10 de Outubro de 2007

Gianecchini me persegue

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 20:00

Essa é para as meninas que queriam novidades sobre Giane. Achei que nunca mais iria vê-lo, já que mudei de academia. Mas que eis que hoje, de repente…

Sim, ele também mudou de academia. E hoje malhava sem boné. Não, Cris, eu não tirei foto. Além de o meu blog não ter foto (por estilo e falta de jeito), vocês sabem: carioca finge que não vê artista. Mico de foto ou autógrafo, jamais.

Agora, falando sério. Ele é um meninote. Muito gracinha, é verdade, mais tem uma carinha de 20 e poucos anos (apesar dos 34).

Em sua biografia, Danuza Leão diz que a natureza é sábia, e que por isso, hoje, ela acha Sean Connery (77 anos) muito mais atraente do que um desses galãs novinhos de Hollywood.

Eu, sinceramente, estou mais para Danuza do que para Marília Gabriela.

8 de Outubro de 2007

O trabalho de não fazer nada

Arquivado sob: Femininas, Jornalismo — Marta @ 17:02

Educar um filho é uma experiência rica e interessante – mas não é para distraídos nem preguiçosos. Adorei a frase, da psicoterapeuta Lidia Aratangy, que assisti ontem no programa da Marília Gabriela, no GNT.

Inteligente e articulada, a entrevistada (e não a entrevistadora, por mais que esta quisesse transparecer as mesmas qualidades) tocou em um ponto extremamente sensível para mim: a dificuldade de ver o filho sofrer e se frustrar.

Uma mãe atenta, quando o filho tosse a noite inteira, descabela-se no dia seguinte para vê-lo curado; leva ao pediatra, faz até simpatia. Agora, o que fazer se aquele serzinho amado, tão despreparado para as relações humanas quanto para a tosse, chega da escola relatando que foi rejeitado pelos amigos?

Até onde uma mãe deve ir, para ajudar o fiho? Deve correr para marcar uma reunião com a professora? E que tal sugerir que ele leve um brinquedo novo para a escola, para atrair a amizade dos amiguinhos interesseiros?

Provavelmente a resposta certa é: deixe o seu filho se virar sozinho. Como você fez com os talheres ou o cadarço do tênis.

Só que não vale ter chegado a esta “solução” por preguiça ou distração. Educar não é para preguiçosos nem distraídos, lembra Lídia, com pertinência. Educar dá trabalho. Ou seja, tem que ter sofrido com o sofrimento do filho, perdido tempo com esse e outros problemas que de fato exigiam ação e, finalmente, se segurado para não fazer nada a respeito da sua frustração.

Irrita-me profundamente quando a mãe relapsa, desligada ou autocentrada torna-se exemplo por ter criado um filho independente e autônomo. Ela é considerada o contraponto da mãe superprotetora, que estraga a criança.

Nada mais injusto. A distraída, ou preguiçosa, pode até ter acertado (sem querer) em alguns pontos, mas em quantos outros o filho precisou de uma mãe sintonizada, para orientá-lo, e não encontrou ninguém? Que abismo existe hoje entre os dois?

Prefiro correr o risco de ser superprotetora (me policiando para não ser) e continuar compreendendo (quase) tudo o que se passa na cabecinha da minha filha…

***

Sobre Marília Gabriela, depois do programa fiquei pensando por que cargas d’água todo jornalista de TV, com o tempo, fica competindo com o entrevistado no quesito atenção. Mas aí me lembrei do Roberto D’Ávila (por onde andará?), um dos poucos jornalistas da telinha sinceramente mais interessado em seu entrevistado do que na própria performance.

