Qual crise?
Era um bate-papo com uma amiga de colégio, que eu não via há tempos. Põe tempos nisso. Marcado e remarcado, nosso chopinho finalmente acontecia.
Mil assuntos em comum, lembranças da adolescência, uma delícia perceber que a intimidade não se perdera. Quando a conversa começou a se alargar, e o contexto já era a atualidade, ela soltou algo como “…porque essa crise de agora…” e continuou com uma frase que não fazia sentido.
- Peraí - interrompi - Qual crise?
Ela me olhou com espanto.
- A crise ambiental!
Eu raciocinava como se fosse a crise financeira dos Estados Unidos. Ou seja, apesar de termos tanto em comum, nossa vida cotidiana é pautada por uma crise - “a crise” - completamente diferente.
Minha amiga é bióloga. Seu marido também. Eu, por mais que tanta coisa me interesse (mas nada tanto assim, como diria Paula Toller), acabo imersa em assuntos econômicos, no trabalho e em casa. Resultado: ambas passamos o dia (pre) ocupadas com crises distintas.
Quem estará perdendo tempo, e ganhando rugas desnecessárias na testa? Provavelmente, as duas…