17 de Agosto de 2009

Um Rio de cinema

Arquivado sob: Rio — Marta @ 13:06

Ontem revi o filme “Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen. O motivo de escolher o DVD na locadora foi um tanto fútil: queria observar melhor as paisagens de Barcelona, que vou ter o prazer de conhecer em setembro.

Claro que não dá para ver um Woddy Allen sem notar os diálogos, e no caso deste filme há ainda os comentários de um narrador sobre as duas personagens principais. Impossível ignorar também Javier Bardem e Penelope Cruz - aliás, que casal sensacional. Mas os cartões postais de Barcelona estão todos lá, como se o diretor deixasse bem claro que foi pago para isso.

Fiquei imaginando como serão as grandes produções internacionais “sobre” o Rio de Janeiro anunciadas recentemente. Segundo essas notícias, as negociações para Allen filmar aqui já estariam adiantadas, enquanto o filme “Rio, eu te amo”, nos mesmos moldes de “Paris, je t’aime”, começa a ser rodado em 2010 dentro do projeto “Cities of love”, que reúne curta-metragens de diferentes diretores ambientados na mesma cidade.

A novidade cultural faz todo o sentido, porque o Brasil está na moda no mundo e não fomos tão afetados pela crise financeira. Penso que o Rio tem todas as condições de se valer dessa onda, capitalizar o interesse em torno do seu charme (ou dos seus contrastes), atrair investimentos, minimizar suas mazelas.

Que o Rio-zona-sul é lindo todo mundo sabe. Agora podemos ter a chance de ampliar essa realidade, aproveitar a vitrine para melhorar o “resto” (que é a cidade de fato). Pode acontecer. Mas também posso ser eu, otimista demais, diante de um dia lindo de verão típico do inverno carioca.

25 de Fevereiro de 2009

O bloco das mijonas

Arquivado sob: Rio, Crônicas — Marta @ 17:21

Muito se falou dos mijões do carnaval carioca. Enfileirados, voltados para muros e árvores, eles foram flagrados às centenas pelos repórteres fotográficos de plantão, com a impossível tarefa de tentar captar o insuportável cheiro de urina deixado pelos blocos nos quatro dias de folia.

(Aqui, um parêntese. Tempos atrás, quando o carnaval do Rio restringia-se a bailes e sambódromo, passei o feriado em Salvador e constatei o mesmo problema fedorento. Só que lá ninguém falava disso. A atual indignação com os nossos mijões só reforça a minha teoria de que no Rio as pessoas exercem mais sua cidadania do que em qualquer outro lugar do país. Mas tem um detalhe: eu posso criticar; você, turista que veio para cá, trate de tapar o nariz e elogiar a paisagem)

Pois bem, os mijões-foliões marcaram seu território, ignoraram banheiros químicos plantados no meio das calçadas e ajudaram a engrossar o bloco dos descontentes com o fenômeno da volta do carnaval de rua ao Rio de Janeiro. Mas, enquanto isso, como se viravam as mulheres, principal atração de qualquer carnaval que se preze?

Errou quem achou que elas, por razões culturais e históricas, aprenderam a conter suas necessidades fisiológicas – e fazer xixi só em casa. Errou também quem apostou que as mulheres bebem menos cerveja que os marmanjos: faz tempo que se igualaram ou até superaram o ritmo etílico masculino. Continuou errando quem imaginou-as ocupando maciçamente os tais banheiros químicos, aproveitando para passar batom, enquanto os pobres coitados tinham que se aliviar na moita.

Nada disso. Longe das lentes dos fotógrafos, o bloco das mijonas se valia de alguns antigos – e novos – artifícios femininos para passar despercebido. Durante a folia, lançavam mão da conhecida capacidade de olhar perifericamente (a mesma para usada para aproximar-se de pretendentes e afastar-se dos inconvenientes) para localizar o provável banheiro limpinho mais próximo. Escolhido o alvo, ajeitavam cabelo e fantasia, adotavam a expressão mais sóbria possível e partiam determinadas, geralmente em duplas.

Foi almoçando em um restaurante com porta fechada e ar condicionado, bem próximo a um bloco, que pude observar as muitas estratégias de uma mulher determinada - e ligeiramente bêbada. A primeira dupla, humilde demais, ou desesperada de menos, foi logo despachada pelo garçom. Não, não podiam usar o banheiro. Mas a regra só valeu até a chegada de uma linda bailarina de collant preto e saia de tule amarela. Estava sozinha. Rosto de boneca, emoldurado por um coque ainda perfeito, olhos vermelhos, abriu um sorriso e jurou que depois sentaria e tomaria uma água. Em vez disso, saiu de lá com uma cerveja long neck na mão, três vezes o preço da latinha vendida pelos ambulantes.

