Viva Cao Hamburger
Só faltava agora os cariocas ficarem de implicância com “O ano em que meus pais saíram de férias”, filme belíssimo de Cao Hamburger e com toda a pinta de Oscar de melhor filme estrangeiro.
Ainda não vi “Tropa de elite” (pareço ser a única no Rio), pelas críticas deve ser realmente ótimo, mas é óbvio que a comoção em torno do filme (por sinal, haja polêmica; nunca vi estratégia de marketing tão bem bolada) só faz sentido dentro do contexto brasileiro, ou carioca.
Já “O ano” é o oposto. A piada de que se trata do melhor filme argentino já feito no Brasil está relacionada justamente a essa capacidade dos cineastas hermanos de transformar uma história particular em universal. O filme de Cao Hamburger faz isso com delicadeza e sem apelação. Em um bairro de São Paulo, mas que poderia estar em qualquer lugar do mundo.
Lembro-me da frustração dos brasileiros quando “Carandiru” e “Cidade de Deus”, para citar dois exemplos, não foram selecionados. Claro, para nós era o máximo ver o cinema nacional no divã, ainda mais contando histórias com mocinhos, bandidos e armas.
Mas, peralá… Quem foi mesmo que inventou o cinema com mocinhos, bandidos e armas??? Ninguém faz isso melhor que os americanos, e eles sabem disso.