31 de Março de 2008

Em algum lugar do passado

Arquivado sob: Diversão e arte, Comportamento — Marta @ 17:47

Crises na maturidade costumam ser relacionadas a dificuldades pessoais ou sociais, mas raramente aos problemas que tivemos quando crianças. Atribuímos uma adolescência tumultuada a pais descuidados, por exemplo, mas esquecemos que todo marmanjo já foi uma criança frágil e desprotegida.

Ok, você não acredita em psicanálise, muito menos em crise da meia idade. Então assista a dois ótimos filmes em cartaz (um nos cinemas, outro nas locadoras), antes de achar tudo bobagem.

Em “A família Savage”, irmã e irmão quarentões, inteligentes e batalhadores, são obrigados a revisitar sua infância dolorosa quando o pai reaparece doente, depois de 20 anos. Já em “Inferno”, o passado soturno é representado por um trauma que marcou a infância de três irmãs.

Nos dois casos, o expectador é apresentado a personagens maduros mas incapazes de buscar sua felicidade ou assumir relacionamentos saudáveis. Pior, parecem atraídos pelo sofrimento, de tanto que boicotam suas possibilidades de realização amorosa.

A explicação está no passado. Quase sempre está.

Para início de conversa, toda criança é frágil e desprotegida – pelo menos em relação ao poder absoluto de seus pais. “A infância é uma época de terror”, constatou outro dia a filósofa Márcia Tiburi, no programa “Saia justa”. Minha xará Martha Medeiros lembrou, numa coluna recente, que “só o fato de termos sido criados em cativeiro numa família com suas próprias regras, valores e manias já faz de cada um de nós uma aposta arriscada na hora de ter que negociar com uma espécie nascida em um cativeiro diferente.”

Achei perfeita a imagem da criança como um ser criado em cativeiro. Muitas vezes, por trás de um quarentão complicado, pode estar apenas um “animalzinho” que aprendeu a sobreviver sem afeto, condicionado por regras cruéis que pareciam ser as únicas existentes.

Na agitação do mundo adulto, tudo parece ter ficado para trás. Fora do cativeiro, é preciso ganhar a vida, conquistar um espaço, uma identidade social. Mas eis que, no meio do caminho - lá pelos 40… - essas pessoas começam insistentemente a repetir seus erros, em vez de aprender com eles. Podem fazer dessa repetição a sua existência. Ou encarar o passado, e perceber que seu futuro está em suas mãos.

Em tempo: “A família Savage” é uma produção americana, dirigida por Tamara Jenkins, com os excelentes Laura Linney e Philip Seymour Hoffman no elenco. “Inferno” é um filme francês, dirigido por Danis Tanovic, com Emanuelle Béart, Karin Viard e Marie Gillian.

27 de Março de 2008

Unidos pelo (fim do) acento

Arquivado sob: Viagens, Crônicas — Marta @ 17:10

- Que doce é esse? – perguntei, apontando para uma saborosa vitrine em Lisboa.

- Queijada de senhora – respondeu a balconista, com a entonação e a rispidez típicas do português de Portugal.

Fiquei interessada. Já tinha provado pastel de Belém, barriga de freira e, agora, descobrira a queijada de senhora…

- Parece gostoso. É feito de quê?

- É uma queijada de senhora – repetiu, sem paciência.

- Sim – arrisquei novamente – Mas é feita com ovos? Qual o ingrediente principal?

Achei que a portuguesa ia voar por cima do balcão.

- SENHORA!!!!

Naquele momento de pressão máxima, o Tico conectou-se com o Teco, observei a tonalidade do doce e percebi que tinha cor de … cenoura!

- Ah, cenoura…

Ela achou que eu era burra ou surda, mas nem desconfiou que, involuntariamente, eu tentava corrigir a sua pronúncia. Achei melhor sair dali e nem experimentei o doce. Consolei-me com o fato de que vivera a minha história particular de falta de comunicação em Portugal.