A dupla seguinte não tinha a mesma classe da bailarina, mas era bem simpática. Uma de Branca de Neve, outra de anteninhas, entraram com latinhas na mão e mal conseguiam conter o riso. Hesitaram na porta, diante do ambiente formal, mas miraram o canto oposto e seguiram em passos firmes, sem olhar para os lados. Era o canto errado. Pior que isso, longe o suficiente do banheiro para serem interceptadas pelo garçom. As súplicas não foram convincentes, até porque ambas continuavam com expressão de quem está prestes a cair na gargalhada.

Como eu estava perto da porta, acompanhando a movimentação no até então pacato restaurante, o garçom explicou, sem jeito: “Se a gente deixa entrar, uma avisa para as outras e vira um inferno.” Quase me senti culpada por poder, a qualquer momento, levantar-me e usar o disputado banheiro. E eu nem estava apertada.

Com certeza o bloco carnavalesco começava a se dispersar, já que as investidas tornaram-se mais frequentes. O maitre passou a fazer guarda na porta. Mesmo assim, em um momento de distração, adentrou a mijona mais agressiva da tarde. Peruca “nega maluca” na cor azul, olhos vidrados, tentou localizar o banheiro antes de ser percebida no ambiente, inutilmente. Mesmo contida, continuava procurando o sanitário com os olhos, como uma viciada em crise de abstinência. Saiu falando alto: “Eu sei, eu sei”. O garçom me olhou novamente, como que se desculpando.

Depois tentei lembrar como eu me virava nos meus tempos mais carnavalescos, mas o máximo de recordação que me veio à mente foram os “plantões de porta”, em que as repórteres às vezes tinham que implorar por um banheiro de padaria. O crachá do jornal, no lugar da fantasia, devia ajudar.

9 de Fevereiro de 2009

Ponte aérea

Arquivado sob: Rio, Crônicas — Marta @ 11:56

Era a primeira vez das gêmeas no Rio, e o passeio para o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar teve que ser adiado. Chovia forte. Para sorte do meu amigo, o pai das duas fofas de 10 anos, havia o playground do meu prédio e a minha filha para brincar. Junte duas meninas (ou três) da mesma idade, que nunca se viram antes, em um dia de chuva, e elas saberão se divertir como nunca. Se fossem adultos, ficariam resmungando.

- Vocês podem chamar os meninos do prédio para jogar queimado - sugeri. Mas aí lembrei que as gêmeas eram paulistas. - Quer dizer, jogar queimada - corrigi, mudando o substantivo para o feminino, na forma como o jogo é conhecido em São Paulo.

Quando expliquei que algumas palavras eram diferentes, lá e cá, uma das gêmeas ficou fascinada. Queria outros exemplos. Fui desencavando as expressões do fundo do baú, ou melhor, da minha memória dos tempos da mudança, de São Paulo para o Rio. Minha filha não tinha três anos na época, mas já falava tudo, com o vocabulário infantil paulistês, que eu ia traduzindo.

- Aqui no Rio o escorregador é chamado de escorrega. Bexiga é balão ou bola de festa. Bolacha é biscoito, a não ser que seja do tipo cream cracker. E por aí vai.

As três estavam interessadíssimas e adoraram a diferença que eu guardei para o final: o “parabéns pra você”.

- Não me perguntem por que, nem qual versão faz mais sentido. Mas no fim do “parabéns”, todos cantam “é big, é big” no Rio. E não “é pique, é pique”, como em São Paulo.

Minha filha, que já cantou das duas formas mas só se lembra da versão em carioquês, achou graça do jeito “errado” de São Paulo. Até hoje ela não entende por que meus amigos de Sampa riem um bocado quando ela declara, com solenidade : “sou paulixxxxta”. Já as gêmeas queriam saber que diabos os cariocas achavam ser “grande”, em inglês, na hora do parabéns. Os risos sobravam, como se estivéssemos em uma festa de aniversário.

Não consigo deixar de olhar com ternura para as diferenças entre vocabulários e culturas das duas cidades. Afinal, fui bem feliz nos meus sete anos em São Paulo. Mas também adorei voltar e ter que lidar com um turbilhão de novas sensações: a descoberta da força das raízes, os prós e contras de ser forasteira, a certeza de nunca mais se sentir inteira em um só lugar.

