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Dicas, atualidades e assuntos para o café
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Publicado por Marta em 11 Ago 2008 | sob: Jornalismo
Adoramos rankings. Já existem até rankings de rankings, tão grande é o nosso fascínio por este tipo de hierarquização. Por isso não me conformo quando leio que alguém já é o terceiro lugar em alguma coisa, e ponto final. Ultrapassou quem? Quais são o primeiro e o segundo colocados? Neca de pitibiriba de informação, porque afinal não era esse o tema principal da matéria.
Juro que tento não usar este espaço para fazer uma crítica da imprensa, porque já tem gente boa fazendo isso por aí. Mas, nesse caso, me senti perseguida, quase punida, por ser mais curiosa que os repórteres de plantão.
Está no Globo de hoje: “Veja como o capitalismo por aqui cresceu e se multiplicou. O Brasil é hoje o terceiro país do mundo com maior número de empresas de capital aberto nas Bolsas de Nova York e da Europa.” E no de ontem: “O país já é o terceiro maior consumidor mundial de produtos para alisamento de cabelo.”
Ok, dá para imaginar que os Estados Unidos lideram os dois rankings. Digamos que a informação foi omitida para não subestimar os conhecimentos do leitor. Mas os segundos colocados não são tão óbvios assim. Além disso, nestes tempos de olimpíadas, não dá uma vontadezinha de conhecer o quarto lugar, para saber quem ficou para trás e gritar “Brasil-il-il”?
Pior é que não achei as respostas no Google, para dar o fecho certo para este post. Também, quem manda ter interesse pelo mercado de capitais e pela indústria de cosméticos ao mesmo tempo?
Publicado por Marta em 07 Mai 2008 | sob: Jornalismo
Imaginem que finalmente, nós, do planeta Terra, descobrimos uma civilização mais avançada, em outro planeta. Acreditamos que estes seres terão as respostas para nossos dilemas e nos mostrarão o caminho da evolução da humanidade. Mas eis que, quando aprofundamos o contato, descobrimos que o sonho deles é ser como nós, terráqueos! Que decepção, não?
Pois foi assim que me senti quando soube da secreta aspiração dos blogueiros – pelo menos de um punhado organizado em torno da tal blogosfera – de transformar seus posts em reportagens e editá-los … numa revista! De papel! Para isso, eles estão tentando aprender as mais elementares regras do jornalismo: o que é uma matéria, como apurá-la, como editar uma revista, como tentar ganhar dinheiro com ela…
Depois de ver o primeiro resultado, a revista Feed-se, e a orientação para quem quer participar da segunda revista, que se chamará Vox Blog, não posso evitar um conselho aos novos coleguinhas: estudem jornalismo. Juro que não se trata de corporativismo. Não acho necessário um diploma (de papel), mas se a idéia é fazer jornalismo tradicional (em papel), responsável, com um mínimo de qualidade, vamos reconhecer que há muito o que estudar, aprender, praticar.
Afinal, estamos falando agora de uma tecnologia do passado, e já existe todo um conhecimento em torno dela. Os blogueiros, acostumados com os experimentalismos e a agilidade da internet, não percebem o risco do vexame. Pessoal, depois que vai para o papel, não tem como deletar, interagir, consertar! Os erros de português ficam lá, para sempre! Se ninguém entende de pauta ou edição, pelo menos arrumem um bom revisor…
Bem, vou parar por aqui, antes que alguém se sinta ofendido. Espero me recuperar do baque e voltar a achar que tenho muito a aprender com os blogueiros – e não eles comigo.
Publicado por Marta em 07 Abr 2008 | sob: Jornalismo
Entendo que, para quem cobre ou acompanha de perto a política nacional, supostos dossiês e vazamentos de informações tenham lá a sua importância. Quem é PT ou PSDB de carteirinha (?) deve mesmo vibrar com o palpitante noticiário.
Mas é curioso que a imprensa destine tanto espaço para esse tipo de escândalo político – sobre as próprias práticas políticas –, enquanto a opinião pública se distancia cada vez mais do noticiário (vide os índices de popularidade do presidente).
Uma coisa é revelar que um político está gastando dinheiro público para benefício pessoal. É algo que gera – ou deveria gerar – indignação. Outra é dar destaque ao intrincado jogo de vazamentos de informações que envolvem interesses do governo, dos congressistas e da própria imprensa (hummmmm…).