12 de Setembro de 2007

Cabelão e barriga tanquinho

Arquivado sob: Femininas, Comportamento — Marta @ 08:52

Não, não vou falar do Renan Calheiros nem do 11 de setembro. Outro dia encontrei uma leitora do Espuminha e ela cobrou: “Achei que você ia escrever sobre os dez anos da morte da Lady Di”. Sorry, amiga. Uma das vantagens do blog é a pauta não precisar seguir a agenda do dia…

O palpitante assunto de hoje é o cabelão. Enquanto tosava o meu, para viajar com um look mais moderninho, soube que um badalado cabeleireiro tinha abandonado o Rio, rumo a São Paulo, indignado por não ter seu talento reconhecido pelas clientes cariocas, adeptas do “cabelão de praia”.

Imagino a sua cara de desprezo ao falar do tal “cabelão”. Segundo o Ximenes, na sua coluna de sábado no Globo, a mulher de cabelos compridos, devidamente alisados, seria o correspondente ao homem com barriga “tanquinho”. Fiquei meio sem referência - nenhum homem assim faz parte das minhas relações, eu acho…

Ele contou que uma amiga foi dissuadida no salão da idéia de “deixar o cabelo crescer”. O conselheiro-analista-cabeleireiro apelou: “Você quer atrair homem que gosta de cabelão???” Coincidência ou não, a tal amiga conheceu um cara interessantíssimo dias depois, já com as madeixas devidamente aparadas.

Claro que esse papo todo pode ser puro despeito de quem já passou dos 30 ou 40, quando manter o cabelo comprido ou a barriga sarada passam a ser tarefa um tanto árdua. Mesmo sim, simpatizei com a idéia de que cabelos curtos, ou médios, têm lá a sua personalidade.

Mas vamos combinar uma coisa, meninos: o mesmo não vale para o barrigão de chope, ok?

11 de Setembro de 2007

Nunca só

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 11:05

Outro dia ousei falar de um assunto que conheço perifericamente – o das mulheres maravilhosas e ainda solteiras – e percebi depois, pela enxurrada de ótimos comentários, que fui um tanto reducionista naquele post.

Pois então vou falar de uma vivência pessoal, compartilhada com várias amigas: a de ser casada, mãe e profissional – e precisar transitar exclusivamente por estes três papéis. Ou seja, esqueça aquele indivíduo único e solitário que você era até tudo isso começar.

O lado bom é que você descansa de um papel se refugiando em outro – e ai de quem questionar a sua ginástica para dar conta da tripla jornada. Se o marido enche o saco, dá para se divertir com o trabalho; se é o filho que está lhe exaurindo, uma viagem de lua-de-mel em nome do casamento é permitida; e por aí vai.

Mas se divertir de outra forma, sozinha, sem ser como mãe, esposa ou profissional, nem pensar. Aí não pode. Quem disse que não pode? Sei lá, mas pergunte para dez mulheres casadas com filho pequeno, e todas vão admitir a regra.

Viajar sem marido e filho pode, mas só se for a trabalho, concordaram minhas amigas num almoço recente que tivemos. E trate de se divertir sozinha nos intervalos do trabalho. Por sinal, almoçar com as amigas pode, mas happy hour… Bem começamos a conquistar esse direito muito recentemente.

São regras não escritas. Mas estão lá, em algum lugar do inconsciente coletivo.

Não sei se a culpa feminina nasce com o casamento ou com o primeiro filho, mas o fato é que ela se instala de forma implacável. De um dia para o outro, a mulher acredita – e aceita – ter seu comportamento avaliado por todos à sua volta. Todos, inclusive a própria, esperam que ela seja assim e assado.

Um homem pode invocar sua necessidade de solidão e partir para um longo período sabático, num veleiro. Mas uma mulher? Se pegar a mala e fugir para um spa, enlouqueceu.

Por tudo isso, parto amanhã na minha primeira viagem sem trabalho, sem marido e sem filha (mas com uma grande amiga!) com uma certa dose de culpa. Mas uma dose pequenininha, depois de tantos anos de análise…

27 de Agosto de 2007

Antes só

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 19:28

Eureca! Depois de conversar com a enésima amiga bonita, interessante, inteligente, divertida e ainda solteira, me deu um clique. Descobri o motivo para o fenômeno. Não passa por estatísticas do IBGE, não está nos episódios de Sex and the City nem na pilha de livros com capa cor-de-rosa à venda.

