Cotidiano
Publicações arquivadas desta categoria
Dicas, atualidades e assuntos para o café
Publicações arquivadas desta categoria
Publicado por Marta em 14 Nov 2008 | sob: Cotidiano
Você adora determinado prato de um restaurante, ao qual não vai com a freqüência que gostaria. Depara-se, afinal, com a oportunidade. Senta-se à mesa e segue-se o dilema: deve repetir, pela enésima vez, o mesmo pedido?
Com o cardápio em punho, tenta levar a sério as demais opções. Percebe que há novidades no menu - geralmente há. Os olhos, no entanto, não se fixam nelas. São atraídos pela linha onde parece piscar um farol. Ali está ele, o prato de sempre. Trata-se do porto seguro das refeições, a promessa do aconchego dos sabores perfeitos somado à familiaridade das experiências passadas. Sem supresas, é verdade; mas quem precisa de aventuras se a satisfação está garantida?
Nesses tempos em que a gastronomia ganhou reconhecimento de arte, escolher sempre o mesmo prato pega mal. É verdade que se pode evocar a tradição, ou qualidades pessoais como a coerência e a fidelidade. Mas o fato é que quem não arrisca não petisca. Se não variar, você jamais irá aperfeiçoar paladar e olfato para se habilitar ao sofisticado mundo da gastronomia. Além do que, vai parecer um chato.
Há a possibilidade de dividir o peso da decisão com a sua companhia à mesa (quem sabe ela promete uma degustação do excitante prato que escolheu e alivia a sua culpa) ou mesmo conversar com o maitre. Alguns deles juram ter visto clientes ligando para a mãe ou até para o analista, na hora de escolher o prato. Portanto, não se sinta mal se demorar cinco, dez minutos até uma decisão.
Eu já paguei muito esse mico (o de demorar, não o de telefonar para o analista). Mas hoje, sexta-feira, me antecipei e resolvi: vou no de sempre - e já estou aguando por ele.
Publicado por Marta em 31 Out 2008 | sob: Cotidiano
Fim do livro, fim da energia. O som do carro entrou em pane, o celular entrou em pane. É estranho quando começam a acontecer esses curtos-circuitos. Ainda não é hora de levar para consertar nem comprar outro. Porque às vezes funciona, e você passa por maluca se chamar o técnico. Pode até consertar sozinho, você já teve experiências assim. Então o negócio é usar o pensamento positivo, encontrar o jeitinho, ou acreditar que a pane vai simplesmente desaparecer, de repente.
O problema é quando a gente mesma entra em pane. A febre vai passar, sumir, logo que o dia raiar, eu pensei. Mas não. Então é hora de raspar o tacho, encontrar aquele restinho de entusiasmo grudado no fundo, uma energiazinha que estava escondida em um canto da alma.
Como no caso do celular, não há possibilidade de eu ir para o conserto agora. Uma vez me peguei dizendo: nem pensar em morrer antes de a minha filha estar criada; essa alternativa não existe. Que lembrança estranha, típica de quem está deprimido e doente. Mas quem falou em doença, cara pálida? Nada disso. Tem que durar mais alguns dias – a saúde, a bateria, o humor, o cd player. Quem sabe só mais um comprimido, com coca light, resolva o problema.
Pior que li sobre o surto psicótico da Adriana Calcanhoto. Parece que ela estava gripadíssima também, e com uma agenda de shows a cumprir em Portugal. Tomou uns remédios fortes, que fizeram uma combinação explosiva com outra medicação. Não, não posso me arriscar. Logo eu, que nem sou de tomar remédio.
Pelo menos consegui atualizar o blog.
Publicado por Marta em 23 Out 2008 | sob: Cotidiano
Os hare krishna ainda existem. Meia dúzia deles (para ser precisa, sete) acabou de passar pela minha janela, numa calçada de Ipanema, com suas tradicionais túnicas laranjas, muita música e animação. Continuam jovenzinhos. Ou seja, devem ser outros.
