Outubro 2007

Arquivo Mensal

Os crédulos da internet

Publicado por Marta em 31 Out 2007 | sob: Cotidiano

Eles acreditam que aquela crônica foi escrita mesmo pelo Jabor, ou pelo Veríssimo, só porque é obscena ou engraçada (respectivamente). Repassam correndo a fotomontagem manjada, depois de exclamar ao computador: “Caraca!”.

Na dúvida, repassam também todas as correntes com praga. Afinal, não custa nada (só o tempo dos amigos).

Os crédulos da internet deixam de comprar o xampu que causa câncer, denunciado por email, mas desconfiam da história do hambúguer feito de minhoca – porque deixar de ir ao Mc Donald’s, aí o sacrifício já é demais.

Apesar de acreditar em tudo que lê no computador, o crédulo da internet não pensa duas vezes quando você tentar marcar um encontro via email. Pega o telefone e liga para confirmar.

O crédulo da internet costuma espalhar vírus por aí. Em compensação, espalha também todas as cartilhas de como não ser contaminado por vírus, não ser roubado no sinal, não ser multado pelo radar etc.

No fundo, o crédulo da internet é um bom sujeito. Tenha paciência com ele!

Como os nossos filhos

Publicado por Marta em 30 Out 2007 | sob: Comportamento

Quando jovens, tínhamos escolhas a fazer, mas todos os caminhos já estavam traçados. Pelo menos era o que achávamos. No colégio em que eu estudava, bem tradicional, a maioria seria engenheiro, outros, médicos e três ou quatro maluquinhas quiseram seguir o jornalismo, apesar de serem boas alunas.

Lembro-me de considerar a novíssima faculdade de informática, porque “dava dinheiro” e eu queria independência rápida. Acabei optando por um caminho mais tortuoso, no entanto.

Ouvíamos Elis Regina cantando “Como os nossos pais” e pensávamos, com alguma dose de conforto, que nossas experimentações e rebeldia teriam efeitos limitados. Lá na frente, tudo estava arranjado para nós. Qualquer coisa, poderíamos fazer uma canção nostálgica e reclamar do nosso destino óbvio.

Mas eis que o batalhão de engenheiros não foi trabalhar como engenheiro. No livro dos 20 anos de formatura do colégio, li alguns depoimentos ressentidos daqueles que não encontraram as obras do Brasil grande para erguer. “Enganaram-nos!”, diziam.

Ninguém enganou ninguém, apenas o mundo das certezas dissipou-se aos nossos olhos. Teríamos que construí-lo novamente, mas provisório, como tudo seria dali para frente.

A tal da informática revelou-se o embrião da revolução tecnológica, que deixaria para trás a era industrial, tão sólida para nós. O mundo agora cabe na tela de um computador. Não há empregos como os conhecíamos, e, para complicar a história, vamos viver muito mais do que estava planejado.

Não sabemos o que ensinar aos nossos filhos, porque estamos confusos sobre a sociedade em que vivemos hoje. O que dirá prever a de amanhã.

Li na Época um artigo do Domenico De Masi - o italiano bon vivant que cunhou a ótima expressão “ócio criativo” – sobre os efeitos da nossa desorientação atual: “as relações sociais e a tenacidade de atingir objetivos se atenuam. Nos tornamos apáticos e nosso estilo de vida se torna banal.”

Porém De Masi, como sabemos, é um otimista incorrigível, então ele ressalta: “os de personalidade forte transformam sua desorientação em busca criativa”.

Não acredito que a busca de novos caminhos seja uma questão de força ou tenacidade, mas de sobrevivência. Estamos aprendendo a desbravar caminhos novos na marra, sem saber aonde chegaremos. A outra opção é a depressão.

Podemos também fingir que nada mudou, e tentar viver como os nossos pais. Seremos velhos reclamões. Cada vez que lamentarmos que no nosso tempo era melhor, nossos filhos vão rir de nós.

Obviamente tudo é melhor hoje. É só uma questão de se habituar a caminhar por onde ninguém esteve antes. Em vez de extenuante ou tensa, a jornada pode ser excitante.

