Rio

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Lifestyle carioca

Publicado por Marta em 10 Nov 2008 | sob: Rio

Por conta de uma dessas voltas que a vida dá - especialmente a de jornalistas livres, leves e soltos como eu -, saí diretamente de um livro ambientado no meio do cerrado para a cobertura do Rio Summer, evento de moda no Rio.

Com algum distanciamento, os tipos em um evento desses são tão curiosos quanto os sinhozinhos que tinha entrevistado antes.

O que mais ouvi no Rio Summer, organizado por paulistas, foram comentários sobre o “lifestyle carioca”. Era engraçado pescar diálogos entre aquelas pessoas, que tentavam vestir modelitos descolados (gíria paulista, por sinal) para ficar parecidas com as garotas e os garotos de Ipanema.

- Esse desfile vai ser na Casa das Canoas. Onde é?

- Parece que é na Niemeyer, uma estrada aí. Vou ver direitinho onde fica.

- Também estou perdidinha. Falei que ia para a República do Líbano, mas aqui no Rio a rua é República do Peru.

No final, foi tudo divertido, civilizado e charmoso, graças à organização paulista e ao cenário deslumbrante carioca. Rivalidades foram esquecidas, em nome da moda e dos negócios. Certo? Sei não. Rolavam umas piadas, de um lado e de outro.

Ressalvando que sempre fui vista como um pouco paulista pelos cariocas, vou dar o meu pitaco: estava meio “Oba Oba”, aquele espetáculo de mulatas onde todo mundo sorri para tirar dinheiro dos “gringos”. Sobre o tal lifestyle carioca, o Ancelmo diria: “lifestyle é o cacete”.

Mas, afinal, o que é o estilo carioca? Certamente não tem nada a ver com meninas de chinelinho e muita maquiagem, em plena luz do dia. Talvez a alma carioca seja resumida pela relação com o dinheiro: para permanecer no Rio é preciso não ligar tanto assim para ele - ou ter tanto a ponto de poder ficar por aqui.

Cidade (ainda) dividida

Publicado por Marta em 08 Nov 2008 | sob: Rio

Cerimônia de lançamento da candidatura do Rio a Patrimônio da Humanidade, hoje de manhã. O governador Sérgio Cabral chega acompanhado de seu pupilo Eduardo Paes, prefeito eleito. Paes usa uma camisa azul clara, ainda com jeito de candidato em campanha na Zona Oeste. Cabral ousa mais, com uma pólo em cor vibrante.

Explico os detalhes estilísticos. Estávamos no Rio Summer, novo evento de moda do Rio, no Forte de Copacabana. As autoridades começaram a se acumular nas cadeiras reservadas junto ao palco. Teoricamente, representantes de entidades da sociedade civil, que precisa se mobilizar para uma candidatura dessas. O empresário Olavo Monteiro de Carvalho, uma espécie de embaixador do Rio, discursava, quando Fernando Gabeira chegou. De camisa vermelha estampada.

Pego de surpresa, Monteiro de Carvalho exclamou: “Ih, o nosso quase prefeito!”. Gabeira recebeu a maior salva de palmas do evento, com direito a uhuus. Os discursos continuaram, e as autoridades foram chamadas ao palco, para o apoio formal à candidatura. O apresentador Zeca Camargo já tinha acabado a lista, quando alguém cochichou para ele chamar “o deputado federal Fernado Gabeira”.

Impossível não comparar as palmas dedicadas aos dois políticos. Paes tentava disfarçar com sorrisos seu constrangimento. A situação piorou na hora do foto do grupo - bem umas 20 pessoas. Assessores pediram para alguns se abaixarem, para todos caberem na foto. Paes, humilde, se abaixou, e ficou quase embaixo de Gabeira, ereto e pimpão.

