31 de Janeiro de 2008

Enganando os robozinhos

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 12:19

Um robozinho é lançado na internet e sai catando e-mails existentes na rede. Lá pelas tantas, descobre um que corresponde ao endereço para comentar um post do Espuminha. O endereço é testado pelo primeiro spam. Já que não volta, como inexistente, é confirmado e entra na lista dos spamers.

Pelo que entendi de um documentário sobre spam que vi no GNT, foi mais ou menos isso o que aconteceu com o meu post “Trocando em miúdos”, brutalmente atacado por spams nas últimas semanas.

Como minha cultura de internet se resume a eventuais documentários ou leituras em veículos não especializados, decidi me livrar do transtorno simplesmente apagando o post – e o reproduzindo abaixo, infelizmente sem os ótimos comentários de Graciela, Luciana, Cris e Bonança.

Será que assim engano os spamers e seus robozinhos? Essa história de fazer blog sem entender de tecnologia não é fácil…

Miúdos trocados

Arquivado sob: Crônicas — Marta @ 12:16

Sempre morri de vergonha de dar (ou não dar) gorjeta. Vale lembrar que não há terceira opção, por mais que você se finja de distraído…

Pensava que era uma dessas maluquices particulares, até ler que Caetano Veloso tem o mesmo problema. Como eu, ele acha a situação um tanto embaraçosa, segundo comentou an passant numa entrevista. Valeu, Caetano.

Para pessoas como eu e Caetano (menos, Marta, menos), é um alívio quando a quantia é estipulada oficialmente, ou proibida.

Do contrário, vejo-me alçada repentinamente a uma condição totalmente artificial, de poder julgar e premiar um ser humano que mal conheço, sem ter qualquer condição para isso. Sinto-me como jurada de um programa de calouros: generosa ou não, meu papel ali é o de humilhar quem está sendo avaliado.

Sim, porque, apesar de nunca ter recebido gorjeta, acho que uma dose de humilhação é inevitável nessa hora.

Ok, vão achar que estou exagerando. Uma gorjeta pode ser só uma gorjeta, um gesto distraído para quem está acostumado (a dar ou receber). Mas continua implicando uma relação de hierarquia absurda, por mais automática que seja.

Não sei você, mas já passei pela experiência de dar gorjeta alta demais, achando que assim me livraria do constrangimento, e o tiro saiu pela culatra. Estava em um salão de beleza chiquérrimo, recém inaugurado numa casa de Ipanema, e o tal momento de pagar, e me despedir da funcionária, chegara.

Dei-me conta de que só tinha algumas moedas, ou uma nota de R$ 20. Ela não fazia absolutamente o tipo humilde: ao contrário, era uma mulata exuberante, com maquiagem e penteado moderninhos. Quando entreguei-lhe a nota, de forma mais casual possível, ela não quis receber: “Não precisa”, disse, simpática. Mas dei assim mesmo. E demorei para voltar por lá…

Para as mulheres, o salão é o lugar das gorjetas, então vamos nos acostumando. Procuro observar como as outras fazem, o valor atribuído a cada serviço (quanto uma colorista deve ganhar a mais que uma manicure?).

Quanto mais incomum a situação, mais aperto na hora de arbitrar o valor. Quando chego a um hotel e percebo que ninguém vai carregar minha mala, fico até contente (se a mala for de rodinhas, claro). Uma saia justa a menos.

Já presenciei pessoas felizes em dar gorjetas, exibindo o gesto de generosidade com segurança e amplitude. Gostaria de ter a mesma segurança, para me sentir simplesmente justa, diante de uma oportunidade de fazer o bem.

