10 de Julho de 2007

Não sou de comentar, mas…

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 19:35

Você se lembra de quando deixou pela primeira vez um comentário em um site? Nunca deixou? Pois é, quem já foi tímido um dia (dizem que nunca deixamos de ser…) sabe a dificuldade em se adaptar à nova era da superexposição, turbinada pela internet.

Primeiro é preciso se livrar de antigos preconceitos. Deixar comentário em site não é como escrever longas cartas indignadas para os jornais. Ou seja, você não é necessariamente um mala, daqueles que liga de manhã para a redação do jornal para comentar sobre o suplício dos aposentados que sequer foi matéria.

Depois é necessário se livrar de preconceitos mais recentes, como o de que blog é diário de adolescente. Hoje, eles são uma espécie de fenômeno de comunicação, e até de jornalismo. E a chave desse sucesso parece ser justamente a participação dos internautas.

Por fim, deve-se compreender que quem está na rede é para se molhar. Ao participar, você pode se arrepender do que escreveu, ser atacado por outro comentarista anônimo ou, pior dos mundos, ser simplesmente ignorado.

A polêmica do Youtube na semana passada foi um vídeo em que Ziraldo, no programa do Amaury Jr., afirma que a internet é um antro de débil mental. No Bluebus, houve quem defendesse o cartunista, evocando as bobagens escritas nos espaços destinados a comentários. A maioria, porém, concluía que Ziraldo era um intelectual do século passado, e que os débeis mentais (isso é politicamente incorreto, não?) estão em toda parte, apenas são mais visíveis numa mídia democrática.

Voltando aos tímidos na internet, eu era tão ignorante sobre blogs e comentários, que desconfiava que alguém podia estar me rastreando enquanto lia algum post. Devia ser por causa daquelas estatísticas piscando, com número de conectados, ou pela experiência de ter entrado em algum site e ser saudada: “Olá, Marta (Se você não for Marta, clique aqui)”.

No Orkut, então, tudo parecia extremamente suspeito, apesar da minha participação “low profile”, evidenciada pelo modesto número de 29 amigos – que me convidaram para algo que até hoje não sei bem o que era.

Resumindo, eu fazia parte da numerosa turma que entrava em blog e saía de fininho, procurando não deixar vestígios nem comentários. Agora sei que meu acesso deixava, sim, um rastro – mas apenas em audiência. Algo que, lá na frente (muuuuuuito lá na frente), pode atrair um patrocinador ou coisa parecida.

O fato é que não tenho como saber quem entrou no Espuminha. E a paranóia, agora, é ao contrário: como foram registrados mais de cem visitantes no fim de semana, se só tenho 29 amigos???? Se ao menos tivessem deixado um comentariozinho, para eu saber quem são, o que acharam…

9 de Julho de 2007

Em busca da escola perfeita

Arquivado sob: Comportamento — Marta @ 19:15

Estava prestes a submeter minha filha a uma seringa, só para obter o comprovante de tipo sanguíneo exigido pela nova escola, quando lembrei que deveria ter algum registro disso, da maternidade. Como o meu RH é negativo, havia na época alguma preocupação em torno de uma incompatibilidade, caso o dela fosse positivo. Demorei a reconhecer o exame, no meio dos documentos, porque o papel estava identificado como “RN”, de recém nascido, ao lado do “nome da mãe” – ou seja, o meu.

Ainda levei um tempo para me convencer de que o exame estava valendo, sete anos depois. “O sangue dela deve continuar sendo A negativo”, falei alto, para perceber o ridículo da dúvida.

A nova escola – se for mesmo a dos próximos dez anos, até o vestibular – será como um RH na sua vida, na sua personalidade. Quanta responsabilidade. Sinto até um friozinho na barriga. Ainda mais quando lembro que escolhi o colégio quase que por eliminação, cortando primeiro os que estavam a mais de uma hora de engarrafamento.

