Pode ser tendência
Há algum tempo parei de assinar a Veja. Demorei. Embora indignada com a revista, eu tinha aquela sensação de se tratar de leitura obrigatória, como antigamente supunha ser o Jornal Nacional. Temendo crises de abstinência aos domingos, depois de anos de vício, assinei a Época.
Mas continuava com aquela coceirinha de folhear a Veja, quem sabe por um impulso masoquista. Comecei a encontrá-la nos cafés de Ipanema e dar uma olhadinha. Adorei a sensação de não ser assinante oficial, ideologicamente falando, e poder acompanhar os assuntos da revista - ficar indignada com a linha editorial, mas ler também alguma matéria interessante.
A tal folheada pode levar dez minutinhos ou uma hora, dependendo do interesse que a edição despertar. Não é que o espírito francês de deixar os clientes à vontade, pagando apenas por uma xícara de café, pegou no Rio? Ou seja, por módicos R$ 3 tomo um expresso e ainda leio a Veja, que custa R$ 8,40 nas bancas.
Para completar, sinto-me ecologicamente correta. Toda vez que coloco no lixo uma pilha de revistas quase novas, e constato que ninguém mais leu, morro de culpa. Chego a lamentar não ter um consultório, ou outro negócio com sala de espera, para compartilhar as revistas com os pacientes/clientes.
Já nos cafés, as revistas estão do jeito que deveriam estar - usadas, lidas e relidas. Nos salões de cabeleireiro, então, nem se fala, embora ali só encontremos as Caras da vida. Aliás, alguém mais, além dos salões, assina a Caras?
Resultado: agora já penso em reservar outro café semanal para ler - ou folhear - a Época. E parar de assinar. A verdade é que não existe revista semanal indispensável, que precisa ser lida ainda no domingo. Isso era antes da internet.
Hoje, a semanal está mais para prazer do que obrigação. E uma leitura assim, leve e casual, parece própria de ser compartilhada em “salas de leitura” - e aí está uma oportunidade que os cafés já perceberam.
Em uma galeria em frente ao meu escritório, existem dois cafés. A Browneria, que deixa em cima das mesinhas Veja e Caras da semana, está sempre lotada. O Armazém do Café, com meia dúzia de revistas velhas, fica vazio. Pode ser coincidência. Mas também pode ser tendência.
Imaginem,então,uma “cyber-browneria” com o Espuminha transbordando na tela… Não haveria café que bastasse!
Comentário de Fatima Barroso — 2 de Dezembro de 2008 @ 23:11
Adorei a idéia, Fátima!
Comentário de Marta — 3 de Dezembro de 2008 @ 15:14
As revistas são boas para quem não é muito ligado em informação diária, não vê os sites e não assina jornal e sequer assiste os telejornais regionais ou nacionais. Acho melhor ler as semanais do que ser alguém que não sabe nada. Mas concordo que a Veja, e também a Época, deixam muito a desejar, eu não aguento ler. Já não se faz mas jornalismo como antigamente, minha filha…Vc pode doar as suas revistas para alguma creche da prefeitura ou escola…
Comentário de monica — 3 de Dezembro de 2008 @ 18:52
As minhas Caras também são lidas nessa mesma Brownieria. Tenho um amigo que afirma que pessoa física não assina esta revista.
Comentário de Christine — 8 de Dezembro de 2008 @ 18:26
É, Christine, vai ver que a tendência é a Veja seguir a Caras, quem diria, e só ser assinada por pessoa física. Mônica, gostei da sua sugestão de doação. Será que alguém se interessa? Tomara que sim.
Comentário de Marta — 9 de Dezembro de 2008 @ 11:56