De qualquer forma, continuo achando que o bem é algo que fazemos sem contar a ninguém. Ou seja, sem amplitude na hora da gorjeta…

(Reprodução do post “Trocando em miúdos”, covardemente atacado por spams, com a ajuda de inescrupulosos robozinhos espiões)

29 de Janeiro de 2008

Você com essa ficha na mão

Arquivado sob: Comportamento, Viagens — Marta @ 13:54

Descobri que deixar o carro no aeroporto do Galeão, durante uma viagem, pode valer a pena. O preço do estacionamento é praticamente o do táxi, com a vantagem de não precisar se arriscar com o serviço no Rio de Janeiro - veículos velhos, motoristas folgados, ar condicionando congelante.

Esta é uma dica, porém, para quem nem cogita mais o ritual de ser levado ou buscado no aeroporto.

Lembro que nos meus primeiros tempos de casada fui dissuadida pelo Zé da idéia de que esperá-lo, mesmo depois de uma viagem internacional, estaria de alguma forma relacionada ao nível de saudades ou de amor da relação. Fui definitivamente convencida na primeira vez em que ele adentrou com malas às 6h de uma madrugada fria no nosso apartamento em São Paulo. Fiquei feliz por estar debaixo das cobertas.

Passei a considerar senso comum que, em cidades com o trânsito do Rio ou de São Paulo, a despedida antes da viagem acontecesse no máximo na porta do táxi. Na volta, então, com a possibilidade de atrasos nos vôos, só dá para admitir gente contratada, com plaquinha na mão, mofando no desembarque. Lugar de parente, flores, beijos, é mesmo em casa.

Por isso a minha surpresa quando cheguei em Campo Grande (no Mato Grosso do Sul, cariocas, e não na zona oeste do Rio). Diante das pessoas aglomeradas, rostos cheios de ansiedade imprensados junto ao vidro, minha filha perguntou: “O que é aquilo, mamãe?”

Tive que explicar a ela, mais acostumada com ponte aérea do que com viagens ao interior, que em alguns lugares era muito importante buscar os parentes do aeroporto. Que as pessoas se abraçavam, emocionadas, mesmo que tivessem se visto alguns dias antes. Afinal, aquilo era uma viagem de avião.

Não tenho certeza se ela entendeu, já que essa mistura de glamour e aventura que pairava sobre o ato de voar - e que ainda pode justificar o tal ritual do aeroporto - é coisa do século passado. Do tempo dos jingles que diziam “Atenção, você com essa ficha na mão, dirija-se ao portão, embarque neste avião” e emocionavam todo mundo.

Neste início de século XXI, quando dez entre dez crônicas sobre avião giram em torno do caos aéreo, só dá para variar de assunto dando dicas sobre estacionamento no aeroporto. E olhe lá.

Bye bye, glamour.

28 de Janeiro de 2008

Entre o perfeito e o possível

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 14:21

Sempre achei que os bons chefes eram aqueles que sabiam resistir às pressões. Principalmente, conseguir filtrá-las, sem cair na tentação de simplesmente repassar toda e qualquer cobrança (do chefão, do mercado, dos clientes, dos acionistas) aos subordinados.

Para as mulheres, que agem como chefes em vários aspectos de suas vidas, colocando sobre seus ombros todo tipo de responsabilidade, a tarefa é dura. É preciso resistir às exigências de ser mãe perfeita. De estar magra e jovem, como mandam as revistas femininas. De ter uma vida sexual estupenda - até para manter a pele jovem, ensinam agora as mesmas revistas.

É preciso estar com a roupa perfeita em cada ocasião, ser a melhor no trabalho, se dividir entre todas as tarefas com galhardia e, no final do dia, estar de bom humor.

Resistir à pressão, sem estresse ou frustração, não é fácil. Só conseguimos se nos distanciarmos dos fatos, mudarmos a perspectiva. Aí sim, dá para filtrar, priorizar, ficar satisfeita com o razoável, o viável, o possível.

Nas vezes em que consigo adotar esta postura, acabo me surpreendendo. Percebo que, mesmo relaxando em relação a uma suposta lista de exigências, optando pelo possível, em vez do perfeito, ainda assim sou muito bem sucedida. Posso até mesmo brilhar, receber elogios. E, o melhor, sem sofrer.