A explicação é a seguinte: há tantas mulheres interessantes sozinhas quanto homens interessantes mal-casados. Simples assim.

Quando não estão satisfeitas com seus relacionamentos, essas mulheres partem para outra, vão em busca de algo melhor. Já os homens interessantes permanecem com mulheres tolas e chatas por vários motivos: acomodação, falta de coragem, culpa por terem se comprometido um dia com suas namoradas/esposas – nessas alturas, já mães de seus filhos.

Às solteiras ou descasadas interessantes sobram os homens malas – que foram desprezados por outras interessantes e também pelas chatas espertas e chantagistas (que fisgaram seu homem com aquelas táticas femininas que todos conhecem). A outra alternativa é o homem comprometido, que dificilmente vai largar sua mulher oficial, pelos motivos expostos acima.

As bonitas e interessantes que não encontram a sua cara-metade acabam entrando em crise. Aí vão ao analista, desabafam com as amigas e descobrem que o problema não é delas. Tratam de se cuidar e ficam ainda mais bonitas. Enfiam a cara no trabalho e ficam ainda mais interessantes.

Dizem que, quando chegam nessa fase, elas assustam até os eventuais homens interessantes que por acaso estejam dando sopa por aí.

Que desencontro, né?

23 de Agosto de 2007

Reunião de mães

Arquivado sob: Femininas, Cotidiano — Marta @ 16:42

Adoro reunião de pais. Sempre que confesso a minha empolgação com o programa, sinto os olhares de espanto e preocupação à minha volta. “Será que ela bate bem?”, pensam os amigos.

Na época do maternal, tudo se resumia a tentar descobrir, via professora, como a minha bebezinha se comportava longe de mim. Nada que uma câmera oculta não fizesse melhor.

Com o tempo, porém, comecei a perceber que a reunião de mães (os pais que se aventuram raramente costumam voltar) poderia ser ainda mais divertida, se observada com olhares antropológicos.

Afora as oportunidades para saber a quantas anda a minha filhota, aproveito ao máximo o contato com as outras mães, numa espécie de pesquisa particular sobre os tipos existentes.

Há mães que não querem saber nada sobre o seu filho (o que elas não saberiam ainda?), mas apenas contar suas gracinhas e reafirmar publicamente que o pimpolho é superior a todos os outros. São umas figuraças, esperando uma brecha para contar uma história sem graça, que as outras fingem achar interessante por pena ou cumplicidade.

Algumas caem do cavalo, é claro. “O Júnior anda numa fase tão carinhosa comigo… Ele melhorou muito de comportamento, não é mesmo?”. A professora dá um sorriso amarelo. “Bem, ontem ele deu um soco no estômago da Júlia…”

Como numa coletiva, as perguntas das mães são a maior bandeira da sua pauta de prioridades para o filho. Quem sonha com um filho artista gosta de perguntar sobre as “atividades lúdicas”. A mãe analista de sistemas quer saber quando as crianças vão aprender contas de multiplicar.

E tem aquelas que fazem humor involuntário. “Nesta fase, meninos e meninas não estão mais brincando juntos”, observei, tentando me enturmar na primeira reunião da escola nova. “O meu filho disse que quem brinca com menina é gay”, explicou, resignada, a mãe ao meu lado.

A minha gargalhada ecoou, um tanto exagerada, ninguém mais riu e achei melhor ficar calada até o fim da reunião. Já tinha me divertido o suficiente.

13 de Agosto de 2007

Sombras azuis, ombreiras etc

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 19:10

Ao desfazer as trancinhas da festa junina, minha filha se deparou com ondinhas nos cabelos, normalmente escorridos - daqueles que o mulherio gasta horas no salão para ficar igual. Foi uma alegria. Depois, veio o lamento: “Como eu queria ter cabelos ondulados…”. De nada adiantou a minha argumentação de que cabelo liso está na moda, que muitas meninas dariam tudo para estar em seu lugar.