***

Depois fiquei lembrando de uma declaração de Eduardo Paes no Globo de hoje, de que continuaria a freqüentar os barzinhos de sempre como prefeito. “Imagine se eu vou parar de andar na Zona Sul. Ainda tem 30% lá para me defender.”

Meu resumo da ópera: a cidade ainda está dividida, e Gabeira não vai sair de cena para facilitar as coisas. Paes está visivelmente magoado com sua nova condição de candidato que só venceu por causa da periferia-pobre-massa-de-manobra. Afinal, ele cresceu no Leblon, estudou no Santo Agostinho, e era filhinho de papai da Zona Sul até outro dia.

Tomara que não seja vingativo na hora de governar a cidade.

Um bom fim de semana

Publicado por Marta em 06 Jun 2008 | sob: Rio

Que tolos, os turistas que entulham o Rio no verão. Hoje, contagiada por esse azul absurdo do céu, posso assegurar: a melhor estação para curtir a cidade é o outono. Verdade que não há musa do outono, carnaval, nem modismos na praia. Que bom. Vai embora, com o verão, aquele clima de urgência, de aproveite-agora-antes-que-acabe, e só então o carioca se dá conta de ter todo o tempo do mundo para se deliciar com um Rio menos frenético e mais lindo do que nunca.

Ok, os traficantes foram trocados por milícias que torturam, os políticos locais parecem ter vindo da pré-civilização de tão broncos e corruptos, e a pobreza da cidade continua mal disfarçada para olhos menos acostumados.

Mas não dá para ficar ranzinza diante de um contraste de cores como o de hoje. Azuis, verdes e daqui a pouco chegarão os tons róseos para quem for brindado com um horizonte ao entardecer. E a temperatura? Ah, a temperatura… Agora está tépido, uso até um vestido, mas à noite deve refrescar. Ou não. O tempo pode nos surpreender com um veranico, nos próximos dias. Mesmo assim estaremos alertas diante de qualquer oportunidade, para tomar um vinho ou usar um cachecol.

Quer mais? Temos Caetano com um show experimental às quartas-feiras, um grande festival de Beethoven com ingressos a R$ 5 e meia dúzia de livrarias com o charme da estação. Então pare de reclamar, lembre-se que é sexta-feira, agradeça aos céus límpidos e seja feliz, casado ou solteiro, no Rio de Janeiro!

A ditadura do ar condicionado

Publicado por Marta em 05 Mar 2008 | sob: Rio, Cotidiano

O restaurante não estava cheio, mas senti um estranhamento quando entrei. Enquanto tentava identificar o que havia de errado, a recepcionista veio me oferecer uma mesa. Automaticamente, pedi a mais “quentinha”.

Ela apontou, sem graça, para um canto, de decoração feiosa, onde as pessoas estavam apinhadas. Todas as mesas protegidas das possantes saídas de ar condicionado estavam ocupadas. O restante do salão, vazio.

Minha vontade foi cutucar os dois engravatados que ocupavam uma das mesas. Então não era em nome deles - dos grandalhões, calorentos e encamisados - que restaurantes, hotéis etc passaram a adotar a temperatura glacial como regra? Como tinham coragem de deixar congelando as mocinhas de alça, que ousaram sair sem casaquinho na bolsa em pleno verão carioca?

Mas a verdade é que estava tão frio que até os dois coitados devem ter seguido seus instintos de sobrevivência. Não havia outro jeito: eu teria que iniciar a ladainha de sempre.

- Não dá para diminuir o ar condicionado?

Respostas prováveis:

- Já está no mínimo.

Ou:

- Impossível, é central

Ou ainda:

- Se diminuirmos, os outros reclamam.

Ok, já estou acostumada a tilintar de frio, comer rápido, e depois me lembrar de inserir o restaurante na minha lista de lugares-bacanas-mas-congelantes. Ou seja, a possibilidade de uma revisita deve ser cuidadosamente avaliada.

