26 de Maio de 2008

Melhores do Espuminha

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 14:25

Em comemoração ao primeiro aniversário do Espuminha, que providencialmente coincidiu com uma fase de muito trabalho e pouco tempo para postar, aí vão os melhores momentos do blog, para leituras e releituras.

A escolha dos “top ten” (que acabou abarcando apenas as categorias comportamento e cotidiano) fez-me lembrar como é difícil editar sozinha o próprio trabalho. Confesso: às vezes sinto falta de um editor, daqueles bem pentelhos. Pelo visto, na experiência de ter um blog repete-se a velha máxima de a liberdade caminhar junto com a solidão…

Então vamos às dez mais, por ordem de postagem. Boa (re)leitura!

Estudando para concurso

Na fila do passaporte

A espera em tempos de cólera

Perto da tragédia

O nome da ruga

Sutilezas à mesa

Miúdos trocados

De marré, marré, marré

Fazendo drama

Unidos pelo (fim do) acento

22 de Maio de 2008

Fora Daslu

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 11:30

A coluna Gente Boa, do Globo de hoje, diz que a Daslu procura um imóvel no Leblon para instalar sua filial carioca.

Não consigo entender o sucesso da Daslu, mas tento me conformar pensando se tratar de um fenômeno paulista. Há muito, a marca tornou-se um símbolo da ostentação, do esnobismo, do novo-riquismo e até da sonegação! Como alguém pode entrar lá e comprar?

Tomara que a Daslu carioca seja um fiasco. Acho que o Rio está mais para Daspu do que para Daslu…

20 de Maio de 2008

Momento “Boa Forma”

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 15:52

Meninas, não me odeiem. Mas sabem aqueles três quilos a mais, relatados alguns posts abaixo (O que os homens acham das batinhas)? Livrei-me deles. Nâo, não é fácil emagrecer. Na verdade, fica cada vez mais difícil. Porém, não desistam! Não precisamos parecer matronas com o tempo. É ótimo se sentir mais magra e ágil, e isso não tem nada a ver com a ditadura do culto ao corpo.

Como tenho aqui a pretensão - expressa na linha fina deste blog - de dar dicas, aí vão elas, para ajudar na sua dieta:

- Não fique morrendo de fome, nunca. É o primeiro passo para chutar o balde, pôr a perder uma semana de sacrifícios. Faça lanchinhos pequenos, comece a refeição com uma sopa ou salada, mas não encare comida calórica, farta e deliciosa morrendo de fome.

- Procure algum tipo de ajuda para começar. Vale nutricionista, médico que não apela para remédio, vigilantes do peso, spa (adoro spas). É cruel cobrar-se “força de vontade” sem algum tipo de apoio, ainda mais com uma rotina de trabalho, estresse e comilança por todo lado.

- Entrar para a academia, sem fazer dieta, não emagrece. Fazer atividades aeróbicas (caminhada, bicicleta) ajuda, mas junto com mudanças na alimentação.

- Escolha e valorize seus momentos de prazer durante a dieta. Porções pequenas (previamente separadas) são o segredo para não extrapolar. É um bom treino para manter a forma depois que você chegar lá (no peso razoável para comprar uma calça jeans).

19 de Maio de 2008

Amor X Paixão

Arquivado sob: Diversão e arte — Marta @ 15:34

Eles viveram uma ardente paixão na juventude. Eram lindos, como no cinema. Ela parecia a Brigitte Bardot. Tiveram problemas - ele foi infiel, ela se magoou profundamente. Na maturidade, se acertaram e resolveram envelhecer juntos. Tornaram-se velhinhos e companheiros, quase reclusos em meio a livros, num chalé no meio da neve. Passavam dos 70, mas continuavam lindos e com vida sexual.

Reconheço que tenho dificuldades com romances na terceira idade no cinema. Na literatura, o amor na maturidade é sempre tão maravilhoso, os sentimentos dos personagens são tão maiores do que rugas e expressões flácidas. Mas, na telona, algo parece forçado. Talvez seja meu senso estético, deformado por tantas campanhas publicitárias com fotoshop e peles de bebê…

Mas nada disso aconteceu em “Longe dela”, que entrou em cartaz semana passada. O casal formado por Gordon Pinsent e Julie Christie me convenceu totalmente. Os dois estão lindos no filme. Quando começa a perdê-la, ele recorda-se da intensa paixão dos tempos da juventude e diz: “Hoje aquilo parece tão superficial, perto do que tivemos nos últimos anos.”