Depois, observando melhor, achei que o volume lhe caía bem, emoldurava o rostinho delicado. Ou, quem sabe, ficou bonito por conta do sorriso, iluminado pela descoberta das ondinhas.

De qualquer forma, trata-se de um daqueles casos em que as crianças têm sua razão. Essa ditadura dos cabelos lisos já ultrapassou o bom senso estético. Às vezes vemos mulheres com o cabelo tão esticado que cada defeitinho do rosto fica mais evidente. Afinal, o cabelo não era conhecido como a moldura do rosto? Alisando tanto, adeus moldura…

É difícil se distanciar da moda, ainda mais quando ela vigora há alguns anos. Eu mesma adoro o meu cabelo bem domado, e sou adepta de uma escova básica, caseira – que aprendi a fazer a duras penas, para não ir à falência no salão.

Mas, convenhamos, muitas vezes somos vítimas da moda. Basta olhar para o passado. Quem não observou, em um filme dos anos 70, como as mulheres ficavam horrorosas com aquelas sombras azuis em cima dos olhos? Parecia que tinham levado um soco em cada olho.

Puxando pela memória, podemos resgatar modismos que chegavam a deformar as mulheres, como as roupas com ombreiras, que as tornavam tão femininas quanto jogadores de futebol americano. Ok, confesso, tive muita roupa com ombreira, incluindo um sutian (!) com as almofadinhas acopladas…

Será que o cabelo superliso também vai ser motivo de piada no futuro? Do que nossos filhos e netos podem rir um bocado, vendo nossas fotos daqui a 30 anos? Arrisco alguns palpites: as calças compridas que mostram os “cofrinhos”, os óculos escuros enormes que tapam metade do rosto, as batas que deixam todas as mulheres ligeiramente grávidas… Que mais? Registrem suas apostas!

10 de Agosto de 2007

Mulher maravilha, eu???

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 17:59

Uma amiga, leitora do Espuminha, me mandou um email carinhoso e elogioso, no qual dizia que eu parecia a mulher maravilha. Isso porque tinha tempo para ser mãe, trabalhar, freqüentar a academia, ir ao cinema e ainda manter um blog! Nossa, assim, digitando, parece mesmo que sou a tal.

Mas não é nada disso!!! Estou sempre entrando na academia justamente porque acabo saindo. No trabalho, certamente poderia fazer mais e melhor. Como mãe, sou uma eterna culpada. A última da minha filha é não se conformar em ter uma mãe que não tira 30 dias de férias, como as outras (?). O cinema, como sabem os amigos que tentam marcar algum programa, está semi-agendado, às sextas-feiras, o dia-que-a-babá-dorme, e só por isso funciona.

E o blog, ufa!, tem entrado na cota do prazer/terapia. Ao contrário do que muitos blogueiros descrevem, ainda não tive crises de falta de inspiração ou assunto, então não gasto tanto tempo assim escrevendo.

Ou seja, sou uma mulher normalíssima: culpada, estressada, três quilos acima do peso ideal, em falta com os amigos e com uma eterna lista de tarefas pendentes. E quando uma dessas mulheres poderosas diz que dá conta de tudo, tenho certeza que é mentira.

2 de Agosto de 2007

Separação delicada

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 10:59

O ministro da Saúde, José Temporão, defendeu ontem que a licença maternidade seja aumentada de quatro para seis meses, para as mães amamentarem mais tempo os bebês. Ao seu lado estava a atriz Cássia Kiss, que ainda amamenta o filho de três anos, o mais novo de uma surpreendente prole iniciada na maturidade.