Esse texto vapt-vupt, com a cara do tal twitter, é porque estou totalmente sem tempo de desenvolver mais do que algumas linhas. Jurei que jamais escreveria este post mala, de blogueiro se desculpando porque sumiu. Mas, fazer o quê. Já que me rendi, aproveito para prometer voltar, em breve, à velha forma. Assim que escrever a última linha do texto que me consome.
Publicado por Marta em 21 Out 2008 | sob: Cotidiano
A adolescente típica da periferia, com cabelos longos e fotos posadas no orkut, teria adorado a fama. Em um conto fantástico, ela estaria lá em cima, olhando feliz a multidão de 10 mil pessoas no seu enterro. Eloá é a mártir dos novos tempos, que sofre sem causas nem crenças, mas seu tormento televisionado desperta seguidores do nada, apenas perplexos com a tragédia e banalidade da vida humana.
Publicado por Marta em 19 Out 2008 | sob: Cotidiano
Não pode ser sério. Leio na revista Época que uma tigela de cereal com leite é responsável pela emissão de 1.244 gramas de gás carbônico - o mesmo que uma caminhonete joga no ar ao rodar 6 quilômetros. Os cálculos incluem os fertilizantes usados para plantar a vegetação que servirá de ração ao gado leiteiro e o desmatamento.
Essa história de aquecimento global deve fazer parte de um plano maquiavélico de ecologistas sádicos, que pretendem nos deixar culpados diante de qualquer prazer ou facilidade terrena. Tentar seguir a cartilha desses caras é de enlouquecer. O melhor, para se sentir leve ao deitar a cabeça no travesseiro, é usar o velho bom senso: evitar desperdícios e não prejudicar os outros.
O resto é o estratégia de marketing para ficar bem na foto.
***
Por falar na revista, bem interessante a entrevista da antropóloga Mirian Goldenberg, que fez uma pesquisa com mulheres de 50 anos em três países. As alemãs se preocupam em ser respeitadas por sua inteligência, idéias e personalidade, e acham falta de dignidade uma mulher querer ser mais jovem do que é. Já as brasileiras… Por aqui, como observei no post “Noção do tempo“, o respeito às cinqüentonas parece passar pela sala de espera do cirurgião plástico.
Publicado por Marta em 16 Out 2008 | sob: Cotidiano
Nada como uma polarização para tornar a política mais animada. McCain X Obama, Gabeira X Eduardo Paes, Kassab X Marta Suplicy - quem resiste a tomar partido, elevar o tom, discutir política com o entusiasmo dos velhos tempos?
Eu, que andava bocejando com o noticiário, agora estou morrendo de pena de estar sem tempo para ver TV, ler sobre as fofocas de campanha, debater política com os amigos. Se você está podendo, aproveite. Política é ótimo, saudável, engorda e faz crescer.
Publicado por Marta em 09 Out 2008 | sob: Cotidiano

Todo mundo já disse tudo sobre Paul Newman? Não tem importância. Afinal, uma imagem vale mais…
E obrigada à Fátima, que, além de cuidar da minha cabeça, também alegra o meu espírito, me enviando a foto certa, na hora certa. Beijinhos.
Publicado por Marta em 08 Out 2008 | sob: Cotidiano
A controvérsia girava em torno da utilização de uma foto antiga no livro, e a decisão acabou adiada. Quando voltei da reunião, me lembrei de uma foto clássica, que poderia sustentar a minha argumentação de que, sim, deveríamos reproduzir a tal imagem. Corri para o Google Images e rapidamente achei a foto, de 1932, que eu tinha visto em um pôster gigantesco no Rockefeller Center.
Só que achei a foto de um jeito, de outro, e ainda de outro. A mesma foto. Dava para escolher a paisagem de fundo, com ou sem Empire State, a distância (e o perigo) dos operários em relação ao prédio, e a presença ou não de um cabo com uma roldana. A fotografia para lá de espetacular é de Charles C. Ebbets, mas a livre criação no fotoshop, obviamente, não é assinada por ninguém.
Como não pretendia publicar a foto, só enviá-la para a editora como argumento, escolhi a versão que me pareceu mais verossímil, com roldana mas sem Empire State. Depois fiquei imaginando o dilema de um fotógrafo alterando no fotoshop um fundo perfeito (com o Empire State, por exemplo), só para dar veracidade à sua foto verdadeira.
