Julho 2007

Arquivo Mensal

Volta às aulas, de coração apertado

Publicado por Marta em 31 Jul 2007 | sob: Femininas

Fim da transição. De escola pequena para escola grande. De criança pequena para criança grande. Fiz a parte que cabe às mães atentas, estudei as regras do jogo, selecionei opções, preparei o meio de campo, troquei passes com o Zé, hesitei, desabafei no blog.

Então percebi que a decisão já tinha sido tomada, sei lá quando, sei lá por quem. Respirei fundo e entreguei a deus. Ou melhor, à minha filhota. Agora era com ela.

Deixei-a no pátio do Teresiano, colégio grande, crianças enturmadas, aulas começadas, um mundo para desbravar. E lá foi ela, única aluna nova, mão dada com a coordenadora, puxando a fila das crianças da primeira série. Não olhou para trás.

Segurei a vontade de esperá-la na porta da escola. Imaginei-me debaixo de uma faixa de boas vindas, tipo “De volta ao lar aconchegante, meu bebê”, só para rir de mim mesma. Deixei voltar de van. Fingi que não estava preocupada.

Quantas vezes uma mãe precisa se passar por durona, para o seu filho se transformar na pessoinha bacana e independente que certamente será?

Ela deu conta, como sempre. Voltou saltitante, nem sabia por onde começar. Conheceu as três novas melhores amigas, foi elogiada pela professora, mas descobriu que tem um menino implicante na turma. Sempre tem um menino implicante, né, filha? Ela concordou. Um dia eles param de implicar, eu pensei.

Mas essa será outra história, outra transição. Um post para daqui a alguns anos…

Fazendo escola

Publicado por Marta em 31 Jul 2007 | sob: Cotidiano

Bacana essa história de o piloto Nelson Piquet fazer cursinho de reciclagem de trânsito, porque ultrapassou os 20 pontos permitidos na carteira de habilitação. Exemplar mesmo.

Mas fiquei com uma pulga atrás da orelha. Quer dizer que a mulher dele também estava no curso? Será que, antes de dar o exemplo, o piloto não teria usado o velho jeitinho de transferir os pontos para a carteira da esposa?

Aliás, da série “Cansei, basta, mas no meu caso foi só um jeitinho”: passar as infrações de trânsito para a carteira de motorista do cônjuge pode?

Sem bala perdida

Publicado por Marta em 30 Jul 2007 | sob: Rio

Nas vésperas do Pan era difícil acreditar que não teríamos pelos menos um atleta assaltado ou vítima de bala perdida. Parecia impossível blindar a cidade inteira, monitorar os passos de milhares de turistas. Sem contar o trânsito, que seria um inferno.

Pois foi que nem o réveillon em Copacabana. Tudo deu espantosamente certo. E o trânsito, vamos admitir, estava ótimo. Parecia que estávamos… em férias!

A espera em tempos de cólera

Publicado por Marta em 27 Jul 2007 | sob: Jornalismo, Comportamento

Estamos na era do excesso da informação. Ela está por todo lado, acessível a um clique. Só não é mais democrática porque às vezes nos falta quem ajude a organizá-la e editá-la.

Isso é o que acontece no mundo real, sem o controle de burocratas ou cartéis. Mas em algumas realidades paralelas - como a dos aeroportos, do telemarketing, dos planos de saúde -, a informação é tratada com a solenidade de antigamente. E nada irrita tanto – porque não estamos mais acostumados, porque sabemos que por trás da estratégia está a tentativa de exercer poder e manipulação.

Para não fluir, a informação hoje precisa ser bloqueada artificialmente, propositadamente. Com a tecnologia, o natural é que ela esteja disponível. O sistema de telemarketing tem todas as condições de informar, no início da ligação, o tempo estimado de espera para o atendimento, assim como as companhias aéreas sabem perfeitamente que os passageiros de determinado vôo atrasado perderão suas conexões.

