“A influência da telefonia nas artes plásticas”. Quando bati os olhos no tema da palestra, cheguei a achar que era piada, ou erro do jornal.

Depois fui percebendo que, no contexto do evento, sobre arte e tecnologia, aquilo podia fazer sentido. Havia, ainda, um case sobre estudantes da Baixada que tiraram fotos com celulares: aquilo foi para a internet e virou arte.

Ah, bom.

Há pouco tempo, li uma entrevista com um pesquisador que formulou uma nova concepção sobre a inteligência. Não, não se tratava daquela história de QE (quociente emocional) nem da separação por competência (inteligência musical, lingüística, matemática, interpessoal etc). Pelo visto, essas caíram por terra, junto com a margarina, quando a manteiga foi reabilitada.

A inteligência, especialmente no futuro, estará relacionada à capacidade de associar idéias – retiradas de diferentes contextos, e não necessariamente originais. Seria algo como “nada se cria, tudo se associa”.

Confesso que me identifiquei um pouco – não por me julgar excepcionalmente inteligente, mas porque percebi ali a essência da prática jornalística. Somos treinados, no dia-a-dia, para selecionar as idéias alheias mais interessantes e relacioná-las numa matéria – às vezes forçando a barra um pouquinho, como no caso da telefonia e das artes plásticas…

Nessas horas, fico pensando que o jornalismo deveria ser a profissão do futuro. É verdade que os veículos de comunicação estão se esfacelando no mundo todo, ninguém sabe o que ficará no lugar (os blogs?) e o mercado de trabalho nunca esteve tão ruim.

Em tese, porém, o bom senso e a expressão jornalística teriam tudo para se espalhar pelo mundo e pelas outras profissões (que o digam as empresas interessadas em contratar essa mão de obra para a área de comunicação corporativa, que está bombando).

O fato é que o antigo conceito de inteligência ainda está por aí, rondando a vida escolar dos pobres dos nossos filhos. Isso apesar de ter sido desmistificado nas primeiras reportagens (sempre elas) que mostraram os geninhos do vestibular, algumas décadas depois de terem sido manchete de jornal.

Há duas semanas, tive uma experiência semelhante: festa dos 25 anos dos formandos do Colégio Santo Inácio. Conversando com os antigos colegas, foi fácil perceber que os décimos de nota tão importantes na época do colégio em nada influenciaram as vidas profissionais e pessoais que se seguiram.

Já a rede de relacionamentos e o suporte financeiro das famílias… Bem, mas essa é outra história. Tem a ver com o outro “QI”, tão antigo quanto o da inteligência, e que ainda desafia os tempos modernos…