui com essa liberdade. Mas tem um outro museu que não pode faltar, porque é realmente especial: o d’Orsay (“dorsé”). Vale pelas obras e pela construção, numa antiga estação ferroviária, linda. O Pompidou é interessante, modernoso. Mas se faltar tempo, você pode tranqüilamente ver só por fora, entrar no saguão principal, tomar um café no mezanino e economizar no ingresso.
Se puder, evite Montmartre sozinha. É romântico demais… Espere companhia e vá à tardinha. É bem legal ir de metrô. Quando chegar na estação, tem que pegar um elevador, depois um bondinho (Funiculare) e fica tudo mais divertido. Veja a igreja de Sacre-Coeur por dentro, depois se sente nas escadarias e aprecie a vista de Paris ao entardecer. Aí vá jantar, encher a cara de vinho, olhar as lojinhas e os artistas. E volte para apreciar a vista de Paris à noite.
Saint Germain des Prés e Opera são bairros para passear a pé. Opera é onde ficam os grandes magazines - outro programa ótimo para fazer sozinha. Você pode primeiro visitar a Opera propriamente dita, olhar os cafés históricos e depois caminhar até o Boulevard Houssmann. Lá estão a Galeries Lafayette (vá na de cosméticos e moda feminina e também na que tem artigos para casa) e a Printemps. A Lafayette é linda, tem uns sofazinhos para descansar e água de graça.
Você pode almoçar no último andar da Printemps. Ali tem um restaurante com uma cúpula linda, que nem a Lafayette. Se preferir algo mais informal, tem o subsolo da Lafayette, com um supermercado bem charmoso e comidinhas. Você pode comer ali mesmo ou fazer suas comprinhas, incluindo meia garrafa de vinho, e depois jantar no hotel. Igualzinho ao que as francesas fazem depois do trabalho!
No bairro da Opera, onde eu fiquei duas vezes, tem ainda os boulevares dos Italianos e Capuccinos, amplos e gostosos de caminhar. Outra calçada ma-ra-vi-lho-sa de se andar, claro, é a do Champs Elysses, com suas vitrines cintilantes. Mas, para fazer compras, fique com a Galeries Lafayette! No final (ou no início) do passeio, você pode dar uma olhada no Arco do Triunfo, que não é nada demais.
Para circular na cidade, encare logo e aprenda a andar de metrô, o quanto antes. Isso dá uma sensação de liberdade em Paris indescritível. Tá, você não vai ver as paisagens. Em compensação, não depende dos raríssimos táxis. Pode escolher qualquer coisa no guia e seguir em frente, sem precisar de ajuda. O truque é, antes de sair, memorizar a direção e a estação onde vai saltar (ou fazer a baldeação). Você pode escolher um desses museus pequenos, na casa onde o artista morou, e fazer o seu programa - que só você fez em Paris.
Também tem que visitar a Notre Dame. Vale a pena inclusive pagar para ver a cripta e subir nas torres. Preste a atenção na história, pense em tudo que aconteceu por lá, aproveite o silêncio para admirar os vitrais. Depois do banho de cultura, siga em direção a Saint Germain Des Pres, a pé. É um bairro charmosíssimo, cheio de cafés famosos (olhe no guia). Deu vontade de conversar um pouco em português? Vá na loja da Natura! Peça para ver o andar de cima. A loja é encantadora, além de ser a única da Natura no mundo, já que eles cismam com esse sistema de revendedoras por aqui.
É realmente surpreendente encontrar cosmético brasileiro em Paris. Caipirinha, nem tem mais graça, de tão comum na Europa. Aliás, sempre que houver um pretexto, diga logo que é brasileira. Aí os franceses vão mostrar que não são assim tão rabugentos.
Puxa, já ia me esquecendo dos jardins. Mas não sei como estarão em outubro. Melhor deixar para a próxima viagem, quem sabe juntas!
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Adorei revisitar mentalmente Paris com o seu roteiro!
Entre os museus, senti falta do L´orangerie e do Rodin, pequenos e ótimos, porque museu grande às vezes cansa… Diga pra Simone não deixar de ir ao Jardim de Luxemburgo e ao das Tulherias, atrás do L´orangerie, se não me falha la mémoire.
Estou adorando seu blog!
Beijos!
ainda da tempo de dar minhas dicas tambem?
Cathe, Simone já foi, já voltou, mas esse roteiro continua aí, para os próximos sortudos com viagem marcada para Paris. Várias pessoas já repassaram esse link, então deixe suas dicas sim!
Foi e voltou e eu tava lá junto!!! Protestos, protestos! Marta, adorei o blog e também o charmoso roteiro. Vou passar de novo por lá mês que vem. beijos
Pois é, Vanessa. Você conseguiu ter a companhia da Simone, mas agora é a minha vez! Aguarde o “Londres com Simone”, no Espuminha! Beijão
Adorei as dicas. Vou pra Paris sozinha em março e estou procurando lugar pra ficar, já achei alguns apartamentos bem baratos. Quero ter certeza de visitar o que valha a pena!
Seria maravilhoso de desse para ir no final da viagem, a outro país, ou outra cidade da França.