3 de Setembro de 2007

A vida como ela é

Arquivado sob: Diversão e arte — Marta @ 18:14

O fim de semana foi de documentários. Sempre achei o gênero mais próximo de jornalismo do que de cinema. Como, em geral, vou ao cinema para descansar do jornalismo…

Mas com a inundação de (bons) documentários nas telonas, não dava para fugir do programa. Já tinha visto “Três irmãos de sangue” (sobre Henfil, Betinho e Chico Mário), e emocionei-me um bocado, quando resolvi na sexta-feira transformar o filme “Santiago” em um programa ousado.

Ousado por alguns motivos, mas principalmente porque carregamos junto um casal amigo que não costuma ir ao cinema. Nada demais, se você escolhe um filme fácil de agradar, mas bem arriscado quando a fita é um documentário sobre um mordomo…

Vimos o filme no Instituto Moreira Salles. Aqui vale um parênteses. Quem não conhece o casarão da Gávea está perdendo um dos lugares mais charmosos do Rio, com projeto paisagístico de Burle Marx, exposições, ateliê de artes para crianças (de graça!) e cafeteria – tudo envolto por uma tranqüilidade absurda, com aquele chiado gostoso de mata e rio descendo.

Foi naquela casa que cresceu o diretor de “Santiago”, João Moreira Salles, irmão de Waltinho e filho do embaixador, ministro e banqueiro Walther. As imagens do casarão são o detalhe saboroso de um filme pra lá de diferente, com ares de experimental, no qual João parece dissecar mais a si próprio do que ao mordomo-figuraça da família dona do Unibanco.

Logo que saí, fiquei pensando que o filme era como um “documentário-blog”. Quem assistir me conte depois o que achou. Quanto a mim, confesso que fiquei um tanto preocupada de não estar torturando o casal que nos acompanhava.

Mas o filme é curto e eles não chegaram a odiar, eu acho. Até porque o programa como um todo ficou bem interessante. Mas não imagino como seja ver “Santiago” em um shopping…

A inesperada proximidade de João Moreira Salles (como acontece quando a gente lê um blog bem pessoal) me fez alugar ontem, na locadora, “Entreatos”, o documentário que ele fez sobre a campanha eleitoral de Lula em 2002.

Aí sim, vi um documentário padrão, bem jornalístico. Ficou até fácil perceber as sutilezas típicas do repórter que quer parecer crítico, mostrando as idiossincrasias de seu personagem, mas que no fundo está entre deslumbrado e comprometido com sua fonte.

Mas curioso mesmo foi encontrar, naquele clima festivo de campanha, boa parte dos 40 mensaleiros denunciados pelo Supremo Tribunal Federal. Se pudessem voltar no tempo, para o dia em que Lula ganhou uma eleição repleta de simbolismos para o país, será que eles fariam diferente?

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