Uma data querida
Sou mãe há exatos dez anos, e isso fez de mim uma pessoa melhor.
Lembro da dúvida que me assombrava, pouco antes de parir: em que pessoa me transformarei? Uma amiga, com bebê crescido, toda autoridade, me garantia: continuamos sendo nós mesmas, só que mães, ora.
Não foi verdade. Parque de diversões, por exemplo. Não tinha medo, de nenhum brinquedo. Ultraleve, parasailing, montanha-russa radical; nada do tipo me intimidava.
A maternidade me fez mortal. Passei a buscar incansavelmente a coerência entre ideias e atitudes. Mesmo quando minha filha ainda era um embrulhinho no berço, queria explicar o mundo para ela.
Descobri em mim uma energia e uma generosidade que deviam estar bem socadas em algum compartimento interno antes do parto. Aliás, o parto, por conta das circunstâncias e do trânsito de São Paulo, foi o primeiro exemplo dessa “força oculta da natureza”, com perdão dos clichês que perseguem a maternidade.
Precisei aprender o que ensinaria para a minha filha, e fui uma aluna aplicada - observando o mundo como nunca tinha feito antes. Quando eu titubeava, me perdia, tinha alguma dúvida; adivinha. Ela me ensinava.
Foi assim que me tornei uma pessoa melhor. E fico pensando no quanto esta “dívida” que tenho com ela é impagável. Por mais que a encha de beijos (e presentes!) no dia de seu aniversário.