Setembro 2007

Arquivo Mensal

Viva Cao Hamburger

Publicado por Marta em 27 Set 2007 | sob: Diversão e arte

Só faltava agora os cariocas ficarem de implicância com “O ano em que meus pais saíram de férias”, filme belíssimo de Cao Hamburger e com toda a pinta de Oscar de melhor filme estrangeiro.

Ainda não vi “Tropa de elite” (pareço ser a única no Rio), pelas críticas deve ser realmente ótimo, mas é óbvio que a comoção em torno do filme (por sinal, haja polêmica; nunca vi estratégia de marketing tão bem bolada) só faz sentido dentro do contexto brasileiro, ou carioca.

Já “O ano” é o oposto. A piada de que se trata do melhor filme argentino já feito no Brasil está relacionada justamente a essa capacidade dos cineastas hermanos de transformar uma história particular em universal. O filme de Cao Hamburger faz isso com delicadeza e sem apelação. Em um bairro de São Paulo, mas que poderia estar em qualquer lugar do mundo.

Lembro-me da frustração dos brasileiros quando “Carandiru” e “Cidade de Deus”, para citar dois exemplos, não foram selecionados. Claro, para nós era o máximo ver o cinema nacional no divã, ainda mais contando histórias com mocinhos, bandidos e armas.

Mas, peralá… Quem foi mesmo que inventou o cinema com mocinhos, bandidos e armas??? Ninguém faz isso melhor que os americanos, e eles sabem disso.

Placar final: 1 X 1

Publicado por Marta em 27 Set 2007 | sob: Viagens

Ainda sobre a polêmica Londres X Paris, duas historinhas.

Sobre (falta de) educação:

Estava no ponto de táxi em Paris, ano passado, e não acreditei quando o motorista arrancou com o carro, ao perceber que a passageira se abaixara para pegar várias sacolas de compras. Condoída, corri para abrir a porta do táxi seguinte, já que a mulher continuava com as mãos ocupadas. Ela quase me bateu. Achou que eu ia passar a sua frente. Minha amiga Karina explicou-me: “eles não estou acostumados a este tipo de gentileza…”

Já em Londres, confirmei a fama de educação extrema dos ingleses. Quando esbarra-se em alguém na rua, mesmo que desastradamente, o outro pede desculpas. Não cheguei a testar uma cotovelada, mas, se bobear, ia ouvir um “sorry”. É tanto sorry pra lá, sorry pra cá, que acabei ficando condicionada. Por alguns dias desandei a pedir desculpas diante de qualquer ameaça de esbarrão em Ipanema.

Sobre charme:

A idéia era almoçar na Harrods. Quando descobrimos que havia 29 restaurantes e cafés dentro da loja de departamentos inglesa, ficamos um tanto perdidas. Acabamos escolhendo um dos mais baratinhos para degustar uma salada básica (mais de R$ 60!) e combinamos de comer a sobremesa no café mais charmoso que houvesse por lá. Sem perceber, paramos na Ladurée, francesíssima.

O lugar era tão fofo que logo empunhamos nossas câmeras digitais. A garçonete brasileira (com bandeirinha de Portugal na lapela, porque a loja não tem a brasileira) nos avisou que fotos eram proibidas, “para ninguém imitar a decoração”. Pensando bem, fotografar café francês em Londres…

Pelo menos minha amiga Simone tinha acabado de comprar descolados utensílios de cozinha numa charmosa loja inglesa, a Habitat, consolamo-nos. Depois, no Brasil, descobrimos que a Habitat também é francesa…

Vida intensa, noite em claro

Publicado por Marta em 25 Set 2007 | sob: Comportamento

Não tomo remédio para dormir. Um histórico familiar complicado levou-me, ainda jovem, a recusar qualquer remedinho que “afetasse os nervos”, tipo antidepressivo ou pílulas para emagrecer.

E assim fui levando a vida, quase a seco, enfrentando eventuais insônias e tristezas no máximo com uma taça de vinho ou um caderninho de anotações.

Com o tempo, isso se tornou uma espécie de orgulho, como se tivesse feito uma opção pela vida de verdade, sem meios-tons, com toda a intensidade a que tenho direito – para o bem e para o mal.