A escola não é tão importante, dirão alguns, lembrando o papel da família. Tendo a achar que é importante, sim. Por conta do ensino e também dos amigos. Uma psicóloga americana, chamada Judith Harris, chegou a radicalizar sobre o assunto, escrevendo um livro que comprovaria a pouca influência dos pais sobre seus filhos. Chama-se “Diga-me com quem andas…”

A parte mais surpreendente da minha jornada em busca da escola perfeita – que obviamente não existe – foi aquela em que coletei opiniões das mães – amigas, conhecidas e até desconhecidas, mas com filhos matriculados nos colégios que eram alvo da minha investigação.

“Imagina que eles só ensinam conta de multiplicar na segunda série, e não na primeira”, desqualificou uma mãe, comparando duas escolas. “Odeio padre, mas acho que colégio católico pelo menos passa bons valores para a criança”, disse outra. “Uma amiga minha colocou os filhos nesse colégio e adora, mas ela é meio alternativa, é jornalista”, berrou outra mãe, no burburinho de uma festa de criança, sem desconfiar qual era a minha profissão.

A apuração só serviu para constatar que mãe é tudo diferente…

Quanto à nova escola… bem, o jeito é relaxar. Um dia, o histórico escolar também será apenas um documento, como o tipo sanguíneo. Um comprovante para dar entrada na faculdade, constatar que dez anos se passaram e se emocionar um pouco…

5 de Julho de 2007

Giane

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 16:37

Atendendo a apelos de duas amigas, que consideram o fato digno de manchete em qualquer blog, registro aqui que ontem eu alonguei ao lado do Reynaldo Gianecchini. Pensando bem, até que fazer musculação em academia de dondoca não é tão ruim assim. Para as interessadas, foi na Bodytech do Leblon…

Não chamem os universitários!

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 10:21

Uma das notícias que mais me chocou esta semana, mais do que qualquer manobra para salvar senador corrupto, foi a de que 15% dos universitários nunca leram um livro. Outros 48% só leram entre um e três livros. A vida inteira. Noves fora, significa que saber ler, de verdade, só 37% dos universitários sabem. O resto (63%!) é algo próximo do analfabeto funcional.

Os delinqüentes que espancaram uma doméstica do Rio são identificados sempre como universitários. Teoricamente, isso revelaria o suposto nível ou formação dos jovens, mostraria a contradição de terem virado bandidos. Mas, pelo visto, ser universitário hoje não significa absolutamente nada. A maioria sequer sabe ler!

Encomendada pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), a pesquisa foi feita com mil universitários da região metropolitana de São Paulo, pelo Instituto Toledo e Associados. A situação pode ser ainda pior se a gente imaginar que alguns deles tiveram vergonha de confessar que nunca leram um livro. Ou não?

3 de Julho de 2007

Porque as mulheres mentem a idade

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 18:17

Sempre me intrigou essa história de mulher esconder a idade. Qual a lógica por trás disso? Se a mulher não aparenta os anos que tem, que ótimo, poderia ter orgulho dos comentários tipo “você parece mais jovem!”. Não faz sentido alguém começar a ver rugas numa mulher só por saber que ela tem 40 ou 50 anos.

Em busca do “outro lado”, comecei a ficar atenta ao assunto. Será que daqui a um tempo eu estaria escondendo – ou pior, mentindo! – a minha idade?

A Tônia Carrero jura que sua vida amorosa acabou quando finalmente revelou a idade. Antes, tudo era mistério, ela era uma mulher madura, mas sem idade. Outro dia, no “Saia Justa”, a Mônica Waldvogel contou que uma mulher maravilhosa, depois de levar uma cantada numa festa, confessou para as outras: “Tenho 59 anos, mas se falar isso, eles saem correndo.”

Então existe uma lógica! As mulheres não estão loucas; estão se protegendo! Pelo visto, em algum momento, a idade torna-se um estigma na vida de uma mulher.

