31 de Outubro de 2008

39 graus

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 11:37

Fim do livro, fim da energia. O som do carro entrou em pane, o celular entrou em pane. É estranho quando começam a acontecer esses curtos-circuitos. Ainda não é hora de levar para consertar nem comprar outro. Porque às vezes funciona, e você passa por maluca se chamar o técnico. Pode até consertar sozinho, você já teve experiências assim. Então o negócio é usar o pensamento positivo, encontrar o jeitinho, ou acreditar que a pane vai simplesmente desaparecer, de repente.

O problema é quando a gente mesma entra em pane. A febre vai passar, sumir, logo que o dia raiar, eu pensei. Mas não. Então é hora de raspar o tacho, encontrar aquele restinho de entusiasmo grudado no fundo, uma energiazinha que estava escondida em um canto da alma.

Como no caso do celular, não há possibilidade de eu ir para o conserto agora. Uma vez me peguei dizendo: nem pensar em morrer antes de a minha filha estar criada; essa alternativa não existe. Que lembrança estranha, típica de quem está deprimido e doente. Mas quem falou em doença, cara pálida? Nada disso. Tem que durar mais alguns dias – a saúde, a bateria, o humor, o cd player. Quem sabe só mais um comprimido, com coca light, resolva o problema.

Pior que li sobre o surto psicótico da Adriana Calcanhoto. Parece que ela estava gripadíssima também, e com uma agenda de shows a cumprir em Portugal. Tomou uns remédios fortes, que fizeram uma combinação explosiva com outra medicação. Não, não posso me arriscar. Logo eu, que nem sou de tomar remédio.

Pelo menos consegui atualizar o blog.

27 de Outubro de 2008

Ressaca

Arquivado sob: Opinião — Marta @ 14:29

Ontem os cariocas estavam de verde; hoje estão de luto. Doeu porque foi por pouco, porque o outro lado jogou sujo, porque agora é difícil voltar à velha postura resignada.

Esta onda verde que tomou conta do Rio fez lembrar a passeata na orla que deflagrou o movimento pelo impeachment do Collor. Pelo menos no início, essa onda foi assim, espontânea e contagiante, à margem dos caciques políticos e dos marketeiros.

Quando surge algo tão verdadeiro, que tem a adesão empolgada dos jovens, uma semente (!) acaba sendo plantada (!!!). Temos que ter esperanças. Euzinha posso já estar cansada de tantas decepções, mas a garotada deve ter sentido o gostinho - de participar, de mudar, de sonhar.

23 de Outubro de 2008

Twitter

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 17:08

Os hare krishna ainda existem. Meia dúzia deles (para ser precisa, sete) acabou de passar pela minha janela, numa calçada de Ipanema, com suas tradicionais túnicas laranjas, muita música e animação. Continuam jovenzinhos. Ou seja, devem ser outros.

Esse texto vapt-vupt, com a cara do tal twitter, é porque estou totalmente sem tempo de desenvolver mais do que algumas linhas. Jurei que jamais escreveria este post mala, de blogueiro se desculpando porque sumiu. Mas, fazer o quê. Já que me rendi, aproveito para prometer voltar, em breve, à velha forma. Assim que escrever a última linha do texto que me consome.

21 de Outubro de 2008

Eloá

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 10:57

A adolescente típica da periferia, com cabelos longos e fotos posadas no orkut, teria adorado a fama. Em um conto fantástico, ela estaria lá em cima, olhando feliz a multidão de 10 mil pessoas no seu enterro. Eloá é a mártir dos novos tempos, que sofre sem causas nem crenças, mas seu tormento televisionado desperta seguidores do nada, apenas perplexos com a tragédia e banalidade da vida humana.

19 de Outubro de 2008

Ecomarketing

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 19:16

Não pode ser sério. Leio na revista Época que uma tigela de cereal com leite é responsável pela emissão de 1.244 gramas de gás carbônico - o mesmo que uma caminhonete joga no ar ao rodar 6 quilômetros. Os cálculos incluem os fertilizantes usados para plantar a vegetação que servirá de ração ao gado leiteiro e o desmatamento.

