Perfume é como música
Os cheiros nos transportam, nos trazem emoção em estado bruto, são poderosíssimos. Podem ter o efeito de uma droga. Aprendi agora que não precisamos esperar um acontecimento fortuito - um canteiro de jasmim pelo caminho, um tempero no ar, um perfume antigo no pescoço de um desconhecido – para nos enebriar com uma sensação captada do passado.
O truque é o seguinte: eleja uma fragrância para uma ocasião que certamente será especial. Só repita em situações semelhantes, que lhe tragam o mesmo tipo de emoção. Você pode ter o “seu cheiro” de quando viaja para as montanhas, por exemplo, ou um perfume para sentir especial quando vai dançar.
Descobri isso por acaso, quando fiz uma viagem de navio. Tinha me esquecido de levar hidratante e comprei um, de grife, a bordo. Foram sete dias me lambuzando de um creme hidratante maravilhoso, que ficou esquecido depois da viagem. Outro dia, reencontrei o creme e … adivinhem? Passei o dia sentindo o balancinho do mar. Mas resolvi guardá-lo, para usar apenas quando quiser me sentir como naquela viagem. Perfumes especiais não podem ser banalizados.
Maria Bethânia disse que música é como perfume. Sem dúvida. Uma música do passado pode nos deixar com as pernas bambas, não é mesmo? Mas acho que o perfume é mais particular, mais íntimo. Sempre se corre o risco de descobrir tardiamente que aquela canção, tão especial, na verdade foi um baladão que marcou toda uma geração…