Este ponto de vista, porém, pode ser ofensivo com quem toma os tais remédios. E essas pessoas são muitas – na verdade, a maioria. Lembro-me de uma médica que consultei, dois anos atrás, que demonstrou bastante espanto quando garanti que não tomava qualquer tipo de droga – lícita ou não, diga-se de passagem…

Socialmente, a confissão de que sou “careta” neste departamento costuma causar certo distanciamento, e até constrangimento, em meus interlocutores.

Se, ao contrário, demonstro interesse pelo assunto (basta citar alguma capa recente da Veja, que adora fazer em matérias sobre lançamentos do laboratório X ou Y), vem a surpresa: quem eu menos esperava desanda a citar nomes de remédios, com empolgação e intimidade.

É como se fóssemos começar, ali, uma inocente troca de receitas (de bolo). Todo cuidado é pouco nesta hora, para a minha falsa cumplicidade não ser desmascarada e eu acabar perdendo o amigo…

Mas cheguei até aqui só para dizer que meus dias de abstinência, e minha pseudo-superioridade neste campo, podem estar contados.

Em minha última viagem, sofri especialmente com as noites não dormidas no avião, e mal dormidas por causa do fuso horário. Na volta, me flagrei pensando: “Preciso aprender a tomar remédio para dormir.”

É isso. Dicas (e marcas de remedinhos…) para este post, ou para meu email particular.

Que netinho que nada

Publicado por Marta em 24 Set 2007 | sob: Cotidiano

Duas senhorinhas caminham pela calçada, devagar. Que bonitinho, tão amigas, arrumadinhas. Provavelmente rumo a uma cafeteria do Leblon.

Diminuo o passo ao ultrapassá-las, para usufruir um pouco do papo-netinho que deveria estar rolando.

“Claro que passa! A bancada do PSDB no Senado vai votar em peso com o governo!” Estavam falando da prorrogação da CPMF…

Saldo da viagem

Publicado por Marta em 21 Set 2007 | sob: Viagens

Bem que eu desconfiava que viajo para poder voltar. Pois a recepção, quando cheguei em casa, só serviu para corroborar a minha tese.

Além do marido especialmente carinhoso, a filhota inventou um “Feliz dia da chegada” e me encheu de presentes: três colares, três desenhos e duas flores para usar no cabelo. Tudo feito por ela, claro. Perto disso, meus souvenirs nem tinham graça…

Sobre Londres, sem dúvida trata-se de uma cidade com estilo. Moderna, cosmopolita, interessante, grandiosa. Ao mesmo tempo, despretensiosa, apressada, distraída - quase blasé.

Entre os muitos passeios, um tour por dentro do Palácio de Buckingham (que só acontece em agosto e setembro, quando a rainha não está por lá) valeu especialmente a pena, apesar das 15 libras (R$ 60).

Por fora, a construção é quase feiosa, marcada por linhas austeras. Por dentro, a suntuosidade é surpreendente, em cada detalhe. Achei a cara dos ingleses.

Tirando os pubs - há gastropubs -, nada é obviamente típico no Reino Unido. Não há uma culinária própria nem produtos feitos localmente, e a pujante economia é movida pelos serviços.

Ou seja, uma encrenca para o turista, que acaba posando ao lado de cabines telefônicas e ônibus de dois andares… O segredo, para viajantes mais experientes, é usar um truquezinho francês, e apenas flanar pela cidade.

Mas não é de bom tom comparar Londres com Paris. Os franceses, na opinião dos ingleses, são provincianos e não gostam de trabalhar, conta-nos uma jornalista brasileira que mora há seis anos em Londres, confirmando a tal rivalidade.

Como já estou aqui, posso cochichar: amei Londres, reconheço que demorei para colocá-la no meu roteiro de viagem, mas continuo preferindo Paris…

Será a volta dos caras-pintadas?

Publicado por Marta em 20 Set 2007 | sob: Cotidiano

Estava embarcando para Londres quando soube da absolvição de Renan Calheiros. Fiquei imaginando o baixo astral que tomaria conta do país durante a minha ausência.

No domingo, caminhávamos na região de Westminster quando nos deparamos com uma alentada passeata de protesto contra o genocídio em Darfur, na África. Impossível não comparar, e lembrar o quanto somos resignados no Brasil…

Agora há pouco, porém, de volta ao escritório, fui surpreendida por um burburinho. Era uma passeata de universitários, entrando na Rua Visconde de Pirajá, protestando contra a decisão do Senado.

