Entre o luto e a fama
O fato é que crianças pequenas são espancadas por mães, pais, padastros, madrastas. Acontece com mais freqüência do que imaginamos. Eventualmente, algumas morrem. A natureza, infelizmente, não criou um mecanismo para impedir que crianças fossem geradas por pessoas incapazes de exercer a maternidade ou a paternidade.
Quando uma dessas crianças é jogada do sexto andar de um prédio de classe média, o assunto nos comove profundamente. De repente, o espetáculo substitui o luto. Quando as entrevistas cessarem, o livro (haverá um) sair da lista dos mais vendidos e o julgamento tiver se tornado documentário, quem sentirá falta de Isabella? A mãe afinal poderá vivenciar seu luto ou se ressentirá de não ser mais reconhecida nas ruas?
(Parênteses: não, a culpa não é da “mídia”. Existem programas sensacionalistas assim como há telespectadores sensacionalistas, e as pessoas reduzem a velocidade para ver o cadáver dentro do carro estraçalhado.)
Para mim, fica a certeza de que a doce Isabella simplesmente não deveria ter sido gerada. É verdade que, com sorte, ela poderia ter sobrevivido à imbecilidade do pai e à inexperiência da mãe, ter superado seus traumas e se tornado uma adulta feliz. Mas a tarefa não é fácil para uma menininha, não é mesmo?