28 de Julho de 2009

Roupa errada

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 15:06

Estava eu caminhando em Ipanema, voltando do almoço, quando a mulher me ultrapassa e se vira, para comentar:

- Ainda bem que achei outra pessoa de bota.

Ela seguiu apressada, mesmo assim manteve a contorção para dar uma olhadela no céu azul, um sorriso cúmplice e completar:

- A gente não imagina que o sol vai abrir, quando sai cedo de casa.

Foi o tempo que tive para confirmar o cano longo, debaixo de meu vestido, e reconhecer em mim uma ponta do mesmo constrangimento. Tentei retribuir o sorriso, agradecer a intimidade, evitar que seu embaraço aumentasse. Mas ela já ia longe.

“Mulher é tudo igual”, pensei, e ri sozinha.

21 de Maio de 2009

Sem noção?

Arquivado sob: Femininas, Cotidiano — Marta @ 13:12

O ministro das Comunicações, Helio Costa, aconselha a juventude a deixar de “ficar pendurada na internet” para ver mais televisão e ouvir rádio. A escritora Maria Mariana afirma que pegar no chão a cueca suja do marido é um “aprendizado de paciência e dedicação”. O que Helio e Maria Mariana têm em comum? Ambos estão bitolados em seus mundinhos, mas mesmo assim acreditam que suas opiniões são relevantes. Que bom que temos a internet, para meter o pau neles.

O cargo de um e o passado profissional da outra, teoricamente, os habilitariam a falar sobre os seus temas sem deixar escapar tanta bobagem. Mas o problema acontece quando as pessoas são acometidas de um egocentrismo que as impede de olhar em volta, e ter a humildade de reconhecer que suas experiências pessoais ou impressões superficiais não são relevantes – pelo menos enquanto forem só isso: pensamentos toscos que não passaram por qualquer tipo de elaboração.

Consigo imaginar Maria Mariana exercitando a paciência necessária para manter qualquer casamento, lá do jeito dela, ainda mais com quatro (lindos) filhos a tiracolo. Ou o ministro legitimamente irritado com algum jovem próximo que passa o dia vendo baixarias na internet. Ambos podiam ter ficado quietos. O caso do ministro, claro, é mais grave: ele tinha obrigação de conhecer o assunto, antes de generalizar a internet como algo nocivo aos adolescentes (em contraposição à … televisão!).

Mas acho que a escritora, tão antenada na adolescência, também virou uma “sem-noção” – algo um tanto natural, depois de nove anos sem trabalhar, cuidando de filhos… Para chegar a uma conclusão, leia a polêmica entrevista que saiu na Época, e também a versão dela, dos fatos e da edição da matéria.

6 de Abril de 2009

Bonita, eu?

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 16:37

Um amigo diz que cansou de tentar elogiar as mulheres. Diz que sempre ouve, em troca, alguma ressalva como “é, mas eu estou gorda”. Em vez de um sincero “obrigada”, pode seguir-se uma ladainha de autodepreciações. “Perde a graça, nem dá vontade de fazer um elogio”, desabafa ele, repleto de razão.

Que coisa, né. As mulheres reclamam tanto dos homens, que não prestam atenção no penteado novo, e aí vem um homem contar isso. Pior é que imagino direitinho a cena que ele descreveu…

18 de Fevereiro de 2009

Desejo

Arquivado sob: Femininas, Crônicas — Marta @ 16:01

Até os homens mais distraídos já notaram. Nos últimos meses, mulheres de todas as idades, credos e profissões têm desfilado por aí com dedinhos iluminados e petulantes, que parecem ter vida própria em mãos e pés comportados. Tudo por causa de Desejo, um esmalte vermelho “bem aberto”, que nem chega a engrossar no vidrinho da manicure, tamanha é a procura. “Só perde para o Renda”, me informa a mocinha do salão. Renda, para quem chegou agora, é um esmalte claro, tipo misturinha, usado há décadas pelas mulheres (nos momentos em) que preferem não chamar a atenção.