Não sou boa com essas estimativas de multidão, mas arriscaria que eram uns 300. Em frente à minha janela, sentaram-se no chão, esticaram as faixas no aslfalto, rimaram não com cassação, atrapalharam o trânsito.

Ou seja, fizeram tudo direitinho. Soube que outras manifestações estão espocando por aí. Quem sabe onde isso vai dar?

Diversão, arte e susto

Publicado por Marta em 17 Set 2007 | sob: Viagens

A gente não quer só comida. O papo rolava assim, meio Titãs. Enebriadas por diversão e arte, depois de uma fantástica manhã no museu Tate, comentávamos o quadro de um artista do Congo.

Puxa vida, o mundo todo já deveria estar nesse estágio londrino, de as pessoas poderem usufruir da arte, e não precisarem se preocupar com a sobrevivência - como sugeria o tal quadro. O peixe maravilhoso do restaurante moderninho (Fish!), em frente ao Borough Market, aumentava a culpa.

De repente: “Your handbag!” Só me dei conta do que estava acontecendo quando minha amiga saiu em disparada, atrás do suposto “old man”, denunciado pela mulher sentada atrás da nossa mesa. Flagrado, o sujeito acabou largando a bolsa na porta do restaurante, e se misturou na multidão do mercado.

Pois é. Em Londres, a sobrevivência parece garantida. Mas velhinhos simpaticos roubam bolsas…

Post de 15 minutos (ou de 1 pound)

Publicado por Marta em 15 Set 2007 | sob: Viagens

Turista é um sujeito previsível. Escolhe o calçado mais confortável de todos, estuda o roteiro no guia antes de sair do hotel, pensa em todos detalhes e apetrechos necessários ao longo do dia. Mesmo assim, não consegue evitar: detona-se no primeiro dia. Depois fica aquela conversa sobre a melhor técnica para relaxar as pernas ou estourar as bolhas do pé…

Mas não da para reclamar. Em quantos dias no ano o céu de Londres é perfeitamente azul, de ponta a ponta? No happy hour de ontem (nao sei se eles o chamam assim), sexta-feira com cara de última do “verão” (na verdade outono), os londrinos queriam aproveitar ate o finzinho. Eu também!

Férias da blogueira

Publicado por Marta em 12 Set 2007 | sob: Viagens

Só garanto a atualização do Espuminha a partir do dia 20, ok? O que vier antes disso - se a conexão estiver muuuuito fácil - é lucro. Mas prometo boas histórias de Londres, para quem souber esperar por elas…

Cabelão e barriga tanquinho

Publicado por Marta em 12 Set 2007 | sob: Femininas, Comportamento

Não, não vou falar do Renan Calheiros nem do 11 de setembro. Outro dia encontrei uma leitora do Espuminha e ela cobrou: “Achei que você ia escrever sobre os dez anos da morte da Lady Di”. Sorry, amiga. Uma das vantagens do blog é a pauta não precisar seguir a agenda do dia…

O palpitante assunto de hoje é o cabelão. Enquanto tosava o meu, para viajar com um look mais moderninho, soube que um badalado cabeleireiro tinha abandonado o Rio, rumo a São Paulo, indignado por não ter seu talento reconhecido pelas clientes cariocas, adeptas do “cabelão de praia”.

Imagino a sua cara de desprezo ao falar do tal “cabelão”. Segundo o Ximenes, na sua coluna de sábado no Globo, a mulher de cabelos compridos, devidamente alisados, seria o correspondente ao homem com barriga “tanquinho”. Fiquei meio sem referência - nenhum homem assim faz parte das minhas relações, eu acho…

Ele contou que uma amiga foi dissuadida no salão da idéia de “deixar o cabelo crescer”. O conselheiro-analista-cabeleireiro apelou: “Você quer atrair homem que gosta de cabelão???” Coincidência ou não, a tal amiga conheceu um cara interessantíssimo dias depois, já com as madeixas devidamente aparadas.

Claro que esse papo todo pode ser puro despeito de quem já passou dos 30 ou 40, quando manter o cabelo comprido ou a barriga sarada passam a ser tarefa um tanto árdua. Mesmo sim, simpatizei com a idéia de que cabelos curtos, ou médios, têm lá a sua personalidade.