Para o povão, escândalo sobre a forma como os políticos fazem política deve parecer, no mínimo, redundância.
Publicado por Marta em 04 Jan 2008 | sob: Jornalismo, Comportamento
“A influência da telefonia nas artes plásticas”. Quando bati os olhos no tema da palestra, cheguei a achar que era piada, ou erro do jornal.
Depois fui percebendo que, no contexto do evento, sobre arte e tecnologia, aquilo podia fazer sentido. Havia, ainda, um case sobre estudantes da Baixada que tiraram fotos com celulares: aquilo foi para a internet e virou arte.
Ah, bom.
Há pouco tempo, li uma entrevista com um pesquisador que formulou uma nova concepção sobre a inteligência. Não, não se tratava daquela história de QE (quociente emocional) nem da separação por competência (inteligência musical, lingüística, matemática, interpessoal etc). Pelo visto, essas caíram por terra, junto com a margarina, quando a manteiga foi reabilitada.
A inteligência, especialmente no futuro, estará relacionada à capacidade de associar idéias – retiradas de diferentes contextos, e não necessariamente originais. Seria algo como “nada se cria, tudo se associa”.
Confesso que me identifiquei um pouco – não por me julgar excepcionalmente inteligente, mas porque percebi ali a essência da prática jornalística. Somos treinados, no dia-a-dia, para selecionar as idéias alheias mais interessantes e relacioná-las numa matéria – às vezes forçando a barra um pouquinho, como no caso da telefonia e das artes plásticas…
Nessas horas, fico pensando que o jornalismo deveria ser a profissão do futuro. É verdade que os veículos de comunicação estão se esfacelando no mundo todo, ninguém sabe o que ficará no lugar (os blogs?) e o mercado de trabalho nunca esteve tão ruim.
Em tese, porém, o bom senso e a expressão jornalística teriam tudo para se espalhar pelo mundo e pelas outras profissões (que o digam as empresas interessadas em contratar essa mão de obra para a área de comunicação corporativa, que está bombando).
O fato é que o antigo conceito de inteligência ainda está por aí, rondando a vida escolar dos pobres dos nossos filhos. Isso apesar de ter sido desmistificado nas primeiras reportagens (sempre elas) que mostraram os geninhos do vestibular, algumas décadas depois de terem sido manchete de jornal.
Há duas semanas, tive uma experiência semelhante: festa dos 25 anos dos formandos do Colégio Santo Inácio. Conversando com os antigos colegas, foi fácil perceber que os décimos de nota tão importantes na época do colégio em nada influenciaram as vidas profissionais e pessoais que se seguiram.
Já a rede de relacionamentos e o suporte financeiro das famílias… Bem, mas essa é outra história. Tem a ver com o outro “QI”, tão antigo quanto o da inteligência, e que ainda desafia os tempos modernos…
Publicado por Marta em 28 Dez 2007 | sob: Jornalismo
Uma vez cismei de fazer uma matéria desmascarando o McDia Feliz. Para mim estava claro que aquilo era uma caridade interesseira, em causa própria.
Quer dizer, crianças doentes de fato eram ajudadas com o dinheiro do evento, mas o McDonald’s parecia ser quem mais lucrava: além da mídia espontânea e dos ganhos de imagem, aumentava seu faturamento com refrigerantes e outros lanches, na medida em que apenas o dinheiro dos Big Macs ia para projetos sociais.
Pauta na cabeça, fui provar a minha tese. Logo na primeira fonte - um executivo com perfil crítico e independente, que falava em off - percebi que teria dificuldades com a matéria. Ele já tinha um discurso pronto sobre o quanto a iniciativa da rede de fast food era louvável, e se surpreendeu quando comecei a especular sobre números e lucros.
Com a assessoria da empresa, não foi diferente. Eles pareciam não acreditar quando perguntei sobre o percentual de aumento na venda de refrigerantes. Não, esse não era o número que interessava aos jornalistas! Os dados disponíveis eram os de Big Macs vendidos, dinheiro arrecadado, crianças beneficiadas!
Não consegui qualquer número e nem mesmo uma fonte que se dispusesse a derrubar a minha pauta, me explicar o meu equívoco em relação ao assunto. Fiquei confusa. O meu raciocínio era bem claro: ninguém come um Big Mac a seco e as lanchonetes ficavam lotadas naquele dia, então recordes de refrigerantes também deviam ser batidos. Por que tanto estranhamento?