“Que horrível, parece cor de abóbora”, reage minha mãe, que no passado usava vermelhão “fechado”, mas com a idade rendeu-se ao Renda, com o perdão do trocadilho. “Que lindo, é Desejo, né?”, perguntam as amigas. Hummm… Quando a mãe censura, as amigas invejam e o carnaval se aproxima… Bem, eu apostaria que o Desejo vai bombar neste carnaval. Quem sabe o início de 2009 não ficará conhecido como o “verão do Desejo”?

Falei de homens desatentos em relação a esmaltes femininos, mas desconfio de sua inexistência. Uma mulher pode tosar o cabelo, usar vestido novo, fazer lipoaspiração, que o sexo oposto parece ignorar. Já unhas compridas e vermelhas, ou curtas e pretas, parecem atrair imediatamente o olhar dos namorados mais autistas e dos maridos mais aborrecidos. Muitos juram não gostar, mas os olhares hipnotizados cismam em trair suas convicções. Afinal, o que eles sentem em relação ao Desejo?

No fundo, pouco importa. Nada mais atraente que uma mulher com a autoestima em dia. E é isso que interessa.

24 de Novembro de 2008

Tênis chinelo Rio de Janeiro

Arquivado sob: Femininas, Comportamento — Marta @ 16:08

Mulheres costumam ter problemas para escolher a roupa. Quanto menos familiar a ocasião – incluindo local e pessoas ao redor -, mais difícil encontrar as peças certas no guarda-roupa. Em uma das ótimas cenas de “Vicky Cristina Barcelona”, a primeira personagem do título troca de blusa meia dúzia de vezes antes de seu encontro romântico e proibido. O detalhe é que as trocas consecutivas se dão apenas entre duas opções. Atire a primeira pedra a mulher que nunca experimentou várias vezes a mesma roupa, variando apenas os ângulos no espelho.

Apesar de a cena descrita acima ser motivo de piada nas rodas masculinas, desconfio que não seria diferente com os homens, se eles fossem tão atentos aos detalhes - e tivessem tantas opções de indumentária - quanto as mulheres. O motivo é um só: ninguém gosta do sentimento de inadequação – salvo, claro, quando a intenção é exatamente chamar a atenção (ou quando se é turista; mas a liberdade da inadequação autorizada a ele é um capítulo, ou post, à parte)

Pois na sexta-feira passei por minha prova de fogo. Tinha levado para trocar na academia uma roupa escolhida com algum critério, para poder sair à noite - um vestidinho longo e informal, sugestão inspirada em uma vitrine ipanemense. Como de hábito, emendaria o trabalho do dia com a balada noturna - se é que podemos chamar assim um jantarzinho básico com amigos acima dos 40, talvez 50 anos.

Suada e feliz com o sentimento da ginástica cumprida, dirigi-me ao merecido banho certa de que não tinha esquecido nada – até o xampu havia me lembrado de repor. Vestido abotoado e cabelo escovado, imaginei que a sexta-feira valia um rímel, providenciamente mantido na bolsa da academia. Aproveitei a incursão na bolsa lotada para pegar a sapatilha, perfeita para dosar a ousadia do vestido longo. Apalpa daqui, afasta a toalha molhada de lá, e nada. Não acreditei. Tinha esquecido a sapatilha em casa.

Teria que calçar o tênis. Justamente o tênis velho, e não o novo, ainda por cima sujo de barro, da trilha feita no fim de semana. Teria que sair dali de vestido longo e tênis sujo. Tentei suavizar a situação mentalmente, ser mais Cristina do que Vicky, mas estava difícil. Não, eu nem mesmo almoçaria no shopping, de tênis e longo, como se estivesse lançando moda. Daria um jeito de passar em casa o quanto antes, e rezaria para não atrair olhares curiosos até lá.

Por coincidência, uma amiga de São Paulo me ligou no dia seguinte desesperada: tinha trazido na bagagem apenas chinelinho de dedo, para ir à festa carioca onde conheceria os amigos do novo namorado. No Rio, chovia a cântaros. Ainda por cima, ela descobrira um convite luxuoso para a tal festa presumidamente informal.

Outra Vicky, coitada, pensei eu… Na próxima encarnação, juro que quero nascer Cristina.

