21 de Novembro de 2007

Tem alguém aí?

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 17:07

Não sei se a culpa é do Prozac ou da disseminação da cultura do telemarketing. O fato é que tenho me deparado ultimamente com pessoas que simplesmente não interagem. Elas repetem uma mesma frase, com algum gerúndio embutido, e não contra-argumentam.

Já vivi uma história assim com uma vendedora. Na segunda-feira, quase fui à loucura com uma assessora de imprensa. Relatei calmamente o meu périplo até aquele momento, fui sugerindo alternativas como tentarmos outra fonte ou uma entrevista por email.

Como ela continuava muda, experimentei: “Então, o que você acha disso tudo?” Ela respondeu, em tom monocórdio: “Continuamos tentando agendar a sua entrevista”. Só faltava ter completado: “Sua ligação é muito importante para nós.”

Respirei fundo. “Hellooooo!” Toc, toc, toc. “Tem alguém aí?” Não falei, mas foi o que pensei.

Será que estas pessoas são escolhidas para desempenhar suas funções justamente por serem capazes de ter “reações” assim? É uma hipótese…

Estamos na era do “empurre com a barriga”, “sobreviva ao seu dia” e, principalmente, “o importante é não perder a pose”.

No universo corporativo, então, nem se fala. Como a lição primeira é “jamais fale o que está pensando”, as pessoas vão desaprendendo a pensar, para não correr riscos.

Que coisa.

1 Comentário »

  1. OI Martinha,

    Também acho incrível o processo de robotização em que as pessoas estão envolvidas ultimamente. Quando são aquelas pessoas do telemarketing, me oferecendo produtos que não desejo (as vezes tenho a sensação que só por ser telemarketing, meu desejo se ausenta), não me contenho em dar algum tipo de resposta equivocante, quase respostas loucas ou bizarras para ver se tem alguém lá dentro.

    Beijos

    Comentário de Andréa Estevão — 22 de Novembro de 2007 @ 11:51

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