Sem luz no fim do apagão
Não sei você, mas ontem foi meu quarto apagão, em 20 dias. O primeiro, aquele pelo qual todos passaram, teve um quê de excitante. Quebrou a rotina, remexeu em memórias da infância, suscitou reflexões sobre nossa dependência da tecnologia.
O segundo apagão, em Ipanema, atrapalhou muuuito o meu trabalho. Morri de calor enquanto o notebook tinha bateria, tentei me virar sem internet, mas acabei atrasando o prazo para entregar um texto.
O de ontem foi no mesmo horário do terceiro, depois das 23h, e o transtorno maior foi ficar sem ar condicionado e dormir cedo. Só que não tinha mais graça. As tais memórias da infância, mais nítidas e menos fantasiosas, me fizeram recordar como era terrível viver sem luz e telefone a cada temporal, nos tempos em que morava no Alto da Boa Vista.
Agora eu moro no Leblon, o bairro que “fala alto”, e não consigo me conformar com a situação. Ontem tentei ler à luz de vela, lembrei de deixar desligados os interruptores, procurei usar a “expertise” adquirida a contragosto nos últimos dias. Mas me recuso a me adaptar. Não, eu não vou comprar um lampião para ler à noite.