Se não teve foto na web, então não teve festa. A frase é de uma adolescente e foi citada por Juliana Jabor, antropóloga que deu um curso sobre “blogs e narrativas de si” no POP (Pólo de Pensamento Contemporâneo, um lugar bem mais simpático do que a Casa do Saber).

Professora e alunos compartilharam naquele espaço, meio perplexos, a confusão que existe hoje entre mundo real e virtual. Já proliferam livros e teses sobre blogs e os impactos das novas tecnologias - e dá vontade de devorar todos.

Mesmo sem tê-los lido (ainda), euzinha, que só assisti duas aulas, sinto que minhas impressões precisam ficar registradas aqui, para não se perderem (ou seria para existirem?).

Então vamos lá. Acho que a necessidade de registrar e exibir para os outros a própria felicidade sempre existiu. Com a internet e sua mobilidade, isso ficou tão ágil que a validação deste “real”, por meio de registros, se tornou obrigatória.

As experiências e os conhecimentos PRECISAM ser compartilhados para terem sentido.

É bacana que seja assim. Não é fácil para mim, que sempre prezei a discrição, reconhecer que instantâneos da vida podem ser editados e exibidos por aí. Mas a verdade é que este é um processo transformador da realidade, está mudando hábitos e pessoas, e por isso é muuuuuito interessante.

Seria fácil criticar aqui o exibicionismo dos adolescentes, dizer que não tenho paciência para reality shows e ignorar que estamos diante de um fenômeno definitivamente novo – que só por isso vale a pena aceitar sem preconceitos.

Em relação ao meu blog, o curso me deixou embatucada. Seria o Espuminha “endo” ou “ex” orientado? Sim, porque aprendi que, a grosso modo, os blogs são identificados como confessionais ou voltados para fora, como os especializados.

Ao mesmo tempo, surpreendi-me com as comparações entre blogs e diários. Quem costuma escrever sabe que sempre pensamos em quem vai ler. Às vezes nos flagramos querendo agradar, ou passar uma imagem nossa, para alguém em especial – e isso é um problema no jornalismo, quando o repórter pensa na fonte ou no editor, em vez do leitor.

Mas quer dizer que as pessoas não fazem mais diários íntimos e realmente secretos, imaginando que só serão lidos depois de sua morte? Que pena. É uma experiência muito rica. E completamente diferente de escrever um blog, posso assegurar do alto de uma pilha de caderninhos bem escondidos no armário. Ih, acho que estou confessional hoje…