São os novos tempos, em que parecer verdadeiro é mais importante do que ser verdadeiro.
Publicado por Marta em 06 Out 2008 | sob: Cotidiano
Gabeira sobe, a bolsa cai e ainda tem gente que acha a vida sem emoção.
Publicado por Marta em 02 Out 2008 | sob: Cotidiano
Tente explicar a crise no mercado financeiro para uma criança de 9 anos e você verá o absurdo que é essa história toda. Eu comecei bem, falando dos bancos dos Estados Unidos que emprestaram dinheiro para quem não podia pagar, mas não consegui chegar no ponto em que o papai fica nervoso com as “montanhas” na tela do computador.
A propósito desse abismo entre o mundo real e o das estratégias financeiras, é imperdível (e polêmica, para quem é do mercado) a coluna do Elio Gaspari de ontem, “Nosso negócio é salsicha“, disponível para assinantes do UOL ou da Folha.
O artigo usa como gancho o rombo que apareceu na Sadia, pega no contrapé em uma operação com dólares, para falar da velha conhecida “ciranda financeira”, que não produz riqueza e tem perna curta. Com todo o risco que implica a simplificação de algo tão complexo e sofisticado como é hoje o mercado de capitais, tendo a concordar com ele.
Quando li, pensei: puxa vida, é mais fácil explicar para uma criança como se faz salsicha (argh) do que que diabos está acontece com o dinheiro das pessoas numa crise financeira.
Publicado por Marta em 28 Set 2008 | sob: Cotidiano
Estive em São Paulo esta semana, tipo vapt-vupt, naquela correria que combina bem com a cidade. Sempre me impressiono com a mistura de caos e organização, com o equililíbrio prestes a ser quebrado e com o final feliz, ufa, quando tudo dá certo, funciona e você pode voltar para casa. É muita gente, muito carro, muita cidade para transpor, dirigir, digerir, aproveitar.
São Paulo só funciona por conta de um esforço coletivo louvável. A cordialidade das pessoas sempre me encanta, já que estou acostumada à, digamos, espontaneidade do atendimento e dos serviços cariocas, se é que você me entende. A eficiência se impõe quase que por falta de opção, afinal, São Paulo não pode parar. Além disso, é preciso compensar o gigantismo com alguma gentileza.
Mas esse pacto coletivo também tem outro motor: a oportunidade. Em meio à confusão, elas pululam. Agora, mais do que antes. Essa é a grande diferença de hoje para os anos em que vivi ali. O motorista do táxi conta a história do colega que abandonou o carro de praça para voltar ao ramo de seguros. Ao celular, no saguão do aeroporto, um rapaz diz ao seu interlocutor que está recusando trabalho, de tanta fartura.
São Paulo sempre foi a terra das oportunidades, democráticas, para quem quer trabalhar e tem talento. Mas, nos anos 90, a coisa estava preta. Lembro-me das coletivas de imprensa no Dieese, em que era divulgada a pesquisa mensal de emprego, que eu cobria todo mês. Sempre saía de lá com um recorde, uma matéria candidata à manchete, ou pelo menos um alto de página.
O que mais me impressionava era o chamado, tecnicamente, desemprego pelo desalento. Ao contrário da pesquisa do IBGE, mais “chapa branca”, aquela conseguia captar o número de pessoas que sequer buscavam as vagas, porque sabiam que encontrariam as portas fechadas. Ficava imaginando o sujeito desanimado, sem conseguir sair da cama, com a carteira de trabalho na mão.
O desalento, somado à confusão, fazia de São Paulo uma cidade hostil. Mesmo assim, eu gostava. Agora, para quem quiser encarar, deve estar melhor ainda.
Publicado por Marta em 18 Set 2008 | sob: Cotidiano
Saiu em todos os jornais, mas vale o repeteco: o sujeito roubou o carro de madrugada, estacionado numa rua de Passo Fundo (RS). Logo depois descobriu que um menino de cinco anos dormia no banco de trás. Deixou o carro nos fundos de um posto e avisou a polícia, que gravou tudo:
- Roubei um carro que tinha um piazinho dentro e eu não vi. Manda uma viatura lá pegar o guri e avisa ao filho da puta do pai dele para não fazer mais isso.
