Clarice até março
O esforço valeu a pena, e ontem consegui finalmente ver a peça “Simplesmente eu, Clarice Lispector”, estrelada pela atriz Beth Goulart. A boa notícia é que o espetáculo, que ameaçava ficar novamente em curtíssima temporada, estará em cartaz no Teatro Sesi do Rio até março.
A minha história com Clarice é curiosa. Descobri e amei a escritora na adolescência. Depois de, digamos, adulta, suficientemente desintoxicada de seu texto (que impregna a alma e explica a devoção de seus fãs), passei a acreditar que aquela tinha sido apenas uma fase adolescente e mulherzinha. Cheguei a considerar pertinente uma crítica que ouvira sobre Clarice ser um pouco repetitiva.
No ano passado, com a volta dela à mídia, retomei seus contos, encantada. Ah, como pode ser nocivo se afastar de Clarice. A coletânea “Clarice na cabeceira”, por sinal, tornou-se o meu título de fim de ano preferido para presentear amigos, desejando assim que eles a mantenham por perto. Os contos são apresentados por fãs célebres, que aparentemente tiveram liberdade para escolhê-los.
Dois deles estão na peça, e a interpretação de Beth Goulart, espantosamente parecida com a escritora em cena, acaba por revelar novas nuances no texto. O resultado final - cenário, iluminação etc - é lindo de morrer, imperdível para fãs de Clarice Lispector.

Acho que toda mulher literariamente ativa se encanta por Clarice Lispector, no entanto quando se ama os livros ninguém se contenta apenas com o que está escrito nas páginas, mas também com quem é o autor e a inspiração que ele buscou para escrever. Clarice foi uma figura singular e que torna inevitável a curiosidade sobre sua vida, quando sua biografia é feita por gente competente fica mais excitante conhecer sua vida.
Comentário de Amábile Grillo — 21 de Janeiro de 2010 @ 19:24
Adoro tomar da espuminha que vc divide com a gente, há tempos aliás, mas é que com a boca cheia não se pode falar, né emsmo?! rs.
Mas dessa vez tinha que falar, o parágrafo “A minha história com Clarice é curiosa. Descobri e amei a escritora na adolescência. Depois…” todo, é tão eu, sabe… E é interessante essa coisa toda de não termos, contrario do que pensamos na tal adolescencia, sentimentos privativos!
Abraços, meus.
Comentário de Kiara Guedes — 23 de Janeiro de 2010 @ 19:27