Mas fingem que não sabem. Depois que percebemos essa intervenção maldosa, de bloqueio da informação, o tempo ganha uma outra rotação. É a tortura dos novos tempos. Ficamos transtornados. Segundos transformam-se em minutos e minutos são percebidos como horas, enquanto somos invadidos por um sentimento crescente de desconfiança e impotência.

É mais ou menos nesse momento que o passageiro voa no pescoço da mocinha do check-in, e a cena é documentada em cadeia nacional.

Uma vez li que mediram o nível de estresse (não me perguntem como) de pessoas que esperavam por um elevador. Um daqueles que não tem a informação – sempre ela – do andar em que se encontra. O tempo médio até que o sujeito esmurrar a porta do elevador era ridículo – não para ele, mas para quem mediu ou leu a pesquisa.

Seguindo o conselho de um amigo, tasquei o meu relógio de pulso no braço da minha filha na última viagem de carro que fizemos. Ela agora sabe ver as horas e o efeito calmante do relógio foi surpreendente. De posse da informação de quantas horas teríamos pela frente, ela conseguiu administrar sua ansiedade e ocupar o seu tempo, sem nos infernizar com os “tá chegando?”.

Tenho certeza de que, informado sobre um atraso de quatro horas em seu vôo, logo que chegasse ao aeroporto, o passageiro ficaria irritado, mas não voaria na jugular de ninguém – como é capaz de fazer na quarta vez que lhe informarem sobre um atraso de mais uma “horinha”.

Todo mundo hoje tem uma história de estresse absurda em aeroporto, e em geral elas são variações sobre o mesmo tema. A mais inusitada que vivi foi dentro de um avião da TAM posicionado para ser o primeiro a decolar no Santos Dumont quando o aeroporto reabrisse.

Parecia “A noite dos desesperados”. A cada hora que passava, limites humanos eram colocados à prova. Restos de lanche e pedaços de jornal eram disputados, baterias de celular chegavam ao fim. Alguns passageiros desistiam, exasperados, depois de desmarcar suas reuniões em São Paulo, e saíam derrotados. Imediatamente entravam outros em seus lugares, gratos por terem uma chance de serem os primeiros na fila de decolagens, embora ninguém soubesse quando isso iria acontecer.

Éramos todos reféns da “grande informação”, a reabertura do aeroporto, a qual somente o piloto teria acesso. Finalmente, com a voz solene e calma daqueles que detém em suas mãos o destino dos outros, ele anunciou a nossa partida. O alívio foi geral. E olha que nós estávamos indo para Congonhas…

Filme de tirar o fôlego

Publicado por Marta em 25 Jul 2007 | sob: Diversão e arte

Aos 45 do segundo tempo, vi um filmaço na semana passada. Acho que saiu de cartaz, mas deve estar estourando em DVD.

Trata-se de Alpha Dog. Talvez tenha demorado para assistir por puro preconceito, porque parecia ser apenas um filminho policial americano, e tinha Bruce Willis e Sharon Stone no elenco.

Alpha Dog é um “Cidade de Deus” da classe alta. Tem o ritmo alucinante e forte de um filme-denúncia, que mostra a explosiva mistura entre jovens e drogas. Só que, em vez de barracos e jovens negros, mostra casarões com piscina e adolescentes louros e “bem-nascidos”.

Se na favela esse tipo de trama costuma ter como ponto de combustão as contradições geradas pela pobreza, nos bairros ricos os pais é que aparecem como grandes responsáveis pela sucessão desembalada de erros e crimes. Eles são mais delinquentes e inconseqüentes do que os filhos – exatamente como constatamos quando nos deparamos com um marginalzinho da classe média no nosso noticiário policial.

Fiquei pensando que sabemos pouco sobre o mundo das drogas e dos bandidos nas classes altas, enquanto analisamos detidamente o problema da violência nas favelas.