Quando me dispo de preconceitos e temores infundados, é assim, excitada, que me sinto em relação ao futuro. Há tantas possibilidades… Inclusive a que podemos inventar agora, neste instante.

Mimos inocentes

Publicado por Marta em 29 Out 2007 | sob: Jornalismo

O valor do mimo foi o mesmo: R$ 200.

Em São Paulo, jornalistas presentes numa coletiva da Mattel (com a imagem arranhadíssima por conta de consecutivos recalls de brinquedos) ganharam um boneco da Vila Sésamo na saída. No dia seguinte, o fato era relatado na coluna de Daniel Castro, da Folha, com o título “Jabaculê”.

Em Brasília, no mesmo dia, um grupo de senadores foi assistir ao espetáculo “Alegría”, do Cirque du Soleil, por conta da TAM (com uma penca de interesses na pauta do Congresso). Rendeu notinha no Correio Brasiliense, com o título “Alegria, alegria!”

Não adianta um código de ética estabelecer parâmetros para separar brindes inocentes de jabás mal-intencionados. Podemos ficar horas discutindo se R$ 200 influenciam um jornalista ou senador. O fato é que, depois que sai no jornal, fica tudo com cara de escândalo.

Como diz o ditado, “à mulher de César não basta ser honesta; tem que parecer honesta”…

Em tempo, coleguinhas: perdoem-me a comparação entre senador e jornalista. Mas estava quicando na área…

Cortesia

Publicado por Marta em 26 Out 2007 | sob: Comportamento

Responda rápido: Ao ligar para o celular de alguém próximo, sua primeira pergunta por acaso é: “Onde você está?”

Que tal trocar por “Você pode falar?”

Grisalha ficava a sua avó

Publicado por Marta em 25 Out 2007 | sob: Femininas

Está rolando uma moda de mulher de cabelo branco. Isso mesmo. Enquanto as pré-adolescentes fazem mechas no salão, algumas quarentonas resolveram assumir a cor natural e abandonar o ritual da tinta. Já pipocaram aqui e ali matérias a respeito - com direito a fotos de mulheres bonitas, de visual moderno e … grisalho.

Parece cheio de atitude, interessante mesmo. Outro dia, vi uma dessas mulheres no salão, fazendo escova (os brancos modernos são mais compridos que os das senhoras de antigamente).

A propósito de um post meu sobre envelhecimento, minha amiga Cristiana (do Blogtalk) revelou em comentário sua decisão de seguir o caminho. Confesso que, na hora, lembrei que a Cris sempre foi bonitona, sem maiores esforços, e não gostei da idéia de vê-la grisalha. Não combina com ela!

Nada envelhece mais a aparência do que cabelo branco. Afinal, a imagem das nossas avós - aquelas que nunca usaram tinta - ainda está bem gravada na memória. E elas não tinham qualquer atitude, literalmente. Bordavam, cuidavam dos netos, eram expectadoras da vida dos outros.

Se hoje, aos 50 anos, uma mulher tem o mesmo dinamismo de outra de 30 - é produtiva, atualizada e inteligente -, que mal há em adiar os cabelos brancos e afastar de si a imagem das velhinhas que tricotavam no sofá? Veja bem, não estou falando de fazer dúzias de plásticas ou gastar rios de dinheiro em cremes. Basta um xampuzinho tonalizante de vez em quando…

Cuidar do visual na maturidade é uma questão de bom senso: aceitar as ruguinhas, porque elas mostram que somos mais seguras e sábias que as mais novas, mas também adiar o aspecto senhoril (roupas e cabelo branco) de uma geração anterior à nossa com a qual não nos identificamos.

Qual será o limite disso tudo? Um belo dia, vamos nos olhar no espelho e dizer: cansei, quero ser uma velhinha de cabelo branco, igual à minha avó? Quem sabe, daqui há muuuuuitos anos…

No restaurante

Publicado por Marta em 23 Out 2007 | sob: Cotidiano

Lembra quando a gente achava o fim da picada alguém falar no celular andando na rua? Era exibicionismo!