***

Não deixe de ver o filme por conta do que já contei aqui. Esta não é a história, é apenas o pano de fundo. Se o fundo é assim, imagine o primeiro plano…

16 de Maio de 2008

Sobre coca e guaraná

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 14:09

Depois de muita pesquisa, motivada pelo espanto da minha amiga paulista-santista no último finde, eis algumas hipóteses para o fenômeno carioca dos copos invariavelmente entupidos de gelo, quando um refrigerante é pedido na cidade maravilhosa.

1 – Com gelo, o refrigerante rende mais, dura a refeição inteira

2 – A bebida fica mais aguadinha, com sabor menos forte

3 – Disfarça o gosto, no caso de o refri ser de máquina

4 – Copiamos das lanchonetes americanas, e ponto final

5 – O inverno chegou, mas o carioca ainda não reparou (estava distraído, porque a paisagem continua linda)

***

Ainda sofre refris, comentário da minha filha a respeito de uma casa de festas infantis:

- Os recreadores são legais, mas lá só tem guaraná peidão.

- Guaraná o quê????

- Aquele guaraná com cheiro e gosto ruim.

Era o Kuat… Pano rápido, antes que a Coca-Cola desista de vez de patrocinar o Espuminha…

14 de Maio de 2008

Rifa em família

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 15:42

O primeiro talão de rifas a gente nunca esquece. Nas mãos de uma criança, o talão torna-se um misto de diversão e desafio. (Pena que, com o tempo, a gente acabe dissociando as duas coisas: para os pequenos, desde os primeiros passinhos titubeantes, desafios são a maior diversão. E nada se compara à felicidade de uma conquista, obtida por mérito e esforço próprios.)

Lembrei disso quando minha filha, depois de um dia inteiro dando duro para repassar as rifas da escola, de R$ 1 (com direito a sonhar com TV de LCD, notebook, videogame, IPod e – o melhor de todos – vale-brinquedos no valor de R$ 1 mil), contou que a amiguinha já vendera todo o talão. O pai comprara tudo, numa só carteirada.

Ela me contou com um jeito que já conheço. Adota esse estilo de narrativa, direto e sem emoção, sempre que quer testar a reação de um adulto. Estava na dúvida se a amiga era uma sortuda, ou se o seu pai tinha feito alguma coisa errada. Percebi e caprichei no comentário: “Coitada da sua amiga. Querendo ajudar, o pai acabou cortando o barato dela…” . Era a senha que precisava para pegar o elevador e tentar vender uma rifa para o porteiro do prédio.

Voltou triunfante. O porteiro havia comprado.

12 de Maio de 2008

Problemas com a mãe

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 19:18

Algumas pessoas, ontem, fizeram um esforço. Percebi que tentavam agradar, não se irritar, seguir o script do dia das mães: presente, almoço, confraternização familiar. Mas o fato é que nem todo mundo se dá bem com a mãe.

Veja, não falo aqui de “filhos desnaturados”. Eles amam suas mães, se preocupam, são gratos por tudo (?). Mas gostam da idéia de mantê-las a uma distância segura. Longe o suficiente para não ouvir suas críticas, chantagens, palpites sobre como deveriam viver suas vidas.

É bonitinho ver as senhorinhas orgulhosas em mesas compridas do dia das mães. Esse encontro de gerações pode ser bastante rico, um momento de compartilhar lembranças e afetos. Mas é tudo muito simbólico. O fato é que mães só são mães pra valer enquanto seus filhos são pequenos.

Depois que o filho se torna um adulto, independente e com dinheiro para pagar o próprio analista, a mãe perde o seu papel – pode no máximo desempenhar um novo, o de avó. É nesse ponto que a mãe deveria se tornar “apenas” uma amiga de seu filho, uma cúmplice querida, por conta da forte ligação do passado. E não um peso, uma chantagista, que se vale desse mesmo passado em comum para exercer algum poder.

Nem todas as mães conseguem alcançar esse novo equilíbrio na relação com seus fihos crescidos. Muitas vezes, por não terem conseguido recompor suas identidades, depois de tanta dedicação. Não deve ser fácil mesmo. Filho é um amor sem tamanho. Tudo deve parecer menor, depois dessa experiência tão intensa.

