39 graus
Fim do livro, fim da energia. O som do carro entrou em pane, o celular entrou em pane. É estranho quando começam a acontecer esses curtos-circuitos. Ainda não é hora de levar para consertar nem comprar outro. Porque às vezes funciona, e você passa por maluca se chamar o técnico. Pode até consertar sozinho, você já teve experiências assim. Então o negócio é usar o pensamento positivo, encontrar o jeitinho, ou acreditar que a pane vai simplesmente desaparecer, de repente.
O problema é quando a gente mesma entra em pane. A febre vai passar, sumir, logo que o dia raiar, eu pensei. Mas não. Então é hora de raspar o tacho, encontrar aquele restinho de entusiasmo grudado no fundo, uma energiazinha que estava escondida em um canto da alma.
Como no caso do celular, não há possibilidade de eu ir para o conserto agora. Uma vez me peguei dizendo: nem pensar em morrer antes de a minha filha estar criada; essa alternativa não existe. Que lembrança estranha, típica de quem está deprimido e doente. Mas quem falou em doença, cara pálida? Nada disso. Tem que durar mais alguns dias – a saúde, a bateria, o humor, o cd player. Quem sabe só mais um comprimido, com coca light, resolva o problema.
Pior que li sobre o surto psicótico da Adriana Calcanhoto. Parece que ela estava gripadíssima também, e com uma agenda de shows a cumprir em Portugal. Tomou uns remédios fortes, que fizeram uma combinação explosiva com outra medicação. Não, não posso me arriscar. Logo eu, que nem sou de tomar remédio.
Pelo menos consegui atualizar o blog.


