Viagens
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Dicas, atualidades e assuntos para o café
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Publicado por Marta em 01 Ago 2008 | sob: Viagens
Baixando as fotos da viagem, lembrei do dia em que presenciamos os famosos bombeiros de Nova York em ação. De verdade. O acidente não era grandes coisas: uma caminhonete adentrou a portaria de um prédio na Little Brazil Street, esquina com Fifth Avenue, aparentemente sem feridos. Foi o suficiente para uma pequena multidão se instalar ao redor, com celulares em punho para a foto do dia.
Os homens do FDNY (Fire Department New York) tornaram-se exemplo maior de heroísmo depois do 11 de setembro, quando 200 deles morreram tentando resgatar as vítimas do atentado. Continuam brilhando nas manchetes por motivos mais prosaicos, como o calendário que estrelam anualmente e causa alvoroço entre a mulherada. No ano passado, um vídeo erótico com um deles foi divulgado na internet, e o calendário chegou a ser suspenso.
Eu confesso que entrei no clima da tietagem. Descia a pé a Quinta Avenida quando percebi a confusão. Entrei na multidão e tirei minha foto. Parecia parte do tour.
Publicado por Marta em 26 Jul 2008 | sob: Viagens
Conheço pessoas que não gostam de viajar. Trata-se de gente quieta, que não alardeia por aí sua preferência pelo abrigo familiar, e talvez nem admita para si própria o desconforto em dormir fora de casa. Mas eles são muitos, e em geral justificam as poucas viagens do currículo com motivos verossímeis - falta de tempo, de dinheiro.
Ok, mas sabemos que quem gosta mesmo de viajar dá um jeito. O viajante apaixonado, mesmo duro, põe mochila nas costas, economiza, deixa de comprar ou trocar de carro. Se tem filhos, abre mão da casa de praia, uma espécie de âncora no pé do viajante, e acostuma os pimpolhos desde cedo com a canseira da estrada ou dos aeroportos lotados, nas férias escolares.
Viajar é a aventura que nos resta. Adoro. Sofro também, e gosto de voltar para casa. Mas logo estou programando a próxima. Não consigo imaginar um futuro sem viagens a lugares novos, desconhecidos. A sensação de ser estrangeira é inquietante, quase angustiante, e ao mesmo tempo libertadora. Vicia.
A idéia de ser intruso e voyer de outras culturas, sob a fachada consentida de turista, é excitante. Às vezes, caminhando sozinha numa rua estrangeira, tenho a fantasia de que serei descoberta: “Ei, você aí. Deleitando-se com a diversidade da natureza humana, hein? Aproveitando para esquecer da sua vida, enquanto investiga a nossa… Peguei você, minha cara.”
Essa quase culpa pelo prazer de viajar talvez revele uma outra faceta minha: não sou a turista mais desencanada do mundo, como gostaria. Preocupo-me um pouco; canso, muito. Sempre planejo que relaxarei, e dormirei, mais na próxima viagem. Mas, em geral, volto exausta, com sono atrasado. Desfaço as malas e preciso ficar um, dois dias me refazendo.
Mas a vida é mesmo assim - aprendemos na escola e na nossa cultura cristã. Vivências emocionantes e realizações verdadeiras parecem cobrar sempre uma taxa em sofrimento, em concessões. Viajar, assim como criar um filho, exige dedicação. E também está no rol das coisas que dão sentido à vida, sabe-se lá por quê.
Publicado por Marta em 24 Jul 2008 | sob: Viagens
O clique foi no Central Park, depois do almoço no Boathouse - que vale a fila.
Publicado por Marta em 22 Jul 2008 | sob: Viagens
De um americano, comparando fazer turismo nos Estados Unidos e na Europa: no velho continente, paga-se para ir ao banheiro; aqui, não. Lá, todas as gorjetas são obrigatórias e vêm expressas na conta. Aqui, só nos restaurantes. No caso de outros serviços, a “tip” só deve ser paga se o cliente ficou realmente satisfeito. Ainda segundo ele, nos hotéis americanos sempre há máquinas de gelo, e o hóspede pode se servir à vontade, enquanto na Europa é preciso pedi-lo no quarto, o que gera burocracia e gorjeta.
Tive que concordar com a história dos banheiros. De fato, ir distraída e apertada ao toilette e se deparar com uma roleta na porta é bem desagradável. Sem contar que, invariavelmente, estamos sem moedas nessa hora. Quanto ao resto, sei não. As gorjetas obrigatórias dos restaurantes americanos compensam qualquer outra situaçào em que são espontâneas: variam de 15% a 20%, mesmo que o serviço tenha sido grosseiro (ou falsamente simpático, o que é mais comum por aqui).