A mãe, que deixou o menino no carro dormindo, estava em um barzinho. O garoto, apesar da confusão, não acordou. Ainda bem.
Publicado por Marta em 18 Set 2008 | sob: Cotidiano
Quebradeira, estatização, contágio. Como será que esse “11 de setembro” no mercado financeiro americano entrará para a história? Talvez os meus netos aprendam na escola que essa crise foi um dos marcos do fim de uma era, na qual os Estados Unidos eram o único país que importava (nos dois sentidos), a China não existia e a Europa parecia adormecida. Que novo jogo de forças global sairá disso tudo, depois que a poeira baixar?
Publicado por Marta em 10 Set 2008 | sob: Cotidiano
Não é à toa que reclamações de consumidores povoam a internet. Diante do transtorno de ter sido enganado, maltratado, passado para trás, atire a primeira pedra o blogueiro que nunca usou o seu modesto espaço para tentar aliviar a raiva. Tentar, eu digo, porque a raiva de ter sido ludibriado é coisa que só passa com o tempo. Não sei os budistas, mas qualquer um que não tenha o tal sangue de barata fica espumando por um bom tempo – olhos vidrados, coração acelerado, só faltando a espuminha no canto da boca.
Depois desse narigão de cera, vamos aos fatos. Eu queria comprar a blusa. Meio cara, mas como já tinha uma igual, de outra cor, que uso sem parar, me pareceu uma boa compra. Não havia na loja o tamanho médio, só o pequeno. “Mas eu consigo em outra loja”, disse a mocinha, dirigindo-se ao telefone. Diante da demora, propus que ela me telefonasse, se conseguisse, porque eu queria tomar um expresso ali ao lado, com espuminha, claro. No meio do café, o celular tocou. “A blusa já está aqui.” Fui lá e comprei.
Cheguei em casa, feliz da vida, e fui checar se a cor combinava com a minha atual calça preferida. Qual não foi a minha surpresa (para usar a frase de dez entre dez reclamações de consumidores que chegam aos jornais) quando percebi que a blusa estava apertada. Eu teria engordado? Nada disso. Era tamanho pequeno. A etiqueta havia sido cortada, como pude verificar ao comparar com a blusa antiga no armário.
Veja bem, eu não havia feito compras no Saara (ou na 25 de Março). Estava em Ipanema. Só não digo aqui o preço da blusinha porque tenho vergonha. Mas a loja era a Shop 126, bem cotada no circuito fashion carioca (ops). Tive que ir dormir com aquilo, e fiquei imaginando a vendedora da loja cortando, bem rentinho, a etiqueta. Ou teria sido sugestão da gerente? Na certa, com a loja vazia, todas as meninas participaram da operação, entre risinhos cúmplices. Tudo por uma venda, em um dia de chuva.
Mas não iria ficar barato. Eu faria um discurso sobre a ética. Ou talvez devesse comparar a loja com o Saara, em alto e bom som, para todas as clientes ouvirem, criando uma cena constrangedora. Não, não era muito o meu estilo. Mas seria firme, olharia nos olhos das mocinhas e a verdadeira culpada também iria perder alguns minutos de sono em sua cama, à noite.
Nada disso aconteceu, claro. Ficaram sem graça quando voltei, e rapidamente prometeram levar a blusa ao meu escritório, no tamanho certo. Vamos ver. A espuma já saiu do canto da minha boca, e espero resumir a minha vingança a este post. Agora é esperar a raiva passar, e voltar a considerar o budismo na minha vida. Brincadeirinha.
Publicado por Marta em 05 Set 2008 | sob: Cotidiano
Passei agora há pouco pela Avenida Atlântica e fiquei impressionada com a paisagem, repleta de estandartes e painéis de candidatos. O mais curioso é procurar, ao lado, atrás, embaixo, onde está o pobre coitado - mas (sub)empregado - que precisa dar um ar de portabilidade (palavra da moda) à propaganda, na prática irregular.