O dia em que entrei para a blogosfera
Ontem o Digestivo Cultural colocou no ar a minha coluna mais ajeitadinha, sobre carnaval, escrita com o coração inteiro (valeu, Dapieve). Comecei a colaborar com o site em janeiro, por convite do Julio Daio Borges, que me achou aqui no Espuminha, sei lá como. Apesar das primeiras colunas não terem sido lá essas coisas, o link para o blog me trouxe uma penca de leitores dos sonhos: desconhecidos, inteligentes, afiados, que entendiam o que eu escrevia sem precisarem ser meus amigos para isso. Houve mesmo uma leitora, a Angela, do Cultura de Travesseiro, que descobriu o meu esforço sobre-humano de colocar algum humor neste espaço.
Encantada com aquele comentário, fiquei de passar pelo blog dela, assim como dos outros, mas aí me enredei em trabalho, tratamento dentário, férias da filha, e quando vi já tinha deixado de lado – de novo – a etiqueta blogueira. Sim, eu já conheço algumas regrinhas da blogosfera: é preciso colocar links, deixar comentários, participar das discussões. O problema é que ainda me sinto tímida, deslocada na festa onde todos parecem tão à vontade, e o sorriso verdadeiro com o qual costumo retribuir gentilezas alheias não é captado no mundo virtual, fazer o quê. Ainda há a desconfiança com estranhos, a experiência de já ter cruzado com uma ou duas dessas figuras do mal com o dom de se multiplicar e atazanar a vida de quem está aproveitando a festa na rede.
Comecei este blog jurando despretensão, divulgando apenas para amigos e com muitas dúvidas sobre as (des)vantagens profissionais de tanta exposição. O número de acessos diários passou a me intrigar, e vez por outra aparecia um comentário de alguém desconhecido. Bem, devia ser amigo de amigo, pensava. Uma vez, me surpreendi com um link de um blog português, bem interessante, por sinal. Como fui parar lá? Sorri para o computador e visitei o blogueiro algumas vezes, sem deixar rastros.
Por trás desse comportamento caipira – que definitivamente não adoto na vida real – existe um grande desconforto com uma barreira que não é só minha: a tecnológica. Essa barreira está claramente dividindo a minha geração em duas: os que a enfrentam, e eventualmente até tornam-se “heavy users”, e aqueles que empurram o problema com a barriga, minimizando a sua importância. A experiência na divulgação do blog para os amigos me mostrou isso. Sempre que a receptividade de alguém (“Adorei!) me animava, em seguida vinha alguma prova contundente de que o mundo real pouco se interessava pelo assunto (“Blog? É aquela história de Orkut?”) ou pelo que eu escrevia (“Não tenho paciência com internet; mas quando você escrever um livro…”).
O que mais me desanimava, quando eu pensava em me inserir pra valer na tal blogosfera, e buscar leitores em outras praias, era a falta de traquejo com tecnologia. Não entendia metade dos termos usados pelos cadernos especializados, me perdia nos links explicativos das páginas com os assuntos que me interessavam, saía da experiência exausta – e talvez um pouco mais sabida. Li do avesso as páginas da Locaweb para configurar o blog, penei com spams até descobrir que devia ter instalado um anti-spam, levei três dias para aprender a ficar conectada via smartphone. Enquanto isso, percebia que os “iniciados” dominavam a blogosfera: por todo lado havia gente mais tecnológica e multimídia do que eu, com estratégias para aparecer em primeiro lugar nas buscas do Google, para turbinar a audiência, colocar vídeos, se relacionar na rede, ganhar dinheiro. Eu sabia apenas escrever. Estava na cara que não ia muito longe.
Foi então que percebi que a periferia da blogosfera era suficiente para mim. No meu ritmo “light user”, aprendi a colocar links num dia, e no outro a inserir fotos. Para o que mais me importava, – escrever – o esforço era zero. Apenas prazer. Bom demais da conta, eu diria, se fosse caipira de verdade. Mas aí, de repente, veio o Julio, o Digestivo e uma penca de leitores interessantes e interessados. De novo, problemas tecnológicos: cada vez que um deles coloca, junto com o comentário, o endereço do blog, o nome é omitido, como se tratasse de um anônimo. Caiu a ficha de que meus comentaristas antigos não tinham blogs, ao contrário dos novos. Editei os comentários, para os nomes aparecerem, revirei as instruções da Locaweb e não descobri a solução, que deve ser uma bobagem para os “heavy users”.
Os problemas tecnológicos vão continuar, tenho certeza. Mas agora penso que, se a coisa apertar, posso pedir uma mão para os novos amigos virtuais. Além disso, descobri que existem muitas formas de entrar para a tal da blogosfera.
Oi Marta!
Também estou aprendendo como funciona a blogosfera, adoro saber que as pessoas leem o que escrevo, veem meu trabalho e especialmente quando comentam, é uma interatividade muito legal. Aos poucos vamos aprendendo esses detalhes técnicos, é assim mesmo, não?
Continue com seus textos gostosos, e agora vou ver seu artigo lá no Digestivo. parebéns, e um grande abraço!
Cristine
Comentário de Cristine — 24 de Fevereiro de 2009 @ 20:30
Obrigada! O endereço da Cristine, que não saiu por conta dos tais detalhes técnicos, é http://www.terracotabolsas.com/rato beijos!
Comentário de Marta — 25 de Fevereiro de 2009 @ 12:16
Obrigada, Marta!
Abração!
Comentário de Cristine — 27 de Fevereiro de 2009 @ 15:14