Quanto ao gelo… Por que mesmo os americanos acham-no tão essencial? Vou tentar descobrir na próxima viagem. Agora, estou voltando.
Publicado por Marta em 19 Jul 2008 | sob: Viagens
Tinha prometido para minha filha que faríamos um passeio de charrete no Central Park. Todo mundo que vem a NY tem algumas cenas de filmes na cabeça, passeios e lugares que gostaria de visitar para se sentir como na tela do cinema. Com ela nao é diferente: seu “filme NYC” é “Encantada”, uma fantasia bem bacana da Disney que estava em cartaz até pouco tempo atrás.
Pois chegamos no parque e não achamos as charretes. Descobrimos que, quando a temperatura atinge os 90 graus Fahrenheit (32 Celsius), a prefeitura proíbe o passeio, para não judiar dos cavalos.
Mas não há tantas leis protetoras do trabalho de gente por aqui. Se o calor é demasiado para os cavalos, não faltam imigrantes de pernas fortes para substitui-los. Assim, os “pedalcabs” ralam sem parar no verão infernal da cidade. São táxis puxados por ciclistas, que têm serviço garantido o ano inteiro graças ao congestionado trânsito nova-iorquino. Nesta época do ano, ganham um extra no lugar dos animais.
Creio que minha filha imaginava algo mais romântico, como tinha visto no seu filme preferido. Mas fomos de pedalcab mesmo. Com as pernas doendo de tantas caminhadas (por enquanto, mais compras do que museus…), apelamos para o estranho transporte. Com algum constrangimento, é verdade.
Publicado por Marta em 17 Jul 2008 | sob: Viagens
Verãozão em Nova York. Vim com as meninas (uma de 8, outra de 26), que não conheciam a cidade, e em poucas horas elas já se deixaram envolver pela urgência das compras. Todos aqui parecem querer a mesma coisa: consumir, consumir, consumir.
Faz parte do programa, claro. Ainda mais com o dólar tão baratinho. Mas eu canso. Vamos ver se hoje, segundo dia, consigo dar um tom mais cultural para esta viagem.
Quanto ao calor, serviu para confirmar como a moda anda globalizada. Impressionante como isso mudou. Nas minhas primeiras viagens, roupas da estação no Brasil chamavam a atenção no exterior (não sei em NY, onde nada parece chamar a atenção). Quem quisesse se misturar na multidão tinha que colocar na mala as roupinhas mais básicas ou clássicas do armário.
Agora, todas as mulheres usam os mesmos vestidos soltinhos, chinelos de dedo, sandálias rasteiras - novidades das últimas coleções. Bem prático, mas um pouco sem emoção.
Publicado por Marta em 27 Mar 2008 | sob: Cotidiano, Viagens
- Que doce é esse? – perguntei, apontando para uma saborosa vitrine em Lisboa.
- Queijada de senhora – respondeu a balconista, com a entonação e a rispidez típicas do português de Portugal.
Fiquei interessada. Já tinha provado pastel de Belém, barriga de freira e, agora, descobrira a queijada de senhora…
- Parece gostoso. É feito de quê?
- É uma queijada de senhora – repetiu, sem paciência.
- Sim – arrisquei novamente – Mas é feita com ovos? Qual o ingrediente principal?
Achei que a portuguesa ia voar por cima do balcão.
- SENHORA!!!!
Naquele momento de pressão máxima, o Tico conectou-se com o Teco, observei a tonalidade do doce e percebi que tinha cor de … cenoura!
- Ah, cenoura…
Ela achou que eu era burra ou surda, mas nem desconfiou que, involuntariamente, eu tentava corrigir a sua pronúncia. Achei melhor sair dali e nem experimentei o doce. Consolei-me com o fato de que vivera a minha história particular de falta de comunicação em Portugal.
Lembrei disso outro dia ao ler a enésima matéria sobre a reforma ortográfica que vai uniformizar o português escrito no planeta. O assunto mobiliza editoras, filólogos e patriotas, não só em torno de aspectos práticos, mas também de questões culturais e de identidade do idioma que nunca haviam me ocorrido antes.
De forma objetiva, porém, achei importante descobrir o que mudará para nós, escribas do dia-a-dia. A resposta é: muito pouco. Com exceção de um trema extinto aqui e um acento acolá, nossa vida continuará como antes. Para os brasileiros, bastará decorar um par de regras - tarefa razoavelmente tranqüila (ops, olha o trema aí) para quem está disposto a se adaptar e encontra-se afinado com a ortografia vigente.