23 de Janeiro de 2008

Sem carne para apertar

Arquivado sob: Femininas, Comportamento — Marta @ 17:33

Sempre que esbarro com celebridades gostosonas por aí, o impacto é o mesmo: nossa, como ela é magra!

Nada contra. Como todas as mulheres, acho chiquérrimo ser magra. Mas que o impacto de ver as famosas ao vivo é cada vez menor, lá isso é. Como poucas são realmente altas, o que se observa são tipos mignons, quase frágeis, adornados por rostos conhecidos.

Claro que com a roupa e o ângulo certos, elas acabam parecendo gostosonas novamente, na TV ou na Caras. Sem o risco de alguém chamá-las de gordas, em notinhas maldosas.

Lembrei disso hoje quando vi Luiza Brunet reproduzindo, aos 45 anos, aquela célebre foto de top less e calça Dijon. Magérrima, mais famosa do que nunca (depois de desistir de deixar seu espaço para a filha pouco carismática), Luiza empina o derriè, usa calça mais clara (o velho truque), mas mesmo assim não consegue imitar a curva de antigamente.

Nada contra, repito. Mas o que os homens devem achar disso tudo?

21 de Janeiro de 2008

Jogo de cena

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 04:01

As três meninas estavam mesmo animadas. Com blusas de lantejoulas, anteninhas e outros apetrechos carnavalescos, faziam coreografias e pulavam sem parar com as marchinhas mais conhecidas.

O amigo apareceu do nada, enfiou na cabeça uma peruca laranja tipo nega-maluca, e foi por trás delas tirar uma foto. A primeira foto. Língua para fora, caretas, sorriso escancarado. A cada nova pose, todos checavam o resultado digital. E a sessão se reiniciava, indiferente às músicas que continuavam empolgando o resto da platéia.

Com dificuldade de enxergar a Orquestra Imperial no palco, escondida pela enoooorme peruca, eu não via a hora de o sujeito dar-se por satisfeito com o resultado. Três marchinhas e dezenas de cliques depois, a sessão acaba: ele tira a peruca e sai andando calmamente, sem dar qualquer sacudidela ou vestígio de empolgação carnavalesca condizente com as poses fotografadas.

Amanhã, com as fotos estampadas no Orkut, ele terá certeza de que está se divertindo a valer neste pré-carnaval.

17 de Janeiro de 2008

Cordialidade masculina

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 15:02

- Quem chegou primeiro? - perguntou o garagista, tentando dar ordem a uma ameaça de fila.

Em sincronia absoluta, os dois senhores se apontaram mutuamente. Eu, que já embarcava no meu carro e observara que eles não chegaram exatamente juntos ao estacionamento, não pude evitar um sorriso, diante de uma cena de cordialidade tão automática.

E se fossem duas mulheres, na mesma situação?

Segundo dez entre dez motoristas homens, as mulheres não dão passagem no trânsito. Depois de alertada sobre o fato, passei a prestar a atenção e constatei tratar-se da mais pura realidade.

Embora reconhecidas por seu olhar ampliado, as mulheres, nesta hora, fingem descaradamente sofrer da distração e do excesso de foco masculinos, e olham fixamente para a frente, quase emburradas.

Pensei em algumas teorias para justificá-las, quem sabe relacionadas à necessidade de se impor em um ambiente agressivo e talvez ainda masculino, como o trânsito. Mesmo assim, achei exagerado. Será que alguém tem uma explicação plausível para o assunto?

16 de Janeiro de 2008

Piada pronta

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 21:02

Fidel fazendo propaganda da Adidas é tão piada pronta que até desafia os criativos de ocasião. Mesmo assim, deve dar pano para manga - incluindo a publicidade da própria marca, nem que seja disfarçada de marketing viral espontâneo.