9 de Junho de 2008

Diversão requentada

Arquivado sob: Femininas, Diversão e arte — Marta @ 16:18

Não imaginava que a série Sex and the City fosse tão levada a sério. Claro que já me diverti com alguns episódios, que provavelmente vi pela primeira vez na enésima reprise, mas não percebia ali a pretensão de resumir Nova York, muito menos a mulher contemporânea.

Já que fãs ou marketeiros convenceram a imprensa do fenômeno, vamos lá: NY não é a “cidade do amor e das grifes”!!! Não sou exatamente a maior conhecedora do lugar (para chegar perto disso, existe o blog Só em Nova York, de Tania Menai), mas se tivesse que listar características marcantes de lá começaria com diversidade, modernidade, cultura… Incluiria, sim, o luxo e o consumo, mas colocaria o amor lá no finzinho.

Quanto à mulher moderna, céus!!! Quem suportaria conviver com aquelas peruas mais do que a meia hora diária da televisão? Está bem, o filme passa de duas horas e deve ser pura diversão. Mas presta-se a teses sociológicas tanto quanto um Indiana Jones ou qualquer outro blockbuster americano. Além do mais, esse oba-oba tem ar de assunto requentado, porque as personagens deixaram de ser novidade há alguns bons anos.

20 de Maio de 2008

Momento “Boa Forma”

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 15:52

Meninas, não me odeiem. Mas sabem aqueles três quilos a mais, relatados alguns posts abaixo (O que os homens acham das batinhas)? Livrei-me deles. Nâo, não é fácil emagrecer. Na verdade, fica cada vez mais difícil. Porém, não desistam! Não precisamos parecer matronas com o tempo. É ótimo se sentir mais magra e ágil, e isso não tem nada a ver com a ditadura do culto ao corpo.

Como tenho aqui a pretensão - expressa na linha fina deste blog - de dar dicas, aí vão elas, para ajudar na sua dieta:

- Não fique morrendo de fome, nunca. É o primeiro passo para chutar o balde, pôr a perder uma semana de sacrifícios. Faça lanchinhos pequenos, comece a refeição com uma sopa ou salada, mas não encare comida calórica, farta e deliciosa morrendo de fome.

- Procure algum tipo de ajuda para começar. Vale nutricionista, médico que não apela para remédio, vigilantes do peso, spa (adoro spas). É cruel cobrar-se “força de vontade” sem algum tipo de apoio, ainda mais com uma rotina de trabalho, estresse e comilança por todo lado.

- Entrar para a academia, sem fazer dieta, não emagrece. Fazer atividades aeróbicas (caminhada, bicicleta) ajuda, mas junto com mudanças na alimentação.

- Escolha e valorize seus momentos de prazer durante a dieta. Porções pequenas (previamente separadas) são o segredo para não extrapolar. É um bom treino para manter a forma depois que você chegar lá (no peso razoável para comprar uma calça jeans).

2 de Maio de 2008

O que os homens acham das batinhas

Arquivado sob: Femininas, Cotidiano — Marta @ 14:00

Nós duas concordávamos sobre jamais, em tempo algum, comprar uma calça jeans um número maior. Seria como jogar a toalha, reconhecer os quilinhos a mais como definitivos. Se a vontade de comprar fosse muito grande, que entrássemos na primeira loja de sapatos, ou bijuterias, e resolvêssemos o problema sem colocar em risco o plano de emagrecer.

Mas aí ela resolveu ampliar o leque de compras permitidas a mulheres com três quilos a mais.

- Também dá para comprar umas blusinhas, agora que essas batas estão na moda.

- Aí já acho perigoso - discordei. Essas blusas soltinhas são a maior ilusão. As mulheres acreditam que estão disfarçando a barriga e acabam parecendo um bujãozinho.

Para a minha surpresa, o seu marido, até então completamente alheio, soltou uma sonora gargalhada. Chegou a dar pancadinhas na mesa do restaurante. E parou por ali. Não entrou na conversa nem teceu nenhum (outro) comentário.