Para aqueles que já tinham problemas com o idioma escrito, talvez as notícias não sejam tão ruins. Afinal, a “Nova Reforma Ortográfica”, com sua aparente imponência, poderá ser uma boa desculpa para os erros de quem nunca aprendeu a escrever direito…
Até hoje ouço, de pessoas atrapalhadas com acentos, que a culpa é da reforma ortográfica, realizada em… 1971!!! Isso mesmo. Trinta e sete anos se passaram e alguns ainda perguntam se tal acento “caiu”, como se tivesse despencado ontem. Ok, devemos ser pacientes. Mas vamos combinar que essas pessoas precisam estar acima dos 45 anos, para terem sido alfabetizadas antes da reforma.
Da minha parte, prometo não integrar o time de saudosistas da nova “antiga ortografia”. Admito que gostava do trema, até porque me incluía entre a meia dúzia de pessoas que sabia usá-lo e não aderiu à polêmica (e pelo visto visionária) extinção do acento decretada anos atrás pela Folha de São Paulo.
Juro que não vou falar, para os meus netos, sobre os bons tempos do trema. Isso soaria como os lamentos que ouvíamos sobre o fim do ensino de latim nas escolas - tão chato e tão importante… Por que mesmo? Você se lembra?
Ih, lá vamos nós novamente…
Publicado por Marta em 14 Fev 2008 | sob: Viagens
Questões que sempre intrigam os viajantes atentos:
Por que em TODOS os hotéis as camareiras cismam em tranformar as camas em vigorosos sacos de dormir - eliminando qualquer possibilidade de soltar as cobertas de cima sem desprender também os lençóis de baixo?
Por que as outras pessoas demoram séculos no check-in das companhias aéreas, formando filas enormes, se na nossa vez o atendimento leva apenas dois minutos?
Por que em cada lugar as tomadas elétricas são tão diferentes, em formatos e voltagens?
Publicado por Marta em 13 Fev 2008 | sob: Viagens
Viagem de fim de semana para Buenos Aires. Tudo de bom e de barato, ainda mais com passagem de milhagem (a mesmíssima quantidade de milhas de uma ponte-aérea, por sinal).
Foi ali, no início da noite de domingo, que tive uma de minhas experiências de viagem mais, digamos, autênticas, graças a uma preciosa dica da amiga Janes - que, depois de um ano e meio morando por lá, está parecendo uma argentina, no bom sentido. Bonita e serena.
Escondido por um corredor comprido, o Salón Canning já estava bem cheio quando chegamos. Parecia que tínhamos entrado em “O baile”, de Ettore Scola. Éramos os únicos turistas. Mas como fomos, sim, com a pretensão de dançar tango, nossa roupa e nossos modos não chegavam a destoar.
O Zé ficou chateado porque, pela primeira vez na vida, eu não queria dançar. Nossos passos de bolero gritavam, de tão espaçosos. O tango dançado por todos era comedido, elegante, em passos curtos - bem diferentes daquele das apresentações. Imagino que o mais importante era não esbarrar nos outros casais, no salão lotado.
Eu poderia ficar ali por horas, só olhando as sandálias de salto bem alto, impecáveis. Um dois três quatro, e então os pezinhos se juntavam, cruzados, ou unidos pelos calcanhares. Mas a parte do ritual mais fascinante era quando a música começava. Sabe aqueles olhares e gestos dos leilões, quase imperceptíveis, mas que na verdade são lances decisivos? Era assim que os cavalheiros convidavam suas damas, sentadas do outro lado do salão.
Não queria dançar porque não me julgava no direito. Como intrusa, cabia-me no máximo observar. Além disso, qualquer tentativa de participar quebraria o encanto, ou estragaria a obra de arte - como se eu quisesse dar uma pincelada em um quadro impressionista alheio, só para ver como o autor se sentia a respeito.
Mas mesmo como expectadora, foi inesquecível. E custou módicos 12 pesos, o equivalente a 7 reais…
Publicado por Marta em 29 Jan 2008 | sob: Comportamento, Viagens
Descobri que deixar o carro no aeroporto do Galeão, durante uma viagem, pode valer a pena. O preço do estacionamento é praticamente o do táxi, com a vantagem de não precisar se arriscar com o serviço no Rio de Janeiro - veículos velhos, motoristas folgados, ar condicionando congelante.
