Cérebros distintos
Sempre imaginei que a discussão sobre homens e mulheres serem diferentes estivesse totalmente ultrapassada. Não estou falando de discriminação e desigualdade de direitos, assuntos infelizmente ainda atuais, mas da constatação de que a natureza nos fez distintos - nem melhores, nem piores.
Por isso o meu espanto quando ontem, em uma roda de nove pessoas inteligentes e articuladas, ninguém tinha opinião formada sobre o tema. O encontro parecia perfeito para o debate: de um lado, as quatro debatedoras do programa Saia Justa, de outro, os cinco participantes do Manhattan Conection, ambos do canal GNT.
Esquecidos de suas experiências pessoais, todos ficaram ali, com “cara de conteúdo”, raciocínio igual e embotado, apegados a estudos existentes e teoricamente inconclusivos. Ninguém parecia lembrar, por exemplo, dos tempos em que observavam o comportamento das crianças, quando seus filhos eram pequenos demais para se influenciar por imposições culturais.
Meninos e meninas têm comportamentos e raciocínios diferentes desde bebês. Vá na creche da esquina, converse com recreadores ou babás e descubra no máximo que há exceções. Meninos querem desmontar brinquedos, meninas gostam de criar histórias com eles. Não sei se isso, mais tarde, vai se traduzir em um raciocínio espacial mais apurado ou uma habilidade para lidar com a linguagem, mas certamente as diferenças já estavam lá, em seus cérebros, desde sempre.
Será inevitável que a sabedoria adquirida na época dos filhos pequenos se perca mais tarde, na arrogância da maturidade? Tenho observado mães que se distanciaram tanto da infância de seus filhos, agora grandes, que parecem ter esquecido toda a riqueza dessa experiência. Juro que vou tentar fazer diferente…
A propósito, o programa será reprisado neste sábado, às 23h.