Mas existe uma boa chance de a atual geração das “quarentonas bonitonas”, da qual me orgulho de fazer parte, mudar isso. No domingo, a Marisa Monte comemorou em grande estilo o aniversário de seus 40 anos, no Vivo Rio, com direito a parabéns prá você e bolinho distribuído à platéia.

Talvez, se a Tônia Carrero tivesse comemorado seus 50, 60 e 70 anos, com bolo e velinhas, a tal bonitona da festa pudesse revelar seus 59 anos sem problemas. É uma questão apenas de mudar a imagem de cada idade.

Se começarmos a fazer propaganda, quem sabe as garotinhas de 20 anos não vão mentir que têm 40? Menos, Marta, menos…

Em tempo: faço 42 anos em outubro!

Saudades da Coca Light

Arquivado sob: Cotidiano — Marta @ 17:25

Provei e não aprovei. Prefiro a Coca Light. Mas a Coca-Cola decidiu e sei que terei que gostar da Coca Zero. Ou quem sabe vou aderir à tal H2OH, da Ambev. De vez em quando, passo por isso. Vou repor o batom e descubro que a minha cor preferida “saiu de linha”. Bem treinada, a vendedora tenta me consolar com o “novo tom da estação”.

Sei que não dá para as empresas cumprirem a regra mais básica de sobrevivência – a da inovação – e ainda manterem nas prateleiras produtos antigos. Mas consumidor fiel, como eu já disse em um post mais embaixo, sofre. Escolher o refrigerante ou o batom pode ser bom. Mas assim, o tempo todo, cansa.

2 de Julho de 2007

Anjo bom

Arquivado sob: Femininas — Marta @ 11:53

A filha de uma amiga teve um bebê (céus, minhas amigas estão virando avó!) e, depois das perguntas regulamentares – peso, parto, amamentação – o papo descambou para a necessidade, ou não, de uma babá. Quando me dei conta, lá estava eu defendendo a babá como salvadora de casamentos.

Talvez por ter dado sorte no assunto, sou defensora de que todo casal precisa de uma babá, quando não há uma saudável estrutura familiar que ajude a tomar conta do pimpolho. Uma babá que durma no emprego, de vez em quando, para que papai e mamãe possam sair, se divertir, e não se esquecer das coisas que têm em comum além do filho lindo, amado e fofo.

Não é fácil, para a mãe, desgrudar do bebê. A diversão quase que não vale a pena, de tanta saudade, preocupação, culpa. Se for para trabalhar, tudo bem, mas “abandonar” o filho para ir ao cinema? Para viajar???

Pois é, mas isso tem que ser feito, quase que como obrigação. Uma regrinha, para sofrer menos, é pensar: filhos destroem os casamentos, a não ser que se esteja atento o suficiente para ser uma exceção à regra. Outro dia falei isso numa outra roda e todas – mães e ainda casadas – ficaram chocadas.

É claro que, quando um casamento acaba, ninguém sai por aí culpando os filhos. Até porque eles já podem ter 5, 10, 20 anos de idade. Mas o distanciamento entre os dois, regado por brigas e mágoas, muitas vezes se instalou nessa fase, enquanto o bebê tomava todas as atenções. O filho cresce, mas o hábito de viver em função dele, numa relação a três, ou a quatro, continua. E o casamento morre aos poucos, por inanição.

O problema é que muitas mulheres agem como se precisassem fazer uma opção, entre o bebê e o marido – nessas alturas, um egoísta, que não ajuda nem tem iniciativa, e quando tem faz tudo errado! Já viu, né? Uma mãe sempre ama o filho mais do que qualquer outra coisa no mundo. Se a comparação é com esse trapalhão, então…

Quer dizer que, além de ser profissional brilhante, a melhor mãe do mundo e se manter bonita e jovem, a mulher ainda tem que evitar a contagem regressiva para o fim do casamento? Sim. Sorry, meninas.

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