Lembro de ter despertado para a realidade do que era o tráfico nos morros quando li “Inferno”, um romance da Patrícia Mello de tirar o fôlego. Depois vieram “Cidade de Deus” e uma penca de filmes nacionais com esse viés sócio-policial, como “O maior amor do mundo” (Cacá Diegues) e “Proibido proibir” (Jorge Duran).

Bons filmes, muito instrutivos, mas servem para manter o assunto distante de quem interessa. E a juventude delinquente dos Jardins ou de Ipanema, que trafica e consome as drogas da favela? Taí, esse filme do Nick Cassavetes deveria passar nas escolas de ensino médio. Se eu tivesse um filho adolescente, obrigava a assistir.

Dá para gerenciar arrogância?

Publicado por Marta em 24 Jul 2007 | sob: Cotidiano, Jornalismo

Tenho dó dos coleguinhas de assessoria que se esforçam, usam o bom senso jornalístico, a experiência acumulada em redação e estudam as mais modernas técnicas de gerenciamento de crise, mas têm a dura missão de orientar a comunicação de organizações que padecem de um mal sem cura: a arrogância.

Uma crise como a causada pelo acidente da TAM está prevista nos manuais das empresas e do governo. Estão ali, por exemplo, que as autoridades devem se deslocar imediatamente para o local da tragédia e que a transparência deve pautar cada pronunciamento da companhia aérea.

Mas este passo-a-passo, por mais decorado e treinado, não funciona sem uma dose sincera de humildade e alteridade. Alteridade é a capacidade de se colocar no lugar do outro – uma qualidade que se desenvolve na infância e não quando um avião se espatifa no chão.

Quem tem a soberba de se achar melhor que os outros vai seguir o manual como quem se protege de um grande complô montado por invejosos – a mídia que quer atacar o governo, os concorrentes que tentam se aproveitar da situação.

Deu no que deu. No dia em que finalmente o manual foi seguido pelo governo – do pronunciamento do presidente em cadeia nacional a um pacote de medidas efetivas –, escapou uma condecoração (!) ao presidente da Anac por bons serviços prestados ao setor. A postura da TAM é sempre tão arrogante que nem as lágrimas do presidente em uma missa pareciam sinceras.

Quem vê tudo de fora, com os olhos no drama humano que efetivamente se desenrola, mal pode acreditar em tanta incompetência, tanta trapalhada. Quem está dentro, imagino, tenta aprender com os erros, para aperfeiçoar o próximo manual de gerenciamento de crise…

O nome da ruga

Publicado por Marta em 23 Jul 2007 | sob: Femininas

Lembra de quando o máximo da maldade era dizer que fulana estava cheia de “pés-de-galinha”? Pois é, o tempo passa e a maldade, na hora de nominar as rugas, aumenta.

Ultimamente interessada no assunto de prevenção das ditas cujas (por que será?), comecei a reparar nos “sutis” apelidos que as acompanham. Não sei se para traumatizar ainda mais as mulheres, e vender mais cremes, toda ironia parece ser pouca, mesmo quando a abordagem é médica ou “séria”.

Primeiro, descobri que os sulcos que saem dos cantos da boca, lá pelos 50, são conhecidos como “bigode chinês”. Pode? Ontem, numa revista feminina, li que as marquinhas que surgem em torno dos lábios são batizadas de “código de barras”! Céus, quem são os canalhas (devem ser homens) que apelidam as rugas femininas?

Fiquei me imaginando, num futuro muuuuuito longínquo, com um pé-de-galinha saindo do canto de cada olho e uma boca com desenho de código de barras, ornamentada por um bigode chinês! Se eu soubesse desenhar, faria uma charge-denúncia sobre o assunto.

Depois ainda reclamam da baixa auto-estima feminina…

Ninho vazio

Publicado por Marta em 20 Jul 2007 | sob: Femininas, Comportamento

A síndrome do ninho vazio foi “diagnosticada” nos Estados Unidos, onde os filhos adolescentes costumam sair de casa cedo, para morar em universidades distantes de suas cidades. De um dia para o outro, a casa fica silenciosa e os mesmos pais que reclamavam dia e noite da confusão caem em depressão, sentindo-se velhos e inúteis.

