Medo de amar

Toda mulher já encontrou em sua vida o homem-que-não-quer-se-comprometer. Eu tinha até me esquecido do tipo, quando vi o filme “Fatal”, na sexta-feira. Ele está lá, inteirinho, interpretado pelo ator Ben Kingsley (o eterno Gandhi) mas revelado de fato pelo escritor Philip Roth, autor do romance que inspirou o filme e conhecido por seus livros obviamente autobiográficos.
Pois bem, sabe aquela história difundida pela literatura de auto-ajuda mulherzinha, de que o tal cafajeste simplesmente não está a fim de você, sua tonta, que fica inventando que o sujeito é imaturo, inseguro ou tem medo de amar? Esqueça. Segundo ele próprio, o homem-que-não-quer-se-comprometer, a velha intuição feminina, mesmo que abalada por uma paixão, está certa. O solteirão convicto e charmoso chega a parecer patético no filme, até porque esnoba ninguém menos do que a Penélope Cruz.
O filme vai além e aborda também com algum interesse o tema da velhice. Não chega a ser fenomenal, mas eu recomendaria para as mulheres que ficaram intrigadas com aquele rompimento sem-pé-nem-cabeça do passado. Elas vão ver que se livraram de uma boa.
Amiga, bom dia, viva a segunda-feira. Assisti ao filme Fatal, a mim mais pareceu um filme sobre os dilemas masculinos, sobre a arrogância e a soberda dos homens, mas sobre suas fragilidades, com os filhos, com o amor, com a paixão, com si próprios. O personagem do filme, um cara que se mostra firme, equilibrado em seus sentimentos, emoções, distante daquilo que sente, das mulheres com quem vai pra cama, alguém firme, segundo, o que toda mulher sonha, mas ao se apaixonar, é traído por si mesmo, chegando ao ridículo de perseguir o objeto da sua paixão. Ou seja, por trás de toda parece de concreto firme, duro, existe algo frácil, delicado, que está escondido e precisa de proteção, porém, seu ser descoberto, as consequências são imprevisíveis. Todo homem é frio, é só sexo, quando não gosta de alguém, mas se gosta, não se sabe do que será capaz, até matar é possível. Até mesmo o medo da idade assusta o apaixonado.
Comentário de Ronaldo Magella — 30 de Março de 2009 @ 11:19