Mas isso foi séculos atrás, no tempo em que exibicionismo era algo incomum. Não havia orkut nem reality shows, ninguém contava confidências em blog (ficavam no diário, com cadeado!) e a Playboy não convidava amantes de políticos para serem capa da revista.

Isso tudo me veio à mente enquanto escutava involuntariamente os detalhes de uma viagem à Europa. O roteiro, os hotéis reservados, o carro que seria alugado.

Prato numa mão e celular na outra, a mulher já entrou na fila, para se servir no restaurante a quilo, embalada na conversa. Enquanto decidia entre a alface ou a rúcula, explicava que o hotel havia sido indicado pela cunhada, e era muito bem localizado.

Atrás dela, esperando pacientemente, eu tentava chegar a uma conclusão: aquilo não seria exagerado, pelas regras de etiqueta atuais? Se for, quando deixará de ser?

Aliás, pelo andar da carruagem (nossa, essa foi dos tempos do telefone fixo, com disco e tudo!), ninguém vai se preocupar com regras de etiqueta no futuro…

Novo mico no ar

Publicado por Marta em 22 Out 2007 | sob: Jornalismo, Opinião

A Airbus está lançando o maior avião da história, com capacidade para 853 passageiros. A imprensa em peso deu a notícia, com direito à foto de uma das quatro suítes disponíveis no jumbo, com cama de casal salpicada de pétalas de rosas.

Para completar a divulgação glamourosa, arrumaram como personagem um britânico excêntrico que pagou US$ 100 mil para ser reconhecido como o passageiro número 1, na viagem inaugural de Cingapura a Sidney.

Tudo muito curioso, interessante e … providencial, para que viajantes do mundo inteiro não percebam a incompetência do setor aéreo em resolver os problemas que de fato infernizam suas vidas.

Sim, porque nem eu nem você vamos pernoitar naquela cama de casal da foto. Mas, talvez, daqui a alguns anos, estejamos na fila do check in que vai embarcar… 853 passageiros!

Alguém consegue imaginar que, junto com o superjumbo, algo vai mudar na estrutura dos aeroportos ou na qualidade dos serviços das companhias aéreas? Com que antecedência um passageiro da classe econômica precisará chegar ao aeroporto? Qual o tamanho das filas (check in, polícia federal, embarque) que vai enfrentar?

Mas, claro, se o destino é Paris, releva-se a espera, o desconforto, o cheiro ruim dos banheiros. Pensaremos no glamour de viajar no maior avião do mundo e tentaremos relaxar e gozar, como diria a outra Marta. Além disso, na classe econômica, será oferecido um videogame em três dimensões!

Então, já sabe: nada de se estressar quando o piloto informar que o avião ficará dando voltas em cima da cidade, por causa do tráfego aéreo. Quando o A380 aterrissar, tenha paciência para esperar que umas 800 pessoas desembarquem na sua frente. Não esqueça que eles ainda serão acomodados em ônibus (quantos?), para então começar a peregrinação do desembarque propriamente dito, incluindo a megafila da imigração.

Ah, você perdeu a conexão depois de tantos atrasos e teme ficar sem a mala? Humm, que azar, né? Mas, não querendo ser chata, olhe bem a expressão dos funcionários diante do seu desespero: isso acontece o tempo todo! E, sinto informar, a crise não é só no Brasil…

A verdade é que a tecnologia da aviação estacionou há décadas. Continuamos levando o mesmo tempo para atravessar o Atlântico – em poltronas cada vez mais apertadas, para dar conta da explosão da demanda por viagens longas.

Enquanto as comunicações ganhavam a velocidade da internet e os trens passavam a deslizar como balas, nos acostumamos ao desconforto das viagens aéreas. Às companhias, diante dos poucos avanços no setor, restou o caminho da massificação, e do nivelamento por baixo dos serviços prestados.

Mas quem ama viajar, como eu, vai fazer o quê? Bem, pelo menos vamos reclamar, ou mostrar que não somos tão bobos.

Na próxima divulgação, menos pétalas de rosas, por favor.