Quem viver verá. Aliás, já pensou se esta imagem torna-se a póstuma do líder cubano? A legenda, claro, faria uma referência ao equivocado comentário sobre a “saúde impecável”, feito pelo presidente brasileiro…

Pregui

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 13:36

O verão carioca envolve a todos numa espécie de torpor. A lista de resoluções de ano novo, claro, ficou para depois do carnaval, quando 2008 efetivamente começa.

Mesmo quem não está de férias age como se estivesse. Euzinha, que em geral sou meio impaciente com os embromões de plantão, relevo. Para que ser tão caxias, com um calorão destes?

Mas o trabalho precisa ser feito, então ficamos todos na situação de conciliar a ralação necessária com as férias psicológicas que cismam em se instalar em nosso corpo e nossa mente. Ai que preguiça…

14 de Janeiro de 2008

Como se fosse o último

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 17:41

Digamos que o mundo vá acabar em alguns dias. E que nada se possa fazer a respeito. Só você e alguns poucos sabem do fim dos tempos e já concluíram que é bobagem avisar os outros - sem contar no tempo que gastariam para explicar tudo. Um desperdício de tempo, certamente.

O que você faria, nos seus últimos instantes sobre a Terra? Iria na consulta marcada para fazer limpeza nos dentes? Sentaria no restaurante de sempre e pediria um prato light do cardápio, com refrigerante diet? Passaria protetor solar e creme hidratante? Leria o jornal para ficar bem informado?

Claro que não! Nesta situação, qualquer pessoa buscaria os limites do seu prazer e da sua emoção. Experimentar o que nunca teve coragem, ouvir sua música predileta e esquecida, empanturrar-se daquilo que antes precisava ser comedido, em nome de uma velhice tranqüila. Se não existe amanhã, por que se privar dos prazeres e investir no futuro?

Fiquei pensando sobre isso quando soube que, nos Estados Unidos, logo após o 11 de setembro, houve uma queda significativa nas vendas de produtos saudáveis e dietéticos. As academias de ginástica ficaram vazias. Fenômenos semelhantes já foram observados em situações de guerra: diante da morte iminente, cercados por inimigos, os soldados promovem festas, orgias, bebedeiras.

De certa forma, sinto uma certa inveja desse sentimento inconseqüente de busca da emoção, vinculado à inexistência de um futuro. Talvez porque estejamos vivendo excessivamente em função da longevidade ou da aprovação alheia - duas apostas um tanto incertas, por sinal.

Será que dá para, sem tragédias iminentes, saber usufruir o presente? Ok, melhor não adiar o dentista, para o caso de se chegar aos cem anos. Mas que tal ouvir a música preferida agora? Bom proveito.

12 de Janeiro de 2008

Caretice e coerência

Arquivado sob: Opinião — Marta @ 17:39

A polêmica foi levantada por “Tropa de elite” e continuou com “Meu nome não é Johnny”, filmes que mostram usuários de drogas como financiadores da violência relacionada ao tráfico.

Agora, discretamente na mídia, e menos discretamente nas rodinhas de pessoas com, digamos, “culpa no cartório”, começa a haver uma reação. Os argumentos vão desde que as drogas sempre existiram na humanidade até a especulação de que o crime seria redirecionado para delitos piores, como seqüestros, na falta de drogas para traficar. Além disso, culpabilizar o usuário acabaria por tirar os holofotes dos verdadeiros responsáveis pelo crime organizado.

Essa é uma daquelas discussões em que todos - e ninguém - têm razão. É claro que comprar um baseado do amigo do amigo não é igual a dar um tiro na cabeça de uma criança vítima da guerra do tráfico. Mas essa pessoa tem, sim, sua parcela de responsabilidade - o que não diminui nem um pouco a das autoridades corruptas e omissas em relação ao assunto.

Tudo é uma questão de informação e consciência. Outro dia ouvi uma menina argumentar que “achado não é roubado, quem perdeu que é relaxado,” para tentar ficar com um brinquedo deixado numa piscina. Quantas vezes ouvimos isso quando éramos pequenos?