Esta é uma dica, porém, para quem nem cogita mais o ritual de ser levado ou buscado no aeroporto.
Lembro que nos meus primeiros tempos de casada fui dissuadida pelo Zé da idéia de que esperá-lo, mesmo depois de uma viagem internacional, estaria de alguma forma relacionada ao nível de saudades ou de amor da relação. Fui definitivamente convencida na primeira vez em que ele adentrou com malas às 6h de uma madrugada fria no nosso apartamento em São Paulo. Fiquei feliz por estar debaixo das cobertas.
Passei a considerar senso comum que, em cidades com o trânsito do Rio ou de São Paulo, a despedida antes da viagem acontecesse no máximo na porta do táxi. Na volta, então, com a possibilidade de atrasos nos vôos, só dá para admitir gente contratada, com plaquinha na mão, mofando no desembarque. Lugar de parente, flores, beijos, é mesmo em casa.
Por isso a minha surpresa quando cheguei em Campo Grande (no Mato Grosso do Sul, cariocas, e não na zona oeste do Rio). Diante das pessoas aglomeradas, rostos cheios de ansiedade imprensados junto ao vidro, minha filha perguntou: “O que é aquilo, mamãe?”
Tive que explicar a ela, mais acostumada com ponte aérea do que com viagens ao interior, que em alguns lugares era muito importante buscar os parentes do aeroporto. Que as pessoas se abraçavam, emocionadas, mesmo que tivessem se visto alguns dias antes. Afinal, aquilo era uma viagem de avião.
Não tenho certeza se ela entendeu, já que essa mistura de glamour e aventura que pairava sobre o ato de voar - e que ainda pode justificar o tal ritual do aeroporto - é coisa do século passado. Do tempo dos jingles que diziam “Atenção, você com essa ficha na mão, dirija-se ao portão, embarque neste avião” e emocionavam todo mundo.
Neste início de século XXI, quando dez entre dez crônicas sobre avião giram em torno do caos aéreo, só dá para variar de assunto dando dicas sobre estacionamento no aeroporto. E olhe lá.
Bye bye, glamour.
Publicado por Marta em 19 Dez 2007 | sob: Femininas, Viagens
Tem gente que odeia resort. Acha sem charme, um tanto americanizado (apesar de o famoso Club Med ser francês), padronizado.
Pode ser isso tudo, mas para quem tem criança e quer um pouco de mordomia, nada melhor do que um hotelão com bons serviços, uma programação pronta e muito papo para o ar.
Hoje, no meu hotelão na Bahia, estive reparando numa vantagem extra. Como resort é sempre cheio de gringos, de todas as nacionalidades, e famílias brasileiras de todos os cantos, não há a ditadura do corpo na piscina.
Ao contrário do Rio, e mais especificamente de Ipanema, as mulheres têm corpos normais para as suas idades. E não parecem constrangidas com suas celulites e barriguinhas, enquanto tomam caipirinhas e cuidam dos filhos.
Nada como se sentir normal, com direito a diversão, sem culpa por não ter o corpo malhado por anos na academia. A carioca sofre com essa auto cobrança; basta levantar o assunto em uma rodinha feminina para constatar.
Mas quando saímos um pouco do microuniverso de Zona Sul, Rio de Janeiro, Brasil, percebemos que a mulherada em outras culturas parece ser mais feliz. Pelo menos nesse aspecto.
Publicado por Marta em 27 Set 2007 | sob: Viagens
Ainda sobre a polêmica Londres X Paris, duas historinhas.
Sobre (falta de) educação:
Estava no ponto de táxi em Paris, ano passado, e não acreditei quando o motorista arrancou com o carro, ao perceber que a passageira se abaixara para pegar várias sacolas de compras. Condoída, corri para abrir a porta do táxi seguinte, já que a mulher continuava com as mãos ocupadas. Ela quase me bateu. Achou que eu ia passar a sua frente. Minha amiga Karina explicou-me: “eles não estou acostumados a este tipo de gentileza…”
Já em Londres, confirmei a fama de educação extrema dos ingleses. Quando esbarra-se em alguém na rua, mesmo que desastradamente, o outro pede desculpas. Não cheguei a testar uma cotovelada, mas, se bobear, ia ouvir um “sorry”. É tanto sorry pra lá, sorry pra cá, que acabei ficando condicionada. Por alguns dias desandei a pedir desculpas diante de qualquer ameaça de esbarrão em Ipanema.