Mas, deixando os sentimentalismos de lado, o fato é que a falta de um glossário pode gerar problemas bem concretos para um carioca perdido em São Paulo. Logo depois da mudança, ao abrir uma conta no antigo Bamerindus, percebi o nível de dificuldades que teria pela frente. Quando a gerente me informou da necessidade de um holerite, eu garanti, convictamente, jamais ter tido um. Nem pretendia ter, fosse lá o que fosse, algo com aquele nome. Quanto mais eu desdenhava do tal documento, mais ela me olhava de cima a baixo, como se estivesse lidando com uma dondoca. Tudo se resolveu, claro, quando tirei uma pilha de contracheques recentes de dentro de uma pastinha, junto com outros papéis.

Anos depois, quando eu já tinha aprendido a soletrar a-ê-i-ô-u, percebi ter me metido em enrascada semelhante durante um lanche, com colegas de redação da Gazeta Mercantil. Eu contava uma história que não era compreendida, tudo porque afirmei que o sujeito tinha “dado a maior cagada” em determinada situação. No Rio, isso significa que ele teve sorte, mas os paulistas só conseguiam entender que ele tinha “feito uma cagada”, feito algo muito errado. Confusão desfeita, depois fiquei pensando se a expressão carioca estaria relacionada à tradição, entre os atores, de desejar “merda”, antes de um espetáculo.

Por esses e outros ruídos na comunicação, achei muito útil poder alertar as três pequenas, desde cedo, sobre a existência do paulistês e do carioquês. Vai que elas começam a brigar só porque uma quer jogar pebolim, e a outra, totó…

10 de Novembro de 2008

Lifestyle carioca

Arquivado sob: Rio — Marta @ 17:51

Por conta de uma dessas voltas que a vida dá - especialmente a de jornalistas livres, leves e soltos como eu -, saí diretamente de um livro ambientado no meio do cerrado para a cobertura do Rio Summer, evento de moda no Rio.

Com algum distanciamento, os tipos em um evento desses são tão curiosos quanto os sinhozinhos que tinha entrevistado antes.

O que mais ouvi no Rio Summer, organizado por paulistas, foram comentários sobre o “lifestyle carioca”. Era engraçado pescar diálogos entre aquelas pessoas, que tentavam vestir modelitos descolados (gíria paulista, por sinal) para ficar parecidas com as garotas e os garotos de Ipanema.

- Esse desfile vai ser na Casa das Canoas. Onde é?

- Parece que é na Niemeyer, uma estrada aí. Vou ver direitinho onde fica.

- Também estou perdidinha. Falei que ia para a República do Líbano, mas aqui no Rio a rua é República do Peru.

No final, foi tudo divertido, civilizado e charmoso, graças à organização paulista e ao cenário deslumbrante carioca. Rivalidades foram esquecidas, em nome da moda e dos negócios. Certo? Sei não. Rolavam umas piadas, de um lado e de outro.

Ressalvando que sempre fui vista como um pouco paulista pelos cariocas, vou dar o meu pitaco: estava meio “Oba Oba”, aquele espetáculo de mulatas onde todo mundo sorri para tirar dinheiro dos “gringos”. Sobre o tal lifestyle carioca, o Ancelmo diria: “lifestyle é o cacete”.

Mas, afinal, o que é o estilo carioca? Certamente não tem nada a ver com meninas de chinelinho e muita maquiagem, em plena luz do dia. Talvez a alma carioca seja resumida pela relação com o dinheiro: para permanecer no Rio é preciso não ligar tanto assim para ele. Ou ter tanto a ponto de poder ficar por aqui.

8 de Novembro de 2008

Cidade (ainda) dividida

Arquivado sob: Rio — Marta @ 18:05

Cerimônia de lançamento da candidatura do Rio a Patrimônio da Humanidade, hoje de manhã. O governador Sérgio Cabral chega acompanhado de seu pupilo Eduardo Paes, prefeito eleito. Paes usa uma camisa azul clara, ainda com jeito de candidato em campanha na Zona Oeste. Cabral ousa mais, com uma pólo em cor vibrante.

Explico os detalhes estilísticos. Estávamos no Rio Summer, novo evento de moda do Rio, no Forte de Copacabana. As autoridades começaram a se acumular nas cadeiras reservadas junto ao palco. Teoricamente, representantes de entidades da sociedade civil, que precisa se mobilizar para uma candidatura dessas. O empresário Olavo Monteiro de Carvalho, uma espécie de embaixador do Rio, discursava, quando Fernando Gabeira chegou. De camisa vermelha estampada.