Sobre lucidez e valentia

Publicado por Marta em 18 Out 2007 | sob: Opinião

Antes de ser mãe, quando eu me posicionava contra a palmada, era logo desdenhada pelos pais presentes: “Espere para ver como é.” Esperei, tive a minha filha e passei pela fase das pirraças numa boa – com paciência, autoridade e sem palmada. “Ah, isso é porque você deu sorte”, sou capaz de ouvir agora.

Hoje em dia, quando o assunto é violência, ouço argumentos parecidos. Tudo porque tenho a mania “démodé” de defender os direitos humanos e ser contra tortura, pena de morte, esquadrão etc, em qualquer circunstância.

“Ah, isso é porque você ainda não vítima de algo terrível”, sugerem. Bato na madeira três vezes, no caso de ser praga. A maioria das pessoas também não foi, nem por isso deixa de tomar as dores dos que viveram as tragédias dos jornais, para justificar: “Esse bandido eu matava, devagarinho.” E dá-lhe palmas para o capitão Nascimento.

Entendo que o assunto é delicado – a ponto de dois leitores do Espuminha terem comentado meus posts sobre “Tropa de elite” por email, e não no blog. Um deles afirmou que “não queria ser julgado”. Nessas horas, o racional é atropelado pelo emocional, que depende da vivência e dos temores de cada um.

Mas acredito que convicções pessoais profundas não se alteram nem se flexibilizam com o tempo. Posso ser contra a esmola, por exemplo, e amanhã achar que não é bem assim. Já mudei de opinião muitas vezes. Mas se o assunto é tortura, o buraco é mais embaixo.

Sou contra a tortura – e acho surreal precisar fazer esse tipo de afirmação aqui. É como se a violência urbana tivesse causado uma confusão mental na sociedade – daquelas que só vão ser percebidas daqui a muito tempo, sob uma perspectiva histórica, como foi com o nazismo.

Estamos vivendo um momento de loucura passageira ou as convicções (e os valores) estão mudando? Prefiro acreditar na primeira opção.

De qualquer forma, situações limites são ótimas para a reflexão e está para estrear um filme com este tema. Não vou perder, porque é estrelado pela Jodie Foster e dirigido por Neil Jordan. “Valente” é justamente sobre uma mulher pacata e sensível que se tranforma, depois de uma experiência absurda de violência em Nova York.

Será que mudo de opinião? É pagar (o ingresso) para ver.

Espelho

Publicado por Marta em 17 Out 2007 | sob: Cotidiano

E eu achando que o assunto estava se esgotando…

Em Recife, um agente penitenciário investigado por corrupção suicidou-se dentro do cinema, no finzinho de “Tropa de Elite”. No Rio, dois ladrões levantaram-se no meio da sessão, reclamaram que o filme era “uma droga” e limparam a bilheteria, depois de render o gerente (coluna do Anselmo).

Pelo visto, o filme de José Padilha e as reações que provoca estão merecendo um estudo sociológico mais aprofundado…

Você ainda agüenta ler sobre isso?

Publicado por Marta em 16 Out 2007 | sob: Cotidiano

Os assuntos já estão caindo de maduro, mas vamos a eles, até para deixar aqui um registro histórico deste outubro de 2007:

Tropa de Elite - O filme é muito bom. O mais impressionante é que cada um assiste de um jeito, tem uma leitura, gosta por um motivo diferente. Só por isso, é candidato à obra-prima. Imagino, porém, que o filme seja mais interessante para quem não enxerga o capitão Nascimento como herói, nem acha que essa era a intenção do diretor.

Mônica Veloso - Acho que o Jabor, na coluna de hoje, matou a charada: a ex-amante do senador corrupto é a única verdade nua e crua a que temos acesso, no turvo contexto da política brasileira. De lambuja, os leitores em número recorde da Playboy ainda podem fantasiar o que os dois faziam na cama…

Rolex do Huck - No dia em que li a carta-desabafo do apresentador na Folha, pensei: esse cara perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Não tem noção de como se expôs, nas entrelinhas desse texto. Achou que escrever na primeira pessoa era igual a exibir a sala de estar para a Caras. Não é. Além de mostrar que é tolinho, deu margem para um monte de gente falar mais besteira do que ele.