Sobre charme:
A idéia era almoçar na Harrods. Quando descobrimos que havia 29 restaurantes e cafés dentro da loja de departamentos inglesa, ficamos um tanto perdidas. Acabamos escolhendo um dos mais baratinhos para degustar uma salada básica (mais de R$ 60!) e combinamos de comer a sobremesa no café mais charmoso que houvesse por lá. Sem perceber, paramos na Ladurée, francesíssima.
O lugar era tão fofo que logo empunhamos nossas câmeras digitais. A garçonete brasileira (com bandeirinha de Portugal na lapela, porque a loja não tem a brasileira) nos avisou que fotos eram proibidas, “para ninguém imitar a decoração”. Pensando bem, fotografar café francês em Londres…
Pelo menos minha amiga Simone tinha acabado de comprar descolados utensílios de cozinha numa charmosa loja inglesa, a Habitat, consolamo-nos. Depois, no Brasil, descobrimos que a Habitat também é francesa…
Publicado por Marta em 21 Set 2007 | sob: Viagens
Bem que eu desconfiava que viajo para poder voltar. Pois a recepção, quando cheguei em casa, só serviu para corroborar a minha tese.
Além do marido especialmente carinhoso, a filhota inventou um “Feliz dia da chegada” e me encheu de presentes: três colares, três desenhos e duas flores para usar no cabelo. Tudo feito por ela, claro. Perto disso, meus souvenirs nem tinham graça…
Sobre Londres, sem dúvida trata-se de uma cidade com estilo. Moderna, cosmopolita, interessante, grandiosa. Ao mesmo tempo, despretensiosa, apressada, distraída - quase blasé.
Entre os muitos passeios, um tour por dentro do Palácio de Buckingham (que só acontece em agosto e setembro, quando a rainha não está por lá) valeu especialmente a pena, apesar das 15 libras (R$ 60).
Por fora, a construção é quase feiosa, marcada por linhas austeras. Por dentro, a suntuosidade é surpreendente, em cada detalhe. Achei a cara dos ingleses.
Tirando os pubs - há gastropubs -, nada é obviamente típico no Reino Unido. Não há uma culinária própria nem produtos feitos localmente, e a pujante economia é movida pelos serviços.
Ou seja, uma encrenca para o turista, que acaba posando ao lado de cabines telefônicas e ônibus de dois andares… O segredo, para viajantes mais experientes, é usar um truquezinho francês, e apenas flanar pela cidade.
Mas não é de bom tom comparar Londres com Paris. Os franceses, na opinião dos ingleses, são provincianos e não gostam de trabalhar, conta-nos uma jornalista brasileira que mora há seis anos em Londres, confirmando a tal rivalidade.
Como já estou aqui, posso cochichar: amei Londres, reconheço que demorei para colocá-la no meu roteiro de viagem, mas continuo preferindo Paris…
Publicado por Marta em 17 Set 2007 | sob: Viagens
A gente não quer só comida. O papo rolava assim, meio Titãs. Enebriadas por diversão e arte, depois de uma fantástica manhã no museu Tate, comentávamos o quadro de um artista do Congo.
Puxa vida, o mundo todo já deveria estar nesse estágio londrino, de as pessoas poderem usufruir da arte, e não precisarem se preocupar com a sobrevivência - como sugeria o tal quadro. O peixe maravilhoso do restaurante moderninho (Fish!), em frente ao Borough Market, aumentava a culpa.
De repente: “Your handbag!” Só me dei conta do que estava acontecendo quando minha amiga saiu em disparada, atrás do suposto “old man”, denunciado pela mulher sentada atrás da nossa mesa. Flagrado, o sujeito acabou largando a bolsa na porta do restaurante, e se misturou na multidão do mercado.
Pois é. Em Londres, a sobrevivência parece garantida. Mas velhinhos simpaticos roubam bolsas…
Publicado por Marta em 15 Set 2007 | sob: Viagens
Turista é um sujeito previsível. Escolhe o calçado mais confortável de todos, estuda o roteiro no guia antes de sair do hotel, pensa em todos detalhes e apetrechos necessários ao longo do dia. Mesmo assim, não consegue evitar: detona-se no primeiro dia. Depois fica aquela conversa sobre a melhor técnica para relaxar as pernas ou estourar as bolhas do pé…
Mas não da para reclamar. Em quantos dias no ano o céu de Londres é perfeitamente azul, de ponta a ponta? No happy hour de ontem (nao sei se eles o chamam assim), sexta-feira com cara de última do “verão” (na verdade outono), os londrinos queriam aproveitar ate o finzinho. Eu também!