Essa história de aquecimento global deve fazer parte de um plano maquiavélico de ecologistas sádicos, que pretendem nos deixar culpados diante de qualquer prazer ou facilidade terrena. Tentar seguir a cartilha desses caras é de enlouquecer. O melhor, para se sentir leve ao deitar a cabeça no travesseiro, é usar o velho bom senso: evitar desperdícios e não prejudicar os outros.

O resto é o estratégia de marketing para ficar bem na foto.

***

Por falar na revista, bem interessante a entrevista da antropóloga Mirian Goldenberg, que fez uma pesquisa com mulheres de 50 anos em três países. As alemãs se preocupam em ser respeitadas por sua inteligência, idéias e personalidade, e acham falta de dignidade uma mulher querer ser mais jovem do que é. Já as brasileiras… Por aqui, como observei no post “Noção do tempo“, o respeito às cinqüentonas parece passar pela sala de espera do cirurgião plástico.

16 de Outubro de 2008

Que apolítico que nada

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 10:54

Nada como uma polarização para tornar a política mais animada. McCain X Obama, Gabeira X Eduardo Paes, Kassab X Marta Suplicy - quem resiste a tomar partido, elevar o tom, discutir política com o entusiasmo dos velhos tempos?

Eu, que andava bocejando com o noticiário, agora estou morrendo de pena de estar sem tempo para ver TV, ler sobre as fofocas de campanha, debater política com os amigos. Se você está podendo, aproveite. Política é ótimo, saudável, engorda e faz crescer.

12 de Outubro de 2008

Medo de amar

Arquivado sob: Diversão e arte, Comportamento — Marta @ 20:16

elegy 1  1 - elegy 1  1

Toda mulher já encontrou em sua vida o homem-que-não-quer-se-comprometer. Eu tinha até me esquecido do tipo, quando vi o filme “Fatal”, na sexta-feira. Ele está lá, inteirinho, interpretado pelo ator Ben Kingsley (o eterno Gandhi) mas revelado de fato pelo escritor Philip Roth, autor do romance que inspirou o filme e conhecido por seus livros obviamente autobiográficos.

Pois bem, sabe aquela história difundida pela literatura de auto-ajuda mulherzinha, de que o tal cafajeste simplesmente não está a fim de você, sua tonta, que fica inventando que o sujeito é imaturo, inseguro ou tem medo de amar? Esqueça. Segundo ele próprio, o homem-que-não-quer-se-comprometer, a velha intuição feminina, mesmo que abalada por uma paixão, está certa. O solteirão convicto e charmoso chega a parecer patético no filme, até porque esnoba ninguém menos do que a Penélope Cruz.

O filme vai além e aborda também com algum interesse o tema da velhice. Não chega a ser fenomenal, mas eu recomendaria para as mulheres que ficaram intrigadas com aquele rompimento sem-pé-nem-cabeça do passado. Elas vão ver que se livraram de uma boa.

9 de Outubro de 2008

Paul

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 16:18

Paul Newman - Paul Newman

Todo mundo já disse tudo sobre Paul Newman? Não tem importância. Afinal, uma imagem vale mais…

E obrigada à Fátima, que, além de cuidar da minha cabeça, também alegra o meu espírito, me enviando a foto certa, na hora certa. Beijinhos.

8 de Outubro de 2008

Pano de fundo

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 11:43

0 afcd 16373d61 XL 1  - 0 afcd 16373d61 XL 1

A controvérsia girava em torno da utilização de uma foto antiga no livro, e a decisão acabou adiada. Quando voltei da reunião, me lembrei de uma foto clássica, que poderia sustentar a minha argumentação de que, sim, deveríamos reproduzir a tal imagem. Corri para o Google Images e rapidamente achei a foto, de 1932, que eu tinha visto em um pôster gigantesco no Rockefeller Center.

