Mais um jornal vai fechar o seu conteúdo na internet. A partir de 29 de agosto, é a vez de O Globo ficar restrito aos assinantes. Quantas assinaturas a mídia impressa ganha com esse tipo de atitude?

Essa história de obrigar o internauta a comprar conteúdo me lembra os primeiros shopping centers. Nessa indústria, a regra era colocar pisos escorregadios e jamais oferecer um lugar para sentar. Assim, o consumidor seria obrigado a andar sem parar e devagar, olhando as vitrines, e acabaria entrando nas lojas para comprar.

Hoje o varejo sabe que ninguém compra nada obrigado – mas compra quando está feliz. Daí o esforço para fazer do “programa shopping center” uma experiência agradável, com direito a lounges (leia-se sofás) confortáveis no meio do caminho.

Como os jornais vão colocar lounges em seus sites, e transformar a felicidade dos visitantes em dinheiro, eu não sei. O fato é que os grandes jornais estão perdendo a oportunidade de usar um conteúdo de qualidade como diferencial na internet - com um potencial infinitamente maior que o papel.

É claro que alguém, com uma visão menos imediatista, vai ocupar o lugar que seria deles. E, depois, encontrará uma forma de ganhar dinheiro, como fizeram os meninos do Google.