O mundo sem você

Os maias previram que o mundo acabaria em 2012, eu soube hoje, a propósito de um filme-catástrofe que estreia em novembro, com direito a Cristo Redentor tombando sobre a Baía de Guanabara (repare nas proporções).
Impressionante como profetas, religiões e civilizações antigas já fizeram previsões assim. Apesar do fracasso evidente desses futurólogos, de vez em quando uma seita maluca insiste no erro e garante: vamos todos morrer na data tal. Eu diria que até os “terroristas” ecológicos, no fundo, se valem da ameaça do fim do mundo com algum gostinho, embora seus propósitos sejam melhores do que os interesses que moviam os videntes de araque do passado - sabe-se lá que mordomias conseguiram enquanto a tal data não chegava.
Talvez a cascata emplaque tanto porque a ideia de o mundo acabar, e todos morrermos juntos, não é de todo má. Outro dia, em uma reflexão sobre a falta de sentido da existência, o escritor Arthur Dapieve falou da angústia que temos em pensar na vida (dos outros, do mundo) após a nossa morte. Pelo menos foi isso que ‘eu li’, não estou certa se era o que ele queria dizer (viva o leitor).
A crônica no Globo, creio, não está acessível na internet, mas lembro que ele pinçava um verso de Antônio Cícero, cantado por Marina, que sintetizava tudo (viva a poesia): “As coisas não precisam de você”. Insuportável, não? Melhor pensar que o mundo vai acabar, mesmo que se viva um pouco menos.
Quando um dia perguntaram a Chico Xavier qual o homem mais rico e ele disse, o que precisa de menos pra viver. E quando lhe perguntaram que o momento mais importante da sua vida, ele disse, quando um dia uma criança me abraçou e disse o quanto eu era importante pra ela.
Comentário de Ronaldo Magella — 29 de Agosto de 2009 @ 12:30