Só que achei a foto de um jeito, de outro, e ainda de outro. A mesma foto. Dava para escolher a paisagem de fundo, com ou sem Empire State, a distância (e o perigo) dos operários em relação ao prédio, e a presença ou não de um cabo com uma roldana. A fotografia para lá de espetacular é de Charles C. Ebbets, mas a livre criação no fotoshop, obviamente, não é assinada por ninguém.

Como não pretendia publicar a foto, só enviá-la para a editora como argumento, escolhi a versão que me pareceu mais verossímil, com roldana mas sem Empire State. Depois fiquei imaginando o dilema de um fotógrafo alterando no fotoshop um fundo perfeito (com o Empire State, por exemplo), só para dar veracidade à sua foto verdadeira.

São os novos tempos, em que parecer verdadeiro é mais importante do que ser verdadeiro.

6 de Outubro de 2008

Pensamento do dia

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 18:08

Gabeira sobe, a bolsa cai e ainda tem gente que acha a vida sem emoção.

Noção do tempo

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 15:08

Na sala de espera de um cirurgião plástico, a senhora elegante revela ter 73 anos. As outras, na casa dos 50, mal acreditam. Davam uns 65, no máximo. Pronto, há uma nova meta para as cinqüentonas em seu primeiro, ou segundo, pós-operatório: chegar aos 73 parecendo ter 65.

Não, eu não estava lá, mas me contaram a história desse jeitinho. O detalhe final foi que, para reafirmar o case de sucesso que haviam acabado de encontrar, alguém lembrou da atriz Beth Farias, que estaria com 66 anos e, pasmem, parecia ter 66 anos.

Fiquei pensando quando isso termina. Já me vi pensando na hipótese de fazer uma plastiquinha bem básica, lá pelos 50, para continuar me sentindo atraente até uns 60. Depois disso, eu relaxaria. Sessenta anos parece uma boa idade para virar uma coroa respeitável – por outros atributos, que não os físicos.

Mas será que, aos 59 anos, ainda pensarei assim? Ou estarei adiando o plano de ser uma senhorinha para os 70?

A verdade é que o mulherio vai envelhecendo e não quer largar o osso. Sentir-se bonita e jovem é tão tentador que se perde a noção do tempo, da natureza, das outras possibilidades da vida. Foi nessa hora que percebi o quanto é importante estar produzindo, trabalhando, até ficar bem velhinha. É a certeza de estar conectada na vida real, de jamais virar uma “sem noção”.

***

Huummm. Agora que caiu a ficha. Acho que a pensata tem a ver com o fato de eu estar completando 43 amanhã…

2 de Outubro de 2008

Montanhas demais, salsichas de menos

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 10:41

Tente explicar a crise no mercado financeiro para uma criança de 9 anos e você verá o absurdo que é essa história toda. Eu comecei bem, falando dos bancos dos Estados Unidos que emprestaram dinheiro para quem não podia pagar, mas não consegui chegar no ponto em que o papai fica nervoso com as “montanhas” na tela do computador.

A propósito desse abismo entre o mundo real e o das estratégias financeiras, é imperdível (e polêmica, para quem é do mercado) a coluna do Elio Gaspari de ontem, “Nosso negócio é salsicha“, disponível para assinantes do UOL ou da Folha.

O artigo usa como gancho o rombo que apareceu na Sadia, pega no contrapé em uma operação com dólares, para falar da velha conhecida “ciranda financeira”, que não produz riqueza e tem perna curta. Com todo o risco que implica a simplificação de algo tão complexo e sofisticado como é hoje o mercado de capitais, tendo a concordar com ele.

Quando li, pensei: puxa vida, é mais fácil explicar para uma criança como se faz salsicha (argh) do que que diabos está acontece com o dinheiro das pessoas numa crise financeira.

Espuminha de leite | Dicas, atualidades e assuntos para o café