16 de Julho de 2007

É de Cesar

Arquivado sob: Rio — Marta @ 17:36

Responda rápido: se você fosse orquestrar uma vaia ao presidente da República na abertura do Pan, iria aproveitar a claque para ser aplaudido? Meio “bandeira”, né? Mas se tratando de Cesar Maia… Só sei que nem deu para se divertir com a vaia, nesse pacote que incluiu palmas ao prefeito factóide…

14 de Junho de 2007

Letras e shoppings

Arquivado sob: Rio — Marta @ 19:41

As livrarias charmosas do Rio são realmente tudo de bom. Para os cariocas que têm preconceito com shopping, uma má notícia: o formato parece que vingou nos “templos de consumo” (argh, não acredito que cometi esse sinônimo!). Outro dia, na Travessa de Ipanema, um funcionário comentava com outro que tinham sido ultrapassados, no sábado, pela filial do Shopping Leblon, em número de livros vendidos. E olha que nem tinha chovido…

5 de Junho de 2007

Estudando para concurso

Arquivado sob: Rio, Comportamento — Marta @ 17:24

Acho que é um fenômeno carioca, relacionado ao passado de capital federal, mas não tenho certeza. De repente, as pessoas mais diferentes estão apostando seu futuro profissional em concursos públicos. De jornalistas veteranos a psicólogos e arquitetos recém-formados, conheço uma penca de pessoas que decidiu, na falta de coisa melhor, estudar para concurso. Será desespero, nostalgia de um mundo estável que não existe mais ou apenas senso de realidade e oportunidade?

Quem nunca cobiçou um salário vitalício e sem estresse que atire o primeiro comentário. Mesmo respeitando a opção e o sonho de quem resolve investir os próximos meses, ou anos, de sua vida na busca de uma vaguinha, não consigo deixar de tentar dissuadir os mais próximos. Primeiro, há o ponto de vista prático: passar em concurso é muuuuuuito difícil. Além de disputar com os profissionais do ramo (a preparação para concursos públicos é um mundo à parte) e enfrentar o esquema de cartas marcadas, que eventualmente vaza para os jornais, o candidato corre um sério risco: passar no concurso.

Digamos que a psicóloga que se dedicou a decorar direito tributário nos últimos anos finalmente consiga a sua vaga. Mais que isso, consiga ser chamada. Nessas alturas, depois de tão obcecada com provas e apostilas, ela já abandonou o mundo das oportunidades reais, surgidas de tendências que continuaram pipocando pelo mundo (apesar de todo o desemprego) enquanto o governo Lula prometia desterceirizar parte da máquina pública. Se não se desconectou ainda, a jovem psicóloga tem boas chances de achar que agora pode fazê-lo, já que está começando, na repartição, os primeiros dias do resto de sua vida.

Mas, peraí! Ela vai viver cem anos! Que raios de estabilidade é essa que ela imaginou encontrar? Logo logo o Estado vai voltar a encolher (uma das tendências da qual nenhum professor do cursinho falou), as regras salariais e de aposentadoria vão piorar, e ela vai precisar de uma reciclagem para voltar a se inserir no mundo real. Um mundo sem estabilidade, mas com a possibilidade, pelo menos, de alguma realização profissional.

23 de Maio de 2007

No meu tempo…

Arquivado sob: Rio, Comportamento — Marta @ 18:00

Tive a felicidade de herdar da minha mãe a falta de nostalgia. Essa história de ficar idealizando o passado é de doer. Outro dia li um comentário no Bluebus, a propósito da campanha publicitária de um automóvel, de alguém lamentando que as famílias hoje precisassem ter um DVD no carro para distrair as crianças nas viagens longas. Ah, no tempo dela as viagens de carro serviam para a confraternização familiar, adultos e crianças compartilhavam jogos educativos e eram muito mais felizes.

Não sei se porque certa vez contei 38 “Tá chegando?” da minha filha numa viagem até Angra, mas desconfio que a missivista tenha memória seletiva – como a maioria dos nostálgicos. Outro dia alguém se lamuriava de que o Leblon não era mais o mesmo. Claro que não! Saíram os pontos finais dos ônibus, chegaram os cafés charmosos e a Dias Ferreira, de mão invertida e sem ônibus, tornou-se um oásis no Rio de Janeiro. Tá bom, o Gordon deu lugar ao McDonald’s, mas nada é perfeito, não é mesmo? As mesmas pessoas que reclamavam dos banheiros fétidos dos botequins do bairro agora sentem saudades dos autênticos pé-sujos de antigamente.

Que fenômeno psicológico será esse, que faz as pessoas só recordarem as coisas boas do passado e reclamarem de tudo no presente? Ô povo mal-humorado…

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