Na contramão
Imaginem que finalmente, nós, do planeta Terra, descobrimos uma civilização mais avançada, em outro planeta. Acreditamos que estes seres terão as respostas para nossos dilemas e nos mostrarão o caminho da evolução da humanidade. Mas eis que, quando aprofundamos o contato, descobrimos que o sonho deles é ser como nós, terráqueos! Que decepção, não?
Pois foi assim que me senti quando soube da secreta aspiração dos blogueiros – pelo menos de um punhado organizado em torno da tal blogosfera – de transformar seus posts em reportagens e editá-los … numa revista! De papel! Para isso, eles estão tentando aprender as mais elementares regras do jornalismo: o que é uma matéria, como apurá-la, como editar uma revista, como tentar ganhar dinheiro com ela…
Depois de ver o primeiro resultado, a revista Feed-se, e a orientação para quem quer participar da segunda revista, que se chamará Vox Blog, não posso evitar um conselho aos novos coleguinhas: estudem jornalismo. Juro que não se trata de corporativismo. Não acho necessário um diploma (de papel), mas se a idéia é fazer jornalismo tradicional (em papel), responsável, com um mínimo de qualidade, vamos reconhecer que há muito o que estudar, aprender, praticar.
Afinal, estamos falando agora de uma tecnologia do passado, e já existe todo um conhecimento em torno dela. Os blogueiros, acostumados com os experimentalismos e a agilidade da internet, não percebem o risco do vexame. Pessoal, depois que vai para o papel, não tem como deletar, interagir, consertar! Os erros de português ficam lá, para sempre! Se ninguém entende de pauta ou edição, pelo menos arrumem um bom revisor…
Bem, vou parar por aqui, antes que alguém se sinta ofendido. Espero me recuperar do baque e voltar a achar que tenho muito a aprender com os blogueiros – e não eles comigo.
8 de Maio de 2008 @ 11:47
realmente, essa história é mais que complexa. há técnicas de jornalismo que não são aprendidas no instinto - como ocorre hoje nos textos dos blogs -, e, mais ainda, ao contrário da característica principal dos blogs, o texto que se pretende jornalístico não deve (ou pelo menos não deveria) ser opinativo.
por outro lado, isso me lmebra que os coleguinhas que se aventuram no mundo da internet também poderiam aprender como se faz um blog. a maioria dos sítios tem texto chato e quadrado, onde as reportagens são apenas transpotas. definitivamente, como conversamos outro dia, esta não é a receita da internet. aliás, me lembra seu outro post sobre os links.
bjs
8 de Maio de 2008 @ 15:24
É, Cláudia, você tem razão, também tem jornalista dando vexame em blogs, sem entender a que eles se prestam. Talvez todos tenhamos que ratear por aí, para descobrir os tais novos caminhos…
9 de Maio de 2008 @ 18:44
Marta,
Esse seu post me fez lembrar duas coisas:
1. Dar boa opinião é uma arte e pode custar caro. Jornalismo exige técnica, mas pode render dinheiro.
2. Essa tal internet comercial já tem mais de 10 anos, mas o conteúdo que a gente busca nela é quase 90% texto e nós, blogueiros e jornalistas, ainda sonhamos com um jeito de aproveitar a liberdade e ganhar dinheiro com isso.
Sem opinião formada, aproveitei o link que você colocou na nota e resolvi apurar. Desconfio que o cara que está organizando isso quer mesmo é recrutar “fazedores de notas” (me perdôem os amigos dos onlines), como alguns sites de jornais já estão fazendo. Precisa mesmo estudar jornalismo. Com sorte, desiste da tal revista e aposta na própria internet. Pode acabar ganhando algum dinheiro.
beijos