Pego de surpresa, Monteiro de Carvalho exclamou: “Ih, o nosso quase prefeito!”. Gabeira recebeu a maior salva de palmas do evento, com direito a uhuus. Os discursos continuaram, e as autoridades foram chamadas ao palco, para o apoio formal à candidatura. O apresentador Zeca Camargo já tinha acabado a lista, quando alguém cochichou para ele chamar “o deputado federal Fernado Gabeira”.

Impossível não comparar as palmas dedicadas aos dois políticos. Paes tentava disfarçar com sorrisos seu constrangimento. A situação piorou na hora do foto do grupo - bem umas 20 pessoas. Assessores pediram para alguns se abaixarem, para todos caberem na foto. Paes, humilde, se abaixou, e ficou quase embaixo de Gabeira, ereto e pimpão.

***

Depois fiquei lembrando de uma declaração de Eduardo Paes no Globo de hoje, de que continuaria a freqüentar os barzinhos de sempre como prefeito. “Imagine se eu vou parar de andar na Zona Sul. Ainda tem 30% lá para me defender.”

Meu resumo da ópera: a cidade ainda está dividida, e Gabeira não vai sair de cena para facilitar as coisas. Paes está visivelmente magoado com sua nova condição de candidato que só venceu por causa da periferia-pobre-massa-de-manobra. Afinal, ele cresceu no Leblon, estudou no Santo Agostinho, e era filhinho de papai da Zona Sul até outro dia.

Tomara que não seja vingativo na hora de governar a cidade.

6 de Junho de 2008

Um bom fim de semana

Arquivado sob: Rio — Marta @ 14:45

Que tolos, os turistas que entulham o Rio no verão. Hoje, contagiada por esse azul absurdo do céu, posso assegurar: a melhor estação para curtir a cidade é o outono. Verdade que não há musa do outono, carnaval, nem modismos na praia. Que bom. Vai embora, com o verão, aquele clima de urgência, de aproveite-agora-antes-que-acabe, e só então o carioca se dá conta de ter todo o tempo do mundo para se deliciar com um Rio menos frenético e mais lindo do que nunca.

Ok, os traficantes foram trocados por milícias que torturam, os políticos locais parecem ter vindo da pré-civilização de tão broncos e corruptos, e a pobreza da cidade continua mal disfarçada para olhos menos acostumados.

Mas não dá para ficar ranzinza diante de um contraste de cores como o de hoje. Azuis, verdes e daqui a pouco chegarão os tons róseos para quem for brindado com um horizonte ao entardecer. E a temperatura? Ah, a temperatura… Agora está tépido, uso até um vestido, mas à noite deve refrescar. Ou não. O tempo pode nos surpreender com um veranico, nos próximos dias. Mesmo assim estaremos alertas diante de qualquer oportunidade, para tomar um vinho ou usar um cachecol.

Quer mais? Temos Caetano com um show experimental às quartas-feiras, um grande festival de Beethoven com ingressos a R$ 5 e meia dúzia de livrarias com o charme da estação. Então pare de reclamar, lembre-se que é sexta-feira, agradeça aos céus límpidos e seja feliz, casado ou solteiro, no Rio de Janeiro!

5 de Março de 2008

A ditadura do ar condicionado

Arquivado sob: Rio, Cotidiano — Marta @ 17:37

O restaurante não estava cheio, mas senti um estranhamento quando entrei. Enquanto tentava identificar o que havia de errado, a recepcionista veio me oferecer uma mesa. Automaticamente, pedi a mais “quentinha”.

Ela apontou, sem graça, para um canto, de decoração feiosa, onde as pessoas estavam apinhadas. Todas as mesas protegidas das possantes saídas de ar condicionado estavam ocupadas. O restante do salão, vazio.

Minha vontade foi cutucar os dois engravatados que ocupavam uma das mesas. Então não era em nome deles - dos grandalhões, calorentos e encamisados - que restaurantes, hotéis etc passaram a adotar a temperatura glacial como regra? Como tinham coragem de deixar congelando as mocinhas de alça, que ousaram sair sem casaquinho na bolsa em pleno verão carioca?

Mas a verdade é que estava tão frio que até os dois coitados devem ter seguido seus instintos de sobrevivência. Não havia outro jeito: eu teria que iniciar a ladainha de sempre.

- Não dá para diminuir o ar condicionado?

Respostas prováveis:

- Já está no mínimo.