Simples: eu estava entrando no terreno do politicamente correto. Era como se eu fosse contra as criancinhas com câncer.
Desisti da matéria e me lembrei dessa história outro dia, quando ousei, em uma roda, pisar em outro terreno igualmente dogmático nos tempos atuais, o do ecologicamente correto.
Faça o teste: tente argumentar publicamente que há exageros e interesses por trás das defesas do ecologicamente correto, e prontamente olhares o acusarão de querer degradar o meio ambiente e acabar com a camada de ozônio.
Não sei como estão se virando os repórteres na área ambiental, ou o quanto conseguem se manter críticos e lúcidos. Mas o fato é que os indícios de que tem alguma coisa muito errada estão por todos os lados.
Leio numa revista sobre o esforço de Xuxa para tomar banhos mais curtos. Sim, a apresentadora abraçou a causa ecológica e está empenhadíssima em preservar a água do planeta.
Na sala de espera do aeroporto, encontro em outra revista dicas de como as pessoas podem minimizar o impacto ambiental dos aviões, que seria imenso. Entre os conselhos, estão desde “evite viajar” até a sugestão de não dar descarga no banheiro do avião, já que cada uma delas gasta um litro de combustível!
Quer dizer, Xuxa virou exemplo, alguém acha razoável não dar descarga em banheiro de avião e eu é que sou a politicamente incorreta??? Sei não, mas acho que está todo mundo ficando maluco…
Publicado por Marta em 06 Dez 2007 | sob: Jornalismo
Se não teve foto na web, então não teve festa. A frase é de uma adolescente e foi citada por Juliana Jabor, antropóloga que deu um curso sobre “blogs e narrativas de si” no POP (Pólo de Pensamento Contemporâneo, um lugar bem mais simpático do que a Casa do Saber).
Professora e alunos compartilharam naquele espaço, meio perplexos, a confusão que existe hoje entre mundo real e virtual. Já proliferam livros e teses sobre blogs e os impactos das novas tecnologias - e dá vontade de devorar todos.
Mesmo sem tê-los lido (ainda), euzinha, que só assisti duas aulas, sinto que minhas impressões precisam ficar registradas aqui, para não se perderem (ou seria para existirem?).
Então vamos lá. Acho que a necessidade de registrar e exibir para os outros a própria felicidade sempre existiu. Com a internet e sua mobilidade, isso ficou tão ágil que a validação deste “real”, por meio de registros, se tornou obrigatória.
As experiências e os conhecimentos PRECISAM ser compartilhados para terem sentido.
É bacana que seja assim. Não é fácil para mim, que sempre prezei a discrição, reconhecer que instantâneos da vida podem ser editados e exibidos por aí. Mas a verdade é que este é um processo transformador da realidade, está mudando hábitos e pessoas, e por isso é muuuuuito interessante.
Seria fácil criticar aqui o exibicionismo dos adolescentes, dizer que não tenho paciência para reality shows e ignorar que estamos diante de um fenômeno definitivamente novo – que só por isso vale a pena aceitar sem preconceitos.
Em relação ao meu blog, o curso me deixou embatucada. Seria o Espuminha “endo” ou “ex” orientado? Sim, porque aprendi que, a grosso modo, os blogs são identificados como confessionais ou voltados para fora, como os especializados.
Ao mesmo tempo, surpreendi-me com as comparações entre blogs e diários. Quem costuma escrever sabe que sempre pensamos em quem vai ler. Às vezes nos flagramos querendo agradar, ou passar uma imagem nossa, para alguém em especial – e isso é um problema no jornalismo, quando o repórter pensa na fonte ou no editor, em vez do leitor.
Mas quer dizer que as pessoas não fazem mais diários íntimos e realmente secretos, imaginando que só serão lidos depois de sua morte? Que pena. É uma experiência muito rica. E completamente diferente de escrever um blog, posso assegurar do alto de uma pilha de caderninhos bem escondidos no armário. Ih, acho que estou confessional hoje…
Publicado por Marta em 22 Nov 2007 | sob: Jornalismo
Uns anos atrás escrevi um artigo para o Comunique-se, site de comunicação e jornalismo, sobre os efeitos do enfraquecimento das redações, enquanto as assessorias de imprensa se fortaleciam. Não sei como, mas um assessor conseguiu achar, naquele texto, uma grave ofensa ao trabalho das assessorias.
