Torcida contra
Existem dois tipos de pessoas: aquelas que dividem as pessoas em dois tipos e as outras. A tirada, se não me engano, é do Luiz Fernando Veríssimo, e me ocorreu hoje quando li uma defesa do Brasil feita por Caetano Veloso (por sinal, outro ótimo em tiradas).
Caetano está no time dos que defendem o Brasil. Sempre. Do outro lado estão aquelas pessoas ressentidas da chamada classe média, que adoram falar mal do país. Nos últimos tempos, isso fica até esquisito, já que o povão está feliz da vida com sua ascensão econômica. Parece dor de cotovelo.
Veja bem que não estou falando aqui de patriotismo ou política, mas de (re) sentimentos. É possível, por exemplo, ser crítico em relação ao governo, estar reticente em relação a suas políticas assistencialistas, mas não dá para ficar contra o fato de pobres estarem comendo mais e melhor.
Para Caetano, ser do contra é típico de quem não quer se sentir responsável: “Gostaria que, em vez de desvalorizar para se eximir, que é o que a maioria se acostumou a fazer, as pessoas se habituassem a valorizar o Brasil, porque isso dá mais responsabilidade.” (O Globo de hoje)