Como se fosse o último
Digamos que o mundo vá acabar em alguns dias. E que nada se possa fazer a respeito. Só você e alguns poucos sabem do fim dos tempos e já concluíram que é bobagem avisar os outros - sem contar no tempo que gastariam para explicar tudo. Um desperdício de tempo, certamente.
O que você faria, nos seus últimos instantes sobre a Terra? Iria na consulta marcada para fazer limpeza nos dentes? Sentaria no restaurante de sempre e pediria um prato light do cardápio, com refrigerante diet? Passaria protetor solar e creme hidratante? Leria o jornal para ficar bem informado?
Claro que não! Nesta situação, qualquer pessoa buscaria os limites do seu prazer e da sua emoção. Experimentar o que nunca teve coragem, ouvir sua música predileta e esquecida, empanturrar-se daquilo que antes precisava ser comedido, em nome de uma velhice tranqüila. Se não existe amanhã, por que se privar dos prazeres e investir no futuro?
Fiquei pensando sobre isso quando soube que, nos Estados Unidos, logo após o 11 de setembro, houve uma queda significativa nas vendas de produtos saudáveis e dietéticos. As academias de ginástica ficaram vazias. Fenômenos semelhantes já foram observados em situações de guerra: diante da morte iminente, cercados por inimigos, os soldados promovem festas, orgias, bebedeiras.
De certa forma, sinto uma certa inveja desse sentimento inconseqüente de busca da emoção, vinculado à inexistência de um futuro. Talvez porque estejamos vivendo excessivamente em função da longevidade ou da aprovação alheia - duas apostas um tanto incertas, por sinal.
Será que dá para, sem tragédias iminentes, saber usufruir o presente? Ok, melhor não adiar o dentista, para o caso de se chegar aos cem anos. Mas que tal ouvir a música preferida agora? Bom proveito.
Nesses tempos politicamente corretos, eu faria uma coisa totalmente incorreta: voltaria a fumar! E também comeria todas as musses e doces de chocolates que amo! Mas, como o mundo não vai mesmo acabar (pelo menos, acho que não), pretendo continuar minha abstinência em relação ao cigarro para sempre. Quanto aos doces………
Comentário de eugenia — 15 de Janeiro de 2008 @ 16:36