Bonita, eu?
Um amigo diz que cansou de tentar elogiar as mulheres. Diz que sempre ouve, em troca, alguma ressalva como “é, mas eu estou gorda”. Em vez de um sincero “obrigada”, pode seguir-se uma ladainha de autodepreciações. “Perde a graça, nem dá vontade de fazer um elogio”, desabafa ele, repleto de razão.
Que coisa, né. As mulheres reclamam tanto dos homens, que não prestam atenção no penteado novo, e aí vem um homem contar isso. Pior é que imagino direitinho a cena que ele descreveu…
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a sociedade não nos permite ser sinceros demais, podemos perceber que estamos sempre de alguma forma estamos destratando o que somos, o que temos, com quem estamos, não sabemos admitir as coisas e dizermos a verdade. Se temos uma mulher bonita, procuramos algum defeito para demonstrar, se compramos um carro novo, focamos nas dificuldades para pagá-lo, passamos em um vestibular, é pra nós prazer dizer a horas de noites em claro, o dias sem folgas ou a renúncia dos prazeres, se alguém os elogia os filhos, logo tratamos de dizer do trabalho que nos dá criar um. Somos assim, não sabemos aceitar as coisas ou temos medo de olhos gordos e grandes para cima de nós e por isso procuramos sempre de alguma forma destratar, colocar pra baixo nossas conquistas, as pessoas, aquilo que temos. Será tão difícil ser o que somos, admitirmos o que queremos, desejamos? Por que precisamos sempre nos esconder, mesmo que tenhamos aquele sorriso de orgulho do lado da boca? A nossa relação com o nosso interior não nos é muito agradável, a sinceridade de nos olhar nos espelho ainda não nos inspira confiança, coragem. Por isso apontamos tantos os defeitos dos outros, pois quando estamos diante de outros quadros, esquecemos as pinturas das nossas telas, das manchas das nossas cenas, dos borrões dos nossos esquadros.
Comentário de Ronaldo Magella — 6 de Abril de 2009 @ 19:28