Nem precisava. É claro que concordava. Observava as mulheres - incluindo a sua - aderindo sem critério ao “modelito bujão”, mas aprendeu que não há forma sutil de um homem abordar assunto desses. Na última vez em que sugeriu que ela não comesse sobremesa, já que estava de dieta, deve ter levado a maior bronca do mundo.

Por via das dúvidas, dessa vez permitiu-se apenas uma gargalhada. Daquelas, que valem por mil palavras…

3 de Abril de 2008

Perfume é como música

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 13:35

Os cheiros nos transportam, nos trazem emoção em estado bruto, são poderosíssimos. Podem ter o efeito de uma droga. Aprendi agora que não precisamos esperar um acontecimento fortuito - um canteiro de jasmim pelo caminho, um tempero no ar, um perfume antigo no pescoço de um desconhecido – para nos enebriar com uma sensação captada do passado.

O truque é o seguinte: eleja uma fragrância para uma ocasião que certamente será especial. Só repita em situações semelhantes, que lhe tragam o mesmo tipo de emoção. Você pode ter o “seu cheiro” de quando viaja para as montanhas, por exemplo, ou um perfume para sentir especial quando vai dançar.

Descobri isso por acaso, quando fiz uma viagem de navio. Tinha me esquecido de levar hidratante e comprei um, de grife, a bordo. Foram sete dias me lambuzando de um creme hidratante maravilhoso, que ficou esquecido depois da viagem. Outro dia, reencontrei o creme e … adivinhem? Passei o dia sentindo o balancinho do mar. Mas resolvi guardá-lo, para usar apenas quando quiser me sentir como naquela viagem. Perfumes especiais não podem ser banalizados.

Maria Bethânia disse que música é como perfume. Sem dúvida. Uma música do passado pode nos deixar com as pernas bambas, não é mesmo? Mas acho que o perfume é mais particular, mais íntimo. Sempre se corre o risco de descobrir tardiamente que aquela canção, tão especial, na verdade foi um baladão que marcou toda uma geração…

4 de Março de 2008

Rápida e rasteira

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 17:39

Desde o final do ano passado ando me sentindo alta na multidão. Quase me volta um complexo da adolescência, quando fui a última da fila no colégio por alguns anos.

De lá para cá, aprendi a gostar do meu 1,70 metro. Tão logo a nova geração cresceu - e como cresceu -, deixei de me sentir uma giganta e pude perceber as vantagens de uma boa altura, na hora de ver um show ou respirar no vagão do metrô lotado. Passei até a usar uns saltinhos…

Mas aí vieram as rasteirinhas. Devem ser a melhor coisa que aconteceu nos últimos tempos para os homens baixinhos. Será que foi idéia dos estilistas baixos (não gays, se é que existem) substituir as sandalinhas sem salto por sapatilhas, no inverno?

Pois é. Parece que as baixinhas continuarão, na próxima estação, especialmente baixinhas. E eu, que pensava que eram um pouco complexadas… Mas elas juram que é tudo em nome do conforto, como no caso das bolsas enormes.

Afinal, que mulher liga para moda, para ficar bonita e coisas assim? Tudo intriga da oposição…

23 de Janeiro de 2008

Sem carne para apertar

Arquivado sob: Femininas, Comportamento — Marta @ 17:33

Sempre que esbarro com celebridades gostosonas por aí, o impacto é o mesmo: nossa, como ela é magra!

Nada contra. Como todas as mulheres, acho chiquérrimo ser magra. Mas que o impacto de ver as famosas ao vivo é cada vez menor, lá isso é. Como poucas são realmente altas, o que se observa são tipos mignons, quase frágeis, adornados por rostos conhecidos.

Claro que com a roupa e o ângulo certos, elas acabam parecendo gostosonas novamente, na TV ou na Caras. Sem o risco de alguém chamá-las de gordas, em notinhas maldosas.

Lembrei disso hoje quando vi Luiza Brunet reproduzindo, aos 45 anos, aquela célebre foto de top less e calça Dijon. Magérrima, mais famosa do que nunca (depois de desistir de deixar seu espaço para a filha pouco carismática), Luiza empina o derriè, usa calça mais clara (o velho truque), mas mesmo assim não consegue imitar a curva de antigamente.

