9 de Janeiro de 2008

De marré, marré, marré

Arquivado sob: Crônicas — Marta @ 10:20

Depois de passar a tarde no apartamento da amiguinha nova, minha filha concluiu: “Mamãe, ela é rica!” Como não costumamos em casa classificar as pessoas como ricas ou pobres, estranhei.

Rica por quê? Ah, ela explicou, havia um quarto de brinquedos, piscina e - o que mais parecia impressioná-la - uma sala de almoço só para as crianças, que eram servidas por uma “janelinha” - pelo que entendi, um passa-pratos.

“Podemos fazer uma janelinha no nosso apartamento, entre a cozinha e a sala?” Pelo visto, com um passa-pratos, passaríamos a ser ricos também…

Aos 8 anos, temos nossas próprias idéias sobre pobreza e riqueza. Com o tempo, os padrões vão se tornando comuns: quem tem uma lancha está bem de vida, quem paga aluguel é duro. E por aí vai.

Lembro-me que, com a mesma idade da minha filha, achava o máximo apartamentos acarpetados e com armários embutidos. Como morava numa casa grande, com móveis antigos e sofás protegidos por lençóis, tudo que parecesse moderno era sinônimo de riqueza.

Não sei se os ácaros já haviam sido inventados, mas o fato é que tapetes felpudos estavam no topo da minha lista. Depois, claro, vinham os brinquedos que eu não podia ter. Diante das explicações de que dinheiro não dava em árvore, concluí que devíamos ser pobres, e ponto final.

Mas um dia aconteceu algo muito estranho. Soube que os amiguinhos da escola já tinham me classificado como a menina rica, que morava na casa grande da Estrada Velha. Por via das dúvidas, nunca convidei nenhum deles para entrar - e descobrir que não havia um único tapete felpudo ou armário embutido.

1 Comentário »

  1. […] De marré, marré, marré […]

    Pingback de Espuminha de leite » Blog Archive » Melhores do Espuminha — 26 de Maio de 2008 @ 14:26

RSS de comentários deste artigo. URI para link desta publicação:

Deixe um comentário

Espuminha | Dicas, atualidades e assuntos para o café