12 de Janeiro de 2008

Caretice e coerência

Arquivado sob: Opinião — Marta @ 17:39

A polêmica foi levantada por “Tropa de elite” e continuou com “Meu nome não é Johnny”, filmes que mostram usuários de drogas como financiadores da violência relacionada ao tráfico.

Agora, discretamente na mídia, e menos discretamente nas rodinhas de pessoas com, digamos, “culpa no cartório”, começa a haver uma reação. Os argumentos vão desde que as drogas sempre existiram na humanidade até a especulação de que o crime seria redirecionado para delitos piores, como seqüestros, na falta de drogas para traficar. Além disso, culpabilizar o usuário acabaria por tirar os holofotes dos verdadeiros responsáveis pelo crime organizado.

Essa é uma daquelas discussões em que todos - e ninguém - têm razão. É claro que comprar um baseado do amigo do amigo não é igual a dar um tiro na cabeça de uma criança vítima da guerra do tráfico. Mas essa pessoa tem, sim, sua parcela de responsabilidade - o que não diminui nem um pouco a das autoridades corruptas e omissas em relação ao assunto.

Tudo é uma questão de informação e consciência. Outro dia ouvi uma menina argumentar que “achado não é roubado, quem perdeu que é relaxado,” para tentar ficar com um brinquedo deixado numa piscina. Quantas vezes ouvimos isso quando éramos pequenos?

Mas os tempos são outros. Hoje sabemos que existem departamentos de achados e perdidos e que outra criança pode estar chorando pelo brinquedo. Depois de adquirir essa consciência, simplesmente não dá para ignorar tudo em nome de uma vantagem imediata.

Sempre vão existir argumentos fajutos e rimados para os que preferem a ignorância. Para os outros, a informação é um caminho sem volta. Não dá para comprar produtos mais baratos se eles são fruto de mão de obra escrava ou infantil, ou para votar em político corrupto porque “rouba mas faz”.

Correndo o risco de parecer radical, acredito que o mesmo raciocínio pode ser levado para quem compra produtos pirateados e até para quem dá esmola a crianças exploradas por adultos nas ruas.

Sei que não é fácil mudar hábitos - alguns até ingênuos e, na aparência, inofensivos - e também que não mudaremos o mundo com esses gestos. É apenas uma questão de garantir o sono tranqüilo e, principalmente, ensinar o que vale a pena aos nossos filhos.

1 Comentário »

  1. Concordo plenamente!

    Comentário de Cris — 23 de Janeiro de 2008 @ 15:57

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