Lembrei disso outro dia ao ler a enésima matéria sobre a reforma ortográfica que vai uniformizar o português escrito no planeta. O assunto mobiliza editoras, filólogos e patriotas, não só em torno de aspectos práticos, mas também de questões culturais e de identidade do idioma que nunca haviam me ocorrido antes.

De forma objetiva, porém, achei importante descobrir o que mudará para nós, escribas do dia-a-dia. A resposta é: muito pouco. Com exceção de um trema extinto aqui e um acento acolá, nossa vida continuará como antes. Para os brasileiros, bastará decorar um par de regras - tarefa razoavelmente tranqüila (ops, olha o trema aí) para quem está disposto a se adaptar e encontra-se afinado com a ortografia vigente.

Para aqueles que já tinham problemas com o idioma escrito, talvez as notícias não sejam tão ruins. Afinal, a “Nova Reforma Ortográfica”, com sua aparente imponência, poderá ser uma boa desculpa para os erros de quem nunca aprendeu a escrever direito…

Até hoje ouço, de pessoas atrapalhadas com acentos, que a culpa é da reforma ortográfica, realizada em… 1971!!! Isso mesmo. Trinta e sete anos se passaram e alguns ainda perguntam se tal acento “caiu”, como se tivesse despencado ontem. Ok, devemos ser pacientes. Mas vamos combinar que essas pessoas precisam estar acima dos 45 anos, para terem sido alfabetizadas antes da reforma.

Da minha parte, prometo não integrar o time de saudosistas da nova “antiga ortografia”. Admito que gostava do trema, até porque me incluía entre a meia dúzia de pessoas que sabia usá-lo e não aderiu à polêmica (e pelo visto visionária) extinção do acento decretada anos atrás pela Folha de São Paulo.

Juro que não vou falar, para os meus netos, sobre os bons tempos do trema. Isso soaria como os lamentos que ouvíamos sobre o fim do ensino de latim nas escolas - tão chato e tão importante… Por que mesmo? Você se lembra?

Ih, lá vamos nós novamente…

26 de Março de 2008

Trocando CDs por sapatos

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 12:40

Outro dia fiquei tentada a comprar um CD em promoção numa livraria. Mas parei e pensei: que tolice, todos dizem que o CDs vão acabar. Até incluí, entre as minhas resoluções de ano novo, a tarefa de comprar um IPod e - mais importante - passar a ter o hábito de recheá-lo com minhas músicas favoritas (ai, céus, como vou achá-las?).

Agora há pouco descartei comprar um DVD para dar de presente, pelo mesmo motivo. Imagino que o presenteado já esteja sofrendo com as notícias de que sua coleção vai virar um mico, e não quero aumentar o seu drama.

O detalhe é que, enquanto não nos adaptamos às novas tecnologias, ou elas não nos atendem de forma conveniente, simplesmente deixamos de consumir músicas e filmes, que estávamos bastante dispostos a comprar. Será que essa indústria está se dando conta disso? Huuummm… O que acabo comprando com o dinheiro que ia para CDs e DVDs? Algo a se observar…

24 de Março de 2008

Hipocrisia olímpica

Arquivado sob: Opinião — Marta @ 16:35

É uma daquelas situações em que não dá para ficar em cima do muro. O mundo deve fingir que não há nada errado na China durante os Jogos Olímpicos que começam em agosto?

Claro que não. O governo chinês vem massacrando monges tibetanos e qualquer oposição aos seus desmandos, controlando a informação com a mão pesada da censura, e o mundo todo finge que não vê, só por que se trata de uma ditadura economicamente próspera? Essa hipocrisia por acaso combina com o espírito das Olimpíadas?

Não sei se o caminho é fazer algum tipo de boicote, ou se devemos aproveitar a ocasião para denunciar in loco o que acontece por lá. A imprensa e seus colunistas começaram a tomar posição sobre o assunto. Alguns veículos, como a semanal Época, afirmam que o boicote é uma bobagem. Jornalistas e blogueiros também estão se manifestando. Particularmente, gostei da argumentação do Arthur Dapieve, no Globo de sexta-feira (conteúdo fechado para assinantes no site, acredite se puder).