O que se seguiu foi uma baixaria sem fim nos comentários. Alguém, que eu não conheço, tentou me defender, retrucar que ele não havia entendido o artigo. O sujeito ficou ainda mais ensandecido.
Acompanhei tudo perplexa, e completamente arrependida daquela minha primeira incursão na internet. Mas aprendi uma lição: todo cuidado é pouco quando se trata da relação entre jornalistas e assessores.
Por isso, depois que escrevi o post abaixo, fiquei pensando: alguém pode ficar ofendido por eu ter citado um assessor incompetente? Achariam que é uma generalização?
Hummm, todo cuidado é pouco… Além disso, tenho uma penca de amigos em assessoria – a maioria, na verdade, já que depois dos 40 poucos agüentam ficar em redação.
Por isso, agora vou falar mal dos jornalistas. Sim, aquelas figuras odiosas e sem coração, capazes de tudo por um furo – chegaram até a matar a Lady Diana!
Brincadeirinha…
Mas de fato existem boas histórias de maus jornalistas. Hoje, na coluna Gente Boa, do Globo, tem uma: no lançamento do livro do Nelson Motta, uma repórter encontra Marília Pera na fila dos autógrafos e dispara: há quanto tempo conhece o autor? Ela responde: “Fui casada com ele, temos duas filhas…”
Mas quem espinafrou mesmo a categoria recentemente foi a ginasta Jade Barbosa. Ela contou ser perseguida há anos por repórteres que cochicham em seu ouvido, quando sobe ao pódio: “Você pensou em ganhar essa medalha para a sua mãe?”
A mãe de Jade, que tem 16 anos, morreu quando ela tinha 11. “Eles sempre tentam me fazer chorar”, desabafou a menina.
Em mesa de bar, os jornalistas sempre têm histórias terríveis de coleguinhas, algumas bem mais próximas. Quem quiser saber de alguma, é só puxar a cadeira.
Publicado por Marta em 29 Out 2007 | sob: Jornalismo
O valor do mimo foi o mesmo: R$ 200.
Em São Paulo, jornalistas presentes numa coletiva da Mattel (com a imagem arranhadíssima por conta de consecutivos recalls de brinquedos) ganharam um boneco da Vila Sésamo na saída. No dia seguinte, o fato era relatado na coluna de Daniel Castro, da Folha, com o título “Jabaculê”.
Em Brasília, no mesmo dia, um grupo de senadores foi assistir ao espetáculo “Alegría”, do Cirque du Soleil, por conta da TAM (com uma penca de interesses na pauta do Congresso). Rendeu notinha no Correio Brasiliense, com o título “Alegria, alegria!”
Não adianta um código de ética estabelecer parâmetros para separar brindes inocentes de jabás mal-intencionados. Podemos ficar horas discutindo se R$ 200 influenciam um jornalista ou senador. O fato é que, depois que sai no jornal, fica tudo com cara de escândalo.
Como diz o ditado, “à mulher de César não basta ser honesta; tem que parecer honesta”…
Em tempo, coleguinhas: perdoem-me a comparação entre senador e jornalista. Mas estava quicando na área…
Publicado por Marta em 22 Out 2007 | sob: Jornalismo, Opinião
A Airbus está lançando o maior avião da história, com capacidade para 853 passageiros. A imprensa em peso deu a notícia, com direito à foto de uma das quatro suítes disponíveis no jumbo, com cama de casal salpicada de pétalas de rosas.
Para completar a divulgação glamourosa, arrumaram como personagem um britânico excêntrico que pagou US$ 100 mil para ser reconhecido como o passageiro número 1, na viagem inaugural de Cingapura a Sidney.
Tudo muito curioso, interessante e … providencial, para que viajantes do mundo inteiro não percebam a incompetência do setor aéreo em resolver os problemas que de fato infernizam suas vidas.
Sim, porque nem eu nem você vamos pernoitar naquela cama de casal da foto. Mas, talvez, daqui a alguns anos, estejamos na fila do check in que vai embarcar… 853 passageiros!
