Sem bengala
Pode-se envelhecer (começa depois dos 30…) de duas formas: prestando atenção ou não.
Meu professor de ginástica, que costuma dar palestras sobre “Envelhecimento bem sucedido”, é radical sobre o assunto: “Temos que assumir que estamos envelhecendo e cuidar do assunto”, afirmou hoje na aula, sob protestos das alunas, digamos, mais maduras.
Momentos antes, ele comentara sobre a importância de fortalecer a panturrilha: no futuro, isso nos ajudará a subir escadas sem grandes sacrifícios. E lá nos vimos todas, velhinhas de bengala…
A sua experiência no assunto mostra que não adianta ignorar o processo de envelhecimento. Um dia o sujeito simplesmente leva um susto.
Euzinha vinha pensando justamente na opção contrária. Inspirada por uma amiga totalmente desencanada com o assunto, a ponto de ter esquecido a própria idade (jurava que era mais nova), ponderei que as pessoas andavam se preocupando demasiadamente com o envelhecimento.
Esse foco todo acaba ampliando o problema, conclui. Sem falar no desperdício de energia (e tempo, dinheiro, creminhos, dietas, plásticas…). A vida é aquilo que acontece enquanto nos preocupamos em não envelhecer, diria John Lennon…
Mas não tinha pensado no tal dia, em que a pessoa desencanada e feliz cai do cavalo. Olha para o espelho, ou tem um problema de saúde, e não se reconhece. Cai em depressão, ou finge que não reparou…
Como não consigo colocar problema debaixo do tapete, acho mais prudente batalhar para ter saúde na velhice – desde que isso não implique grandes sacrifícios. Por via das dúvidas, às vésperas dos 42, decidi cuidar das panturrilhas…