Ou:

- Impossível, é central

Ou ainda:

- Se diminuirmos, os outros reclamam.

Ok, já estou acostumada a tilintar de frio, comer rápido, e depois me lembrar de inserir o restaurante na minha lista de lugares-bacanas-mas-congelantes. Ou seja, a possibilidade de uma revisita deve ser cuidadosamente avaliada.

O problema é que a lista cresce - na proporção inversa das varandas agradáveis para uma refeição ao ar livre. As livrarias (Travessa, Letras & Expressões), os cinemas (quase todos) e até um shopping inteirinho (o Leblon) tornaram-se impraticáveis sem um casaquinho.

Todas as mulheres reclamam. Os homens costumam se fazer de valentões. E o pior é que parece sem volta.

Tudo indica que estamos adotando, mais uma vez, o padrão norte-americano. Alguém já considerou que nos Estados Unidos eles costumam ter uma capa de gordura protetora, embaixo da roupa? Ou será que os colonizados aqui acham chique passar frio?

6 de Fevereiro de 2008

Pílulas carnavalescas

Arquivado sob: Rio, Cotidiano — Marta @ 12:10

Agora sim, na quarta-feira de cinzas, o tempo chuvoso combinou com a data. Muito estranho sair no carnaval de casaquinho, em pleno Rio de Janeiro…

Se não estou enganada, essa história de todo o comércio fechar na segunda-feira de carnaval é novidade por aqui. O feriado não era só na terça? Pelo visto, estamos trilhando o caminho baiano. Quem quiser trabalhar na segunda que vá para São Paulo!

Nada como o carnaval para nos lembrar que o silicone já é uma realidade e está entre nós. Onde menos esperamos, nos deparamos com uma prótese, digo, um belo decote turbinado. Nada contra…

Não sei se foi a chuva, mas os cinemas estiveram bem cheinhos no feriadão. Vale a pena conferir os números das bilheterias. Se bobear, foi recorde.

Longe de mim azarar a diversão de quem curte carnaval de rua, mas que a chuva teve lá sua utilidade, lá isso teve. Lavou as calçadas e deu uma boa melhorada no fedor de xixi. Imagina aquilo secando, debaixo do maior calorão!

Carnaval? Que carnaval que nada. Já é Páscoa! Os ovos de chocolate acabam de chegar às prateleiras das Lojas Americanas!

1 de Fevereiro de 2008

Carnaval sem estrada

Arquivado sob: Rio — Marta @ 14:12

Para os que adoram falar que tudo no Rio piorou, aí vai uma constatação: o carnaval melhorou. Os saudosistas vão lembrar de tempos mais “autênticos” das escolas de samba, dos concursos de fantasias ou dos bailes de salão.

Mas tudo isso era fechado, pago! Na prática, o carnaval do carioca era transmitido pela televisão. Carnaval de rua era coisa de um passado distante, dos nossos avós, ou de meia dúzia de bebuns que ainda perambulavam pelo centro.

Na prática, todo mundo se mandava do Rio, pegava a estrada. Os blocos se resumiam a Suvaco e Simpatia, com saídas providencialmente marcadas para antes do carnaval. “Para onde você vai viajar?”, era a pergunta de praxe, quando ia chegando o feriado. Até na TV, o carnaval era caidaço - todas as piadas sobre a fantasia do Clóvis Bornay ou a desanimação do baile do Hawai já haviam sido feitas.

Agora, não. A garotada pega o roteiro dos blocos, inventa uma “quase fantasia” bem fresquinha, e passa o dia cantando marchinha com lata de cerveja na mão. OK, tem o cheiro do xixi, o engarrafamento, a superlotação. Mas você queria o quê? Carnaval com ar condicionado?

Pensando bem, não chega a ser má idéia. Depois de gastar minha cota de animação no pré-carnaval, estou programando algumas boas horas no escurinho – e fresquinho – do cinema, colocando os filmes em dia para o Oscar…

3 de Janeiro de 2008

De bom tamanho

Arquivado sob: Rio — Marta @ 14:45

Que me perdoem os que adoram carnaval. Mas estou comemorando: este ano teremos apenas um mês da falta de assunto pré-carnavalesca que toma conta dos veículos de comunicação nesta época.

Penso que é um tempo bem razoável para pauteiros e foliões (ops, a palavra só existe neste “noticiário”. Você já ouviu alguém com menos de 70 anos falar em “folião” ou “festa de Momo”?)