Agora vamos às perguntas que não querem calar: José Padilha vazou o filme para os camelôs como estratégia de marketing? Mônica Veloso tem mesmo aquela bunda ou é photoshop? Quanto Angélica pagou pelo Rolex roubado do marido?

Errar é humano, e engraçado

Publicado por Marta em 15 Out 2007 | sob: Comportamento

Bombou na web um vídeo de uma apresentadora de TV sueca que, de repente, vomita no ar, no meio de seu programa. Em outro vídeo, a moça aparece em um talk show, contando como se tornou celebridade depois de 2 milhões de cliques de internautas do mundo todo.

Não sei o que é mais constrangedor: ver a moça vomitando ou, depois, toda sorridente, por ter ficado famosa por vomitar.

Entre os campeões do You Tube, sempre estão vídeos como esse, com vexames de celebridades ou de pessoas comuns – que acabam “famosas”. Mas por que as pessoas gostam tanto de rir da vergonha alheia?

Não sou chegada a humor escatológico, nem a cenas de humilhação pública – que, por sinal, fazem sucesso desde os mais remotos registros teatrais e circenses. Mas como já dei boas risadas com a senhora do “sanduíche-iche” (quem viu?) ou com a Lilian Wite Fibe noticiando às gargalhadas sobre um velhinho preso com caixas de viagra, acho que o fenômeno atual vai além.

Nesses tempos de fotoshop, em que exibir a vida perfeita é mais importante do que viver, estamos ávidos por improviso, erro, humanidade. Adoramos roteiros e imagens tecnicamente perfeitos (viva a tecnologia!), mas, lá no fundo, pensamos: não é possível que somente a nossa vida aconteça de maneira tão errática, cheia de tropeções, repetições desnecessárias (sanduíche-iche), doenças fora do script!

Admiramos as casas dos artistas de Caras e as propagandas de perfume, mas temos plena consciência da impossibilidade daqueles cenários. Sabemos que a vida é feita, definitivamente, de objetos fora de lugar.

Então, quando um amigo manda por email um vídeo com o título “Hilário” ou “Divirta-se”, está dada a permissão: podemos clicar e rir do vexame alheio. Talvez estejamos rindo de nós mesmos, das nossas imperfeições, da nossa humanidade.

Gianecchini me persegue

Publicado por Marta em 10 Out 2007 | sob: Femininas

Essa é para as meninas que queriam novidades sobre Giane. Achei que nunca mais iria vê-lo, já que mudei de academia. Mas que eis que hoje, de repente…

Sim, ele também mudou de academia. E hoje malhava sem boné. Não, Cris, eu não tirei foto. Além de o meu blog não ter foto (por estilo e falta de jeito), vocês sabem: carioca finge que não vê artista. Mico de foto ou autógrafo, jamais.

Agora, falando sério. Ele é um meninote. Muito gracinha, é verdade, mais tem uma carinha de 20 e poucos anos (apesar dos 34).

Em sua biografia, Danuza Leão diz que a natureza é sábia, e que por isso, hoje, ela acha Sean Connery (77 anos) muito mais atraente do que um desses galãs novinhos de Hollywood.

Eu, sinceramente, estou mais para Danuza do que para Marília Gabriela.

O trabalho de não fazer nada

Publicado por Marta em 08 Out 2007 | sob: Femininas, Jornalismo

Educar um filho é uma experiência rica e interessante – mas não é para distraídos nem preguiçosos. Adorei a frase, da psicoterapeuta Lidia Aratangy, que assisti ontem no programa da Marília Gabriela, no GNT.

Inteligente e articulada, a entrevistada (e não a entrevistadora, por mais que esta quisesse transparecer as mesmas qualidades) tocou em um ponto extremamente sensível para mim: a dificuldade de ver o filho sofrer e se frustrar.

Uma mãe atenta, quando o filho tosse a noite inteira, descabela-se no dia seguinte para vê-lo curado; leva ao pediatra, faz até simpatia. Agora, o que fazer se aquele serzinho amado, tão despreparado para as relações humanas quanto para a tosse, chega da escola relatando que foi rejeitado pelos amigos?

