Errar é humano, e engraçado
Bombou na web um vídeo de uma apresentadora de TV sueca que, de repente, vomita no ar, no meio de seu programa. Em outro vídeo, a moça aparece em um talk show, contando como se tornou celebridade depois de 2 milhões de cliques de internautas do mundo todo.
Não sei o que é mais constrangedor: ver a moça vomitando ou, depois, toda sorridente, por ter ficado famosa por vomitar.
Entre os campeões do You Tube, sempre estão vídeos como esse, com vexames de celebridades ou de pessoas comuns – que acabam “famosas”. Mas por que as pessoas gostam tanto de rir da vergonha alheia?
Não sou chegada a humor escatológico, nem a cenas de humilhação pública – que, por sinal, fazem sucesso desde os mais remotos registros teatrais e circenses. Mas como já dei boas risadas com a senhora do “sanduíche-iche” (quem viu?) ou com a Lilian Wite Fibe noticiando às gargalhadas sobre um velhinho preso com caixas de viagra, acho que o fenômeno atual vai além.
Nesses tempos de fotoshop, em que exibir a vida perfeita é mais importante do que viver, estamos ávidos por improviso, erro, humanidade. Adoramos roteiros e imagens tecnicamente perfeitos (viva a tecnologia!), mas, lá no fundo, pensamos: não é possível que somente a nossa vida aconteça de maneira tão errática, cheia de tropeções, repetições desnecessárias (sanduíche-iche), doenças fora do script!
Admiramos as casas dos artistas de Caras e as propagandas de perfume, mas temos plena consciência da impossibilidade daqueles cenários. Sabemos que a vida é feita, definitivamente, de objetos fora de lugar.
Então, quando um amigo manda por email um vídeo com o título “Hilário” ou “Divirta-se”, está dada a permissão: podemos clicar e rir do vexame alheio. Talvez estejamos rindo de nós mesmos, das nossas imperfeições, da nossa humanidade.