Nada contra, repito. Mas o que os homens devem achar disso tudo?

19 de Dezembro de 2007

Férias com caipirinha e barriguinha

Arquivado sob: Femininas, Viagens — Marta @ 18:17

Tem gente que odeia resort. Acha sem charme, um tanto americanizado (apesar de o famoso Club Med ser francês), padronizado.

Pode ser isso tudo, mas para quem tem criança e quer um pouco de mordomia, nada melhor do que um hotelão com bons serviços, uma programação pronta e muito papo para o ar.

Hoje, no meu hotelão na Bahia, estive reparando numa vantagem extra. Como resort é sempre cheio de gringos, de todas as nacionalidades, e famílias brasileiras de todos os cantos, não há a ditadura do corpo na piscina.

Ao contrário do Rio, e mais especificamente de Ipanema, as mulheres têm corpos normais para as suas idades. E não parecem constrangidas com suas celulites e barriguinhas, enquanto tomam caipirinhas e cuidam dos filhos.

Nada como se sentir normal, com direito a diversão, sem culpa por não ter o corpo malhado por anos na academia. A carioca sofre com essa auto cobrança; basta levantar o assunto em uma rodinha feminina para constatar.

Mas quando saímos um pouco do microuniverso de Zona Sul, Rio de Janeiro, Brasil, percebemos que a mulherada em outras culturas parece ser mais feliz. Pelo menos nesse aspecto.

30 de Novembro de 2007

É de pequenino que…

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 16:38

Sempre que as mulheres reclamam do quanto os homens são imprestáveis em casa, folgados e machistas em relação às tarefas domésticas, fico pensando que foi uma mulher quem os educou assim.

Não tenho filho homem para dizer como isso funciona na prática, mas imagino que as amigas que os têm estejam atentas ao assunto.

De qualquer forma, fica o espanto de como isso perdura: homens que jogam a roupa suja no chão, deixam a toalha molhada na cama, esperam que alguém lhes sirva a comida e ainda reclamam se alguma coisa está fora do lugar!

Vi um filme na semana passada em que os homens eram exatamente assim – e parecia um documentário. Em “A casa de Alice”, a pobre protagonista teve três filhos homens, que em algum momento deixaram de ser crianças fofas para se tornarem homens imprestáveis, com idades entre 17 e 21 anos.

Os garotos têm no pai o pior exemplo possível, é verdade. Mas nos detalhes da rotina doméstica – pano de fundo para o drama da mulher quarentona e sem perspectivas na vida – vamos descobrindo o real motivo para aquela situação.

A avó resignada e amorosa trata os quatro marmanjos como se fossem bebês, fazendo-lhes o prato e ignorando suas reclamações levianas. Cumpre quase confortável o seu papel de servir os homens e manter a frágil harmonia familiar.

Mulheres que educam filhos e netos para serem homens imprestáveis estão por toda a parte, independentemente de classe social. Fiquei estarrecida na primeira vez em que percebi não se tratar de um fenômeno comum apenas aos “filhinhos de papai” das classes mais abastadas.

Tive uma empregada que tratava seu filho mais velho como um rei. As filhas não tinham moleza, mas para atender aos caprichos do rapaz era capaz de fazer faxina extra, trabalhar noite e dia. Chegava a bater as pestanas quando falava dele, e sempre justificava seu mau desempenho escolar.

Em um jornal onde trabalhei também havia uma secretária assim, mulher forte e inteligente, que andava de trem e economizava cada tostão para pagar a prestação do carro do filho desempregado. Quando o automóvel espatifou-se em um poste, sequer ficou revoltada.

Certamente fazia o seu prato à mesa. Talvez tenha até sentido algum orgulho quando o seu “homenzinho” reclamou a primeira vez da comida, com voz grossa.

Que diabos acontece com as mulheres, que se emanciparam mas continuaram incapazes de formular um novo modelo masculino para seus filhos? E não me venham falar que o exemplo masculino se reproduz sozinho, porque todas sabemos que meninos são criados por mulheres – mães, avós, babás, professoras.