Alguém consegue imaginar que, junto com o superjumbo, algo vai mudar na estrutura dos aeroportos ou na qualidade dos serviços das companhias aéreas? Com que antecedência um passageiro da classe econômica precisará chegar ao aeroporto? Qual o tamanho das filas (check in, polícia federal, embarque) que vai enfrentar?
Mas, claro, se o destino é Paris, releva-se a espera, o desconforto, o cheiro ruim dos banheiros. Pensaremos no glamour de viajar no maior avião do mundo e tentaremos relaxar e gozar, como diria a outra Marta. Além disso, na classe econômica, será oferecido um videogame em três dimensões!
Então, já sabe: nada de se estressar quando o piloto informar que o avião ficará dando voltas em cima da cidade, por causa do tráfego aéreo. Quando o A380 aterrissar, tenha paciência para esperar que umas 800 pessoas desembarquem na sua frente. Não esqueça que eles ainda serão acomodados em ônibus (quantos?), para então começar a peregrinação do desembarque propriamente dito, incluindo a megafila da imigração.
Ah, você perdeu a conexão depois de tantos atrasos e teme ficar sem a mala? Humm, que azar, né? Mas, não querendo ser chata, olhe bem a expressão dos funcionários diante do seu desespero: isso acontece o tempo todo! E, sinto informar, a crise não é só no Brasil…
A verdade é que a tecnologia da aviação estacionou há décadas. Continuamos levando o mesmo tempo para atravessar o Atlântico – em poltronas cada vez mais apertadas, para dar conta da explosão da demanda por viagens longas.
Enquanto as comunicações ganhavam a velocidade da internet e os trens passavam a deslizar como balas, nos acostumamos ao desconforto das viagens aéreas. Às companhias, diante dos poucos avanços no setor, restou o caminho da massificação, e do nivelamento por baixo dos serviços prestados.
Mas quem ama viajar, como eu, vai fazer o quê? Bem, pelo menos vamos reclamar, ou mostrar que não somos tão bobos.
Na próxima divulgação, menos pétalas de rosas, por favor.
Publicado por Marta em 08 Out 2007 | sob: Femininas, Jornalismo
Educar um filho é uma experiência rica e interessante – mas não é para distraídos nem preguiçosos. Adorei a frase, da psicoterapeuta Lidia Aratangy, que assisti ontem no programa da Marília Gabriela, no GNT.
Inteligente e articulada, a entrevistada (e não a entrevistadora, por mais que esta quisesse transparecer as mesmas qualidades) tocou em um ponto extremamente sensível para mim: a dificuldade de ver o filho sofrer e se frustrar.
Uma mãe atenta, quando o filho tosse a noite inteira, descabela-se no dia seguinte para vê-lo curado; leva ao pediatra, faz até simpatia. Agora, o que fazer se aquele serzinho amado, tão despreparado para as relações humanas quanto para a tosse, chega da escola relatando que foi rejeitado pelos amigos?
Até onde uma mãe deve ir, para ajudar o fiho? Deve correr para marcar uma reunião com a professora? E que tal sugerir que ele leve um brinquedo novo para a escola, para atrair a amizade dos amiguinhos interesseiros?
Provavelmente a resposta certa é: deixe o seu filho se virar sozinho. Como você fez com os talheres ou o cadarço do tênis.
Só que não vale ter chegado a esta “solução” por preguiça ou distração. Educar não é para preguiçosos nem distraídos, lembra Lídia, com pertinência. Educar dá trabalho. Ou seja, tem que ter sofrido com o sofrimento do filho, perdido tempo com esse e outros problemas que de fato exigiam ação e, finalmente, se segurado para não fazer nada a respeito da sua frustração.
Irrita-me profundamente quando a mãe relapsa, desligada ou autocentrada torna-se exemplo por ter criado um filho independente e autônomo. Ela é considerada o contraponto da mãe superprotetora, que estraga a criança.
Nada mais injusto. A distraída, ou preguiçosa, pode até ter acertado (sem querer) em alguns pontos, mas em quantos outros o filho precisou de uma mãe sintonizada, para orientá-lo, e não encontrou ninguém? Que abismo existe hoje entre os dois?