Por aqui, isso só acontece bem mais tarde. Os filhos vão à faculdade de carro, formam-se e continuam contando com todas as mordomias de morar com os pais – porque ainda não se sustentam sozinhos, porque não querem ser tão independentes assim ou porque os pais os estimulam veladamente a ficar um pouquinho mais.

Mas tenho amigas, separadas dos pais de seus filhos, que vivem a experiência muito antes. O filho ainda pequeno passa um fim de semana inteiro na casa do pai, e nas férias esse período pode chegar a 10, 15 dias! Eu ficava com uma pontinha de inveja – imagina poder ir ao cinema sem precisar combinar com babá ou avó.

Isso tudo para dizer que o meu ninho ficou vazio esta semana. Pela primeira vez, em sete anos. Na primeira noite, foi esquisito, um tanto triste. Mas bastou um telefonema para constatar o quanto a minha filha estava bem melhor lá, cercada dos primos e com o carinho da avó, do que desperdiçando suas férias comigo.

Uns testes como esse podem ser um bom treinamento, para eu não me tornar uma dessas mães que não deixam os filhos crescer…

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas estou morrendo de saudades e lá vou eu para Búzios! Só volto com a filhota debaixo da asa, para preencher o ninho!

Já vimos esse filme

Publicado por Marta em 18 Jul 2007 | sob: Cotidiano

O governo vai sugerir que foi erro humano. A oposição se fartará, de tanto motivo para culpar as autoridades. As investigações oficiais sobre o acidente da TAM vão se arrastar, graças ao respaldo técnico que domina o assunto, mas, mesmo assim, todo dia aparecerá nos jornais alguma revelação bombástica que não levará à conclusão alguma.

Você se lembra do day after do acidente da Gol, há dez meses? As informações convergiam no sentido de culpar o jatinho pilotado por americanos. Não era tão simples assim e, já sob o apagão aéreo, a responsabilidade foi sendo fatiada - ou diluída.

No caso do acidente da TAM de 1996, o vilão escolhido foi o reverso – uma engrenagem que hoje nem precisa ser explicada. No entanto, depois que a companhia aérea conseguiu se livrar dos muitos Fokker 100 da sua frota, ficou evidente que as tais aeronaves eram mesmo bichadas. E ainda foram utilizadas por muuuuuito tempo…

Queremos conhecer amanhã o culpado pelo terrível acidente com o Airbus da TAM . Mas tudo indica que a verdade só emergirá daqui a muito tempo. Se é que vai aparecer.

Perto da tragédia

Publicado por Marta em 18 Jul 2007 | sob: Jornalismo, Comportamento

Nunca fui medrosa ou impressionada, e achava que acidente era algo terrível que só acontecia aos outros. Tudo isso mudou na época do acidente da TAM de 1996, muito semelhante ao que ocorreu ontem em São Paulo.

Por pouco o Zé não embarcou naquela ponte-aérea, acompanhando o colega de Ambev que acabou sendo uma das 99 vítimas. Como acontece em sucursal nessas ocasiões, todos os repórteres do Globo trabalharam intensamente na cobertura, inclusive eu. Mas acho que fui poupada, porque tinha passado maus bocados exatamente duas semanas antes, no Salão do Automóvel.

Era uma coletiva de imprensa, dessas que as empresas marcam durante as feiras de negócios para vender seu peixe. Os jornalistas estavam sentados, distribuídos em mesas espalhadas pelo estande da Volkswagen, esperando o início da coletiva, quando o chão faltou. Literalmente. Na hora em que escrevo isso fico toda arrepiada, porque me lembro exatamente da sensação.

O chão caía, tudo em volta despencava junto, inclusive as mesas com tampos de vidro, e não havia onde segurar. Nada fazia sentido. A luz se apagou junto com o estrondo, as pessoas gritavam e eu só conseguia sentir que estava vivendo uma tragédia. Daquelas que aconteciam com os outros.

