28 de Abril de 2009

Simplesmente feliz

Arquivado sob: Crônicas — Marta @ 18:38

A sensação pode durar segundos. Sim, tudo isso. Do nada, surge um sentimento de plenitude. Você está inteiro, se sente vivo e integrado àquele momento. Ao mesmo tempo, consegue contemplar a si próprio e ao mundo com certo distanciamento, como se estivesse em suspenso. Está cheio de si, mas sem o orgulho bobo das conquistas mundanas ― tanto que nem lhe ocorre exibir aquela emoção para ninguém. Você guarda em segredo: está feliz.

Aproveite a minha modesta tentativa de descrever o tal momento e desencave do fundo da memória o instante fugidio em que se sentiu assim. Passou, é verdade, e nem lembramos como foi. Provavelmente nos distraímos com uma buzina, uma interrupção qualquer, e nem tentamos guardar um resquício daquela emoção, como se tivesse sido um sonho. Não foi. Todos já nos sentimos assim e por isso andamos por aí como se a tal felicidade estivesse à espreita, alcançável por um lance de sorte, acaso ou destino ― a gosto do freguês e das convicções filosóficas.

Uma dessas ocasiões eu guardei bem na memória, porque a sensação veio junto com uma lufada de ar quente. Eu descia do avião no Santos Dumont, no Rio, antes dos abomináveis fingers de hoje. Tratava-se de uma rotina ― o tal instante de felicidade cisma de aparecer em situações banais. A lufada veio junto com o cheiro de maresia, e ainda era dia; talvez fosse horário de verão. Uma entrevista burocrática em São Paulo acabara se transformando em uma conversa instigante, e me ocorreu, naquela viagem de volta, a máxima: “e ainda me pagam pra isso”. (…)

(Continue lendo no Digestivo Cultural)

1 Comentário »

  1. Felicidade é algo muito relativo e íntimo, como a senhora mesmo escreve nos pedindo pra relembrar alguns desses momentos, querendo nos dizer que, a felicidade é algo, um sentimento geral, mas como ela nos acontece, como a sentimos, é muito particular. Quando perguntaram a Chico Xaviar qual havia sido o seu momento mais feliz durante a sua trajetória, ele pensou um instante e disse, no dia que uma criança quis me abraçar e dizer o quanto gostava de mim. Chico contava os momentos felizes por seus sentimentos, nós muitas vezes contamos os momentos de alegria por aquilo que conseguimos conquistar, as posses, a compra de um objeto, um bem, seja casa ou carro, uma vez que ainda estamos muito ligado as essas coisas. Abç.

    Comentário de Ronaldo Magella — 29 de Abril de 2009 @ 10:33

RSS de comentários deste artigo. URI para link desta publicação:

Deixe um comentário

Espuminha | Dicas, atualidades e assuntos para o café