Mas os tempos são outros. Hoje sabemos que existem departamentos de achados e perdidos e que outra criança pode estar chorando pelo brinquedo. Depois de adquirir essa consciência, simplesmente não dá para ignorar tudo em nome de uma vantagem imediata.

Sempre vão existir argumentos fajutos e rimados para os que preferem a ignorância. Para os outros, a informação é um caminho sem volta. Não dá para comprar produtos mais baratos se eles são fruto de mão de obra escrava ou infantil, ou para votar em político corrupto porque “rouba mas faz”.

Correndo o risco de parecer radical, acredito que o mesmo raciocínio pode ser levado para quem compra produtos pirateados e até para quem dá esmola a crianças exploradas por adultos nas ruas.

Sei que não é fácil mudar hábitos - alguns até ingênuos e, na aparência, inofensivos - e também que não mudaremos o mundo com esses gestos. É apenas uma questão de garantir o sono tranqüilo e, principalmente, ensinar o que vale a pena aos nossos filhos.

9 de Janeiro de 2008

De marré, marré, marré

Arquivado sob: Crônicas — Marta @ 10:20

Depois de passar a tarde no apartamento da amiguinha nova, minha filha concluiu: “Mamãe, ela é rica!” Como não costumamos em casa classificar as pessoas como ricas ou pobres, estranhei.

Rica por quê? Ah, ela explicou, havia um quarto de brinquedos, piscina e - o que mais parecia impressioná-la - uma sala de almoço só para as crianças, que eram servidas por uma “janelinha” - pelo que entendi, um passa-pratos.

“Podemos fazer uma janelinha no nosso apartamento, entre a cozinha e a sala?” Pelo visto, com um passa-pratos, passaríamos a ser ricos também…

Aos 8 anos, temos nossas próprias idéias sobre pobreza e riqueza. Com o tempo, os padrões vão se tornando comuns: quem tem uma lancha está bem de vida, quem paga aluguel é duro. E por aí vai.

Lembro-me que, com a mesma idade da minha filha, achava o máximo apartamentos acarpetados e com armários embutidos. Como morava numa casa grande, com móveis antigos e sofás protegidos por lençóis, tudo que parecesse moderno era sinônimo de riqueza.

Não sei se os ácaros já haviam sido inventados, mas o fato é que tapetes felpudos estavam no topo da minha lista. Depois, claro, vinham os brinquedos que eu não podia ter. Diante das explicações de que dinheiro não dava em árvore, concluí que devíamos ser pobres, e ponto final.

Mas um dia aconteceu algo muito estranho. Soube que os amiguinhos da escola já tinham me classificado como a menina rica, que morava na casa grande da Estrada Velha. Por via das dúvidas, nunca convidei nenhum deles para entrar - e descobrir que não havia um único tapete felpudo ou armário embutido.

7 de Janeiro de 2008

Virou tudo Casas Bahia

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 15:19

- Quer parcelar, sem juros?
- Hummm… Tem desconto à vista?
- Não.
- Então parcela. A perder de vista…

E lá entro eu para as estatísticas que comprovam que o brasileiro adora um pré-datado e compra até artigo de luxo em suaves prestações.

Mas vem cá: quem começou com essa história? As lojas ou os consumidores? Como no dilema do biscoito sempre fresquinho, difícil dizer.

Posso responder por mim. Detesto ter dívidas, ainda mais se estou com dinheiro no bolso. Odeio perceber a minha “alavancagem”, quando chega a fatura do cartão de crédito.

Mas me rendi, porque sei fazer conta. Se não tem desconto à vista, melhor que o dinheiro fique numa aplicaçãozinha, por mais modesta que seja.

Há algum tempo, ainda era possível negociar um abatimento. Agora, os gerentes não têm mais essa autonomia, ou as lojas fazem parte de redes, com uma política de crédito bem amarrada.

