No restaurante
Lembra quando a gente achava o fim da picada alguém falar no celular andando na rua? Era exibicionismo!
Mas isso foi séculos atrás, no tempo em que exibicionismo era algo incomum. Não havia orkut nem reality shows, ninguém contava confidências em blog (ficavam no diário, com cadeado!) e a Playboy não convidava amantes de políticos para serem capa da revista.
Isso tudo me veio à mente enquanto escutava involuntariamente os detalhes de uma viagem à Europa. O roteiro, os hotéis reservados, o carro que seria alugado.
Prato numa mão e celular na outra, a mulher já entrou na fila, para se servir no restaurante a quilo, embalada na conversa. Enquanto decidia entre a alface ou a rúcula, explicava que o hotel havia sido indicado pela cunhada, e era muito bem localizado.
Atrás dela, esperando pacientemente, eu tentava chegar a uma conclusão: aquilo não seria exagerado, pelas regras de etiqueta atuais? Se for, quando deixará de ser?
Aliás, pelo andar da carruagem (nossa, essa foi dos tempos do telefone fixo, com disco e tudo!), ninguém vai se preocupar com regras de etiqueta no futuro…
Acho que os bem educados de verdade, ou no mínimo as pessoas antenadas, desligam o celular ou o colocam no vibrador, e não falam quando estão em local público. É também é uma tremenda falta de educação interromper uma conversa com alguem conversa e começar a falar longamente com a pessoa que ligou para o seu celular. E para quem usa em ambiente fechado, como restaurantes tipo o que vc foi, é bom tomar cuidado porque sempre pode haver um jornalista por perto, como foi o seu caso, Marta. Lembra do ministro do STF falando do mensalão? Ele estava num restaurante chique de Brasília chorando as pitangas e a repórter só ali do lado, anotando tudo…
Comentário de Mônica Rodrigues — 25 de Outubro de 2007 @ 07:57