O problema é que a lista cresce - na proporção inversa das varandas agradáveis para uma refeição ao ar livre. As livrarias (Travessa, Letras & Expressões), os cinemas (quase todos) e até um shopping inteirinho (o Leblon) tornaram-se impraticáveis sem um casaquinho.

Todas as mulheres reclamam. Os homens costumam se fazer de valentões. E o pior é que parece sem volta.

Tudo indica que estamos adotando, mais uma vez, o padrão norte-americano. Alguém já considerou que nos Estados Unidos eles costumam ter uma capa de gordura protetora, embaixo da roupa? Ou será que os colonizados aqui acham chique passar frio?

Pílulas carnavalescas

Publicado por Marta em 06 Fev 2008 | sob: Rio, Cotidiano

Agora sim, na quarta-feira de cinzas, o tempo chuvoso combinou com a data. Muito estranho sair no carnaval de casaquinho, em pleno Rio de Janeiro…

Se não estou enganada, essa história de todo o comércio fechar na segunda-feira de carnaval é novidade por aqui. O feriado não era só na terça? Pelo visto, estamos trilhando o caminho baiano. Quem quiser trabalhar na segunda que vá para São Paulo!

Nada como o carnaval para nos lembrar que o silicone já é uma realidade e está entre nós. Onde menos esperamos, nos deparamos com uma prótese, digo, um belo decote turbinado. Nada contra…

Não sei se foi a chuva, mas os cinemas estiveram bem cheinhos no feriadão. Vale a pena conferir os números das bilheterias. Se bobear, foi recorde.

Longe de mim azarar a diversão de quem curte carnaval de rua, mas que a chuva teve lá sua utilidade, lá isso teve. Lavou as calçadas e deu uma boa melhorada no fedor de xixi. Imagina aquilo secando, debaixo do maior calorão!

Carnaval? Que carnaval que nada. Já é Páscoa! Os ovos de chocolate acabam de chegar às prateleiras das Lojas Americanas!

Carnaval sem estrada

Publicado por Marta em 01 Fev 2008 | sob: Rio

Para os que adoram falar que tudo no Rio piorou, aí vai uma constatação: o carnaval melhorou. Os saudosistas vão lembrar de tempos mais “autênticos” das escolas de samba, dos concursos de fantasias ou dos bailes de salão.

Mas tudo isso era fechado, pago! Na prática, o carnaval do carioca era transmitido pela televisão. Carnaval de rua era coisa de um passado distante, dos nossos avós, ou de meia dúzia de bebuns que ainda perambulavam pelo centro.

Na prática, todo mundo se mandava do Rio, pegava a estrada. Os blocos se resumiam a Suvaco e Simpatia, com saídas providencialmente marcadas para antes do carnaval. “Para onde você vai viajar?”, era a pergunta de praxe, quando ia chegando o feriado. Até na TV, o carnaval era caidaço - todas as piadas sobre a fantasia do Clóvis Bornay ou a desanimação do baile do Hawai já haviam sido feitas.

Agora, não. A garotada pega o roteiro dos blocos, inventa uma “quase fantasia” bem fresquinha, e passa o dia cantando marchinha com lata de cerveja na mão. OK, tem o cheiro do xixi, o engarrafamento, a superlotação. Mas você queria o quê? Carnaval com ar condicionado?

Pensando bem, não chega a ser má idéia. Depois de gastar minha cota de animação no pré-carnaval, estou programando algumas boas horas no escurinho – e fresquinho – do cinema, colocando os filmes em dia para o Oscar…

De bom tamanho

Publicado por Marta em 03 Jan 2008 | sob: Rio

Que me perdoem os que adoram carnaval. Mas estou comemorando: este ano teremos apenas um mês da falta de assunto pré-carnavalesca que toma conta dos veículos de comunicação nesta época.

Penso que é um tempo bem razoável para pauteiros e foliões (ops, a palavra só existe neste “noticiário”. Você já ouviu alguém com menos de 70 anos falar em “folião” ou “festa de Momo”?)