Quando os destroços pareciam ter se acomodado, um coro de “calma!”, liderado por vozes masculinas, tomou conta do ambiente, iluminado por faíscas. Alguém me ajudou a tirar uma câmera de TV de cima do meu pescoço e eu só conseguia pensar em achar a minha bolsa. Por que cargas d’água alguém que achava que ia morrer procura uma bolsa?

A calma extrema das pessoas que evitaram uma situação de pânico, a minha preocupação com a bolsa e com o celular (um tijolão emprestado da agência) e o fato de ninguém ter morrido naquele acidente são partes dessa história que até hoje não entendo direito.

Como sempre acontece depois dos acidentes, fomos tomados pelo sentimento de revolta e pela busca de culpados. Estava cheia de hematomas, mas fiquei ali, passando flashes indignados, enquanto o Miguel Jorge - atual ministro do Desenvolvimento e então diretor da Volks - tentava minimizar o ocorrido e culpar a empresa terceirizada que montou o estande.

Muita gente se machucou feio e minha camisa estava cheia de sangue que não era meu. Mas por sorte não havia ninguém no primeiro piso, embaixo do chão que cedeu, então o acidente logo foi esquecido.

Por quase todos, mas não por mim. Quando o avião da TAM caiu, duas semanas depois, eu andava sobressaltada. Tremia com qualquer barulho forte e até hoje não suporto o ruído que essas divisórias de escritório fazem, quando são chacoalhadas.

A primeira vez que tive medo de avião na minha vida foi numa ponte-aérea pouco depois do acidente da TAM. Contei no relógio os segundos após a decolagem, tentando reproduzir o tempo que os passageiros tiveram antes de a aeronave se espatifar. Imaginei-os percebendo que estavam vivendo uma tragédia.

Pensei no amigo do Zé que morrera, deixando filhos, e em como o destino nos livrara da tragédia. Concluí que morrer de doença, devagar, talvez fosse melhor do que morrer rápido em um acidente, tomada pelo pânico e pela ânsia de sobreviver. Eu tinha me tornado uma pessoa impressionada e impressionável, de uma forma que nunca imaginei ser.

Com o passar dos anos recuperei meu otimismo prevalecente. Mas deixei de ser aquela pessoa despreocupada de antes. Descobri que ia morrer um dia, que a morte pode ser bem idiota e que às vezes acontece em tragédias de grande escala - como tsunamis, atentados terroristas e acidentes aéreos.

Nos resta torcer para estar longe delas e nos solidarizar com quem sofre por seus mortos queridos.

Estou na fila do iPhone

Publicado por Marta em 17 Jul 2007 | sob: Comportamento

Já tive uns bons chiliques por conta de problemas com tecnologia. Nunca aprendi a programar o videocassete e sempre fui totalmente depende do “menino do suporte” para lidar com o computador. Como achava que não levava jeito, resistia a qualquer novidade que chegasse junto com manual ou exigisse “configuração”.

Para justificar minha aversão – ou preguiça –, construía intrincadas teorias comprobatórias de que qualquer investimento tecnológico, de tempo e dinheiro, não valia a pena. Quando o primeiro coleguinha perdeu os telefones de todas as fontes da agenda eletrônica – uma das geringonças que nunca tive –, não pude evitar um “não disse?”, repleto de satisfação.

Claro que a maioria das minhas previsões sobre fracassos tecnológicos não se confirmou. Lembro de ter desdenhado dos primeiros celulares com câmera, por exemplo. Mas, já nessa época, minha argumentação tinha mudado: eu acabara de comprar uma câmera digital, e não percebia que todas aquelas maravilhas poderiam um dia caber dentro de um simples telefone.

