Amor à última vista
O esbarrão foi de verdade, pois os dois estavam mesmo distraídos. Aliás, eram distraídos. Ele já estava com o sorriso armado para pedir desculpas, antes de perceber o quanto era bonita. Ela não tinha o hábito de ser tão simpática, não sorriu naquele instante, mas algum brilho nos olhos denunciou a taquicardia. Ficaram ali, paralisados, e o fato de ele estar acompanhado de uma criança, e ela ainda fumar naquele tempo, pareceu não importar.
Foi assim, mágico, no começo. Agora ela ficava no computador, noite adentro, escrevendo e-mails intermináveis, imaginando-o a lê-los com uma taça de vinho na mão. Mas as respostas não vinham, as amigas a consolavam e ela ainda precisava conter a vontade de se enfurnar em salas de cinema, com caixas de lenços na mão, para ver comédias românticas e tolas. Logo ela - que patética havia se tornado.
Ele esqueceu mais rápido, pelo menos foi o que todo mundo pensou. Reparava em mulheres parecidas com ela na rua, e por isso recebia olhares de volta, mas acabava desviando a vista - quase um otário. Quem sabe esperasse por outro esbarrão, que colocaria tudo no lugar. Mas isso já não era possível, e ele era um sujeito prático, odiava sentimentalismo e chegou a pensar que ela fosse parecida nisso, antes de começar a receber aqueles e-mails cheios de acusações absurdas.
Aquele amor ficaria esquecido para sempre, exceto por uma ocasião em que ela fez um balanço de suas paixões, conversando com a prima mais nova. E exceto também pela vez em que ele bebeu demais com o seu amigo mais sentimental. Foi quando ambos contaram como deixaram passar o grande amor de suas vidas.
posso não acreditar mais em amor? Que bom.
Comentário de Ronaldo Magella — 30 de Abril de 2009 @ 09:02
Ai, que história triste Marta! Ao contrário do Ronaldo Magella, eu não pretendia não acreditar mais em amor…
Comentário de Janes — 1 de Maio de 2009 @ 19:55
Marta, adorei sua aventura na ficção. Esse post e o anterior tinham que ser parte de uma mesma história com o clássico aviso: qualquer semelhança(…)é mera coincidência. (Ou será o contrário? Xiii!)
Comentário de Renata — 4 de Maio de 2009 @ 19:48
comecei a escrever crônicas tem pouquinho tempo… um exercício que tem me colocado de frente com surpresas muito boas e me permitido passeios enriquecedores. o seu é um deles
) apareça no meu meu blog
) um abraço
Comentário de clotilde zingali — 12 de Maio de 2009 @ 23:50
Vou lá sim, Clotilde! Obrigada pela visita!
Comentário de Marta — 13 de Maio de 2009 @ 14:10