Sempre é bom lembrar, antes de se influenciar pela opinião alheia, que os interesses estão por toda parte. Ou seja, nem todo colunista tem independência suficiente para peitar o departamento comercial da empresa para a qual trabalha…

22 de Março de 2008

Post de Páscoa

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 10:04

- Um prato de carne, senhor???

Pois é. Tínhamos esquecido que era Sexta-feira Santa. Por outro lado, não fazia o menor sentido trocar de prato por causa da desaprovação do garçon. Como o Zé ainda não entendera a dúvida sobre o pedido, decidi intervir rapidamente:

- É, não somos religiosos.

E ficou por isso mesmo. Claro. Lembro-me bem da primeira vez em que comi carne no dia em que isso é proibido e ninguém sabe por quê. Éramos um bando de adolescentes passando o feriado sozinho em Paquetá. Fomos ao supermercado, compramos quibes congelados Sadia e fritamos tudo, felizes da vida por exalar aquele cheiro proibido para os vizinhos. Era a transgressão do século.

Para a minha filha, este ano, tive que (tentar) explicar o motivo da tradição. Agora ela estuda em colégio católico, então preciso medir as palavras, explicar o contexto histórico dos símbolos religiosos, os eventuais contrapontos científicos, mas sem desdenhar de nada.

Não comer carne é uma espécie de sacrifício, comecei. Hoje as pessoas se empanturram de bacalhau, mas antigamente chegavam a jejuar, continuei, torcendo para a conversa não chegar à origem dos ovinhos de chocolate e eu me enrolar ainda mais. Por sorte, aquele papo de jejum só aumentou nosso apetite e deixamos aquele assunto pra lá.

20 de Março de 2008

Por fora das Caras

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 17:14

Quem mora no Leblon está sempre encontrando artistas. Caminhando na praia, tomando café na mesa ao lado, fazendo compras de supermercado. Fazemos aquele ar de casualidade, damos uma conferida com rabo de olho e nem lembramos de comentar depois.

Quando vem um amigo ou parente de fora do Rio, tentamos ir aos mesmos lugares, para que vejam os artistas da TV com seus próprios olhos. Sabemos o frisson que isso causa. Claro que, nessa hora, nem sempre eles aparecem. E aí que me pego contando vantagem: “Juro que na semana passada estava o elenco inteiro da novela das oito aqui!”.

O problema é que parei de ver novela, há cinco anos, dois meses e três dias. Não me faz a menor falta - exceto por esses momentos de contar vantagem para os parentes do interior. Fico na dúvida de que nome vai causar mais comoção. Além disso, estou por fora das fofocas das revistas. Enfim, uma tragédia, para quem quer impressionar.

Já percebi em viagens que, quanto mais afastadas estão do Leblon, mais as pessoas afetam intimidade com as celebridades. “Você não sabia que o Fábio Assunção está com problemas com drogas???”, me perguntaram, incrédulos, no Mato Grosso do Sul. Pareciam que falavam do filho da vizinha, tamanha a proximidade.

Não fiquei à vontade nem para mencionar meu esbarrão com Fernanda Montenegro, no minúsculo banheiro do Ateliê Culinário (que infelizmente deu lugar a um fosforecente japonês na Dias Ferreira). Se ao menos fosse uma história envolvendo traição, drogas ou coisa parecida, eu teria alguma chance de causar impressão…

18 de Março de 2008

Que comercial faz você feliz?

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 15:18

Quando eu cobria a área de publicidade, as campanhas institucionais - aquelas que não vendem nada descaradamente - eram consideradas uma ousadia, uma aposta de longo prazo nas marcas. Agora, a gente liga a TV (quando liga) e é aquele show de imagens idílicas ou descoladas, jingles poéticos, crianças correndo na praia, jovens fazendo caretas fofas.