Deve haver explicações psicanalíticas, claro. Mas tenho esperanças de que estejamos apenas numa fase de transição. Quem sabe minha filha não precise reclamar da roupa suja no chão…

Em tempo: casar com homem que já morou sozinho ajuda!

7 de Novembro de 2007

Saia pela porta da frente

Arquivado sob: Femininas, Diversão e arte — Marta @ 06:36

O filme “papo-relação” do momento é “O passado”, de Hector Babenco. As mulheres são insuportavelmente dominadoras e neuróticas. O homem-vítima, vivido pelo gracinha Gael Garcia Bernal, é um sujeito de personalidade fraca, que suporta calado todo tipo de devaneio feminino.

Como sempre acontece nos amores caracterizados pela dobradinha dominador-dominado, de longe os relacionamentos parecem inverossímeis. Como alguém se submeteria - e estimularia - aquela situação? Mas acontece, sim, de forma assustadora.

Não estamos falando de uma característica feminina ou masculina, mas humana. Mulheres também se submetem ao jugo masculino - no passado (!), então, com bastante freqüência.

Em outro filme, que gostei mais, a situação inversa é exposta com o mesmo tom caricatural (perfeito para contar histórias assim), mas com um toque de delicadeza.

Em “Garçonete” logo simpatizamos com a personagem título e tentamos compreender a sua submissão, atribuindo-a à ameaça física ou financeira imposta pelo marido neurótico. No final, fica claro que não existe dominador sem alguém disposto a ser dominado. Quando se encontra uma motivação, basta sair pela porta da frente.

No caso da garçonete, a força vem de um bebê, que ela pensa odiar. O filme é especialmente tocante para mulheres-mães. Só elas já sentiram aquela energia sobre-humana, que surge do nada, nos momentos críticos da maternidade.

Para quem gostou de “Pequena Miss Sunshine” ou de “O fabuloso destino de Amélie Poulin”, o filme é imperdível.

Boa sessão de cinema.

25 de Outubro de 2007

Grisalha ficava a sua avó

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 22:33

Está rolando uma moda de mulher de cabelo branco. Isso mesmo. Enquanto as pré-adolescentes fazem mechas no salão, algumas quarentonas resolveram assumir a cor natural e abandonar o ritual da tinta. Já pipocaram aqui e ali matérias a respeito - com direito a fotos de mulheres bonitas, de visual moderno e … grisalho.

Parece cheio de atitude, interessante mesmo. Outro dia, vi uma dessas mulheres no salão, fazendo escova (os brancos modernos são mais compridos que os das senhoras de antigamente).

A propósito de um post meu sobre envelhecimento, minha amiga Cristiana (do Blogtalk) revelou em comentário sua decisão de seguir o caminho. Confesso que, na hora, lembrei que a Cris sempre foi bonitona, sem maiores esforços, e não gostei da idéia de vê-la grisalha. Não combina com ela!

Nada envelhece mais a aparência do que cabelo branco. Afinal, a imagem das nossas avós - aquelas que nunca usaram tinta - ainda está bem gravada na memória. E elas não tinham qualquer atitude, literalmente. Bordavam, cuidavam dos netos, eram expectadoras da vida dos outros.

Se hoje, aos 50 anos, uma mulher tem o mesmo dinamismo de outra de 30 - é produtiva, atualizada e inteligente -, que mal há em adiar os cabelos brancos e afastar de si a imagem das velhinhas que tricotavam no sofá? Veja bem, não estou falando de fazer dúzias de plásticas ou gastar rios de dinheiro em cremes. Basta um xampuzinho tonalizante de vez em quando…

Cuidar do visual na maturidade é uma questão de bom senso: aceitar as ruguinhas, porque elas mostram que somos mais seguras e sábias que as mais novas, mas também adiar o aspecto senhoril (roupas e cabelo branco) de uma geração anterior à nossa com a qual não nos identificamos.

Qual será o limite disso tudo? Um belo dia, vamos nos olhar no espelho e dizer: cansei, quero ser uma velhinha de cabelo branco, igual à minha avó? Quem sabe, daqui há muuuuuitos anos…

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