Depois da proteção, a chantagem
Não é de hoje que pais superprotegem filhos. Mas sempre há novas formas de fazer a mesma bobagem, e a última geração de superpais está retratada na edição da revista Época desta semana, em matéria infelizmente fechada para assinantes (babau repercussão na web).
Não pude deixar de reconhecer alguns pais de amiguinhos da minha filha, que tentam facilitar/controlar a vida dos filhos nos mínimos detalhes, em geral via celular. Claro que não sou santa nessa história e também me identifiquei na ansiedade para preparar a filha para o futuro, estimulando supostos potenciais e dando instrumentos para ela enfrentar suas dificuldades.
A grande questão parece ser se os filhos protegidos ficarão irremediavelmente “estragados” ou se ainda haverá chances de tomarem as rédeas de suas vidas, depois de algumas sessões de análise. Mas existe uma outra face, da mesma moeda, que acaba passando despercebida: os superpais costumam cobrar a conta.
Mesmo que os filhos consigam se tornar independentes quando adultos, dificilmente deixarão de sofrer com as chantagens típicas de pais e mães que se sentem abandonados, “depois de tudo o que fizeram”. É incrível, mas já tenho presenciado chantagens assim de mães de crianças de apenas 9 ou 10 anos. Ao sentir os primeiros sinais de autonomia do pimpolho, envolvendo situações banais como dormir na casa do amigo, elas tratam de lançar um olhar comprido, o suficiente para fomentar a tal culpa que acompanhará o pobre coitado a vida toda (apesar da terapia).
Nesse aspecto, pelo menos, tento segurar a minha onda. Ver a minha filha independente vai ser sempre o meu maior orgulho. E ninho vazio, apesar de todo o sofrimento da perda, a gente preenche com outros interesses na vida.
O engraçado é que hoje de manhã minha esposa disse, nosso filho (ele tem apenas oito meses) vai nos colocar no bolso. Ele nessa idade já é um chantagista de primeira linha, não gosta de ficar sozinho, chora, basta aparecer alguém, ele pára. Fica tossindo pra chamar a atenção, uma tosse fantasiosa, basta olhar pra ele e pára a tosse. Está demonstrando já ter habilidade de manipulação, alguém pode até dizer, toda criança é egocêntrica, até aí tudo bem, o problema são os pais se tornarem reféns desse egocentrismo para o resto da vida, principalmente se o mesmo for filho único. Ainda não li a reportagem da revista, sou assinante, leio durante a semana, mas sei o que ela quer bem dizer. Mas tenho minhas críticas com relação a essas matérias com crianças e jovens, tanto da Veja quanto da Época, o que percebo é que o objeto de tais matérias é a classe alta paulistana ou carioca, não representa o resto Brasil, como disse um amigo meu, a Veja escreve para os seus assinantes. Somos aqui, da Paraíba, um pouco diferentes do retrato esboçado.
Comentário de Ronaldo Magella — 12 de Abril de 2009 @ 11:40
Bah, a minha mãe cobra muito essa conta, principalmente do meu irmão. Ele foi morar com a namorada e sempre foi o protegido - sei lá, ela enfiou na cabeça que ele era O frágil. E ele está tocando a vida dele, sem dar muita bola pra ela. Céus, cada vez que eles se encontrar é aquela vitimização. Ninguém merece.
Tenho uma filha de cinco meses. Deus - e os terapeutas e as amigas - que me ajudem a NUNCA fazer isso com ela. Pelo menos, quando a minha mãe diz “mas eu fiz isso por ti!”, eu respondo “pois não fez nada mais q tua obrigação, eu tb vou fazer isso pela Valentina porque mãe faz isso e pronto”, hihihi.
Comentário de Marla — 18 de Abril de 2009 @ 02:25