É uma espécie de releitura dos antigos comerciais de margarina, só que de empresas de telefonia, bancos, supermercados. No início, os filmes até emocionam. Mas, depois de algumas repetições, parecem tão … falsos! Igualzinho àqueles vídeos corporativos, mais mambembes, que as companhias ainda adoram exibir em seus eventos.

17 de Março de 2008

Crianças tagarelas, mães enxeridas

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 16:35

- A minha mãe se acha gorda.

Estávamos comendo pizza quando a menina, de 8 anos, fez o comentário. Confesso que andava curiosa sobre a família da nova amiga da minha filha, mas achei aquilo um tanto íntimo.

Em casas alheias, as crianças estão sempre disparando informações sobre hábitos e valores familiares, que vamos colecionando discretamente, como peças de um quebra-cabeça. É tentador apressar o processo e perguntar, na lata:

- O seu pai trabalha com quê?

Mas não faço. Prefiro esperar pelas informações espontâneas - bem mais interessantes, aliás. Saber que a mãe é professora ou executiva diz bem menos sobre ela do que o fato de ser magra e se achar gorda. E a visão crítica da filha sobre a mãe, então, é um achado.

Além do mais, tenho um trauma da juventude. Na época das minhas primeiras festinhas noturnas, uma mãe solícita passou a dar carona para todos os amigos da filha. O carro ficava lotado. Como eu costumava ser a última do trajeto, era a que mais sofria com o interrogatório.

- Os seus pais são divorciados? Por que você mora com o seu pai e não com a sua mãe?

Tudo bem casual, sutil como uma pata de elefante. Na certa, ela fazia a famosa lista das “boas” e “más” companhias. Queria eu, naquele tempo, ter humor e segurança para dar respostas bem esdrúxulas, que nem a adolescente grávida de “Juno”. Na vida real, porém, crianças não sabem identificar a malícia do mundo adulto, tampouco se defender dela… Então, queridos papais e mamães, que tal deixar a bisbilhotice de lado?

Só para lembrar (e lincar), hoje é o dia da Blogagem Inédita, criada por Edney Souza, um dos blogueiros pioneiros do país.

Enfim, nós

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 14:04

Devemos segurar nossa onda, evitar que o noticiário nos suba à cabeça. Mas tá difícil. Quer dizer que os Estados Unidos vão mal, obrigado, o seu governo precisa socorrer banco quebrado (huummm, que familiar), e, enquanto isso, o Brasil descola e decola rumo ao crescimento sustentado? Alguém me belisca, pelamordedeus!

16 de Março de 2008

Cadê o meu casaco?

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 15:44

Já reparou como ficamos perdidos em relação ao nosso guarda-roupa quando muda a estação assim, de repente? O que mesmo eu andava usando antes de começar o calorão?

Acho que vou demorar alguns dias para me localizar no armário novamente. Ou, quem sabe, chegar à conclusão de que estou sem roupas de frio e preciso, desesperadamente, fazer umas comprinhas básicas…

14 de Março de 2008

Narcisos e voyeurs

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 15:42

É curioso observar um estranho hipnotizado por um espelho ocasional. Pode ser no elevador, em um banheiro público, na academia, em uma vitrine qualquer. A pessoa pára tudo e fica se observando, como se não houvesse amanhã, nem uma multidão em volta. Só ela e o espelho.

Acontece muito com adolescentes. Natural. Estão em acelerada transformação, corpo e rosto a lhes surpreender diariamente, então nada mais tentador do que dar aquela conferida diante qualquer reflexo inesperado.

Mas, para algumas pessoas, a fascinação por esse espelho público se prolonga. As mulheres se contorcem no banheiro, para olhar atentamente a própria bunda. No elevador, os homens ajeitam e ajeitam o cabelo que não sai do lugar. O momento é tão íntimo, que nós - os outros - fingimos distração. Mas estamos olhando.

13 de Março de 2008

Cérebros distintos

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 15:56

Sempre imaginei que a discussão sobre homens e mulheres serem diferentes estivesse totalmente ultrapassada. Não estou falando de discriminação e desigualdade de direitos, assuntos infelizmente ainda atuais, mas da constatação de que a natureza nos fez distintos - nem melhores, nem piores.

