Não sou de comentar, mas…
Você se lembra de quando deixou pela primeira vez um comentário em um site? Nunca deixou? Pois é, quem já foi tímido um dia (dizem que nunca deixamos de ser…) sabe a dificuldade em se adaptar à nova era da superexposição, turbinada pela internet.
Primeiro é preciso se livrar de antigos preconceitos. Deixar comentário em site não é como escrever longas cartas indignadas para os jornais. Ou seja, você não é necessariamente um mala, daqueles que liga de manhã para a redação do jornal para comentar sobre o suplício dos aposentados que sequer foi matéria.
Depois é necessário se livrar de preconceitos mais recentes, como o de que blog é diário de adolescente. Hoje, eles são uma espécie de fenômeno de comunicação, e até de jornalismo. E a chave desse sucesso parece ser justamente a participação dos internautas.
Por fim, deve-se compreender que quem está na rede é para se molhar. Ao participar, você pode se arrepender do que escreveu, ser atacado por outro comentarista anônimo ou, pior dos mundos, ser simplesmente ignorado.
A polêmica do Youtube na semana passada foi um vídeo em que Ziraldo, no programa do Amaury Jr., afirma que a internet é um antro de débil mental. No Bluebus, houve quem defendesse o cartunista, evocando as bobagens escritas nos espaços destinados a comentários. A maioria, porém, concluía que Ziraldo era um intelectual do século passado, e que os débeis mentais (isso é politicamente incorreto, não?) estão em toda parte, apenas são mais visíveis numa mídia democrática.
Voltando aos tímidos na internet, eu era tão ignorante sobre blogs e comentários, que desconfiava que alguém podia estar me rastreando enquanto lia algum post. Devia ser por causa daquelas estatísticas piscando, com número de conectados, ou pela experiência de ter entrado em algum site e ser saudada: “Olá, Marta (Se você não for Marta, clique aqui)”.
No Orkut, então, tudo parecia extremamente suspeito, apesar da minha participação “low profile”, evidenciada pelo modesto número de 29 amigos – que me convidaram para algo que até hoje não sei bem o que era.
Resumindo, eu fazia parte da numerosa turma que entrava em blog e saía de fininho, procurando não deixar vestígios nem comentários. Agora sei que meu acesso deixava, sim, um rastro – mas apenas em audiência. Algo que, lá na frente (muuuuuuito lá na frente), pode atrair um patrocinador ou coisa parecida.
O fato é que não tenho como saber quem entrou no Espuminha. E a paranóia, agora, é ao contrário: como foram registrados mais de cem visitantes no fim de semana, se só tenho 29 amigos???? Se ao menos tivessem deixado um comentariozinho, para eu saber quem são, o que acharam…