Mas não se sinta culpado, se você não tem paciência com a sua mãe. Faça o suficiente para não ser “o filho desnaturado” - porque isso é mesmo pesado demais, na nossa cultura. Mas siga o curso de sua vida normalmente. E aprenda a lição, para não repetir a ladainha quando seus filhos estiverem grandes…

10 de Maio de 2008

Motorista de táxi

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 19:44

“Vinte e cinco anos sem férias. Ninguém agüenta. Pelo visto, não vai dar para esperar ganhar na Mega-Sena. Qualquer dia desses o estresse desse táxi me mata. Ou então, mato alguém. Agora há pouco me deu vontade de virar para trás e dar uns sopapos na madame. Ela disse “Rainha Elizabeth, na esquina da praia.” Eu toquei para Copacabana. Trânsito de merda, quase meu retrovisor vai embora de novo. Quando cheguei lá, a madame diz que falou Ipanema, “esquina da Vieira Souto”. Disse nada. Pior é que argumentei que a Rainha Elizabeth mudava de nome naquele pedaço, e acabei ficando com cara de tacho. Depois ficou esperando troco para R$ 10, a vagabunda, como se eu tivesse que descontar uma voltinha à toa.

As mulheres adoram fazer essa cara de “não disse?”. Que nem a outra, quando teve a pachorra de aparecer na minha casa com o namorado suíço. O sujeito não entendia nada de português, então ela apontou para mim e falou “mai dédi”. Disse que eu era o pai dela, tentando me humilhar. Mas estou me lixando. Já estava de saco cheio mesmo, não via a hora de ela chispar da minha casa. Não aturava aquela implicância com a minha cerveja, a minha barriga, as minhas cuecas.

Sempre choveu na minha horta, escolho a mulher que quiser. Fui deixando ela ficar, nem sei porquê. Era jeitosinha, chamava a atenção quando ria alto, jogava o cabelo pra trás. Os meus amigos me davam tapinha nas costas, quando viam a menina novinha que eu tinha arrumado. Sem pai nem mãe, ela percebia que tinha tirado a sorte grande, de estar com um sujeito assim, boa pinta, com casa própria e tudo. Era carinhosa, fazia o jantar, eu até ajudei a pagar o curso de esteticista.

Nem acreditei quando bateu na porta, tanto tempo depois, para exibir o gringo. Só porque na última briga eu disse que ela devia casar com um suíço e morar no estrangeiro. Mostrou o passaporte, a passagem, disse que veio se despedir. O branquelo sorria, com aquela cara de quem vai ser depenado na primeira esquina de Copacabana.

Nem liguei. Consigo meia dúzia de meninas bem feitinhas como ela, na hora que quiser. Só que não tenho mais paciência. Aliás, não tenho mais paciência com nada: com as lesmas do trânsito, com o português muquirana que parou de vender fiado, com os políticos de merda do nosso país, com a burrice dos passageiros que não sabem onde querem ir.

Tô é muito estressado. Quando formar meu filho, juro que tiro férias. O garoto já está na faculdade. Diz que quer ser artista, então não sei por que estou virando a noite na praça para pagar faculdade. Mas o garoto é inteligente, então vai acabar encontrando o seu caminho, e pelo menos vai ter diploma na mão. Aí vou tirar férias, mesmo se não ganhar na Mega-Sena.”

9 de Maio de 2008

Momento Caras: Giannechini e Rita Lee, juntos … no mesmo post

Arquivado sob: Diversão e arte — Marta @ 16:26

O que Gianecchini queria dizer hoje com a expressão “Models Wanted”, estampada em letras garrafais na sua camiseta rosa choque? Essa vida de suar ao lado de Giane, na academia, me traz à mente questões assim, bem tolinhas…

Depois do furo sobre a separação de Bernardinho e Fernanda Venturini, ninguém segura a nova editoria do Espuminha, de fofocas de celebridades!

****

Por falar em cor de rosa choque e celebridade, neste fim de semana Rita Lee volta ao Canecão, com seu show Picnic. Quem puder, vá. O espetáculo é ótimo, delicioso, cheio de tiradas geniais e músicas dos bons tempos.

Aos 60 anos, para lá de bem vividos, Rita chegou naquela fase em que alguns artistas parecem ser geniais sem qualquer esforço, desfrutando da maior liberdade, e ainda por cima com aquele imprescindível talento para fazer piada sobre si próprio. Se isso é a maturidade, viva as rugas!

7 de Maio de 2008

Na contramão

Arquivado sob: Jornalismo — Marta @ 19:34

Imaginem que finalmente, nós, do planeta Terra, descobrimos uma civilização mais avançada, em outro planeta. Acreditamos que estes seres terão as respostas para nossos dilemas e nos mostrarão o caminho da evolução da humanidade. Mas eis que, quando aprofundamos o contato, descobrimos que o sonho deles é ser como nós, terráqueos! Que decepção, não?

