De volta à sala de aula
Descobri recentemente um universo que cismava em ignorar: o das oficinas e grupos de estudos formados por gente madura com novos interesses, vontade de aprender e de compartilhar essa aventura. Confesso que, no auge da minha vida-profissional-sem-tempo-para-nada, tinha um certo preconceito com o que, imaginava, seria algo como pintura em porcelana para senhoras abonadas passarem o tempo livre.
Não é bem assim. Muita gente economiza o dinheirinho curto para aprender ou finalmente se dedicar a alguma paixão, bem longe das instituições acadêmicas, mais voltadas para a garotada. Trata-se, aliás, de um mercado interessante para investir, que o diga a Casa do Saber e os muitos similares pipocando por aí.
Foi pela Casa do Saber que entrei no circuito. Depois de uma rápida oficina com o jovem escritor João Paulo Cuenca, soube de um workshop com o veterano Moacir Scliar na Estação das Letras, onde também conheci um maestro, Ricardo Prado, que dá aulas sobre música clássica. Convidada pelo maestro, assisti a uma de suas palestras. Contabilizando todo o percurso, em poucos dias havia travado contato com um heterogêneo grupo de pessoas encantadas por literatura e música clássica.
Muito bacana. Tem de tudo, claro. Alunos com diferentes tipos de formação e níveis de interesse. Mas o que mais me chamou a atenção foram duas senhorinhas, que anotavam tudo em um caderninho, na primeira fila da sala onde o maestro contava, empolgado, como Brahms compôs sua primeira sinfonia com a ajuda de Clara, esposa do mestre Schumann e sua paixão platônica. Será que as duas estudam em casa? Uma sabatina a outra? Eu, pela primeira vez, entendi uma sinfonia, apesar da minha dificuldade com artes que não contam uma história.
Estou entrando em uma fase mais pesada de trabalho, mas fiquei com gostinho de quero mais. Quem sabe até pintura em porcelana pode ser divertido no futuro. Se você está com um tempinho (ou dinheirinho) livre, aventure-se também. Melhor do que ver novela (tema que vem rendendo, depois que expliquei aqui Por que você deve parar de ver novela). Bem melhor, garanto.
Estudar é sempre bom. Mas depende muito do professor, fiz um curso no POP, que ganhei respondendo a uma pergunta no site do GNT, mas me decepcionei. Não consegui fazer todo, o professor era experiente, tinha um super-curriculo, mas, tadinho, era muito chatinho. A turma foi reduzindo em apenas um mês de aula. Acho que, principalmente nestes locais, off-academia, o professor tem que ter algo especial, não é como numa faculdade.
Comentário de monica — 29 de Junho de 2008 @ 13:47
Isto mesmo, Marta, as pessoas precisam aventurar-se fazer atividades prazerosas.
É uma maneira de enriquecer a “cuca” e minimizar, por vezes, a dureza do cotidiano do noticiário.
Haja vista, por exemplo, o que aconteceu com a indiazinha Xavante vítima de empalação (Ontem apontaram a tia como autora, mas isto não minimiza a barbárie).
Comentário de V. Consuelo — 30 de Junho de 2008 @ 10:40