Vamos supor que a dita licença não fosse hoje quase uma exceção, em um universo onde predominam trabalhadoras sem carteira assinada. Esqueçamos ainda que o tiro possa sair pela culatra, com candidatas a mãe ainda mais rejeitadas pelo mercado de trabalho, por conta da possível ausência prolongada.

Nesse contexto ideal, ainda assim, acredito que a prorrogação da licença maternidade não seja necessariamente uma boa medida. Melhor seria a instituição de um período intermediário, entre a licença e a volta total ao batente. Nesse período, que poderia ser de dois meses, a mulher trabalharia um número menor de horas e poderia continuar amamentando.

Quem já passou por esse dia “D”, da volta da licença maternidade, sabe que ele representa uma ruptura violenta. É emblemático da sobrecarga e da divisão das mulheres entre o trabalho e a maternidade, um conflito que dura alguns bons anos.

Veja bem, o trabalho não é a parte ruim, e a maternidade, a parte boa. A mulher não é arrancada da sua vida perfeita de mãe para ser obrigada a ganhar dinheiro em um trabalho desumano. Estou falando de uma mulher que quer, sim, voltar a trabalhar, a desempenhar outros papéis na vida, além de ser mãe.

Mas o bebê, naquele momento, é uma parte dela. A separação, que é um processo natural da vida, deveria ser feita de forma delicada, para mãe e filho se adaptarem sem tanto sofrimento.

Não sei se aconteceu só comigo, mas uma partezinha de mim, no final da licença maternidade, queria voltar a trabalhar. Um sentimento que vinha junto com a culpa, porque era ou o trabalho ou o bebê, que por nada eu abandonaria.

Claro, você pode ter um chefe bonzinho, estar numa empresa que é uma mãe para os funcionários, e essa etapa não ser tão traumática. Mas seria bem melhor que esse período de transição fosse oficializado. Conheço mulheres que tentam escolher o chefe e a empresa, antes de engravidar, só por conta dessa fase. Nem sempre dá certo.

31 de Julho de 2007

Volta às aulas, de coração apertado

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 18:31

Fim da transição. De escola pequena para escola grande. De criança pequena para criança grande. Fiz a parte que cabe às mães atentas, estudei as regras do jogo, selecionei opções, preparei o meio de campo, troquei passes com o Zé, hesitei, desabafei no blog.

Então percebi que a decisão já tinha sido tomada, sei lá quando, sei lá por quem. Respirei fundo e entreguei a deus. Ou melhor, à minha filhota. Agora era com ela.

Deixei-a no pátio do Teresiano, colégio grande, crianças enturmadas, aulas começadas, um mundo para desbravar. E lá foi ela, única aluna nova, mão dada com a coordenadora, puxando a fila das crianças da primeira série. Não olhou para trás.

Segurei a vontade de esperá-la na porta da escola. Imaginei-me debaixo de uma faixa de boas vindas, tipo “De volta ao lar aconchegante, meu bebê”, só para rir de mim mesma. Deixei voltar de van. Fingi que não estava preocupada.

Quantas vezes uma mãe precisa se passar por durona, para o seu filho se transformar na pessoinha bacana e independente que certamente será?

Ela deu conta, como sempre. Voltou saltitante, nem sabia por onde começar. Conheceu as três novas melhores amigas, foi elogiada pela professora, mas descobriu que tem um menino implicante na turma. Sempre tem um menino implicante, né, filha? Ela concordou. Um dia eles param de implicar, eu pensei.

Mas essa será outra história, outra transição. Um post para daqui a alguns anos…

23 de Julho de 2007

O nome da ruga

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 18:47

Lembra de quando o máximo da maldade era dizer que fulana estava cheia de “pés-de-galinha”? Pois é, o tempo passa e a maldade, na hora de nominar as rugas, aumenta.

Ultimamente interessada no assunto de prevenção das ditas cujas (por que será?), comecei a reparar nos “sutis” apelidos que as acompanham. Não sei se para traumatizar ainda mais as mulheres, e vender mais cremes, toda ironia parece ser pouca, mesmo quando a abordagem é médica ou “séria”.

