Li que a peça em cartaz é sobre o absurdo da condição humana. Eu, que nem sou muito de teatro (pelo menos não tanto quanto de cinema), fiquei morrendo de vontade de assistir. Depois me vi pensando que qualquer história, no fundo, pode ser sobre o absurdo da condição humana. Especialmente quando uma trajetória pessoal é observada em retrospecto.

Pela segunda vez tenho me dedicado a entrevistas com pessoas de idade, estimuladas a falar sobre suas vidas. No livro anterior, algumas tinham um passado bastante brilhante, e suas atuais limitações físicas e intelectuais me deixavam deprimida. Depois de esbanjar tanta capacidade de realização, tanto pioneirismo nas idéias, aquelas pessoas pareciam se resumir a dois tipos de velhinho.

Havia os ranzinzas, reclamões que não aceitavam sua condição e davam trabalho para quem estivesse em volta; e os bonzinhos, que despertavam piedade nos outros e tratamentos quase infantis. Ou seja, uma humilhação só. Lá estava a tal condição humana, para lá de absurda, esfregada na minha cara.

Agora, em contato com gente mais simples, voltei a ficar deprimida por perceber como as pessoas podem ser reféns de suas vidas. Gente que se meteu no meio do mato, e nem sabe por que, que não gostava do lugar onde estava, ou do que fazia, mas foi se acostumando. De repente, vupt, a vida havia passado, como se tudo fosse um grande acaso.

Tudo indica que a velhice nos obriga a ser humildes, para aceitar o absurdo da condição humana…

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A propósito da tal peça, encenada por Sérgio Brito (85 anos) no teatro Oi Futuro, fui tentar comprar ingresso e… surpresa! O teatro, que tem “futuro” no nome, não vende entradas pela internet. A piada estava tão pronta que não me contive ao falar com a bilheteria, pelo telefone: Isso não é “Oi, Passado”?