Prefiro correr o risco de ser superprotetora (me policiando para não ser) e continuar compreendendo (quase) tudo o que se passa na cabecinha da minha filha…
***
Sobre Marília Gabriela, depois do programa fiquei pensando por que cargas d’água todo jornalista de TV, com o tempo, fica competindo com o entrevistado no quesito atenção. Mas aí me lembrei do Roberto D’Ávila (por onde andará?), um dos poucos jornalistas da telinha sinceramente mais interessado em seu entrevistado do que na própria performance.
Publicado por Marta em 05 Set 2007 | sob: Jornalismo
O destaque do Jornalistas & Cia de hoje (link ao lado) é a notícia de que a Forbes brasileira foi “descontinuada”. Parece que pegou a mania de falar em “descontinuação”, quando uma publicação é fechada e todo mundo vai para o olho da rua…
O eufemismo, claro, é dos patrões. Já imaginou alguém chegando em casa e dizendo: “Meu bem, a revista em que trabalho foi descontinuada”. Só faltava a esposa responder: “Oh, então você terá seus serviços dispensados e irá em busca de novos desafios!”
Em matéria de eufemismos, sempre me lembro da arquiteta que fez uma obra lá em casa, que jamais usava o termo “barato” para distingüir um produto. Com ela aprendi que o chique é dizer “em conta”. Então já sabe: se estiver comprando em um lugar sofisticado, você pode até pedir uma opção barata, mas jamais use este termo. Pergunte se tem algo mais em conta…
Mas voltando à nova proeza do mega-empresário das comunicações Nelson Tanure (céus, onde fomos parar?), uma espécie de Midas ao contrário (o que seria o extremo oposto de ouro? Hummmm…), não sei o que é mais triste: a notícia do fim da Forbes ou a de que a revista Domingo, do JB, será editada em São Paulo.
Nada contra os jornalistas (muito competentes, por sinal) que migrarão da Forbes para a Domingo. Mas, caramba, alguém lembra o que era a Domingo, nos bons tempos do JB? Carioquíssima, descobria e ditava modismos, escolhia a musa do verão, parecia nascer das areias de Ipanema…
Tomara que os assessores de imprensa do Rio pelo menos consigam emplacar pautas cariocas na revista. Aliás, viva os assessores, que estão mesmo substituindo os jornalistas das redações!
Publicado por Marta em 22 Ago 2007 | sob: Jornalismo
Mais um jornal vai fechar o seu conteúdo na internet. A partir de 29 de agosto, é a vez de O Globo ficar restrito aos assinantes. Quantas assinaturas a mídia impressa ganha com esse tipo de atitude?
Essa história de obrigar o internauta a comprar conteúdo me lembra os primeiros shopping centers. Nessa indústria, a regra era colocar pisos escorregadios e jamais oferecer um lugar para sentar. Assim, o consumidor seria obrigado a andar sem parar e devagar, olhando as vitrines, e acabaria entrando nas lojas para comprar.
Hoje o varejo sabe que ninguém compra nada obrigado – mas compra quando está feliz. Daí o esforço para fazer do “programa shopping center” uma experiência agradável, com direito a lounges (leia-se sofás) confortáveis no meio do caminho.
Como os jornais vão colocar lounges em seus sites, e transformar a felicidade dos visitantes em dinheiro, eu não sei. O fato é que os grandes jornais estão perdendo a oportunidade de usar um conteúdo de qualidade como diferencial na internet - com um potencial infinitamente maior que o papel.
É claro que alguém, com uma visão menos imediatista, vai ocupar o lugar que seria deles. E, depois, encontrará uma forma de ganhar dinheiro, como fizeram os meninos do Google.
Publicado por Marta em 15 Ago 2007 | sob: Jornalismo
É estranho. Estamos distantes das eleições e há muito tempo não vejo os coleguinhas tão divididos politicamente.
De um lado, estão os revoltados com a oposição que os grandes veículos fazem ao governo Lula. De outro, os enojados com tudo o que diz respeito a Lula e PT, e que acreditam (e escrevem) piamente em qualquer notícia turbinada contra o governo.
Não querendo ser tucana (meu passado atesta que não é minha praia), mas apenas libriana (rimou…), não dá para ficar no meio do caminho? Ou seja: criticar os absurdos do governo e também a manipulação das notícias?
Afinal, não tem eleição amanhã. Ninguém precisa escolher um lado e sair por aí fazendo boca-de-urna.