Primeiro, descobri que os sulcos que saem dos cantos da boca, lá pelos 50, são conhecidos como “bigode chinês”. Pode? Ontem, numa revista feminina, li que as marquinhas que surgem em torno dos lábios são batizadas de “código de barras”! Céus, quem são os canalhas (devem ser homens) que apelidam as rugas femininas?

Fiquei me imaginando, num futuro muuuuuito longínquo, com um pé-de-galinha saindo do canto de cada olho e uma boca com desenho de código de barras, ornamentada por um bigode chinês! Se eu soubesse desenhar, faria uma charge-denúncia sobre o assunto.

Depois ainda reclamam da baixa auto-estima feminina…

20 de Julho de 2007

Ninho vazio

Arquivado sob: Femininas, Comportamento — Marta @ 12:31

A síndrome do ninho vazio foi “diagnosticada” nos Estados Unidos, onde os filhos adolescentes costumam sair de casa cedo, para morar em universidades distantes de suas cidades. De um dia para o outro, a casa fica silenciosa e os mesmos pais que reclamavam dia e noite da confusão caem em depressão, sentindo-se velhos e inúteis.

Por aqui, isso só acontece bem mais tarde. Os filhos vão à faculdade de carro, formam-se e continuam contando com todas as mordomias de morar com os pais – porque ainda não se sustentam sozinhos, porque não querem ser tão independentes assim ou porque os pais os estimulam veladamente a ficar um pouquinho mais.

Mas tenho amigas, separadas dos pais de seus filhos, que vivem a experiência muito antes. O filho ainda pequeno passa um fim de semana inteiro na casa do pai, e nas férias esse período pode chegar a 10, 15 dias! Eu ficava com uma pontinha de inveja – imagina poder ir ao cinema sem precisar combinar com babá ou avó.

Isso tudo para dizer que o meu ninho ficou vazio esta semana. Pela primeira vez, em sete anos. Na primeira noite, foi esquisito, um tanto triste. Mas bastou um telefonema para constatar o quanto a minha filha estava bem melhor lá, cercada dos primos e com o carinho da avó, do que desperdiçando suas férias comigo.

Uns testes como esse podem ser um bom treinamento, para eu não me tornar uma dessas mães que não deixam os filhos crescer…

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas estou morrendo de saudades e lá vou eu para Búzios! Só volto com a filhota debaixo da asa, para preencher o ninho!

13 de Julho de 2007

Mãe integral precisa de “plano B”

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 12:06

De vez em quando uma amiga fica em crise, dividida entre a idéia de investir na carreira ou no filhote. No mês passado, uma matéria de capa da Época mostrou mulheres que estão parando de trabalhar para cuidar dos filhos, numa boa, sem o drama de terem se tornado “do lar”, à moda antiga.

Achei interessante, mas penso que essas mulheres, que ficam bem só em casa, cuidando de filho (não é o meu caso), deveriam ter um “plano B”, para o futuro. Aliás, desenvolver mentalmente um plano B é bom para tudo na vida, inclusive para a própria carreira.

No caso de quem aposta em uma realização mais plena como mãe, sem o tormento que de fato é conciliar esse papel com um trabalho estressante, é preciso lembrar que os filhos crescem. Parece óbvio, lugar comum, mas quem está com um bebê no colo, especialmente se for o primeiro, não consegue visualizar isso com clareza.

Ultimamente ando deslumbrada (ou seria assombrada?) diante da possibilidade de que vamos todos viver 100 anos. Fico imaginando a vida dessas senhorinhas, ou senhorinhos, que, 40 anos atrás, ao completaram seus 60, se conformaram em ser velhos e começaram a contagem regressiva para morrer. Aí se passaram dez anos, e depois mais dez. Aos 80, pensaram: “Puxa, já estou na prorrogação.” Mas então se passam mais 20 anos! O que teriam feito, aos 50, se soubessem que ainda iam viver outros 50?