Nada contra um bloquinho pré-carnavalesco, especialmente para quem pretende aproveitar o feriadão fora da cidade, como é a tradição dos cariocas. Mas, convenhamos, quando o carnaval cai quase em março, chegamos nele completamente saturados.

Claro que a indústria do evento e seus patrocinadores não pensam assim. Pois eles que promovam as tais micaretas em outro canto, porque o Rio não é só carnaval. Temos muito o que fazer por aqui…

Qualidade de vida dentro do carro???

Publicado por Marta em 09 Nov 2007 | sob: Rio

Os moradores do Cosme Velho, simpático bairro do Rio, viveram por alguns dias um dilema de muita gente nas grandes cidades: é melhor morar perto (do trabalho, do centro etc) em um lugar tumultuado ou distante, em um local tranqüilo, com mais espaço e natureza?

Tudo porque o acesso ao Túnel Rebouças fechou, e, por alguns dias, o Cosme Velho viveu os momentos bucólicos do passado. Nostalgias à parte, parece que, depois de alguns dias enfrentando o trânsito caótico de Laranjeiras para chegar em casa, os moradores já preferiam os inconvenientes de ser um bairro de passagem.

No Rio, de vez em quando, alguém conhecido se muda para a Barra da Tijuca, “em busca de qualidade de vida”. Em São Paulo, são os condomínios ou bairros novos, distaaaaantes, que atraem o sonho de muita gente de na hora de mudar de casa.

Sinceramente, não entendo como alguém pode ter mais qualidade de vida levando três horas por dia no trânsito. Não tem barulhinho de grilo à noite que desestresse quem dirigiu o dia inteiro, e ainda perdeu horas de seu escasso tempo com isso…

O Rio e seus mistérios

Publicado por Marta em 01 Out 2007 | sob: Rio

Nada como começar a semana de forma questionadora. Então vamos às perguntas que não querem calar:

Por que os restaurantes ligam seu ar refrigerado no máximo, de forma a congelar todas as moçoilas sem casaquinhos presentes no recinto?

Por que os táxis prendem os cintos de segurança dos passageiros por trás do banco, impedindo qualquer tentativa de usá-los?

Por que tantas lojas de colchão são abertas na cidade?

A propósito: com que freqüência uma pessoa normal compra colchões ao longo de sua vida???

Cena de Ipanema

Publicado por Marta em 21 Ago 2007 | sob: Rio, Cotidiano

- Quanto sai essa caixa com sorvete? O quê? Cada bola custa R$ 7?

Pois é, na Mil Frutas da Garcia, custa. Ela continuou tentando uma solução, enquanto a filha adolescente começava a devorar uma casquinha dupla, de supostos R$ 14.

- Posso levar a caixa maior, mas com menos bolas de sorvete, espalhando bem? É só um agrado para uma pessoa, porque não quero chegar de mãos abanando, sabe como é.

Nisso, a adolescente já tinha saído de fininho, morrendo de vergonha do “mico”.

- Não dá? É que a outra é muito pequena, vou ficar sem graça de chegar lá com uma caixinha…

Impasse.

- Então você pode me dar uma nota fiscal como se fosse um almoço, e não sorvete? Para mim isso é trabalho, sabe. Eu nem queria falar, mas é para o Nelson Motta, que adora o sorvete daqui.

A vendedora liga para a gerente. “Dá para liberar uma nota fiscal?”. Arqueia as sobrancelhas, sem graça.

- Sinto muito, senhora.

A filha já estava da cor do sorvete de morango, quando a mãe pagou a casquinha - e só a casquinha. Nelson Motta, coitado, ficou sem sorvete.

Da janela vê-se…

Publicado por Marta em 14 Ago 2007 | sob: Rio

Já que agora todo mundo fala das maravilhas do Rio de Janeiro, aí vai o meu voto: nada se compara ao céu cor-de-rosa, pincelado em cima do mar de Ipanema, no final das tardes de outono.