Mas vamos combinar uma coisa, meninos: o mesmo não vale para o barrigão de chope, ok?

Nunca só

Publicado por Marta em 11 Set 2007 | sob: Femininas

Outro dia ousei falar de um assunto que conheço perifericamente – o das mulheres maravilhosas e ainda solteiras – e percebi depois, pela enxurrada de ótimos comentários, que fui um tanto reducionista naquele post.

Pois então vou falar de uma vivência pessoal, compartilhada com várias amigas: a de ser casada, mãe e profissional – e precisar transitar exclusivamente por estes três papéis. Ou seja, esqueça aquele indivíduo único e solitário que você era até tudo isso começar.

O lado bom é que você descansa de um papel se refugiando em outro – e ai de quem questionar a sua ginástica para dar conta da tripla jornada. Se o marido enche o saco, dá para se divertir com o trabalho; se é o filho que está lhe exaurindo, uma viagem de lua-de-mel em nome do casamento é permitida; e por aí vai.

Mas se divertir de outra forma, sozinha, sem ser como mãe, esposa ou profissional, nem pensar. Aí não pode. Quem disse que não pode? Sei lá, mas pergunte para dez mulheres casadas com filho pequeno, e todas vão admitir a regra.

Viajar sem marido e filho pode, mas só se for a trabalho, concordaram minhas amigas num almoço recente que tivemos. E trate de se divertir sozinha nos intervalos do trabalho. Por sinal, almoçar com as amigas pode, mas happy hour… Bem começamos a conquistar esse direito muito recentemente.

São regras não escritas. Mas estão lá, em algum lugar do inconsciente coletivo.

Não sei se a culpa feminina nasce com o casamento ou com o primeiro filho, mas o fato é que ela se instala de forma implacável. De um dia para o outro, a mulher acredita – e aceita – ter seu comportamento avaliado por todos à sua volta. Todos, inclusive a própria, esperam que ela seja assim e assado.

Um homem pode invocar sua necessidade de solidão e partir para um longo período sabático, num veleiro. Mas uma mulher? Se pegar a mala e fugir para um spa, enlouqueceu.

Por tudo isso, parto amanhã na minha primeira viagem sem trabalho, sem marido e sem filha (mas com uma grande amiga!) com uma certa dose de culpa. Mas uma dose pequenininha, depois de tantos anos de análise…

Antes da viagem

Publicado por Marta em 10 Set 2007 | sob: Viagens

Os brasileiros são conhecidos no exterior pelo tamanho das suas compras. Sempre nadei contra a maré e achei um desperdício gastar tempo, em um país interessante, comprando alguma coisa fabricada na China. Depois, falta perna para encarar os museus, parques etc…

Mas, comparando preços, tenho que dar o braço a torcer. Com as taxas de importação absurdas daqui, vale a pena - e muito - comprar eletrônicos, cosméticos, tênis. Da última vez que estive em Paris, levei um susto quando vi que o meu creminho de rosto custava um terço do preço nas farmácias de lá.

O que fazer, diante do dilema de que vale-a-pena-comprar, mas não quero ser a brasileira-que-só-fica-fazendo-compras-quando-viaja? Acho que estou descobrindo um jeitinho.

Exige uma certa dose de cara-de-pau, mas todo consumidor deve ter alguma, certo? A estratégia é a seguinte: antes da viagem, vá a uma boa loja do ramo - com vendedores bem informados e atenciosos - e finja que vai comprar. Peça uma consultoria completa sobre os modelos disponíveis, os lançamentos etc.

No caso dos eletrônicos, a Fastshop, que tem no Rio e em São Paulo, é perfeita. Anote tudo, diga que vai pensar e leve o papelzinho na bagagem. No caso de maquiagem e cremes, dá para fazer igualzinho - com direito a experimentar produtos e pedir opiniões das vendedoras.

Com a listinha na mão, você vai gastar no máximo uma tarde, numa loja de departamentos, para comprar tudo - em vez de ficar com aquela pendência atrapalhando a programação.

Claro que não estou falando daquelas comprinhas gostosas, relacionadas com o lugar e que depois serão singelas recordações da viagem. Mas, para estas, ninguém precisa de listinha. Só de cartão de crédito com um limite generoso.