Uma mulher de 30 e poucos anos pode estar meio cansada de trabalhar, porque começou cedo e já experimentou o sucesso na profissão, e passa a ver na maternidade uma nova forma de realização. (As mulheres são assim, diferentes do homem, e se realizam de várias formas, não apenas com aquilo que dá dinheiro, status e poder.) Se a renda do casal permite, parar de trabalhar parece tentador.

Mas, vem cá, e quando o filho expulsá-la do quarto, porque ela está invadindo o seu espaço e atrapalhando o videogame? E quando a filha adolescente disser “eu te odeio” e for fazer intercâmbio no exterior? Essa mulher pode ter uns 50 anos de vida pela frente, e se esqueceu de ter fazer um plano para essa “etapa”, que está longe de ser apenas uma prorrogação.

Vai dar para retomar o trabalho? Ser bem sucedida a ponto de aquilo voltar a ser uma fonte de realização? Talvez sim, talvez não. Talvez tivesse sido mais fácil, de alguma forma, conciliar os dois papéis, de mãe e profissional, naquela fase mais crítica da maternidade – esta sim, uma etapa relativamente curta, de dez ou 15 anos.

O que os filhos pensariam sobre isso? Bem, a mãe vai ser culpada de qualquer jeito. Por ter sido negligente, e priorizado a carreira, ou ter superprotegido os pimpolhos, cobrados depois por todo o seu “sacrifício”. Outro dia li, na “Vida Simples”, uma definição ótima sobre como a gente sabe que foi um bom pai (ou mãe): é quando os filhos conseguem pagar sozinhos a própria análise.

5 de Julho de 2007

Giane

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 16:37

Atendendo a apelos de duas amigas, que consideram o fato digno de manchete em qualquer blog, registro aqui que ontem eu alonguei ao lado do Reynaldo Gianecchini. Pensando bem, até que fazer musculação em academia de dondoca não é tão ruim assim. Para as interessadas, foi na Bodytech do Leblon…

3 de Julho de 2007

Porque as mulheres mentem a idade

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 18:17

Sempre me intrigou essa história de mulher esconder a idade. Qual a lógica por trás disso? Se a mulher não aparenta os anos que tem, que ótimo, poderia ter orgulho dos comentários tipo “você parece mais jovem!”. Não faz sentido alguém começar a ver rugas numa mulher só por saber que ela tem 40 ou 50 anos.

Em busca do “outro lado”, comecei a ficar atenta ao assunto. Será que daqui a um tempo eu estaria escondendo – ou pior, mentindo! – a minha idade?

A Tônia Carrero jura que sua vida amorosa acabou quando finalmente revelou a idade. Antes, tudo era mistério, ela era uma mulher madura, mas sem idade. Outro dia, no “Saia Justa”, a Mônica Waldvogel contou que uma mulher maravilhosa, depois de levar uma cantada numa festa, confessou para as outras: “Tenho 59 anos, mas se falar isso, eles saem correndo.”

Então existe uma lógica! As mulheres não estão loucas; estão se protegendo! Pelo visto, em algum momento, a idade torna-se um estigma na vida de uma mulher.

Mas existe uma boa chance de a atual geração das “quarentonas bonitonas”, da qual me orgulho de fazer parte, mudar isso. No domingo, a Marisa Monte comemorou em grande estilo o aniversário de seus 40 anos, no Vivo Rio, com direito a parabéns prá você e bolinho distribuído à platéia.

Talvez, se a Tônia Carrero tivesse comemorado seus 50, 60 e 70 anos, com bolo e velinhas, a tal bonitona da festa pudesse revelar seus 59 anos sem problemas. É uma questão apenas de mudar a imagem de cada idade.

Se começarmos a fazer propaganda, quem sabe as garotinhas de 20 anos não vão mentir que têm 40? Menos, Marta, menos…

Em tempo: faço 42 anos em outubro!

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