Sorry, amigos de Sampa…

Sem bala perdida

Publicado por Marta em 30 Jul 2007 | sob: Rio

Nas vésperas do Pan era difícil acreditar que não teríamos pelos menos um atleta assaltado ou vítima de bala perdida. Parecia impossível blindar a cidade inteira, monitorar os passos de milhares de turistas. Sem contar o trânsito, que seria um inferno.

Pois foi que nem o réveillon em Copacabana. Tudo deu espantosamente certo. E o trânsito, vamos admitir, estava ótimo. Parecia que estávamos… em férias!

É de Cesar

Publicado por Marta em 16 Jul 2007 | sob: Rio

Responda rápido: se você fosse orquestrar uma vaia ao presidente da República na abertura do Pan, iria aproveitar a claque para ser aplaudido? Meio “bandeira”, né? Mas se tratando de Cesar Maia… Só sei que nem deu para se divertir com a vaia, nesse pacote que incluiu palmas ao prefeito factóide…

Letras e shoppings

Publicado por Marta em 14 Jun 2007 | sob: Rio

As livrarias charmosas do Rio são realmente tudo de bom. Para os cariocas que têm preconceito com shopping, uma má notícia: o formato parece que vingou nos “templos de consumo” (argh, não acredito que cometi esse sinônimo!). Outro dia, na Travessa de Ipanema, um funcionário comentava com outro que tinham sido ultrapassados, no sábado, pela filial do Shopping Leblon, em número de livros vendidos. E olha que nem tinha chovido…

Estudando para concurso

Publicado por Marta em 05 Jun 2007 | sob: Rio, Comportamento

Acho que é um fenômeno carioca, relacionado ao passado de capital federal, mas não tenho certeza. De repente, as pessoas mais diferentes estão apostando seu futuro profissional em concursos públicos. De jornalistas veteranos a psicólogos e arquitetos recém-formados, conheço uma penca de pessoas que decidiu, na falta de coisa melhor, estudar para concurso. Será desespero, nostalgia de um mundo estável que não existe mais ou apenas senso de realidade e oportunidade?

Quem nunca cobiçou um salário vitalício e sem estresse que atire o primeiro comentário. Mesmo respeitando a opção e o sonho de quem resolve investir os próximos meses, ou anos, de sua vida na busca de uma vaguinha, não consigo deixar de tentar dissuadir os mais próximos. Primeiro, há o ponto de vista prático: passar em concurso é muuuuuuito difícil. Além de disputar com os profissionais do ramo (a preparação para concursos públicos é um mundo à parte) e enfrentar o esquema de cartas marcadas, que eventualmente vaza para os jornais, o candidato corre um sério risco: passar no concurso.

Digamos que a psicóloga que se dedicou a decorar direito tributário nos últimos anos finalmente consiga a sua vaga. Mais que isso, consiga ser chamada. Nessas alturas, depois de tão obcecada com provas e apostilas, ela já abandonou o mundo das oportunidades reais, surgidas de tendências que continuaram pipocando pelo mundo (apesar de todo o desemprego) enquanto o governo Lula prometia desterceirizar parte da máquina pública. Se não se desconectou ainda, a jovem psicóloga tem boas chances de achar que agora pode fazê-lo, já que está começando, na repartição, os primeiros dias do resto de sua vida.

Mas, peraí! Ela vai viver cem anos! Que raios de estabilidade é essa que ela imaginou encontrar? Logo logo o Estado vai voltar a encolher (uma das tendências da qual nenhum professor do cursinho falou), as regras salariais e de aposentadoria vão piorar, e ela vai precisar de uma reciclagem para voltar a se inserir no mundo real. Um mundo sem estabilidade, mas com a possibilidade, pelo menos, de alguma realização profissional.

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