É de pequenino que…
Sempre que as mulheres reclamam do quanto os homens são imprestáveis em casa, folgados e machistas em relação às tarefas domésticas, fico pensando que foi uma mulher quem os educou assim.
Não tenho filho homem para dizer como isso funciona na prática, mas imagino que as amigas que os têm estejam atentas ao assunto.
De qualquer forma, fica o espanto de como isso perdura: homens que jogam a roupa suja no chão, deixam a toalha molhada na cama, esperam que alguém lhes sirva a comida e ainda reclamam se alguma coisa está fora do lugar!
Vi um filme na semana passada em que os homens eram exatamente assim – e parecia um documentário. Em “A casa de Alice”, a pobre protagonista teve três filhos homens, que em algum momento deixaram de ser crianças fofas para se tornarem homens imprestáveis, com idades entre 17 e 21 anos.
Os garotos têm no pai o pior exemplo possível, é verdade. Mas nos detalhes da rotina doméstica – pano de fundo para o drama da mulher quarentona e sem perspectivas na vida – vamos descobrindo o real motivo para aquela situação.
A avó resignada e amorosa trata os quatro marmanjos como se fossem bebês, fazendo-lhes o prato e ignorando suas reclamações levianas. Cumpre quase confortável o seu papel de servir os homens e manter a frágil harmonia familiar.
Mulheres que educam filhos e netos para serem homens imprestáveis estão por toda a parte, independentemente de classe social. Fiquei estarrecida na primeira vez em que percebi não se tratar de um fenômeno comum apenas aos “filhinhos de papai” das classes mais abastadas.
Tive uma empregada que tratava seu filho mais velho como um rei. As filhas não tinham moleza, mas para atender aos caprichos do rapaz era capaz de fazer faxina extra, trabalhar noite e dia. Chegava a bater as pestanas quando falava dele, e sempre justificava seu mau desempenho escolar.
Em um jornal onde trabalhei também havia uma secretária assim, mulher forte e inteligente, que andava de trem e economizava cada tostão para pagar a prestação do carro do filho desempregado. Quando o automóvel espatifou-se em um poste, sequer ficou revoltada.
Certamente fazia o seu prato à mesa. Talvez tenha até sentido algum orgulho quando o seu “homenzinho” reclamou a primeira vez da comida, com voz grossa.
Que diabos acontece com as mulheres, que se emanciparam mas continuaram incapazes de formular um novo modelo masculino para seus filhos? E não me venham falar que o exemplo masculino se reproduz sozinho, porque todas sabemos que meninos são criados por mulheres – mães, avós, babás, professoras.
Deve haver explicações psicanalíticas, claro. Mas tenho esperanças de que estejamos apenas numa fase de transição. Quem sabe minha filha não precise reclamar da roupa suja no chão…
Em tempo: casar com homem que já morou sozinho ajuda!