Por isso o meu espanto quando ontem, em uma roda de nove pessoas inteligentes e articuladas, ninguém tinha opinião formada sobre o tema. O encontro parecia perfeito para o debate: de um lado, as quatro debatedoras do programa Saia Justa, de outro, os cinco participantes do Manhattan Conection, ambos do canal GNT.

Esquecidos de suas experiências pessoais, todos ficaram ali, com “cara de conteúdo”, raciocínio igual e embotado, apegados a estudos existentes e teoricamente inconclusivos. Ninguém parecia lembrar, por exemplo, dos tempos em que observavam o comportamento das crianças, quando seus filhos eram pequenos demais para se influenciar por imposições culturais.

Meninos e meninas têm comportamentos e raciocínios diferentes desde bebês. Vá na creche da esquina, converse com recreadores ou babás e descubra no máximo que há exceções. Meninos querem desmontar brinquedos, meninas gostam de criar histórias com eles. Não sei se isso, mais tarde, vai se traduzir em um raciocínio espacial mais apurado ou uma habilidade para lidar com a linguagem, mas certamente as diferenças já estavam lá, em seus cérebros, desde sempre.

Será inevitável que a sabedoria adquirida na época dos filhos pequenos se perca mais tarde, na arrogância da maturidade? Tenho observado mães que se distanciaram tanto da infância de seus filhos, agora grandes, que parecem ter esquecido toda a riqueza dessa experiência. Juro que vou tentar fazer diferente…

A propósito, o programa será reprisado neste sábado, às 23h.

12 de Março de 2008

Época X Medicados sim, graças a deus

Arquivado sob: Comportamento, Opinião — Marta @ 17:36

Quando vi a capa da revista Época, na semana passada, tive certeza de que a polêmica iria render. Ao questionar o uso abusivo de antidepressivos, a matéria “O poder da tristeza” certamente seria odiada pelo batalhão de pessoas que toma os medicamentos. Não deu outra.

É um assunto controverso, como percebi ao abordá-lo de leve no post “Vida intensa, noite em claro”. Não demorou muito para que eu recebesse, por e-mail, dicas de remedinhos (que ainda não tomei). Na grande imprensa, o viés pró-tristeza chega a chamar a atenção, porque as reportagens são sempre a favor dos laboratórios e seus fabulosos avanços farmacológicos (por que será?).

Sem querer melindrar os amigos que têm seus motivos para tomar antidepressivos, vou admitir: gostei da matéria. Médicos e pacientes já estão por aí fazendo uma maciça propaganda dos benefícios dos antidepressivos. Quem vai mostrar o outro lado? Bom que seja a imprensa.

Não sei se você, que (ainda) não aderiu aos prozacs da vida, já esbarrou no assunto ao conversar com um amigo medicado. Essas pessoas ficam se justificando, se sentem acusadas, sei lá de quê. Me lembra um pouco às vezes em que comentei, com outra mãe, que o parto da minha filha foi normal. Imediatamente, ouço uma minuciosa explicação para o fato de ela ter precisado fazer uma cesariana. Tudo bem, eu nunca disse o contrário! Não sugeri que ela fugiu do parto normal, assim como não falei que o antidepressivo era desnecessário!

Depois, que mal há em ter medos, fraquezas, precisar de ajuda? Por que temos que ser fortes, decididos e seguros, o tempo todo?

Talvez seja essa a idéia por trás do livro “Eu tomo antidepressivo, graças a deus”, de Cátia Moraes, que está chegando às livrarias. Não li o livro, apenas recebi sua divulgação, repassada pela minha analista (que jurou não ter nada a ver comigo, só com o blog). Mas posso imaginar, pelo título, que assumir sem culpa a condição de “medicado” deva ser importante para muitas dessas pessoas. Se vai além disso, só pagando para ler (Editora BestSeller, R$ 24,90).