Até onde uma mãe deve ir, para ajudar o fiho? Deve correr para marcar uma reunião com a professora? E que tal sugerir que ele leve um brinquedo novo para a escola, para atrair a amizade dos amiguinhos interesseiros?

Provavelmente a resposta certa é: deixe o seu filho se virar sozinho. Como você fez com os talheres ou o cadarço do tênis.

Só que não vale ter chegado a esta “solução” por preguiça ou distração. Educar não é para preguiçosos nem distraídos, lembra Lídia, com pertinência. Educar dá trabalho. Ou seja, tem que ter sofrido com o sofrimento do filho, perdido tempo com esse e outros problemas que de fato exigiam ação e, finalmente, se segurado para não fazer nada a respeito da sua frustração.

Irrita-me profundamente quando a mãe relapsa, desligada ou autocentrada torna-se exemplo por ter criado um filho independente e autônomo. Ela é considerada o contraponto da mãe superprotetora, que estraga a criança.

Nada mais injusto. A distraída, ou preguiçosa, pode até ter acertado (sem querer) em alguns pontos, mas em quantos outros o filho precisou de uma mãe sintonizada, para orientá-lo, e não encontrou ninguém? Que abismo existe hoje entre os dois?

Prefiro correr o risco de ser superprotetora (me policiando para não ser) e continuar compreendendo (quase) tudo o que se passa na cabecinha da minha filha…

***

Sobre Marília Gabriela, depois do programa fiquei pensando por que cargas d’água todo jornalista de TV, com o tempo, fica competindo com o entrevistado no quesito atenção. Mas aí me lembrei do Roberto D’Ávila (por onde andará?), um dos poucos jornalistas da telinha sinceramente mais interessado em seu entrevistado do que na própria performance.

A vaca foi pra praia ou pro brejo?

Publicado por Marta em 08 Out 2007 | sob: Cotidiano

Bacaninha essa Cow Parade que desembarcou no Rio. Já tinha visto em Paris, sei que rolou em São Paulo e pensei ter compreendido o espírito da exposição - um evento de arte de rua, com artistas contratados por patrocinadores e renda revertida para projetos sociais.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Mas o evento é de arte, não é mesmo? Provavelmente, a prefeitura libera suas calçadas para as vaquinhas, incluindo a orla carioca (onde a publicidade é proibida), de graça.

Aí vem o patrocinador, manda pintar uma vaca com as suas cores, e pronto: consegue uma mídia espontânea fantástica, agregando à sua marca os valores das paisagens de cartão postal do Rio de Janeiro.

Quanto será que ele pagou por isso?

Algumas vacas podem até ser manifestações genuínas de arte e criatividade, e estão divertindo cariocas e turistas ao enfeitar as nossas ruas. Mas outras…

Quer algo mais óbvio do que uma vaca azul-Adidas, com três listras e calçada por tênis (de verdade, provavelmente último modelo da marca)? Ou ainda uma vaca pintada de jóias e colares patrocinada pela H.Stern? Criativo, não?

Vem cá: não dava para os patrocinadores terem dado um pouquinho mais de liberdade aos artistas contratados?

Criatividade

Publicado por Marta em 05 Out 2007 | sob: Cotidiano

Parem as rotativas! Chegaram as novas cores da moda verão! Ou melhor, os novos nomes das mesmas cores de sempre…

Já falei desse assunto aqui (acho que abriu o blog), mas não resisto a voltar ao palpitante tema.

Estava eu olhando um vestidinho preto básico numa loja, para usar no niver, quando a vendedora atacou: “Também tem em deserto”. Só entendi quando ela sacou da arara um vestido idêntico, mas… na cor bege! Impossível conter a risada…

Estou curiosa para saber com que nome o roxo voltou à moda. Depois de vinho, uva e bordô, qual será a nova denominação? E o vermelho, que na estação passada era cereja?

Façam suas apostas, ou divirtam-se, na butique mais próxima!

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