Nada contra um bloquinho pré-carnavalesco, especialmente para quem pretende aproveitar o feriadão fora da cidade, como é a tradição dos cariocas. Mas, convenhamos, quando o carnaval cai quase em março, chegamos nele completamente saturados.

Claro que a indústria do evento e seus patrocinadores não pensam assim. Pois eles que promovam as tais micaretas em outro canto, porque o Rio não é só carnaval. Temos muito o que fazer por aqui…

9 de Novembro de 2007

Qualidade de vida dentro do carro???

Arquivado sob: Rio — Marta @ 15:37

Os moradores do Cosme Velho, simpático bairro do Rio, viveram por alguns dias um dilema de muita gente nas grandes cidades: é melhor morar perto (do trabalho, do centro etc) em um lugar tumultuado ou distante, em um local tranqüilo, com mais espaço e natureza?

Tudo porque o acesso ao Túnel Rebouças fechou, e, por alguns dias, o Cosme Velho viveu os momentos bucólicos do passado. Nostalgias à parte, parece que, depois de alguns dias enfrentando o trânsito caótico de Laranjeiras para chegar em casa, os moradores já preferiam os inconvenientes de ser um bairro de passagem.

No Rio, de vez em quando, alguém conhecido se muda para a Barra da Tijuca, “em busca de qualidade de vida”. Em São Paulo, são os condomínios ou bairros novos, distaaaaantes, que atraem o sonho de muita gente de na hora de mudar de casa.

Sinceramente, não entendo como alguém pode ter mais qualidade de vida levando três horas por dia no trânsito. Não tem barulhinho de grilo à noite que desestresse quem dirigiu o dia inteiro, e ainda perdeu horas de seu escasso tempo com isso…

1 de Outubro de 2007

O Rio e seus mistérios

Arquivado sob: Rio — Marta @ 14:13

Nada como começar a semana de forma questionadora. Então vamos às perguntas que não querem calar:

Por que os restaurantes ligam seu ar refrigerado no máximo, de forma a congelar todas as moçoilas sem casaquinhos presentes no recinto?

Por que os táxis prendem os cintos de segurança dos passageiros por trás do banco, impedindo qualquer tentativa de usá-los?

Por que tantas lojas de colchão são abertas na cidade?

A propósito: com que freqüência uma pessoa normal compra colchões ao longo de sua vida???

21 de Agosto de 2007

Cena de Ipanema

Arquivado sob: Rio, Cotidiano — Marta @ 15:35

- Quanto sai essa caixa com sorvete? O quê? Cada bola custa R$ 7?

Pois é, na Mil Frutas da Garcia, custa. Ela continuou tentando uma solução, enquanto a filha adolescente começava a devorar uma casquinha dupla, de supostos R$ 14.

- Posso levar a caixa maior, mas com menos bolas de sorvete, espalhando bem? É só um agrado para uma pessoa, porque não quero chegar de mãos abanando, sabe como é.

Nisso, a adolescente já tinha saído de fininho, morrendo de vergonha do “mico”.

- Não dá? É que a outra é muito pequena, vou ficar sem graça de chegar lá com uma caixinha…

Impasse.

- Então você pode me dar uma nota fiscal como se fosse um almoço, e não sorvete? Para mim isso é trabalho, sabe. Eu nem queria falar, mas é para o Nelson Motta, que adora o sorvete daqui.

A vendedora liga para a gerente. “Dá para liberar uma nota fiscal?”. Arqueia as sobrancelhas, sem graça.

- Sinto muito, senhora.

A filha já estava da cor do sorvete de morango, quando a mãe pagou a casquinha - e só a casquinha. Nelson Motta, coitado, ficou sem sorvete.

14 de Agosto de 2007

Da janela vê-se…

Arquivado sob: Rio — Marta @ 17:42

Já que agora todo mundo fala das maravilhas do Rio de Janeiro, aí vai o meu voto: nada se compara ao céu cor-de-rosa, pincelado em cima do mar de Ipanema, no final das tardes de outono.

Sorry, amigos de Sampa…

30 de Julho de 2007

Sem bala perdida

Arquivado sob: Rio — Marta @ 10:42

Nas vésperas do Pan era difícil acreditar que não teríamos pelos menos um atleta assaltado ou vítima de bala perdida. Parecia impossível blindar a cidade inteira, monitorar os passos de milhares de turistas. Sem contar o trânsito, que seria um inferno.

Pois foi que nem o réveillon em Copacabana. Tudo deu espantosamente certo. E o trânsito, vamos admitir, estava ótimo. Parecia que estávamos… em férias!

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