11 de Março de 2008

O dia em que aprendi a lincar

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 14:24

Há algumas semanas, decidi que precisava aprender mais sobre blogs. Afinal, o Espuminha completa um ano em maio, e nem links eu tinha aprendido a fazer, que vergonha.

Comecei, claro, pelo Google. Fui navegando, navegando, e acabei achando um site chamado QueroTerUmBlog, repleto de dicas. Perfeito. Post vai, post vem, fui provocada por um link que prometia explicar por que os blogs de jornalistas não funcionam.

Peralá! Como assim? Claro que funcionam, pensei. Meus 32 fiéis leitores, embora não sejam muito de comentar, garantem que adoram o meu blog!

Nessas alturas, não sei mais se você me acompanhou até aqui direto, ou se clicou no link acima e leu o artigo de Julio Daio Borges, um blogueiro pioneiro na internet. Ou será que você foi embora antes, no primeiro link, interessadíssimo que está em ter seu próprio blog? Agora que aprendi a fazer links fico imaginando o que os meus leitores vão fazer com eles… Devo explicar o artigo do Julio ou será que você já leu?

Pois é, a internet é assim. Não basta um lead interessante para prender a atenção do leitor até o final. É preciso oferecer links, e torcer para que os leitores não se percam com eles.

O artigo, que está no site Digestivo Cultural (devo colocar um link novamente?), foi como um soco no estômago. Fiquei revoltada com alguns pontos, mas me reconheci em várias partes - especialmente onde ele dizia que jornalista não sabia “lincar” (com “c” mesmo).

Poderia me defender aqui de outras “acusações”, como a de ser interesseira ou não gostar dos leitores, mas já percebi que existe uma pseudoguerra entre blogueiros e jornalistas, e não vou cair nessa. Além do mais, eu não sabia mesmo lincar…

A minha desculpa para não colocar links sempre foi de ordem tecnológica. Parecia difícil (não é), e, além do mais, quase sempre que cito um texto, ele foi lido em papel – o que deve parecer ridículo para quem encontra tudo na internet.

Julio diz que jornalista não sabe lincar por arrogância, porque jamais cita a concorrência. Esta é mesmo uma prática tola das redações, mas acredito que o repórter gostaria, sim, de citar o veículo que deu o furo, e que ele foi obrigado pelo chefe a “correr atrás”. Odiou “suitar” a matéria de outro, está doido para dar o seu próprio furo naquela cobertura, mas não tem orgulho de omitir o veículo concorrente. Apenas são as regras, que alguns bambambãs, tipo Elio Gaspari, podem ousar desafiar.

Mas jornalista gosta mesmo de fazer mistério sobre suas fontes, insinuar que são pouco acessíveis. Isso vem do tempo dos “sebosos”, disputados cadernos de telefones que eram o início de qualquer apuração - como o Google hoje em dia.

O link entrega o jogo, mas a verdade é que o jogo já mudou de regras – e objetivos – há muito tempo. Acordem, coleguinhas! Aprendam a lincar! Se a intenção do jornalista/blogueiro é analisar, compartilhar, comentar, viva o link!!!

Pois agora prometo colocar alguns links nos meus posts. Provavelmente não serão muitos, pois não costumo usar, para escrever aqui, muitas fontes e referências da internet.

Por sinal, nas minhas andanças/pesquisas na internet, descobri algo bem curioso: a chamada blogosfera marcou um dia – 17 de março – para uma “Blogagem Inédita”. Pelo que entendi, será um dia em que os blogueiros se comprometem escrever textos originais (!) e não apenas replicar o que está por aí na rede.

Puxa, será que logo agora, que aprendi a lincar, os blogs vão ficar cheios de textos originais, que nem o Espuminha?

7 de Março de 2008

Luz no fim do túnel

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 15:55

Nem tudo está perdido. As autoridades brasileiras finalmente ameaçaram com reciprocidade os países que maltratam brasileiros nos seus aeroportos; tudo indica que a pesquisa com embriões será liberada; e surgiu um Gabeira no fim do túnel das eleições cariocas.

Para completar, é sexta-feira! Bom fim de semana para todos.

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