Não sei se foi a minha adesão de primeira hora à câmera digital, o deslumbramento com o google ou o meu mais novo vício – o blackberry. Mas o fato é que, quando percebi que não precisava me enquadrar no protótipo do fanático nem no do avesso à tecnologia, o mundo digital foi me conquistando.

Acredito que é possível se identificar mais, ou menos, com uma novidade tecnológica, e aderir ou não a ela. Você pode continuar gostando de comprar CDs, admitir que é “antigo” nesse assunto e esperar que a indústria tecnológica ou fonográfica descubra uma nova forma de lhe conquistar. Pode amar seu ipod e não gostar de emails, ou vice-versa. Pode optar por ser dependente de um suporte para o computador ou decidir que é melhor aprender a se virar, para ganhar autonomia.

Eu mesma, antes do blackberry, sempre tive uma relação pouco confortável com o celular. Comprei o aparelho quase que como uma gentileza com os outros, para ser encontrada – e olhe lá. Achava aquilo invasivo, ficava sobressaltada quando tocava, relutava em ligar para o celular de pessoas com as quais não tinha intimidade.

Já a comunicação por email ou mensagens – com quem se mantém conectado, claro – flui melhor para mim. Tem a dose de urgência certa para a maioria das situações e aproxima as pessoas sem incomodá-las. Mas esse é apenas o meu caso, o meu perfil. Consegui me livrar de boa parte dos spams, gosto de escrever.

Com o blackberry (ou smartphone, seu nome oficial) me sinto conectada com liberdade e privacidade. Quando percebem que checo os emails com freqüência, as pessoas só ligam para o celular se for necessário. É perfeito. Leio emails no elevador, dou uma olhadinha na internet enquanto estou táxi, faço consultas rápidas no google e não preciso mendigar computador alheio em viagens.

Juro que nada disso me estressa. Acho prático, sou mais produtiva. E já me sinto na fila do iPhone – que parece ser uma evolução do blackberry, por tudo que li a respeito. É até engraçado: euzinha, que sempre tive “problemas com tecnologia”, na mesma fila dos fanáticos…

Antes que me esqueça da dica (está na linha fina do título do blog…), ter um smartphone não é tão caro. Pago exatos R$ 173,90 por mês por um pacote da Vivo com internet ilimitada e 300 minutos de ligações telefônicas. Como tenho bônus de 15 minutos de interurbanos e outros 15 de roaming, raramente ultrapasso esse valor mensal. Até porque, quando viajo, posso abusar dos emails. O aparelho, bem fininho, é um Moto Q e custou R$ 699 em novembro.

Ah, o blackberry também tem câmara digital. A tal que eu apostei que jamais migraria para o celular…

É de Cesar

Publicado por Marta em 16 Jul 2007 | sob: Rio

Responda rápido: se você fosse orquestrar uma vaia ao presidente da República na abertura do Pan, iria aproveitar a claque para ser aplaudido? Meio “bandeira”, né? Mas se tratando de Cesar Maia… Só sei que nem deu para se divertir com a vaia, nesse pacote que incluiu palmas ao prefeito factóide…

Diálogos de telemarketing

Publicado por Marta em 16 Jul 2007 | sob: Cotidiano

“Alô, eu gostaria de estar falando com a senhora Maria Salles.” O nome consta como titular da minha linha telefônica desde que me mudei, há cinco anos. Como havia uma burocracia para a transferência, e o engano ajudava a identificar as ligações infernais de telemarketing, deixei pra lá. Outro dia soube que a dona Maria, antiga dona do apartamento, tinha morrido, já bem velhinha, na fazenda onde morava em Minas.

“Ela morreu”, respondi, com o ar mais compungido possível. Veja bem, eu poderia ser filha dela. Poderia ter acontecido hoje de manhã. Mas a operadora de telemarketing não se intimidou. “Sinto muito, senhora, mas meu nome é Sheila e eu gostaria de estar oferecendo…”

Mãe integral precisa de “plano B”

Publicado por Marta em 13 Jul 2007 | sob: Femininas

De vez em quando uma amiga fica em crise, dividida entre a idéia de investir na carreira ou no filhote. No mês passado, uma matéria de capa da Época mostrou mulheres que estão parando de trabalhar para cuidar dos filhos, numa boa, sem o drama de terem se tornado “do lar”, à moda antiga.