Resumindo: virou tudo Casas Bahia - aquela que compra por 100 e vende por 200, segundo o próprio dono, Samuel Klein, em confissão arrancada tempos atrás pelo repórter Marcelo Rehder.

4 de Janeiro de 2008

A inteligência em 2008

Arquivado sob: Jornalismo, Comportamento — Marta @ 17:05

“A influência da telefonia nas artes plásticas”. Quando bati os olhos no tema da palestra, cheguei a achar que era piada, ou erro do jornal.

Depois fui percebendo que, no contexto do evento, sobre arte e tecnologia, aquilo podia fazer sentido. Havia, ainda, um case sobre estudantes da Baixada que tiraram fotos com celulares: aquilo foi para a internet e virou arte.

Ah, bom.

Há pouco tempo, li uma entrevista com um pesquisador que formulou uma nova concepção sobre a inteligência. Não, não se tratava daquela história de QE (quociente emocional) nem da separação por competência (inteligência musical, lingüística, matemática, interpessoal etc). Pelo visto, essas caíram por terra, junto com a margarina, quando a manteiga foi reabilitada.

A inteligência, especialmente no futuro, estará relacionada à capacidade de associar idéias – retiradas de diferentes contextos, e não necessariamente originais. Seria algo como “nada se cria, tudo se associa”.

Confesso que me identifiquei um pouco – não por me julgar excepcionalmente inteligente, mas porque percebi ali a essência da prática jornalística. Somos treinados, no dia-a-dia, para selecionar as idéias alheias mais interessantes e relacioná-las numa matéria – às vezes forçando a barra um pouquinho, como no caso da telefonia e das artes plásticas…

Nessas horas, fico pensando que o jornalismo deveria ser a profissão do futuro. É verdade que os veículos de comunicação estão se esfacelando no mundo todo, ninguém sabe o que ficará no lugar (os blogs?) e o mercado de trabalho nunca esteve tão ruim.

Em tese, porém, o bom senso e a expressão jornalística teriam tudo para se espalhar pelo mundo e pelas outras profissões (que o digam as empresas interessadas em contratar essa mão de obra para a área de comunicação corporativa, que está bombando).

O fato é que o antigo conceito de inteligência ainda está por aí, rondando a vida escolar dos pobres dos nossos filhos. Isso apesar de ter sido desmistificado nas primeiras reportagens (sempre elas) que mostraram os geninhos do vestibular, algumas décadas depois de terem sido manchete de jornal.

Há duas semanas, tive uma experiência semelhante: festa dos 25 anos dos formandos do Colégio Santo Inácio. Conversando com os antigos colegas, foi fácil perceber que os décimos de nota tão importantes na época do colégio em nada influenciaram as vidas profissionais e pessoais que se seguiram.

Já a rede de relacionamentos e o suporte financeiro das famílias… Bem, mas essa é outra história. Tem a ver com o outro “QI”, tão antigo quanto o da inteligência, e que ainda desafia os tempos modernos…

Fugindo da manada

Arquivado sob: Diversão e arte — Marta @ 14:45

Calor de arrebentar no Rio de Janeiro. Um domingão inteiro para distrair as crianças, inquietas pelas férias escolares. Programa óbvio: praia e cinema.

Mas aí deu um clique. Por que não cinema e praia? Sim, neste caso, a ordem dos fatores altera completamente o produto.

O sol estava a pino quando adentramos a sala fresquinha para ver “A bússola de ouro”. Dividimos a sessão de 13h apenas com um casal na platéia.

Almoçamos e chegamos à piscina às 17h. Pelo chão ainda escaldante, dava para imaginar o inferno que estava ali ao meio dia. Por isso, provavelmente, todos já haviam ido embora. Agora a brisa soprava e o mergulho foi espaçoso.

Depois fiquei pensando por que é tão difícil ter idéias assim. Por algum motivo desconhecido, buscamos sempre a manada. Para ter companhia ou para reclamar depois?

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