Blog no POP
Publicado por Marta em 06 Dez 2007 | sob: Jornalismo
Se não teve foto na web, então não teve festa. A frase é de uma adolescente e foi citada por Juliana Jabor, antropóloga que deu um curso sobre “blogs e narrativas de si” no POP (Pólo de Pensamento Contemporâneo, um lugar bem mais simpático do que a Casa do Saber).
Professora e alunos compartilharam naquele espaço, meio perplexos, a confusão que existe hoje entre mundo real e virtual. Já proliferam livros e teses sobre blogs e os impactos das novas tecnologias - e dá vontade de devorar todos.
Mesmo sem tê-los lido (ainda), euzinha, que só assisti duas aulas, sinto que minhas impressões precisam ficar registradas aqui, para não se perderem (ou seria para existirem?).
Então vamos lá. Acho que a necessidade de registrar e exibir para os outros a própria felicidade sempre existiu. Com a internet e sua mobilidade, isso ficou tão ágil que a validação deste “real”, por meio de registros, se tornou obrigatória.
As experiências e os conhecimentos PRECISAM ser compartilhados para terem sentido.
É bacana que seja assim. Não é fácil para mim, que sempre prezei a discrição, reconhecer que instantâneos da vida podem ser editados e exibidos por aí. Mas a verdade é que este é um processo transformador da realidade, está mudando hábitos e pessoas, e por isso é muuuuuito interessante.
Seria fácil criticar aqui o exibicionismo dos adolescentes, dizer que não tenho paciência para reality shows e ignorar que estamos diante de um fenômeno definitivamente novo – que só por isso vale a pena aceitar sem preconceitos.
Em relação ao meu blog, o curso me deixou embatucada. Seria o Espuminha “endo” ou “ex” orientado? Sim, porque aprendi que, a grosso modo, os blogs são identificados como confessionais ou voltados para fora, como os especializados.
Ao mesmo tempo, surpreendi-me com as comparações entre blogs e diários. Quem costuma escrever sabe que sempre pensamos em quem vai ler. Às vezes nos flagramos querendo agradar, ou passar uma imagem nossa, para alguém em especial – e isso é um problema no jornalismo, quando o repórter pensa na fonte ou no editor, em vez do leitor.
Mas quer dizer que as pessoas não fazem mais diários íntimos e realmente secretos, imaginando que só serão lidos depois de sua morte? Que pena. É uma experiência muito rica. E completamente diferente de escrever um blog, posso assegurar do alto de uma pilha de caderninhos bem escondidos no armário. Ih, acho que estou confessional hoje…
| Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 937
Bom se é para se confessional. Vamos lá:
Cada doido com sua mania E não escrevo diários, nunca escrevi, mas tenho mania de escrever cartas. Depende do dia da hora e da circuntância, a carta pode ser de desabafo, de amor, carinho. até testamento já escevi. Um período estive doente e achava que iria morrer, fiz a partilha… como sempre dramáááática. Tá tudo lá, guardadinho dentro de uma caixa no armário selado com uma tarja escrito: “não ambram enqüanto eu viver”. Não quis usar a palavra morte para não atrair.
Já fiz tbm uma brincadeirinha do tipo assim:
-Qdo tinha 6 anos descobri minhas habildades manuais.
- Qdo tinha 7, descobri que jogar a bolinha de tênis do irmão pela janela não era uma boa idéia.
- Aos 8, que trancar o irmão no quarto, era péssima idéia.
.
.
-Qdo tinha 17 descobri que sexo sem método contraceptivo é uma baita fria.
E por aí vai.
Tá lá, tudo na caixinha, para ser lido na hora certa.
Agora me fala, colocar essas coisas no blog de que jeito? pra todo mundo ler? não dá… tem que ser assim mesmo escondidinho. Mesmo porque aqui e agora só coloquei coisinhas lights.
Confessional, mas nem tanto!
Oi Marta, passei por aqui para conhecer o seu blog. Parabéns! Acho que você poderia escrever mais sobre aquele assunto dos vestígios da aula da Juliana, no POP. Por mais que não contemos tudo nos blogs, existe uma “alma” por trás, que não mente jamais… Sobre os diários, descobri há pouco tempo o i-ching, que não deixa de ser uma espécie de diário interativo.
Enfim, espero podermos compartilhar mais algum curso juntas! Se tiver uma dica, me avise…
Sandra
Marta, que aula é essa que você está tendo? E já deu tempo de alguém fazer tese sobre blog???
Mônica, a Juliana Jabor, que deu o curso (foram só quatro aulas), está fazendo uma tese sobre esse assunto. Também foram mencionados livros bem interessantes: “Geração blogue”, de Giuseppe Granieri, “O choque do real”, de Beatriz Jaguaribe e “Cabeças digitais”, da Editora PUC.
Sandra, que bacana que você ter vindo aqui! Ficamos com gostinho de “quero mais” no curso, não é mesmo?
Sobre essa “alma”, acho que é ela que gera identificação e visitação em um blog. Ninguém passa a freqüentar um blog porque concorda com o que foi dito, mas sim porque, de alguma forma, compreende as entrelinhas, a motivação do blogueiro etc.
Quando souber de um novo curso, prometo divulgar em um post!