Não à renderização
“A renderização de Multi GPU SLI foi mudada para renderização de GPU única porque uma das placas foi retirada.” É até engraçado a frase aparecer dentro de um amigável balãozinho, no canto do computador, como um aviso singelo, que informasse sobre a mudança de horário do verão ou a importância de preservar o meio ambiente.
Mas não. Era sobre a renderização.
A regra nessas horas, aprendi, é simplesmente ignorar. Prosseguir, enquanto for possível. Não se deixar intimidar, engolir aquele sentimento de sou-mesmo-ignorante-em-tecnologia, e jamais travar antes que o computador o faça.
Mas como o meu dia anterior já tinha sido dedicado parcialmente à extenuante tarefa de vencer sozinha uma nova barreira tecnológica - consegui instalar um anti-spam no blog -, vi-me no direito de questionar.
Sim, vejam que ousadia. Mesmo correndo o risco de parecer jurássica diante da nova geração, igual àqueles jornalistas saudosos da máquina de escrever, parei para pensar na tal “renderização”, que sequer tinha travado o computador.
Que idiota teria tido a idéia de colocar um aviso automático daqueles em um simples (por que não) computador? O absurdo passou despercebido pelo chefe do setor? Afinal, alguém das áreas de tecnologia tem alguma ínfima noção das regras mais básicas da boa comunicação?
Obviamente não. Eles não precisam ter. A tecnologia é algo fantástico e implacável que desde sempre tivemos que engoli-la áspera, sofrida - pelo menos nos primeiros goles. Humilhados diante da arrogância dos que dominam as siglas e os anglicismos tecnológicos (e nada além disso), apostamos na inevitabilidade de nossa compreensão, que evoluirá na medida em que as novidades se imponham e revolucionem nossas vidas.
Alguém vai dizer que esse incômodo é coisa da nossa geração, que os bebês de hoje já nascem configurando seus computadores. Não acredito nisso. A aridez dos assuntos tecnológicos, estupidamente embalada em balõezinhos que invadem nosso dia-a-dia, não deve ser agradável nem para os iniciados.
Os mais novos podem até ser conformados, e aceitarem melhor as regras deste jogo. Mas há gente conformada com tudo, não é mesmo? Pois eu, com o perdão do trocadilho, não me rendo à “renderização”.
Desde já proponho que as empresas de tecnologia contratem gente especializada em comunicação para a área de desenvolvimento de produtos e serviços. E juro que meu interesse é apenas como consumidora e cliente.
Afinal, o recente surgimento da comunicação corporativa não revolucionou o mundo das empresas? Por que a “inteligência” da comunicação não invade também o universo dos nerds e dá uns conselhos para esse pessoal? Pode ser uma oportunidade de negócio para ambos os lados.
Sugestão de longo prazo à parte, aconselho aos que amam mas sofrem com a tecnologia, como eu, que não desistam. As peripércias para manter aceso este blog me mostram que vale a pena.