Ele era peão da obra, quando a balsa que atravessava o rio virou com uma carreta. Pergunta dali, pergunta daqui, e alguém lembrou que Benedito havia sido da Marinha, e mergulhava. Arrumaram um escafandro e durante 40 dias ele mergulhou, tateou na água barrenta e içou os equipamentos puxados à superfície por um trator.

Os anos eram os 60, e a profundidade, 45 metros. Encerrado o trabalho, parabenizaram-no e informaram que seria contratado como “encarregado da balsa”.

- Eu não sabia o que era “encarregado”. Achei que fosse carregar alguma coisa. Depois, descobri que ia ser chefe. Pensei: “Ah, bão. Aí a coisa muda de figura.”

A historinha aí de cima, narrada com o delicioso sotaque mineiro, faz parte do novo livro que estou escrevendo, para uma empresa. Quando puder, dou mais detalhes. Por enquanto, quem está imersa sou eu, nas gravações das entrevistas.