Contagem regressiva

Publicado por Marta em 06 Set 2007 | sob: Viagens

“Viajo para voltar”. A frase, do escritor William Trevor, é a minha favorita nos rodapés de um simpático livrinho de bolso de Moacyr Scliar, chamado “Dicionário do viajante insólito”.

O sentimento de gostar - ou não - de viajar é tão complexo que cabem livros e muitas frases de efeito sobre ele. Uma outra interessante é: “Viajamos para nos livrarmos de nós mesmos, mais do que para nos livrarmos dos outros” (William Hazlitt). Esta, hilária, foi tirada de um filme (ou seria de uma excursão?): “Se é terça-feira, isto deve ser a Bélgica”.

A compilação tem outra penca de frases sobre a futilidade ou a inutilidade de se viajar. São boas para entender quem assumidamente não gosta do programa.

Eu estou no outro time. Não que uma viagem não represente uma certa dose de sofrimento para mim. Não durmo em avião, tenho muita dificuldade com fuso horário e não sou fluente em inglês. Mas a sensação de estar indo para um lugar distante e diferente compensa qualquer desconforto.

A excitação começa dias antes. Dizem que o melhor da festa é esperar por ela. No caso das viagens, não chega a tanto, mas é bacana poder curtir os preparativos.

Isso é quase impossível quando se está trabalhando como um louco para dar conta de tarefas que foram antecipadas por causa da viagem. Já iniciei férias tão estressada que só consegui me conciliar comigo mesma (fundamental para se conectar com lugares e pessoas diferentes) depois de uns 15 dias.

Dessa vez, graças a um bom planejamento e ao fato de não ter patrão, estou conseguindo fazer diferente. Despressurizei antes, para viajar depois. Embarco para Londres em seis dias e já estou com um guia novinho e o caderninho para anotações devidamente separados.

Tudo para poder entrar no avião e ser quem eu quiser nos dias seguintes. Entre outras coisas, a viagem nos redime da modorra dos limites da nossa personalidade, ensina o escritor uruguaio José Enrique Rodó.

Pensando bem, vou levar o livrinho do Scliar também.

Jornalismo “em conta”

Publicado por Marta em 05 Set 2007 | sob: Jornalismo

O destaque do Jornalistas & Cia de hoje (link ao lado) é a notícia de que a Forbes brasileira foi “descontinuada”. Parece que pegou a mania de falar em “descontinuação”, quando uma publicação é fechada e todo mundo vai para o olho da rua…

O eufemismo, claro, é dos patrões. Já imaginou alguém chegando em casa e dizendo: “Meu bem, a revista em que trabalho foi descontinuada”. Só faltava a esposa responder: “Oh, então você terá seus serviços dispensados e irá em busca de novos desafios!”

Em matéria de eufemismos, sempre me lembro da arquiteta que fez uma obra lá em casa, que jamais usava o termo “barato” para distingüir um produto. Com ela aprendi que o chique é dizer “em conta”. Então já sabe: se estiver comprando em um lugar sofisticado, você pode até pedir uma opção barata, mas jamais use este termo. Pergunte se tem algo mais em conta…

Mas voltando à nova proeza do mega-empresário das comunicações Nelson Tanure (céus, onde fomos parar?), uma espécie de Midas ao contrário (o que seria o extremo oposto de ouro? Hummmm…), não sei o que é mais triste: a notícia do fim da Forbes ou a de que a revista Domingo, do JB, será editada em São Paulo.

Nada contra os jornalistas (muito competentes, por sinal) que migrarão da Forbes para a Domingo. Mas, caramba, alguém lembra o que era a Domingo, nos bons tempos do JB? Carioquíssima, descobria e ditava modismos, escolhia a musa do verão, parecia nascer das areias de Ipanema…

Tomara que os assessores de imprensa do Rio pelo menos consigam emplacar pautas cariocas na revista. Aliás, viva os assessores, que estão mesmo substituindo os jornalistas das redações!

Virados para a lua

Publicado por Marta em 03 Set 2007 | sob: Diversão e arte

A propósito dos Moreira Salles, citados abaixo, lembrei-me agora do Marcelo Madureira, da turma do Casseta, “indignado” com a sorte dos irmãos, que nasceram ricos e bonitos, e ainda por cima são talentosos e gente boa! Eu acrescentaria: e tiveram o Santiago como mordomo!

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