Achei interessante, mas penso que essas mulheres, que ficam bem só em casa, cuidando de filho (não é o meu caso), deveriam ter um “plano B”, para o futuro. Aliás, desenvolver mentalmente um plano B é bom para tudo na vida, inclusive para a própria carreira.

No caso de quem aposta em uma realização mais plena como mãe, sem o tormento que de fato é conciliar esse papel com um trabalho estressante, é preciso lembrar que os filhos crescem. Parece óbvio, lugar comum, mas quem está com um bebê no colo, especialmente se for o primeiro, não consegue visualizar isso com clareza.

Ultimamente ando deslumbrada (ou seria assombrada?) diante da possibilidade de que vamos todos viver 100 anos. Fico imaginando a vida dessas senhorinhas, ou senhorinhos, que, 40 anos atrás, ao completaram seus 60, se conformaram em ser velhos e começaram a contagem regressiva para morrer. Aí se passaram dez anos, e depois mais dez. Aos 80, pensaram: “Puxa, já estou na prorrogação.” Mas então se passam mais 20 anos! O que teriam feito, aos 50, se soubessem que ainda iam viver outros 50?

Uma mulher de 30 e poucos anos pode estar meio cansada de trabalhar, porque começou cedo e já experimentou o sucesso na profissão, e passa a ver na maternidade uma nova forma de realização. (As mulheres são assim, diferentes do homem, e se realizam de várias formas, não apenas com aquilo que dá dinheiro, status e poder.) Se a renda do casal permite, parar de trabalhar parece tentador.

Mas, vem cá, e quando o filho expulsá-la do quarto, porque ela está invadindo o seu espaço e atrapalhando o videogame? E quando a filha adolescente disser “eu te odeio” e for fazer intercâmbio no exterior? Essa mulher pode ter uns 50 anos de vida pela frente, e se esqueceu de ter fazer um plano para essa “etapa”, que está longe de ser apenas uma prorrogação.

Vai dar para retomar o trabalho? Ser bem sucedida a ponto de aquilo voltar a ser uma fonte de realização? Talvez sim, talvez não. Talvez tivesse sido mais fácil, de alguma forma, conciliar os dois papéis, de mãe e profissional, naquela fase mais crítica da maternidade – esta sim, uma etapa relativamente curta, de dez ou 15 anos.

O que os filhos pensariam sobre isso? Bem, a mãe vai ser culpada de qualquer jeito. Por ter sido negligente, e priorizado a carreira, ou ter superprotegido os pimpolhos, cobrados depois por todo o seu “sacrifício”. Outro dia li, na “Vida Simples”, uma definição ótima sobre como a gente sabe que foi um bom pai (ou mãe): é quando os filhos conseguem pagar sozinhos a própria análise.

Começa, Pan, pelamordedeus!

Publicado por Marta em 11 Jul 2007 | sob: Cotidiano

Não vejo a hora de o Pan começar. Ninguém merece as coberturas que antecedem esses grandes eventos. E olha que atualmente minha exposição à TV aberta se resume a um “Bom dia Brasil” de vez em quando. Imagina quem tem hábito de Jornal Nacional…

Haja criatividade para preencher o espaço “jornalístico” destinado ao evento, por conta das cotas de patrocínio vendidas. É sempre um alívio quando finalmente a escola de samba entra na avenida, quando um atleta recebe uma medalha, enfim, quando pelo menos existe alguma remota notícia.

Reconheço que não sou lá muito chegada a esportes e carnaval, mas, convenhamos: existe algo mais ridículo do que aquelas matérias ao vivo em telejornal local, às 7h da matina, com sambistas e mulatas fingindo animação no meio de uma quadra vazia???

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