Avatar e Invictus no fim de semana
Imagine-se completamente envolvido em uma narrativa de ficção. Pode ser um livro ou um filme, daqueles que te ganham desde o começo, como leitor ou espectador. Há aquela deliciosa mistura de identificação (com os personagens, com a situação) e estranhamento (o que vai acontecer?). A história é tão bem contada (por causa do ritmo rápido; ou pelo contrário, por se deter em detalhes enternecedores), que você esqueceu-se de si próprio, nem percebe imagens ou palavras como intermediárias. Seguir a narrativa é puro deleite até que…
Até que o narrador resolve “aparecer” e explicar melhor o que está contando. Um flashback desnecessário, um personagem explicando o que você já tinha entendido e pronto. Fim da magia. Cortaram o seu barato, o seu tesão. No melhor da festa, alguém desligou o som. Afinal há os vizinhos – aqueles a quem cabe uma trama mais explicadinha, uma fórmula já testada, uma repetiçãozinha que torne tudo mais, digamos, palatável. Você estava no estado da arte, da emoção, e de repente tem que se contentar com algum entretenimento. Volta a ter consciência de si próprio, da sua posição na poltrona, e percebe que, pensando melhor, aquele ator não está tão bem assim no papel ou que o autor poderia ter caprichado mais nos diálogos.
É nessa hora, da mais pura decepção, que me dá vontade de não ler mais o best seller do momento, nem ver o filme candidato ao Oscar. Mas eles são tão bem feitinhos, não é mesmo?