A propósito: como estará a cabeça do povão, que se informa pelos grandes veículos e gosta do governo Lula? O que pensa sobre o caos aéreo, o caso dos boxeadores cubanos etc?
Publicado por Marta em 08 Ago 2007 | sob: Jornalismo, Comportamento
Não sei o que é a dança do siri. Demorei um tempo para descobrir que a tal Grazi é uma ex-BBB e morro de preguiça diante da idéia de gastar o meu tempo com um Alemão que começou a ser citado por aí. Ainda dá para passar batida ou ele já ultrapassou os 15 minutos de fama?
Meu problema é não querer ficar totalmente por fora. Tento folhear alguma “Caras” no salão e dar uma zapeada nos canais abertos de vez em quando, nem que seja para assistir os comerciais – que de fato eu curto ver. Talvez devesse colocar uns cinco minutos de Faustão no meu domingão. O duro é lembrar, e perder meu precioso tempo com isso.
Não acompanhar a novela das oito já não parece tão grave quanto antigamente. Se alguém ou algo relacionado à novela for realmente notícia, acabo esbarrando com o assunto numa revista semanal, ou na internet. Ultimamente, a notícia tem sido a queda na audiência… Ou seja, com a segmentação das mídias, talvez eu possa ficar um pouquinho por fora. Agora não sou a única.
Guardo um trauma de ter ignorado completamente o fenômeno dos Mamonas Assassinas. Nunca vou esquecer quando fui acordada pelo meu chefe, de madrugada, porque o avião do grupo tinha caído em São Paulo. “O que é mamonas assassinas?”, perguntei sonolenta, tentando entender o motivo da convocação. No meio da comoção do velório, jurei que nunca mais ficaria tão alheia aos fenômenos populares.
Publicado por Marta em 07 Ago 2007 | sob: Jornalismo, Comportamento
Estava morrendo de curiosidade. Três meses depois de iniciar este blog, sem entender bulhufas do assunto, descobri que haveria o “Primeiro Encontro de BLS (Blogueiros, Leitores e Simpatizantes)” no meio do meu caminho, no Armazém Digital do Leblon, exatamente no horário em que passo por ali. Ou seja, não tinha motivos para não dar uma passadinha.
Fantasiei que encontraria meia dúzia de esquisitões batendo papo num canto – e fingiria procurar um livro nas prateleiras ao lado. Que nada. Os blogueiros são bem normais e o encontro estava bombando. Pessoas razoavelmente articuladas e interessantes davam suas opiniões ao microfone, que ia passando de mão em mão.
Tirando os “profissionais” que participavam da mesa – os recordistas de audiência da chamada blogosfera -, a maioria confessava, ao se apresentar, que mantinha um blog há poucos meses, ou que já teve um e parou de atualizar, por falta de tempo ou de saco. Huuuummm…
Entre uma exposição e outra, fui descobrindo um pouco daquele universo: o sonho de ganhar dinheiro blogando, os artifícios para conseguir audiência, o deslumbramento e as preocupações com o poder conferido aos blogs, o predomínio de pessoas ligadas à área de tecnologia.
Hoje fui ler nos blogs sobre o encontro, porque tive que sair cedo, e senti falta de uma cobertura mais jornalística sobre o assunto. Puxa, ninguém anotou tudo num caderninho e fez uma matéria, com um lead e alguma objetividade? Quantas pessoas foram ao evento? Sei não, acho que falta jornalista tradicional na tal blogosfera…
A dicotomia entre mídia tradicional e blogs, por sinal, permeava todas as questões debatidas. Parece haver uma rixa antiga, pelo que entendi. Para piorar, nos últimos dias, Folha e Época publicaram entrevistas com um historiador britânico, Andrew Keen, que anda causando alvoroço na internet.
Em seu livro “O culto ao amador”, o escritor faz uma crítica contundente aos blogs e sites interativos (a chamada Web 2.0), que seriam dominados por uma nova e obscura oligarquia, menos transparente que a mídia tradicional e formada por jornalistas fracassados, gente raivosa e com sede de poder. Forte, não?
Meus parcos conhecimentos sobre a Web 2.0 não me permitem ainda chegar a alguma conclusão. Mas um pitaco já posso dar, do alto das minhas duas décadas de jornalismo e três meses de blog: a mídia tradicional tem muito o que aprender com os blogs. E vice-versa.