Pois foi assim que me senti quando soube da secreta aspiração dos blogueiros – pelo menos de um punhado organizado em torno da tal blogosfera – de transformar seus posts em reportagens e editá-los … numa revista! De papel! Para isso, eles estão tentando aprender as mais elementares regras do jornalismo: o que é uma matéria, como apurá-la, como editar uma revista, como tentar ganhar dinheiro com ela…

Depois de ver o primeiro resultado, a revista Feed-se, e a orientação para quem quer participar da segunda revista, que se chamará Vox Blog, não posso evitar um conselho aos novos coleguinhas: estudem jornalismo. Juro que não se trata de corporativismo. Não acho necessário um diploma (de papel), mas se a idéia é fazer jornalismo tradicional (em papel), responsável, com um mínimo de qualidade, vamos reconhecer que há muito o que estudar, aprender, praticar.

Afinal, estamos falando agora de uma tecnologia do passado, e já existe todo um conhecimento em torno dela. Os blogueiros, acostumados com os experimentalismos e a agilidade da internet, não percebem o risco do vexame. Pessoal, depois que vai para o papel, não tem como deletar, interagir, consertar! Os erros de português ficam lá, para sempre! Se ninguém entende de pauta ou edição, pelo menos arrumem um bom revisor…

Bem, vou parar por aqui, antes que alguém se sinta ofendido. Espero me recuperar do baque e voltar a achar que tenho muito a aprender com os blogueiros – e não eles comigo.

6 de Maio de 2008

Para Chico, passou e valeu

Arquivado sob: Opinião — Marta @ 10:00

vaipassar 2  1 2 3 - vaipassar 2  1 2 3

“Eu não me posiciono como vítima. A ditadura encheu bastante o meu saco, mas também enchi o saco deles. Nada foi de graça. É claro que pensando hoje eu posso considerar uma injustiça. Porque era uma situação injusta para todos nós, para os artistas, para o Brasil.”

A declaração é de Chico Buarque. Gravada em 2003, está na série de DVDs lançados pelo compositor, e clareou minhas idéias sobre a polêmica em torno das indenizações auferidas pela Justiça a jornalistas que se consideraram prejudicados pela ditadura militar.

Eles foram prejudicados? Certamente. Muitos foram, o Brasil foi. Usar de esperteza e de recursos para obter uma indenização individual dos cofres públicos não parece condizente com o movimento de luta contra a ditadura, que uniu essas pessoas no passado em favor de um ideal coletivo.

Especialmente no caso de pessoas bem sucedidas - como Ziraldo, Jaguar e Cony -, a reparação parecia ter vindo naturalmente, na forma de reconhecimento público às suas ações e seus talentos. Agora fica a dúvida: essas pessoas acharam que não valeu a pena?

Chico, pelo visto, acha que valeu. Quem quiser conferir (ótima desculpa para revê-lo), o depoimento está no início do DVD “Vai Passar”. Entre outras coisas, ele conta que foi preso, precisou se exilar na Itália, mas se arriscou a voltar porque não conseguia sustentar mulher e filha cantando “Mamãe eu quero” nas boates de Roma.

2 de Maio de 2008

O que os homens acham das batinhas

Arquivado sob: Femininas, Cotidiano — Marta @ 14:00

Nós duas concordávamos sobre jamais, em tempo algum, comprar uma calça jeans um número maior. Seria como jogar a toalha, reconhecer os quilinhos a mais como definitivos. Se a vontade de comprar fosse muito grande, que entrássemos na primeira loja de sapatos, ou bijuterias, e resolvêssemos o problema sem colocar em risco o plano de emagrecer.

Mas aí ela resolveu ampliar o leque de compras permitidas a mulheres com três quilos a mais.

- Também dá para comprar umas blusinhas, agora que essas batas estão na moda.

- Aí já acho perigoso - discordei. Essas blusas soltinhas são a maior ilusão. As mulheres acreditam que estão disfarçando a barriga e acabam parecendo um bujãozinho.

Para a minha surpresa, o seu marido, até então completamente alheio, soltou uma sonora gargalhada. Chegou a dar pancadinhas na mesa do restaurante. E parou por ali. Não entrou na conversa nem teceu nenhum (outro) comentário.

Nem precisava. É claro que concordava. Observava as mulheres - incluindo a sua - aderindo sem critério ao “modelito bujão”, mas aprendeu que não há forma sutil de um homem abordar assunto desses. Na última vez em que sugeriu que ela não comesse sobremesa, já que estava de dieta, deve ter levado a maior bronca do mundo.

Por via das dúvidas, dessa vez permitiu-se apenas uma gargalhada. Daquelas, que valem por mil palavras…

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